3) Chernobyl kazasından önce 1985 yılı için yapılan tahminlerden (Tablo 2) çok az fark
1.7 REAKTÖR TİPLERİ
Os mitos surgiram como narrativas simbólicas fundamentadas nas lendas e tradições de determinadas culturas. Essas narrativas eram associadas a rituais de celebração e sacrifício e apareceram com o objetivo de tentar explicar de forma oral e não racional alguns fenômenos da realidade, como os acontecimentos da natureza e a origem do mundo e dos homens (GRIMAL, 1952, p. 8).
A palavra “mito” vem do grego mythós e como evidenciamos pode ser traduzida como narrativa. O sufixo “logia” provém do grego logo e indica um campo de estudo específico. Desse modo, a expressão “mitologia” significa o estudo dos mitos (BRANDÃO, 1986, p. 38).
De acordo com Brandão, sendo o mito uma representação coletiva, ou seja, uma explicação do mundo transmitida por várias gerações, a mitologia é o movimento dessas representações. Nas palavras desse pesquisador, a mitologia possui “[...] algo de estável e mutável, simultaneamente, sujeito, portanto, a transformações” (BRANDÃO, 1986, p. 38). O autor nos lembra ainda que a famosa lei das três unidades - ação, tempo e lugar - não se adéqua ao mito, pois este tem a capacidade de se deslocar livremente no tempo e no espaço e se multiplicar por meio de um número indefinido de episódios. Esse livre deslocamento do mito pode ser observado por meio do caráter de reiteração da natureza mítica. Sobre essa ideia Brandão afirma o seguinte:
À ideia de reiteração prende-se a ideia de tempo. O mundo transcendente dos deuses e heróis é religiosamente acessível e reatualizável, exatamente porque o homem das culturas primitivas não aceita a irreversibilidade do tempo: o rito abole o tempo
profano e recupera o tempo sagrado do mito. É que, enquanto o tempo profano, cronológico, é linear e, por isso mesmo, irreversível (pode-se "comemorar" uma data histórica, mas não fazê-la voltar no tempo), o tempo mítico, ritualizado, é circular, voltando sempre sobre si mesmo. É precisamente essa reversibilidade que liberta o homem do peso do tempo morto, dando-lhe a segurança de que ele é capaz de abolir o passado, de recomeçar sua vida e recriar seu mundo. O profano é o tempo da vida; o sagrado, o "tempo" da eternidade (BRANDÃO, 1986, p. 40).
Dentro dessa mesma visão de não linearidade, podemos entender os mitos como realidades subjetivas que, como foi anteriormente evidenciado, quando caracterizadas por sua existência atemporal frequentemente nos remetem a algo sobre-humano.
O mito regressa aos primórdios e os reconta, não por amor de um interesse histórico acadêmico, nem por causa da curiosidade intelectual que hoje motiva a pesquisa arqueológica e pré-histórica. O historiógrafo mítico escreve ou fala sobre grandes, graves, proféticos e decisivos acontecimentos, pertinentes ao aqui e ao agora, talvez porque aconteceram em tempos tão distantes e continuam a influenciar no destino do povo. (KERÉNYI apud PATAI, 1984, p. 67).
Em suas pesquisas sobre o imaginário mítico e simbólico, Ricoeur (1988, p. 181) nos diz que “[...] o mito será uma espécie de símbolo, um símbolo desenvolvido em forma de narrativa, e articulado num tempo e num espaço não coordenáveis aos da história e da geografia segundo o método crítico”, ele afirma ainda que esse símbolo mítico se situa em três dimensões essenciais do real: cósmica, onírica e imaginativa.
