KUR’ÂN’DA “TAKV” KAVRAMI
A- Öznesine Göre “Takvâ” Kavramı
2) Cihâd konusunda “İttikâ”
Nas últimas décadas algumas políticas educacionais e de acesso à informação (PRONINFE, 1989; PROINFO8, 1997; SOCINFO9, 1999; PROJETO UCA, 2007) se voltaram sobre a necessidade de se trazer para a escola as novas tecnologias no sentido, inclusive, de atualizar as práticas escolares com as demandas sociais vigentes.
Nesse sentido, os primeiros projetos de informática na educação10 brasileira, tinham por concepção a visão do computador como capaz de provocar mudanças profundas
8 Para maiores aprofundamentos sobre PROINFO ver: Almeida (2000); Holanda (2001); Marcelino (2003); UnB
(2002).
9 Sociedade da Informação - SOCINFO é um programa do governo federal lançado em 1999, pelo Ministério de
Ciência e Tecnologia - MCT, este programa organizou no ano 2000 o Livro Verde da Sociedade da Informação.
10 A Informática na Educação tem apresentado diversos sentidos e significados dependendo da visão educacional
e da condição pedagógica em que o computador é utilizado. Para Valente (2009) o “termo ‘Informática na Educação’ significa a inserção do computador no processo de aprendizagem dos conteúdos curriculares de todos os níveis e modalidades de educação (p.01)”.
na pedagogia escolar (VALENTE, 2009). Já as políticas públicas, principalmente a partir do ano 2000, trazem em seu bojo uma visão alicerçada na concepção da informática na educação, como possibilidade de melhorar a educação e permitir a inclusão digital da população favorecida, promovendo a inclusão digital dos alunos. Assim, a concepção da informática na educação brasileira a partir do século XXI está alicerçada na ideia de inserir o Brasil na Sociedade da Informação, onde a educação seria um dos pilares dessa ideia. É neste cenário de mudança de foco da informática educativa, abarcando a ideia de inclusão digital, que o governo brasileiro desenvolve políticas públicas nessa linha como o programa UCA.
Na educação brasileira, a inserção da informática na educação remonta aos anos 70, onde podemos destacar quatro programas de maior expressão quanto ao uso das TICs na educação, que foram: o Projeto EDUCOM, Programa Nacional de Informática Educativa - PRONINFE, o Programa Nacional de Informática na Educação – PROINFO (e posteriormente a sua mudança para o Programa Nacional de Tecnologia Educacional - PROINFO INTEGRADO) e o Programa Um Computador por aluno – UCA.
Havia desde essa época a preocupação com que os alunos tivessem acesso às novas tecnologias, já que em diversos paises do mundo e no Brasil vários autores (ALMEIDA, 2000a, 2000b; ALMEIDA, PRADO, 2011; ALMEIDA, VALENTE, 2011; VALENTE, ALMEIDA, 1997; DAMASIO, 2007; PAPERT, 1995, 1985; VALENTE, 1998, 2009, 2011) coadunam a ideia de que a tecnologia poderia ser uma forma eficaz de se ter acesso a informações e, quiçá, proporcionar e melhorar a construção de conhecimentos no ambiente escolar.
Assim, a inserção dos computadores na educação brasileira se inicia nas universidades na década de 70, mais especificamente em 1971, quando se discutiu pela primeira vez no País o uso de computadores no ensino de Física, no I Seminário sobre o Uso dos Computadores no Ensino de Física, promovido pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR em parceria com a University of Dartmouth dos Estados Unidos da America - USA. Ainda nessa década, o governo brasileiro cria a Secretaria Especial de Informática – SEI, que era um órgão executivo do Conselho de Segurança Nacional da Presidência da Republica, no período militar, responsável pela coordenação e execução da Política Nacional de Informática, tendo por objetivo:
Fomentar e estimular a informatização da sociedade brasileira, voltada para a capacitação científica e tecnológica capaz de promover a autonomia nacional,
baseada em princípios e diretrizes fundamentados na realidade brasileira e decorrentes das atividades de pesquisas e da consolidação da indústria nacional (MORAES, 1997, p.02).
Ressalta-se que, para o alcance dos objetivos supracitados, havia o entendimento de ser necessário ampliar a informática aos diversos setores e atividades da sociedade e de acordo com Moraes (1997). Portanto, a política nacional de informática já considerava área de educação o setor mais importante de forma a atingir esses objetivos.
