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Rıza Üretimi ve Hegemonya: Vatan Cephesi

4. ÇOK PARTİLİ DÖNEM VE RADYO TARTIŞMALARI

4.1 Demokrat Parti İktidarı ve Partizan Radyo

4.1.2 Rıza Üretimi ve Hegemonya: Vatan Cephesi

A rede regionalizada trata de mecanismos de referência e contrarreferência, ou seja, permite ao paciente o acesso conjunto às diferentes tecnologias e recursos do sistema de acordo com o problema apresentado. Vale destacar que a rede é administrada por um gestor, o que não significa, evidentemente, que a sua administração não pode ter a participação dos outros atores envolvidos no sistema de saúde276.

Por outro lado, o atendimento hierarquizado significa organizar o sistema em diferentes níveis de complexidade277. Em outras palavras, divide-se todas as unidades de

acordo com níveis de atenção (primário, secundário e terciário), como uma forma de organização dos recursos278.

Como já explanado acima, esta forma de estruturação da saúde é importante, sobretudo em um país como o Brasil, de grande extensão territorial e com diferenças geográficas acentuadas.

274 DALLARI, 2010, p. 78.

275 CARVALHO, 2006, p. 88.

276 KUSCHNIR, R. et al. 5. Configuração da rede regionalizada e hierarquizada de atenção à saúde no

âmbito do SUS. Disponível em: <http://www5.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_484701327.pdf>. Acesso

em 24 maio 2015.

277 DALLARI, 2010, p. 83. 278 KUSCHNIR, op. cit.

Contudo, não há dúvidas de que a implantação de uma rede regionalizada e hierarquizada apresenta diversos problemas. Como esclarece Renilson Rehem de Souza (2001), o avanço da descentralização apresentou uma série de óbices relacionados à gestão, dentre os quais se pode mencionar o fato de que diversos estados não quiseram avocar a coordenação e regulação dos sistemas municipais de saúde e das redes intermunicipais de atenção279.

Ademais, o fato de que a maior parte dos municípios brasileiros possui pequeno porte gerou dificuldade na coordenação e regulação dos sistemas municipais e das redes intermunicipais de saúde, com a impossibilidade de planejamento e da construção de redes assistenciais adequadas para o atendimento da população, inviabilizando o acesso aos serviços de alta e média complexidade280.

Outro problema importante é o de que o financiamento do sistema ficou relacionado à oferta dos serviços, ou seja, restou vinculado à produção e à capacidade instalada em cada município. Isto fez com que os recursos ficassem concentrados nas áreas mais desenvolvidas, gerando ações que em determinados casos eram incompatíveis com o perfil da população281.

Foi em virtude deste problema, dentre outros, que o Ministério da Saúde editou a Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS) SUS 1, aprovada por meio da Portaria nº. 95 de 26 de janeiro de 2001. O objetivo da referida norma foi ampliar as responsabilidades dos municípios na Atenção Básica, atualizando os critérios de habilitação dos estados e municípios, com a definição do processo de regionalização da assistência e a elaboração de mecanismos para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

Em outras palavras, a referida norma importou em um plano para afastar a concentração do sistema e elevar as capacidades dos municípios.

Para tanto, a referida norma estabelece um processo onde se promove uma lógica de planejamento integrado, com as noções de territorialidade e a identificação de prioridades de intervenção e de conformação de sistemas funcionais de saúde. A norma prevê ainda a elaboração de um “Plano Diretor de Regionalização”, destinado a ser uma ferramenta para a regionalização da saúde em cada estado e no Distrito Federal, onde será realizada a

279 SOUZA, Renilson Rehem de. A regionalização no contexto atual das políticas de saúde. Ciênc. saúde

coletiva [online], São Paulo, v. 6, n. 2, p. 451-455, 2001. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S1413-

81232001000200014>. Acesso em: 5 maio 2015.

280Ibidem.

definição de prioridades de intervenção de acordo com as demandas de saúde da população, conforme todos os níveis de atenção.

Outra medida digna de nota foi a promoção da ampliação do acesso e da qualidade dos serviços de saúde básica. Para tanto, a NOAS SUS 01/01 criou a “Gestão Plena da Atenção Básica Ampliada – GPABA” que, dentre outros pontos, definiu áreas estratégicas mínimas para a atenção básica e criou o Programa de Atenção Básica Ampliado (PAG – Ampliado), destinado ao financiamento do elenco de procedimentos da Atenção Básica Ampliada. Por meio deste programa, os municípios já habilitados nas condições de gestão da NOB 01/96 poderão receber tais recursos após avaliação das Secretarias de Estado da Saúde, aprovação da Comissão de Intergestores Bipartite, e da homologação da Comissão de Intergestores Tripartite.

Após a NOAS SUS 01/01, sobreveio a Norma Operacional de Assistência à Saúde – (NOAS) SUS 1 de 2002, aprovada pela Portaria nº 373, de 27 de fevereiro de 2002. Esta norma tem por objetivo dar continuidade ao processo de descentralização e organização do Sistema Único de Saúde – SUS, aperfeiçoando a norma anterior.

