1 – Rumların Zorunlu İskân Bölgeler
E- Rum Muhacirlerin Geri Dönüşü
Na pesquisa qualitativa, por meio da estratégia de estudo de caso único, conforme aponta Yin (2001), a coleta de dados se caracteriza pela utilização de variados métodos de
coleta e, por conseguinte, utiliza-se de variadas fontes de informação. Destacam-se, principalmente, seis formas de evidências: documental; registros em arquivos; entrevistas; observação direta; observação participante e artefatos físicos. Todas estas podem ser utilizadas separada ou combinadamente (YIN, 2001).
Nesta pesquisa, considerando tratar-se de uma pesquisa qualitativa interpretativa, o processo de interpretação ocorre mediante as interações sociais que, por sua vez, vão construindo e reconstruindo os significados atribuídos às ações (BLUMER, 1969). De certo, não ocorre coleta de dados, mas sim, uma construção de dados a partir das informações que vão sendo interpretadas ao longo do processo de análise.
Este estudo de caso teve como unidade de análise a Cooperativa Cotravic – Cooperativa de Trabalho em Artes, Vidros e Cristais na cidade de São Paulo. O foco nesta cooperativa se deu pelos seguintes motivos:
1) ter :
- sido originada de massa falida de uma indústria, ambiente caracterizado pela heterogestão e pela existência de políticas regulatórias do comportamento humano, do ambiente e das condições de trabalho, aspectos relevantes na compreensão dos significados de QVT dos cooperados;
- sido escolhida pelo tempo de existência da cooperativa (13anos), que a certifica como empreendimento econômico solidário, segundo os critérios elencados pelo sistema de informações da Economia Solidária e por ser um período de tempo que permite a consolidação de uma prática de autogestão;
- um grupo de cooperados, participando da cooperativa desde a sua fundação, de modo a ser possível investigar as interações e os significados atribuídos por eles à prática da autogestão.
Num primeiro momento, buscou-se a cooperativa para formalizar o convite de participação na pesquisa (apêndice x ). Uma vez aceita a participação, procedeu-se à solicitação de autorização verbal para realizar a coleta de dados, via pesquisa documental, observação em campo e entrevista com aqueles cooperados que concordassem, também verbalmente, em participar. Tal solicitação foi antes feita diretamente ao presidente e diretores da cooperativa e, num segundo momento, com cada cooperado convidado para entrevista. O critério para o convite aos cooperados foi o de buscar entrevistar cooperados
com as seguintes características: cooperados em cargos de liderança e cooperados pertencentes aos diferentes setores da cooperativa. Na continuidade, iniciou-se o procedimento de construção dos dados, de acordo com o seguinte protocolo, apresentado no quadro 17:
Quadro 17 - Protocolo de construção dos dados Oportunidades
de construção Alguns indicadores
Acesso à documentos da
Cotravic.
- os documentos:
legais de formalização da cooperativa; internos:
. de regulamentação das atividades e de relações de trabalho; . de apoio administrativo à gestão das atividades produtivas. Visitas às
dependências da Cotravic.
- o ambiente: uso do espaço físico e do tempo; - os rituais cotidianos entre as pessoas;
- o sistema de integração entre pessoas e áreas de trabalho. Entrevistas com
cooperados da Cotravic.
- a anotação da voz e as expressões do rosto e do corpo dos entrevistados;
- o gestual dos entrevistados;
- o clima dos diálogos, em cada uma das etapas das entrevistas. Fonte: Elaborado pela pesquisadora 2012.
Este processo de construção de dados pressupõe o uso de técnicas e métodos cuja função é de aproximar o pesquisador do objeto de estudo. Neste estudo, conforme o protocolo de construção dos dados, foram utilizadas as seguintes técnicas:
a) documental – trata-se de materiais escritos tais como: jornais e outros textos publicados na mídia impressa e eletrônica; textos internos da organização, tais como: memorando, cartas, avisos impressos, relatórios, atas de reuniões, e demais documentos administrativos relativos à prática da autogestão; registros organizados em banco de dados que evidenciem aspectos da vida social da organização e da prática de autogestão; elementos iconográficos: imagens, fotografias, grafismos, vídeos. Vale ressaltar que os documentos considerados fontes de evidências secundária foram, tanto aqueles produzidos por pessoas ou instituições diretamente envolvidas com a cooperativa e os procedimentos da autogestão, como matérias jornalísticas impressas ou em mídia eletrônica a respeito da cooperativa;
b) observação direta – trata-se de uma observação em que o pesquisador se posiciona como espectador atento, buscando apreender aparências, situações, conflitos e comportamentos e todas as outras ocorrências tais como: reuniões e atividades produtivas,
que sejam interessantes para investigação do objeto de estudo. Ao longo da pesquisa, foram realizadas 6 visitas de campo às dependências da Cooperativa Cotravic, totalizando um período de 30 horas;
c) entrevista – trata-se de técnica , considerada por Yin (2001), como uma fonte essencial de informação para o estudo de caso. Esta traduz o processo de perceber realizado entre duas pessoas, numa relação entre um que curiosamente indaga e outro que espontaneamente informa. A utilização da técnica de entrevista demanda ao pesquisador algumas habilidades específicas, conforme aponta Yin (2001): ser capaz de fazer boas perguntas e interpretar as respostas; ser um bom ouvinte e não se deixar enganar por suas próprias convicções; ser uma pessoa flexível e com facilidade de se adaptar às situações; ter noção clara das questões que são objeto de estudo, a fim de manter o foco nas informações e eventos relevantes; ser imparcial em relação a noções preconcebidas, ainda que estas se originem de alguma teoria.