As instituições pioneiras na utilização da informática na educação no Brasil foram as universidades. Inicialmente, a Universidade Federal Rio de Janeiro – UFRJ que, em 1966, através do departamento de Calculo Científico, deu origem ao Núcleo de Computação Eletrônica – NCE, onde o computador era usado como objeto de estudo e pesquisa. Em seguida, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, a partir de 1973, e a Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP a partir de 1975, onde um “grupo de pesquisadores coordenados pelo professor Ubiratan D´Ambrósio, escreveu o documento Introdução dos Computadores nas Escolas de 2º grau” (MORAES, 1997, p.02).
Em julho de 1975, a partir da visita de Seymour Papert e Marvin Minsky a UNICAMP, e a ida de pesquisadores brasileiros da UNICAMP ao Massachusetts Institute Technology- MIT, em 1976, as pesquisas avançaram cada vez mais dando origem as primeiras investigações sobre o uso de computadores na educação, utilizando a linguagem LOGO11 (MORAES, 1997).
No final da década de 70 e início dos anos 80 houve uma ampliação dos estudos e pesquisas, sobre o uso de computadores na educação nas universidades, principalmente com estudantes de escolas públicas. Nesse sentido podemos destacar a UFRGS, que institui o Laboratório de Estudos Cognitivos do Instituto de Psicologia - LEC/UFRGS e a UNICAMP criou o Núcleo Interdisciplinar de Informática Aplicada a Educação - NIED/UNICAMP.
Nos anos 1980 houve a realização do I Seminário Nacional de Informática na Educação, realizado na Universidade de Brasília em 1981 e o II Seminário Nacional de Informática na Educação, realizado na Universidade Federal da Bahia, em 1982, que contaram com a participação de especialistas nacionais e internacionais.
11 Logo é uma linguagem de programação, um meio de comunicação entre o computador e a pessoa que irá usá-
lo. A principal diferença entre Logo e outras linguagens de programação está no fato de que foi desenvolvida para ser usada por crianças e para que as crianças possam, com ela, aprender outras coisas. A linguagem Logo vem embutida em uma filosofia da educação não diretiva, de inspiração piagetiana, em que a criança aprende explorando o seu ambiente - no caso, também criando "micro-ambientes" ou "micro-mundos" com regras que ela mesma impõe. (Fonte: http://projetologo.webs.com/texto1.html).
Estes encontros foram extremamente importantes para demonstrar a importância de se pesquisar e discutir a informática na educação brasileira. Foram nesses seminários que surgiu à ideia de implantação de projetos – pilotos em universidades “cujas investigações ocorreriam em caráter experimental e deveriam servir de subsídios a uma futura Política Nacional de Informatização da Educação” (MORAES, 1997, p.04). Pode-se dizer que foi a partir destes fóruns que nasceram, por exemplo, a concepção do projeto EDUCOM.
Após o I Seminário Nacional de Informática na Educação em 1981, foi criado um grupo de trabalho com representantes do Ministério da Educação - MEC, SEI, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ e Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP que elaboraram um documento denominado Subsídios para a Implantação do Programa Nacional de Informática na Educação. Este documento orientava que:
As iniciativas nacionais deveriam estar centradas nas universidades e não diretamente nas secretarias de educação, pois era necessário construir conhecimentos técnico-científicos para depois discuti-los com a comunidade nacional. Buscava-se a criação de centros formadores de recursos humanos qualificados, capazes de superar os desafios presentes e futuros então vislumbrados (MORAES, 1997, p. 06).
Com essas orientações, em 1983 foi apresentado o documento do Projeto EDUCOM, que se apresentava como uma proposta interdisciplinar cujo objetivo era a criação experimental de centros-piloto em universidades nas cinco regiões do País, interessadas no desenvolvimento de pesquisas com ações integradas com escolas públicas. No mesmo ano a SEI aprovou o projeto, estabelecendo inclusive critérios e formas de operacionalização do mesmo. Porém, coube ao Centro de Informática – CENIFOR do MEC, a responsabilidade pela implementação, coordenação e supervisão técnica do projeto EDUCOM, haja vista o interesse do MEC em assumir a coordenação do projeto. Ressalta-se que a partir desse momento o MEC passou a assumir a responsabilidade do processo de informatização da educação brasileira.
