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I I DÜNYA SAVAŞI ÖNCESİNDE OSMANLI DEMOGRAFİSİ

O Brasil, na ótica de Bresser-Pereira (2011), não possui uma estratégia nacional de desenvolvimento, associado ao fato da existência de uma aliança política entre a burguesia industrial e a burocracia pública e privada nascente. Na perspectiva do autor, o governo brasileiro exerce um papel como indutor do desenvolvimento econômico e, ao mesmo tempo, produtor na medida em que concentra a dinâmica da poupança forçada e dos investimentos que demandam grandes capitais com retorno lento. Ele chama atenção ainda para o elevado grau de desigualdade social que é, segundo o autor, conduzida pela via de políticas compensatórias em um amplo sistema de proteção social.

Convergente com essa análise, Delgado expõe:

Nossa economia de mercado liberal-corporativa expressa este dilema. O Estado se articula aos empresários através do corporativismo setorial e bifronte para desenvolver políticas diversas de apoio à industria, puxa o desenvolvimento com suas inversões, cria um sistema científico e tecnológico, mas não orquestra a colaboração para um projeto nacional de desenvolvimento que não seja a busca da industrialização. (DELGADO, 2008, p.11).

O modelo de capitalismo brasileiro traz vestígios oriundos da década de 30, em que as relações industriais se caracterizavam por um formato corporativista e cuja presença do Estado se concentrava no modo compensatório de legislar as relações de trabalho, sem, contudo, atuar ou restringir de maneira efetiva o poder patronal sobre as decisões relativas ao emprego. Outro fator relevante foi o processo de industrialização adotado no país, a saber, industrialização por substituição de importações que em nada contribuiu para a melhoria da qualidade de formação dos trabalhadores, ou seja, os mecanismos de formação de “mão de

obra”, representados pelas agências semipúblicas como o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), limitavam-se ao aprendizado de práticas rotineiras em atividades do processo produtivo pautado por tecnologias importadas (DELGADO, 2001).

Por outro ângulo, as interações entre Estado e setores privados ficou caracterizado pelo formato corporativista setorial, com a atuação do Estado, favorecendo a definição de políticas de incentivos fiscais e subsídios voltados para garantia da produção interna. Do mesmo modo em que fomentou a vinda de multinacionais para o espaço econômico nacional, imputando a competição sob o critério da inovação tecnológica ao parque industrial nacional (DELGADO, 2001).

No contexto das relações entre as organizações, o modelo econômico brasileiro apresenta indícios de coordenação de mercado entre os diversos setores produtivos, sem contudo apresentar reflexos significativos pelo modesto intercâmbio dos esquemas de colaboração e de transferência de tecnologia, bem como pela pouca articulação das empresas com a estrutura pública de fomento à ciência e à tecnologia (DELGADO, 2001).

O modelo econômico brasileiro vem consolidando-se, alinhado ao formato econômico norte-americano, a exemplo de medidas como: a abertura da economia, a flexibilização do fluxo de capitais, a redução da presença do Estado em seu papel de produtor e regulador de mercado. (BOSCHI,2006).

Neste cenário, as organizações não se empenham numa atitude de colaboração permanente entre empresários e empregados, o que é acentuado pela falta de percepção coletiva em relação à existência de um projeto econômico de desenvolvimento nacional.

A lógica desse formato de organização econômica e social apresenta um conjunto de aspectos e de características que, embora confirmem a existência de práticas voltadas para a geração e a acumulação de riquezas, esta se assenta sob uma modelagem estrutural de sociedade pautada na divisão entre duas classes distintas: a dos que detêm o capital e que, em tese, competem pela acumulação de riquezas; a dos que detêm o trabalho, como fonte de poder e de condição de vida que, por sua vez, competem por condições de sobrevivência (CORAGGIO, 2009).

A ideia em torno do indivíduo utilitarista e calculista aponta para discussão sobre o conceito de utilitarismo e, neste sentido, uma ampla gama de abordagens teóricas busca explicar a natureza e as características do homem utilitarista. Na visão, por exemplo, do filósofo Nietzsche, o homem utilitarista seria aquele que buscaria, acima de tudo, a própria felicidade.

O modelo de capitalismo liberal de mercado representa um formato econômico em que a competição vigora como princípio fundamental de sua reprodução, desde a produção de bens e de serviços até a formação social e profissional dos indivíduos: a posição social frente às instituições sociais e as relações sociais entre as pessoas, fomentando, por sua vez, comportamentos utilitaristas. Desta forma, polariza as pessoas entre aquelas que vencem e aquelas que perdem; aquelas com formação e as sem formação; aquelas com status e aquelas sem status social. Assim sendo, acirra o individualismo em detrimento ao bem-estar social, ou seja, tem caráter utilitarista em relação aos interesses de acumulação de riqueza, em que a visão do indivíduo é atrelada a concepção econômica deste indivíduo (CAILLÉ, 2009).

Portanto, neste sistema a competição, mais que a colaboração, torna-se o princípio normativo das relações sociais cuja finalidade é acumulação de capital, implicando, dentre outros desdobramentos, na organização hierarquizada do trabalho, na desigualdade de oportunidades de acesso ao mercado de trabalho e ao consumo de bens e serviços. Trata-se de um contexto em que pessoas e instituições disputam recursos e riquezas e onde cada um, concorrendo na sua atividade, visa a superar ou vencer o outro (SINGER, 2002).

Contudo, o centro do debate, a respeito do utilitarismo, está na polaridade entre o egoísmo e altruísmo. Por um lado, boa parte de economistas e sociólogos acreditam que o utilitarismo pressupõe que as pessoas são ou devem ser consideradas como indivíduos, separados e mutuamente indiferentes, não podendo buscar nada além da sua própria felicidade ou do seu próprio interesse. Nesta perspectiva, o utilitarismo vigora como uma “dogmática do egoísmo”, reduzindo toda atividade humana a uma atividade racional sob o cálculo do interesse (HALÉVY, 1995).

Por outro lado, na perspectiva de autores da corrente da filosofia moral anglo- saxônica, como Mill, Rawls, Sidgwick e Moore, a interpretação do utilitarismo ganha dimensão altruísta, ou seja, partem do princípio de justiça de Bentham (1970), tido como

justo, o que permite maximizar “a felicidade do maior número”. A discussão em torno do utilitarismo e de suas vertentes egoística e/ou altruística, embora não seja o foco desta pesquisa, serve de pronto para salientar que existem outros fatores que circundam as relações de competição estabelecidas e reproduzidas na estrutura social balizada por princípios de mercado e podem contribuir para o surgimento de paradoxos.