Nessa primeira dimensão, podemos encontrar símbolos cósmicos ou símbolos-coisas, ou seja, esses símbolos podem pertencer a uma esfera totalmente subjetiva ou podem ser associados a objetos concretos que passam a possuir em sua essência uma pluralidade de intenções significativas, e é nesse sentido que o mito mergulha nas raízes mais profundas da psiquê revelando as estruturas mais arcaicas do pensamento humano ao mesmo tempo em que conduz o homem a uma nova direção, unindo-o ao mito de forma permanente e continuada. Na definição de Andrade (1995, p. 28) “Existem assim, nos símbolos e nos mitos, intimamente associadas e relacionadas com a sua dimensão cósmica e onírica, uma função retrospectiva e uma função prospectiva”. Sobre essa segunda dimensão, a onírica, Ricoeur nos fala que:
É esta função do símbolo como marco e como guia do «tornar-se si mesmo» que deve ser ligada e não oposta à função «cósmica» dos símbolos, tal como se exprime nas hierofanias descritas pela fenomenologia da religião. Cosmos e Psyche são dois pólos da mesma «expressividade»; exprimo-me exprimindo o mundo; exploro a minha própria sacralidade decifrando a do mundo. (RICOEUR, 1988, p. 176)
Já sobre a terceira dimensão, a imaginativa, também nomeada como dimensão poética, o filósofo complementa:
[…] diferentemente das duas outras modalidades hierofânica e onírica do símbolo, o símbolo poético mostra-nos a expressividade no estado nascente; na poesia o símbolo é surpreendido no momento em que é um surgimento da linguagem, “onde coloca a linguagem em estado de emergência”, em vez de estar recolhido na estabilidade hierática sob a guarda do rito e do mito, como na história das religiões, ou então em vez de ser decifrado através das ressurgências duma infância abolida. Seria preciso compreender que não existem três formas incomunicáveis de símbolos; a estrutura da imagem poética é também a do sonho quando este tira dos retalhos do nosso passado uma profecia do nosso futuro e a das hierofanias que tornam manifesto o sagrado no céu e nas águas, na vegetação e nas pedras. (RICOEUR, 1988, p. 176-177)
Dessa forma, observamos que a realidade mítica não se opõe à realidade pragmática muito menos é submissa a ela. Talvez por isso Eliade (1972, p. 21) tenha afirmado que “Numa fórmula sumária, poderíamos dizer que, ao ‘viver’ os mitos, sai-se do tempo profano, cronológico, ingressando num tempo qualitativamente diferente, um tempo ‘sagrado’, ao mesmo tempo primordial e indefinidamente recuperável”. Nas palavras desse autor, o mundo moderno não aboliu a presença dos mitos, apenas inverteu-lhes o campo de ação.
Os mitos ainda têm o papel de fornecer modelos de conduta, conferindo significação e valor à existência humana. Corroboramos com Eliade e afirmamos que esses mitos, por meio de diferentes recursos técnicos e transcendentes, ainda fazem parte do imaginário da sociedade ocidental do século XXI e se incorporam a nossa vivência atual por meio, principalmente, das imagens e discursos midiáticos.
Retornando a Ricoeur, entenderemos ainda que esses mitos retomam “[...] as significações analógicas espontaneamente formadas e imediatamente doadoras de sentido” (1988, p. 181). Em suas análises, esse filósofo nos mostra que existe uma ligação entre a experiência temporal e a narrativa, isto é, entre o tempo humano e o mythos. Essa ideia nos remete mais uma vez a noção das diversas dimensões e da atemporalidade mítica.
O tempo se torna humano quando se articula como narrativa, e a narrativa atinge sua significação plena quando se torna uma condição de existência temporal. É nesse estágio que o tempo mítico tornar-se um fator de repetição, e nos faz acreditar que “[...] o mito é autônomo e imediato: significa aquilo que diz” (SCHELLING apud RICOEUR, 1988, p. 311).
Entendemos com isso que o tempo é composto por uma essência aporética, no sentido agostiniano da expressão, mas também por elos de ligação com as narrativas históricas e ficcionais. O mito é o grande responsável por abrir e descobrir essa “[...] dimensão de
experiência que, sem ele, permaneceria fechada e dissimulada” (RICOEUR, 1988, p.313). No entanto, na contemporaneidade, a atualização desses símbolos míticos e a abertura para essas novas dimensões sensoriais se faz em um universo orquestrado por diferentes estruturas técnicas, mais especificamente pela literatura, cinema, televisão e internet.