A entrevista como técnica de investigação vem sendo utilizada pelas ciências sociais desde a década de 30 e, nesta função, a entrevista assume características que a diferenciam de outras formas de conversão da vida cotidiana (GODOI; MATTOS, 2006), seja pelo fato de que tanto o entrevistado como o entrevistador possuem expectativas explícitas (um de falar e outro de escutar), seja pelo estímulo oferecido pelo entrevistador ao entrevistado para que este se expresse livre de objeções por parte do entrevistador, ou ainda pelo fato de o entrevistado sentir-se sob um diálogo que é conduzido e organizado pelo entrevistador, criando uma ilusão de fácil comunicação (VALLES, 1997, p.180).
Conforme a literatura consultada, a técnica de entrevista qualitativa pode ser categorizada em três modalidades: entrevista conversacional (livre em torno de um tema e cujas perguntas surgem espontaneamente no curso da interação, sem planejamento prévio destas); entrevista baseada em roteiro (ocorre mediante a elaboração prévia de um roteiro de perguntas que deverão ser formuladas pelo entrevistador); e a entrevista padronizada aberta (ocorre mediante a utilização de uma lista de perguntas ordenadas e redigidas sob o mesmo padrão para todos os entrevistados) (PATTON, 1990).
Outros autores também categorizaram tipos de entrevistas com a função técnica de investigação de dados, como Sommer e Sommer (1997), Bogdan e Biklen (1994), por exemplo, discorreram sobre a tipologia de entrevista estruturada (realizadas a partir de um
roteiro rígido de perguntas ordenadas), e semiestruturada (realizadas a partir de um roteiro flexível que admite a alteração ou inclusão de perguntas ao longo do processo da entrevista).
Sierra (1998) já aponta outra tipologia, contendo 7 tipos de entrevistas (sessão clínica, entrevista não diretiva, entrevista focalizada, entrevista com resposta provocadas, entrevistas com perguntas abertas, e entrevistas com perguntas fechadas). E, segundo esse mesmo autor, um outro tipo de entrevista, a entrevista em profundidade, teria por finalidade captar as experiências, ideias, valores e estrutura simbólica do entrevistado.
Neste estudo, utilizou-se a técnica de entrevista conduzida de forma espontânea, que, de acordo com Yin (2001), significa:
Essa natureza de entrevista permite que você tanto indague respondentes- chave sobre os fatos de uma maneira quanto peça a opinião deles sobre determinados eventos. Em algumas situações, você pode até mesmo pedir que o respondente apresente suas próprias interpretações de certos acontecimentos e pode usar essas proposições como base para uma nova pesquisa.(YIN, 2001, p.112).
Esta modalidade de entrevista é conduzida de forma a obter do informante tanto uma informação precisa, como uma opinião, ou mesmo uma interpretação a respeito de determinados acontecimentos. Nesta modalidade de entrevista, procedeu-se, conforme o seguinte protocolo:
- entrevista, com duração aproximada de 2 horas, conforme a disponibilidade do entrevistado; realizada nas dependências da cooperativa em local, data e horário acordados previamente; entrevistas gravadas mediante a autorização verbal do entrevistado; conduzida pela pesquisadora, a partir da formulação de questões abertas, livres de qualquer indução às respostas. Todas as entrevistas seguiram o mesmo encaminhamento de diálogo: apresentação da pesquisa pela pesquisadora ao entrevistado, explicando sobre a finalidade da pesquisa, o objetivo da entrevista, o compromisso com a confidencialidade e o pedido verbal de permissão para gravar a entrevista.
Em seguida, iniciou-se o diálogo com o entrevistado, a partir da seguinte sequência básica de indagações:
primeiro, sobre os dados de identificação do entrevistado como nome, função na cooperativa, tempo de cooperativa;
segundo, uma indagação aberta, solicitando ao cooperado que falasse sobre como e por que aderiu ao projeto de cooperativa;
terceiro, a partir dessa indagação, na medida em que o cooperado revelasse ser cooperado desde a fundação da cooperativa, solicitou-se,ao cooperado, que contasse sobre como foi o surgimento da cooperativa;
quarto, a partir daí, a entrevista ganhava contorno próprio, conforme os conteúdos revelados pelo entrevistado e, ao final de cada entrevista, caso o entrevistado não tivesse mencionado, ao longo da conversa, o tema qualidade de vida ou qualidade de vida no trabalho, a entrevistadora indagava sobre o assunto, perguntando o que significava qualidade de vida e qualidade de vida no trabalho para o cooperado.