Há de se ressaltar que, como esclarece Silvio Fernandes da Silva, as NOAS tiveram muita dificuldade para serem implementadas. Isto ocorreu em virtude da proposição de regras rígidas, com excesso de padronização, o que se revelou incompatível com as condições existentes, além da inviabilidade de governança regional282.

Desta feita, visando sanar estes problemas, em 2006 foi editada pelo Ministério da Saúde a Portaria nº. 399 de 2006, também conhecida como “Pacto pela Saúde”. Esta portaria tem por escopo a realização de prioridades relacionadas ao Pacto pela Vida, Pacto em Defesa do SUS e Pacto de Gestão do SUS.

O “Pacto pela Vida” consiste em “[...] um conjunto de compromissos sanitários, expressos em objetivos de processos e resultados e derivados da análise da situação de saúde do País e das prioridades definidas pelos governos federal, estaduais e municipais. [...]”. As prioridades do “Pacto pela Vida” são: a) a saúde do idoso; b) câncer de colo de útero e de mama; c) mortalidade infantil e materna; d) doenças emergentes e endemias, com ênfase na dengue, hanseníase, tuberculose, malária e influenza; e) promoção da saúde; e f) atenção básica à saúde.

282 SILVA, Silvio Fernandes da. Organização de redes regionalizadas e integradas de atenção à saúde: desafios

do Sistema Único de Saúde (Brasil). Ciênc. saúde coletiva [online]. São Paulo, v. 16, n. 6, p. 2753-2762, 2011. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011000600014>. Acesso em: 5 maio 2015.

Outrossim, o “Pacto em defesa do SUS” consiste na realização de atitudes concretas e articuladas “[...] pelas três instâncias federativas no sentido de reforçar o SUS como política de Estado mais do que política de governos; e de defender, vigorosamente, os princípios basilares dessa política pública, inscritos na Constituição Federal [...]”. Este pacto objetiva repolitizar a saúde, visando à mobilização social, de modo que se possa conscientizar a respeito da universalização do SUS e implementar meios de se destinar recursos para a saúde pública.

Por fim, há o “Pacto de Gestão do SUS”, o qual se destina a incentivar a regionalização e descentralização, razão pela qual “[...] estabelece as responsabilidades claras de cada ente federado de forma a diminuir as competências concorrentes e a tornar mais claro quem deve fazer o quê, contribuindo, assim, para o fortalecimento da gestão compartilhada e solidária do SUS [...]”. Assim, o objetivo deste pacto é, admitindo as grandes diversidades regionais existentes no Brasil, estabelecer uma unidade de princípio e operacional. Desta maneira, as prioridades traçadas para este pacto são: a) definir a responsabilidade sanitária de cada instância gestora do SUS; b) estabelecer diretrizes para a gestão do SUS.

Mesmo assim, como mencionado em oportunidade anterior, os dados extraídos de órgãos oficiais, tais como o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e o Fundo Nacional de Saúde, parecem revelar que, mesmo após o “Pacto pela Saúde” ainda existe uma grande concentração de estabelecimento e estrutura de serviços de saúde nas regiões sul e sudeste que não há nas demais áreas do país. Naturalmente, este dado se estende para os serviços de alta complexidade, ou seja, há proporcionalmente menos serviços desta natureza disponíveis para os municípios do Norte, Nordeste e Centro-Oeste283.

Por outro lado, é preciso destacar a importância da atenção primária à saúde. É que a atenção primária da saúde funciona como “porta de entrada” para os demais pontos de atenção. Nesse sentido, a atenção primária à saúde depende da disponibilidade de médicos generalistas com boa formação, ações de saúde abrangentes e articuladas, gerenciamento do cuidado visando garantir sua continuidade, escopo assistencial amplo, e integração matricial com os especialistas284.

Esse papel da atenção básica, inclusive, ganhou reforço com a Resolução nº. 439 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), a qual ressaltou a necessidade de que a atenção básica fosse a principal porta de entrada do sistema público de saúde e da implementação de

283 KUSCHNIR, R. et al. 5. Configuração da rede regionalizada e hierarquizada de atenção à saúde no

âmbito do SUS. Disponível em: <http://www5.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_484701327.pdf>. Acesso

em 24 maio 2015.

políticas que permitissem a existência de profissionais de saúde em todas as regiões do país.285

Em outras palavras, é preciso maior investimento em estrutura e em profissionais nas regiões do país com maior escassez de recursos para o sistema público de saúde. Bastaria o aumento do incentivo para a atenção primária da saúde para que se verificasse um aumento na qualidade dos serviços em diversas regiões do país.

Contudo, a falta de vontade política para tanto também tem servido como um entrave no estabelecimento do sistema regionalizado e hierarquizado. A esse respeito, vale notar o baixo financiamento do SUS (em torno de 3,5% do PIB), o que impede avanços na disponibilização dos serviços286.

Daí se constata a necessidade de medidas mais concretas e eficazes das que já foram adotadas. Medidas que, a nosso ver, devem ser menos complexas, mas que possam trazer melhorias efetivas no acesso à saúde, especialmente nas regiões mais afastadas e menos favorecidas do país.