O EDUCOM foi realizado em cinco universidades: Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, tendo como base considerar que “as políticas a serem implantadas deveriam ser sempre fundamentadas em pesquisas pautadas em experiências concretas, usando a escola pública, prioritariamente, o ensino de 2° grau”
(VALENTE, ALMEIDA, 1997, p.14). Quanto à ação e atuação do projeto, Valente e Almeida (1997, p.14) afirmam que este:
Contemplou ainda a diversidade de abordagens pedagógicas, como desenvolvimento de software educativos e uso do computador como recurso para resolução de problemas. Do ponto de vista metodológico, o trabalho deveria ser realizado por uma equipe interdisciplinar formada pelos professores das escolas escolhidas e por um grupo de profissionais da universidade. Os professores das escolas deveriam ser os responsáveis pelo desenvolvimento do projeto na escola, e esse trabalho deveria ter o suporte e o acompanhamento do grupo de pesquisa da universidade, formado por pedagogos, psicólogos, sociólogos e cientistas da computação.
Com o final do governo militar e a redemocratização do País, ocorreram profundas mudanças nas esferas administrativas do governo federal, mudanças na orientação política e administrativa do governo e também no MEC que acabaram por afetar o projeto EDUCOM. Essas inconstâncias prejudicaram o projeto, pois “os organismos governamentais deixaram de cumprir parte de suas obrigações financeiras, apesar dos diversos protocolos firmados e do interesse e iniciativa de implantação do Projeto partir do próprio Governo Federal” (MORAES, 1997, p.08).
Percebemos que essas mudanças oriundas da nova estrutura política ocasionaram a modificação e a extinção de projetos no contexto federal. Foi o que aconteceu com o projeto EDUCOM, mas também ocorreu o desenvolvimento de outros projetos e programas, a exemplo do projeto FORMAR e o Programa de Ação Imediata em Informática na Educação – PAIE. Estes projetos e programas (FORMAR e PAIE) contavam com a colaboração dos centros-piloto do projeto EDUCOM e visavam, entre outras, a formação e capacitação de professores em informática na educação da rede pública. Podemos considerar que estas novas políticas governamentais só foram possíveis graças aos conhecimentos acumulados no projeto EDUCOM.
Assim, a partir dos projetos e programas desenvolvidos nas décadas de 70 e 80 foi estruturado nos anos 90 o Programa Nacional de Informática Educativa – PRONINFE, com a portaria ministerial nº 549/1989, que tinha por objetivo:
Desenvolver a informática educativa no Brasil, através de projetos e atividades, articulados e convergentes, apoiados em fundamentação pedagógica sólida e atualizada, de modo a assegurar a unidade política, técnica e científica imprescindível ao êxito dos esforços e investimentos envolvidos (MORAES, 1997, p. 11).
Este programa também objetivava apoiar a utilização da informática nos ensinos de 1º, 2º e 3º graus e educação especial, promover a capacitação e formação de professores além da criação de uma estrutura de núcleos distribuídos pelo País.
O PRONINFE direcionou as ações da informática na educação nos anos 90, servindo de base para outros programas como o Programa Nacional de Informática na Educação – PROINFO (BRASIL, 1997), criado a partir da portaria ministerial nº 522/97, possuindo os seguintes objetivos:
Primeiro melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem. Para atingir este objetivo foi evidenciada a necessidade de melhorar a qualidade das interações entre professor e aluno, considerar as diferentes necessidades de aprendizagem dos estudantes, possibilitar igualdade de acesso aos instrumentos tecnológicos e diversificar os espaços do conhecimento, processos e metodologias. Neste sentido, computadores serão utilizados como catalisadores deste processo, incentivando a mudança no paradigma vigente; segundo possibilitar a criação de uma nova ecologia cognitiva nos ambientes escolares mediante a incorporação adequada das novas tecnologias da informação pelas escolas. Para tanto, pretende-se que a escola leve em conta o ambiente externo a ela, integrando todos os elementos do contexto em que está inserida, gerando uma rede de relações, que proporciona a elaboração dos saberes; terceiro propiciar uma educação voltada para o desenvolvimento científico e tecnológico. Assim, busca-se formar pessoas capazes de lidar com a ciência e a tecnologia, de compreendê-la, dominar seus processos e utilizá-los de acordo com as necessidades que surgem e não apenas consumir seus produtos; E por fim educar para uma cidadania global numa sociedade tecnologicamente desenvolvida. Pois com a presença cada maior vez maior, das redes de comunicação como a internet, torna-se necessário formar cidadãos capazes de se comunicar e dialogar com indivíduos de lugares e culturas diversificadas. (PEREIRA et al., 2012, p.82-83).
O PROINFO foi desenvolvido entre os anos de 1997 a 2007. No ano de 2007, na gestão do então presidente Luis Inácio Lula da Silva, o programa sofreu algumas modificações e passou a ser chamado de Programa Nacional de Tecnologia Educacional - PROINFO INTEGRADO, decreto nº 6300/2007. Observamos nesse momento a mudança do termo “informática na educação” para “tecnologias na educação” e também uma mudança de foco nas políticas públicas da área para a inserção da inclusão digital entre seus objetivos.
