3. Ruh Doktrini
3.4. Ruhun Yükselmesi ve Yeniden Tanrı ile Birleşmesi (Apokatastasis)
Seguimos adentrando a estrela que apresentei inicialmente como metáfora para compreender o vínculo em sua complexidade que se desdobra em diversos pontos de vistas, cada um agregando algo e enriquecendo a compreensão. A partir das contribuições da psicogênese e da neurologia vamos adensar nossa compreensão sobre o vínculo focando sua raiz afetiva, cujos fios, consubstancia-o conferindo-lhe unidade.
Os estudos psicogenéticos abordam a estrutura cognitiva humana, sua gênese e maturação em direção da construção de categorias fundamentais para o entendimento humano, como as noções de tempo, espaço, número. Todavia, um aspecto pouco referido neste ponto de vista é a influência afetiva nos processos de aprendizagem. Embora não seja uma influência negada, os estudos psicogenéticos apontam, mas não aprofundam esta questão. Hoje, entretanto, diversos estudos relacionados à Educação fazem uma releitura de autores clássicos da psicogênese como Vygotsky, Piaget e Wallon, dentre outros, revendo a referência aos afetos no processo de aprendizagem, tecendo novas relações entre afeto e cognição.
Um ponto de vista da Psicogenética
Compreendendo a afetividade como algo que consubstancia o vínculo humano agregarei ao diálogo autores do campo de saber da psicogenética que
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trazem uma importante contribuição sobre o tema correlacionando-o com os estudos sobre a cognição humana. Para isso destaco uma publicação organizada por Valéria Amorim Arantes (2003) chamada Afetividade na Escola. Alternativas Teóricas e
Práticas em que vários autores oriundos da educação, psicologia, neurologia
linguística e matemática fazem uma releitura das principais teorias ligadas à cognição humana, tendo como questão central sua dimensão afetiva.
Em termos gerais os autores de diferentes disciplinas teóricas convergem para o consenso de que os sentimentos modificam os pensamentos, a ação e o entorno. Este, por sua vez, influi nos pensamentos, nos sentimentos e na ação, bem como, os pensamentos influem os sentimentos, no entorno e na ação. Creio que tal relação pode ser expressada em suas interrelações dialógica e recursiva com ajuda da figura abaixo:
Essa figura representa o meu modo de ver a ideia geral do livro que apresenta uma serie de estudos a partir de diversas disciplinas. Vou me ater, porém aos artigos que destacam as Teorias de Piaget, Vygotsky e Wallon, principais referências das teorias psicogenéticas.
A Teoria de Piaget é leitura clássica para os estudos da cognição humana em termos epistemológicos e psicológicos. Sua obra, contudo, nunca foi associada ao tema da afetividade. Embora não tenha escrito sobre os afetos de forma ostensiva não significa que o assunto não tenha tido uma dimensão importante para
Pensar Agir
Sentir Entorno
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o aprendizado no pensar de Piaget. É o que diz Maria Thereza Souza em seu artigo
O desenvolvimento afetivo segundo Piaget em que busca demonstrar o rompimento da
dicotomia inteligência/afetividade na Teoria Piagetiana.
Segundo ela o psicólogo suíço apresenta o desenvolvimento de forma una em suas dimensões afetivas e cognitivas. A autora se ampara em um curso ministrado por Piaget na Sorbonne nos anos de 1953-54 que trata das Relações entre afetividade e inteligência no desenvolvimento mental da criança. Neste curso Piaget demonstra o desenvolvimento genético da afetividade em paralelo com os estágios do desenvolvimento da inteligência. O “curso da Sorbonne”, como ficou conhecida as aulas de Piaget sobre o tema.
A autora esclarece que o autor de Genebra não restringe a afetividade às emoções e sentimentos, mas inclui as tendências e a vontade. Quando fala do papel da afetividade e da inteligência na conduta humana Piaget refere a sua ideia de adaptação em seus componentes de assimilação e acomodação em que o desequilíbrio se traduz em função da consciência de uma necessidade, isto é, de uma impressão afetiva particular. A conduta finda quando a necessidade é satisfeita e há um retorno ao equilíbrio, sentido como um sentimento de satisfação.
De acordo com a autora quando Piaget defende uma correspondência entre o desenvolvimento afetivo e cognitivo, ele busca elementos centrais relacionados à afetividade que equivalem aos elementos centrais do desenvolvimento da inteligência, tais como os esquemas e operações. Ela diz que Piaget utiliza a expressão
esquemas afetivos para designar a construção equivalente sobre a base de sentimentos iniciais da criança, ligados à satisfação de suas necessidades. (SOUZA, 2003, p. 60). A autora
esclarece que Piaget usa o temo “vontade” ou “força de vontade” referindo o campo afetivo em equivalência ao conceito de operações, do campo cognitivo. Ele reveste o termo vontade com a mesma força reguladora descrita para construção do pensamento lógico.
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Seguindo o pensar de Piaget a inteligência se desenvolve a partir da ação, da interação do individuo e seu meio, surge, em função disso, os afetos perceptivos. São os prazeres e às dores ligadas às percepções de agrado e desagrado do bebê. A correspondência entre desenvolvimento afetivo e cognitivo é genérica, neste início do desenvolvimento humano, com regulações elementares acompanhadas de sentimentos de êxitos e fracassos. Quando o indivíduo atinge uma inteligência verbal ou socializada, com a aquisição da representação por meio da linguagem, e constrói os esquemas pré-operatórios e operatório da inteligência Piaget considera as interações entre as pessoas, do ponto de vista afetivo. Às representações pré- operatórias que caracterizam as ações destituídas ainda de reversibilidade, corresponde aos afetos intuitivos, sentimentos sociais elementares e aos primeiros sentimentos morais (amor, temor, respeito, obediência). Tais sentimentos estão ligados ao que Piaget identifica como moral heterônoma, fruto de relações sociais assimétricas da inteligência pré-lógica, e dos sentimentos relacionados à autoridade. Em função da gênese do novo esquema da inteligência operatória concreta que opera com as classes e relações, corresponde aos afetos normativos, (os sentimentos morais autônomos, respeito mútuo e justiça), com a intervenção da vontade que age como reguladora de forças.
