De ver-te regares as matas Aguando flores e matos De ver-te molhares os mares De ver-te verteres em águas O que água já era Vem-me o vestígio das eras De um globo diluviano Vertido em golfos Trajando lagos Vestido de oceanos
(Renato Gonda)
Dispor de água suficiente para atender as necessidades individuais e domésticas é o primeiro requisito exigido para que o homem se estabeleça no campo.
A água desempenha um importante papel, pois representa um recurso natural que, além de atender as necessidades básicas do indivíduo, pode, se convenientemente manejado, proporcionar boas condições de saúde e de bem -estar social e econômico (BORDAS e LANNA, 1984)
Segundo TRISTÃO (1993), a bacia hidrográfica, para ser entendida, deve ser vista em sua forma tridimensional, delimitada pelos divisores topográficos (linhas de cumeeira) e pelo divisor freático que se assenta sobre a rocha de origem, drenada por um curso de água principal e por seus tributários.
Um outro conceito, mais difundido, é o que considera a bacia hidrográfica como uma área geográfica compreendida entre um fundo de vale (rio, riacho, várzeas) e os espigões (divisores de água) que delimitam os pontos dos quais toda a água da chuva concorre para este fundo de vale.
As bacias hidrográficas se iniciam nas nascentes dos pequenos cursos d'água, unindo-se às outras até constituírem a bacia hidrográfica de um rio de grande porte.
De acordo com Rocha (1989), citado por TRISTÃO (1993), a bacia hidrográfica é a área que drena as águas de chuvas por ravinas e canais tributários, para um curso principal, com vazão efluente convergindo para uma única saída e desaguando diretamente no mar ou em um grande lago. As hidrográficas teriam o mesmo conceito de bacia hidrográfica, acrescido do enfoque de que o deságüe se dá diretamente em outro rio. A sub-bacia hidrográfica tem dimensões superficiais entre 20.000 ha e 300.000 ha, variando essas áreas de acordo com a região do país. As micro-bacias se diferenciam das sub-bacias apenas por suas dimensões (menor que 20.000ha).
LIMA (1976) conceitua que a bacia hidrográfica está associada à compartimentação geográfica, delimitada por divisores de água. Em outros termos, pode ser compreendida como uma área de captação natural, que drena para um curso d'água principal, incluindo a área entre o divisor topográfico e a saída (foz) da bacia.
O deflúvio de uma bacia, entendido como o volume total de água que passa em determinado período, pela seção transversal de um curso d'água, é composto pela água que atinge os cursos d'água após ter
escoado superficialmente, assim como pelas águas que chegam a estes cursos depois de terem percolado no solo e atingido o lençol freático (ARRUDA, 1997).
Os terrenos de uma bacia são delimitados por dois divisores de água: o divisor topográfico, que fixa a área da qual provém o deflúvio da bacia, e o divisor freático, que estabelece os limites dos reservatórios de água subterrânea, de onde provém o escoamento base. A linha sinuosa no fundo de um vale, por onde correm as águas e que divide os planos de duas encostas, é o talvegue (GOLDENFUM, 1996).
Segundo LUCAS (s.d) a bacia hidrográfica deriva da obtenção das unidades paisagísticas e é definida por um curso d'água e seus afluentes, mais a respectiva área de contribuição. Assim, tem -se:
a) bacia de captação é definida pela área de influência das nascentes principais e secundárias;
b) bacia de infiltração, definida pelo somatório das zonas de alimentação de águas à rede hidrográfica geral (lençol freátic o), é o somatório da bacia de captação mais a bacia de adução;
c) bacia de adução corresponde à zona da bacia hidrográfica com origem e término na bacia de captação e fim na foz do curso d'água (somatório de todos os cursos d'água);
d) leito de cheias é a zona de declive de 0 a 5%; de transbordamento normal do curso d'água, normalmente em terrenos de aluviões (terrenos de precipitação).
TRISTÃO (1993) hierarquiza as bacias hidrográficas da seguinte forma:
a) primeira ordem: são compostas por canais que não possuem afluentes, ou seja, aqueles ligados diretamente às nascentes;
b) segunda ordem: surgem da confluência de dois canais de primeira ordem; só recebem afluentes de primeira ordem;
c) terceira ordem: surgem da confluência de dois canais de segunda ordem, podendo receber afluentes de ordenação inferior ou de primeira ordem e segunda ordem.
A Figura 1, a seguir, ilustra a hierarquização de uma bacia hidrográfica
Figura 1 - Esquema de hierarquização das bacias hidrográficas.
CASTRO (1980) sugere que as transformações de uso da terra precisam ser encaradas em nível de unidade, tendo-se a bacia hidrográfica como elemento, para que haja um adequado planejamento e estudo dos recursos naturais. O planejamento de uso da terra deve ser baseado no conhecimento científico dos recursos existentes na bacia hidrográfica e suas inter-relações.
Legenda 1a
ordem 2a ordem
GUERRA e CUNHA (1996), citam que as bacias hidrográficas são consideradas excelente unidades de gestão dos elementos naturais e sociais, pois é possível acompanhar mudanças introduzidas pelo homem e às respectivas respostas da natureza. Segundo esses autores, em nações mais desenvolvidas, a bacia hidrográfica também tem sido utilizada como unidade de planejamento e gerenciamento, compatibilizando os diversos usos e interesses pela água e garantindo sua qualidade e quantidade.
A microbacia é entendida como uma área fisiográfica drenada por um curso d'água ou por um sistema de cursos de água conectados e que convergem, direta ou indiretamente, para um leito ou para um espelho d'água, constituindo uma unidade ideal para o planejamento integrado do manejo dos recursos naturais no meio ambiente por ela definido (BRASIL, 1987).
Na Figura 2, procura-se mostrar os estágios de desenvolvimento de um rio, sua formação.
Figura 2: Estágios de desenvolvimento de um rio Fonte: Enciclopédia Visual Geográfica, 1996.
A partir de 1987, por intermédio do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária, criou-se o Programa Nacional de Microbacias Hidrográficas. Essa ação desencadeou um processo que acabou culminando, em Minas Gerais, com o delineamento do Programa Estadual de Manejo de Sub-Bacias Hidrográficas (FREITAS, 1996), em consonância com sua posição estratégica no sistema hidrográfico nacional, dado que as principais bacias hidrográficas do País se inserem, pelo menos em parte, em território mineiro (ARRUDA, 1997).