2. KURAMSAL ÇERÇEVE
2.5 Söz Eylem Kuramı Bağlamında Söz Eylemlerin Genel Tanımı
O plano não é algo imutável e eterno. A dinâmica dos acontecimentos na vida real e a impossibilidade da mente humana de prever todas as situações de possível ocorrência demandam contínuos ajustes dos planos para adaptá-los às mudanças. É inimaginável que um contrato de concessão de trinta anos possa permanecer o mesmo durante todo o prazo de execução, por isso o requisito da atualidade, adaptabilidade ou mutabilidade (art. 6º, § 2º, da lei n. 8.789/95).278 São características dos planos: dinâmica e flexibilidade. Veja-se que o planejamento do desenvolvimento urbanístico de que trata a Constituição não significa tão somente o crescimento e o progresso, como se a cidade estivesse tão somente em constante crescimento, mas abraça a ideia de movimento, de ebulição, de efervescência, de
278 Dinorá Adelaide Musetti Grotti ensina que este “princípio significa que os serviços públicos podem e devem ser adaptados, alterados, de acordo com as necessidades cambiantes do público, seguindo as exigências de interesse geral. Os serviços públicos devem seguir a mudança das circunstâncias, acompanhar a sua evolução: as prestações ofertadas aos usuários devem aumentar sem cessar em quantidade e melhorar em qualidade, em obediência à lei do progresso aplicável aos serviços públicos.” (GROTTI, Dinorá Adelaide Musetti. O serviço público e a Constituição brasileira de 1988. São Paulo: Malheiros, 2003. p. 295).
crescer e de diminuir, de mudar, enfim da dinâmica urbanística de uma urbe em constante mutação.279
O plano urbanístico de interesse difuso, de todos e de cada um, de cada um e de todos, é bem de tutela permanente que demanda um agir constante do Poder Público e de toda a comunidade, para sua manutenção, atualização e evolução. Inclusive para realizar as modificações que a dinâmica da vida social urbana demanda.280 Determinada área destinada ao zoneamento industrial, com o passar do tempo e das mudanças econômicas, pode se transformar em zona residencial, prédios são demolidos e reconstruídos, reformados, áreas são reurbanizadas. Prédio usado para depósito se transforma em igreja, indústria em escola, terreno vago em praça de esportes, e assim por diante. O Estatuto da Cidade dispõe que o Plano Diretor seja revisto, pelo menos, a cada dez anos (art. 40, § 3º, da lei n. 10.257/2001).
No planejamento orçamentário, há mecanismos para viabilizar a efetivação de despesas novas ou insuficientemente dotadas na lei orçamentária, por meio dos créditos adicionais,281 assim classificados: a) créditos suplementares – são os destinados a reforçar dotações orçamentárias existentes, mas insuficientes, para atender as despesas necessárias; b) créditos especiais – são os destinados ao atendimento de despesas, para as quais a LOA não conta com dotação orçamentária específica; e c) créditos extraordinários – são os destinados a despesas urgentes e imprevistas, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública (art. 41, I, II e III, da lei n. 4.320/64).
Como os créditos suplementares e especiais alteram a LOA, só podem ser autorizados por lei (art. 42, da lei n. 4.320/64). Os primeiros podem estar previstos na própria lei orçamentária, até um limite, normalmente um percentual fixo, sendo
279 Daniela Campos Libório, ao cuidar da coesão dinâmica, adverte: “As atividades urbanísticas procuram interferir, modificar, salvaguardar, resgatar, restaurar a urbe com a finalidade de melhorar a qualidade de vida local.” [...] “A dinâmica do planejamento é fundamental para a eficácia deste princípio. Na medida em que certo plano seja aplicado, ele vai se desatualizando com relação ao seu objeto, justamente por transformá-lo. Assim, o plano deverá prever mecanismo de revisão e atualização de seu conteúdo. É a coesão dinâmica.” (LIBÓRIO, Daniela Campos. Elementos de direito urbanístico. São Paulo: Manole, 2004. p. 51-52).
280 Edésio Fernandes sustenta que se trata de “direto coletivo ao planejamento das cidades”, “direito de todos
terem suas cidades planejadas em processo de ordenação territorial definido de acordo com critério econômicos e socioambientais”. (FERNANDES, Edésio. Direito urbanístico: estudos brasileiros e internacionais. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. p. 11.)
281 Art. 40, da lei n. 4.320/64 define: “São créditos adicionais as autorizações de despesa não computadas ou
vedada a concessão ilimitada (art. 167, VII, da CF/88), para ser aberto por decreto (art. 42, da lei n. 4.320/64) durante o exercício financeiro (art. 165, § 8º, da CF/88 e art. 7º, I, da lei n. 4.320/64). Esgotado este limite, impõe-se nova autorização legislativa, sempre por meio de lei ordinária, ou tantas quantas se fizerem necessárias, para abertura de novos créditos suplementares.
A autorização para abertura dos créditos especiais demanda lei específica, para casos novos, porque se trata de dotação não prevista originariamente na lei orçamentária, mas despesa nova, surgida durante a execução do orçamento. Autorizados por lei, são abertos por meio de decreto (art. 42, da lei n. 4.320/64).
A abertura de créditos suplementares e especiais deve ser precedida de motivação e, além de autorização legislativa, demanda recursos provenientes de:
superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior;
provenientes de excesso de arrecadação; resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais; e produto de operações de crédito (art. 167, V, da CF e art. 43, incisos, da lei n. 4.320/64). O ato que abrir tais créditos deve indicar a importância, a espécie do mesmo e a classificação da despesa (art. 46 da lei n. 4.320/64).
Os créditos extraordinários visam atender situações extremas, para acudir despesas imprevisíveis e urgentes decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública. É o único caso em que o Poder Executivo pode emitir medida provisória, como instrumento legal de abertura de crédito adicional com força de lei, para alterar a lei orçamentária (arts. 62, § 1º, I, ‘d’, art. 167, § 3º, da CF/88). O disposto no art. 44 da lei n. 4.320/64, que permite a abertura desses créditos por decreto do Executivo, não foi recepcionado. Há necessidade da medida provisória, para tanto. A interpretação conforme a Constituição leva ao aproveitamento do referido art. 44 para que se siga o mesmo procedimento dos créditos suplementares e especiais: abertura de crédito extraordinário, por medida provisória, e posterior expedição de decreto.
Inovando, a Constituição de 1988, para atender a dinâmica, além dos créditos adicionais prevê a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de programação para outra, ou de um órgão para outro, desde que
autorizados pelo Legislativo (art. 167, VI, da CF/88), como instrumentos legais, pelos quais o administrador movimenta dotações consignadas no orçamento.282