Em função da capacidade de reversibilidade do pensamento surge a moral autônoma, de acordo com Piaget, decorrente de relações sociais simétricas e dos sentimentos ligados à reciprocidade que permite ao sujeito colocar-se no lugar do outro, tornando possível a cooperação. A vontade é responsável por uma hierarquização dos sentimentos e valores e corresponde, no plano afetivo, ao papel das operações no plano cognitivo, porque regula as forças que estão em jogo nas tomadas de decisões no estabelecimento de metas a serem atingidas etc.
Por fim, os esquemas formais das operações cognitivas com sua lógica proposicional e o raciocínio hipotético dedutivo permitem ao sujeito tornar, como conteúdo dos seus pensamentos, os seus próprios sentimentos, elevando-os a uma categoria abstrata. As operações formais exigem instrumentos afetivos e cognitivos
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em que o sujeito é capaz de elaborar planos de reformas sociais políticas e ideológicas articulados aos sentimentos que escolhem ideais como objetivos a serem atingidos. Há um movimento que vai da adaptação da realidade ao “eu”, no início da adolescência, para a adaptação do “eu” à realidade da vida adulta, que permite ao jovem passar de reformador a realizador, diz Piaget.
Todo o desenvolvimento, de estágio a estágio, ocorre em função de uma equilibração progressiva e possui um aspecto afetivo, energético, e cognitivo estrutural, de forma a romper com a dicotomia afetividade e inteligência no desenvolvimento humano. É o que conclui Piaget no seu “Curso da Sorbonne”. Para Piaget não é possível explicar a inteligência pela afetividade nem o contrário, mesmo que as teorias enfatizem a um ou outro aspecto, os dois, estão imbricados na gênese do intelecto humano para o autor de Genebra.
Os Estudos que tratam da Teoria de Vygotsky são de autoria de Marta Kohl de Oliveira e Teresa Rego. Elas buscam evidenciar a intricada relação cognição e afeto na perspectiva sócio-cultural. Elas contextualizam o estudo esclarecendo que as ideias do autor soviético, datadas do início do século passado, se contrapunham ao cartesianismo em seu dualismo corpo-mente. Tal cisão influenciou o nascimento da psicologia separando os estudos sobre o afeto e a cognição tornando-os, equivocadamente, dimensões isoláveis do funcionamento psicológico humano. O autor se opõe a uma tendência mecanicista da explicação das emoções humanas e defende que o desenvolvimento da consciência, de um modo geral, se conecta com a vida emocional em uma relação dialética.
De acordo com Oliveira e Rego para a psicologia histórico-cultural o sujeito é produto do desenvolvimento de processos físicos e mentais, cognitivos e afetivos, internos
(constituídos na história anterior do sujeito) e externos (referentes às situações sociais de desenvolvimento em que o sujeito está envolvido). (2003, p. 19). O autor aponta uma
diferença qualitativa entre as emoções humanas e animais, bem como, a que há nos adultos e nas crianças, e distingue as emoções primitivas originais, tais como a alegria, o medo, a raiva, das emoções superiores complexas: o despeito, a
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melancolia, postulando que as emoções primitivas se desenvolvem em emoções superiores mais sofisticadas.
As emoções vão se afastando de sua origem primitiva e se constituindo como fenômeno histórico cultural. Dessa forma, o entendimento segundo o qual as emoções são consideradas inatas e, por isso, imutáveis, e assim, cabe, em relação a elas o controle, foi substituído por outro entendimento. O papel da Razão em Vygotsky não se reduz ao controle de impulsos emocionais ou se confunde com um papel repressivo para anulação dos afetos. Em seu desenvolvimento a razão se põe a serviço da vida afetiva na medida em que se transforma em um instrumento de elaboração e refinamento dos sentimentos. De acordo com o autor soviético o ser humano adulto tem a possibilidade de construir um universo emocional complexo e sofisticado (em comparação com os animais e as crianças) se distanciando da ideia de ausência, controle e/ou negação das emoções suprimidas pela razão.
A vida afetiva tem uma gênese social mediada pelos significados do contexto cultural em que o sujeito vive. Nós humanos aprendemos em função do legado da cultura de nossos antepassados na interação com outros seres humanos em seu agir, pensar e falar. Os modos de pensar e sentir são pertinentes a uma dada cultura, e carregados de conceitos que os constitui como fenômenos históricos e sociais. A afetividade humana é, portanto, construída culturalmente, os significados que possibilitam um sujeito acessar emoções como ternura, inveja, ciúme adquirem relevo na e em função da cultura em que vive, e na forma como interagimos e falamos nesta cultura. Assim nomear as emoções nos permite identifica-las, compreendê-las, torna-las consciente e compartilha-las com os outros.
Outra referência importante para psicologia cognitiva é Henri Wallon (1879-1962). Segundo Izabel Galvão sua leitura psicogenética supera as visões que compreendiam as emoções como acessório da ação humana ou elemento perturbador delas. Wallon adota uma abordagem que busca compreender a imbricação entre fatores de origem orgânica e social dos fatores ligados às emoções