Nota-se, a partir dos documentos oficiais, que mesmo tendo por base o PROINFO, o PROINFO INTEGRADO possui mudanças substanciais em relação ao programa anterior, que vão desde o fortalecimento da formação continuada dos professores em conjunto com os NTEs dos estados e municípios; infraestrutura das TICs na escola; aumento da abrangência do programa, incluindo as escolas públicas da zona rural, já que no PROINFO apenas as escolas da zona urbana eram contempladas pelo programa; e também a articulação da distribuição dos equipamentos tecnológicos nas escolas a oferta de conteúdos e recursos multimídia e digitais oferecidos pelo Portal do Professor, pela TV Escola e DVD
Escola, pelo Domínio Público e pelo Banco Internacional de Objetos Educacionais. Como falamos anteriormente, observamos nesse momento a mudança de uso das TICs na educação brasileira, que anteriormente tinha o computador como base das ações nos programas anteriores para a idéia de uso das tecnologias na educação tendo, entre seus, objetivos a inclusão digital dos participantes.
O PROINFO INTEGRADO é, sem dúvida, uma das importantes políticas públicas para a inserção das TICs na educação brasileira, servindo de base, suporte e apoio para outras políticas como o Programa Um Computador por Aluno – UCA que iniciou em 2007 e objetiva, entre outros, ser um projeto educacional de uso das TICs e promover a inclusão digital, sendo visto como:
Ação que se insere nas demais políticas de governo voltadas aos processos de inclusão digital, como o Programa Nacional de Informática na Educação – ProInfo, cujo recurso tecnológico se apresenta como meio para o alcance de novas práticas pedagógicas, do enriquecimento do processo de aprendizagem, da ampliação das condições de formação do professor, do apoio à capacidade de gestão da escola e mudanças na gestão de espaços e tempos escolares. (BRASIL, 2010).
O UCA surge em 2007 como uma política pública ambiciosa e de certa forma cara, que procura introduzir o computador e o acesso à internet como ferramenta pedagógica em favor do aprendizado. A concepção do projeto surge no Fórum Econômico de Davos na Suíça em 2005, com a ideia de um laptop para cada criança. Após este fórum, vários países do mundo e inclusive da América Latina, como Argentina, Paraguai, Peru, Bolívia, Nicarágua e Uruguai, desenvolveram projetos semelhantes ao programa UCA no Brasil (LAVINAS, 2012). Este programa em sua concepção pedagógica possui a perspectiva de colocar o aluno na centralidade do processo educativo não apenas como alguém passivo às informações do professor: ele requer a substituição das tradicionais formas de difusão do conhecimento, sendo necessário uma mudança de concepção na estrutura da escola e também do currículo escolar como conhecemos (ALMEIDA et al., 2012).
O programa se apresenta inserido no contexto das políticas públicas governamentais em nosso país e como possibilidade para a promoção da inclusão digital da população, onde de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, 2005), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, o número de indivíduos que tinham computador em suas residências nas regiões Norte, Nordeste, Centro Oeste, Sudeste e Sul em 2005 eram respectivamente, 7,9%, 7,6%, 17,8%, 25,8% e 24,1% percentuais. Quanto ao acesso a internet, nestas mesmas regiões Norte, Nordeste, Centro
Oeste, Sudeste e Sul, tinham respectivamente, 4,3%, 5,3%, 15,2%, 19,5% e 17,6%. Os dados nos mostram que num país grande e populoso como o Brasil, tais resultados são irrisórios. Por isso podemos observar a partir destes dados que a maioria da população de nosso País é excluída das primeiras etapas do processo de uma efetiva inclusão sócio-digital, que é o acesso ao computador e internet.
Assim, após a apresentação das políticas públicas que antecederam o programa UCA, expomos os principais projetos e programas de informática e tecnologias na educação ao longo das décadas e as transformações nos objetivos das políticas públicas na área que hoje contemplam inclusão digital. Dessa discussão, entende-se que o projeto UCA está inserido neste contexto das políticas inicialmente de informática e depois de tecnologias na educação sendo, portanto, produto de toda uma construção histórica que remonta desde a década de 1970, quando se iniciou a inserção das tecnologias na educação brasileira.
A partir desta construção histórica das políticas de tecnologias de informação e comunicação em nosso País, no próximo tópico apresentamos os principais projetos e programas de inclusão digital do Brasil na atualidade.