Outro tipo de entrevista utilizado também foi a entrevista focal (MERTON et al., 1990). Nesta, o processo já não é mais tão espontâneo, embora ainda sendo uma conversa informal, passa a ser conduzida a partir de um conjunto de perguntas que visam a corroborar certos fatos que já foram explorados na entrevista espontânea. Este tipo de entrevista ocorre num período de tempo menor e demanda certo cuidado na formulação das perguntas, de modo a contribuir para o aprofundamento dos temas por parte do entrevistado, de forma natural (YIN, 2001). Nesta modalidade de entrevista, procedeu-se conforme o seguinte protocolo: - entrevista, com duração aproximada entre 1 hora e 1 hora e 30 minutos, conforme a disponibilidade do entrevistado; realizada nas dependências da cooperativa em local, data e horário acordados previamente; entrevistas gravadas mediante a autorização verbal do entrevistado; conduzida pela pesquisadora, a partir da formulação de questões abertas, livres de qualquer indução às respostas. Todas as entrevistas seguiram o mesmo encaminhamento de diálogo: apresentação do fato, ou opinião, ou juízo de valor externalizado na entrevista anterior pelo entrevistado, solicitando o esclarecimento de aspectos que não foram compreendidos pela pesquisadora, ou que a pesquisadora sentiu a necessidade de aprofundar com o entrevistado, em função de um conflito de informação gerado no confronto com outros relatos sobre o mesmo tema; ou ainda de maneira mais pontual, explorando sobre a temática de QVT, caso esta tivesse sido abordada de forma superficial pelo entrevistado por ocasião da entrevista anterior.
As duas formas de aplicação da técnica de entrevista tiveram, por objetivo primordial, compreender os significados que os entrevistados atribuem para questões e situações relacionadas ao objetivo de estudo, sendo expressas livremente pelos respondentes.
Foram realizadas 22 entrevistas, sendo 9 entrevistas com os cooperados do Conselho de Administração nos cargos de presidente/vidreiro, diretor administrativo/ajudante de vidreiro, e diretor de produção/responsável técnico químico. As demais 13 entrevistas foram realizadas com cooperados nos cargos de:
coordenador de produção [setor de confecção de peças de vidro (2), setor de embalagem (1)];
conselheiro fiscal/misturador de matéria-prima (1); conselheiro de ética e disciplina/embaladeira (2); vidreiro (1);
ferramenteiro/mecânico (1); embaladeira (1);
assistente adm./DP (1);
assistente adm. da produção (1); faturista (1);
téc. de seg.trabalho/almoxarife (1).
No quadro 18, apresentam-se as características dos entrevistados, sem, contudo identificá-los, a fim de garantir a confidencialidade deste estudo. Os cooperados entrevistados significaram em relação ao contingente total, 50% das mulheres cooperadas e 10% dos homens cooperados.
Quadro 18 - Perfil dos cooperados da Cotravic entrevistados Coop. Idade Sexo Estado
Civil Formação básica Função Tempo Cooper. Quant. Entrev.
Coop 1 39 Masc. Casado 3º grau compl. Presidente/ Vidreiro 13 anos 3 Coop 2 38 Masc. Casado 3º grau compl. Resp.Téc.Químico Dir.Prod./ 13 anos 4 Coop 3 37 Masc. Solteiro 1ºgrau incompl Ajudante Vidreiro Dir.Adm./ 13 anos 2 Coop 4 35 Fem. Solteiro 1ºgrau incompl Cons.Ética/Discip. Embaladeira 10 anos 1 Coop 5 68 Masc. Casado 2º grau compl.
Almoxarife/ Téc.Seg.Trab.
Cons. Fiscal 13 anos 3 Coop 6 43 Masc. Casado 1ºgrau incompl Coord. Prod. 13 anos 1 Coop 7 44 Masc. Casado 1ºgrau incompl Coord. Esteira 13 anos 1 Coop 8 39 Masc. Casado 1ºgrau incompl Ferramenteiro 13 anos 1 Coop 9 54 Masc. Divorci. 1ºgrau incompl Coord. Prod. 13 anos 1 Coop 10 51 Fem. Solteiro 1ºgrau incompl Adm.DP 13 anos 1 Coop 11 61 Fem. Divorci. 2º grau compl. Adm. Prod. 13 anos 1 Coop 12 37 Masc. Casado 3º grau compl. Faturista 13 anos 1 Coop 13 33 Masc. Casado 2ºgrau compl. Cons.Fiscal Mat.Prima 10 anos 1 Coop 14 57 Fem. Divorc.. 1ºgrau incompl Embaladeira 13 anos 1
Fonte: Elaborado pela pesquisadora, 2012.
As entrevistas foram registradas por meio de gravação e anotações realizadas durante e posteriormente ao processo, e foram transcritas mediante o consentimento dos cooperados, participantes da pesquisa.