4. ÇOK PARTİLİ DÖNEM VE RADYO TARTIŞMALARI
4.1 Demokrat Parti İktidarı ve Partizan Radyo
4.1.1 Devletin İdeolojik Aygıtı Olarak Radyo: 1957 Genel Seçimleri
Após todas as considerações acima delineadas, cabe agora realizar uma análise da relação entre o direito à saúde e o Direito Econômico.
Como dito acima, o direito à saúde é um direito social. Os direitos sociais envolvem ações prestacionais, que demandam custos, e são destinados à garantia da dignidade da pessoa humana. Por este motivo, muitas vezes, são difíceis de serem diferenciados dos direitos econômicos, que envolvem a intervenção do Estado no domínio econômico, também para garantir uma vida digna a todos, sob os ditames da justiça social.
Nesse sentido, é o entendimento de José Afonso da Silva (2006), que exemplifica que o direito dos trabalhadores consta na Constituição não apenas como direito social, mas também como direito econômico, pois o trabalho é um componente das relações econômicas, e possui dimensão econômica indiscutível. Assim, a diferença entre os direitos sociais e o direito econômico é a de que, enquanto o primeiro constitui forma de tutela pessoal, o direito econômico possui uma dimensão institucional247.
Compartilhamos dessa ideia, pois o Direito Econômico não possui caráter individualista, mas sim coletivista. A esse respeito, vale lembrar o posicionamento de Nelson Nazar (2014), no sentido de que o direito econômico se diferencia do direito civil justamente porque ele se preocupa com as relações jurídicas que envolvem uma grande quantidade de pessoas, ou seja, se preocupa com uma realidade de massa248.
Também entendemos que os direitos sociais não podem deixar de ser, em certa medida, direitos individuais. Ora, o indivíduo é o titular e o destinatário dos direitos que se prestam à garantia de uma vida digna. É por isto que Carolina Zancaner Zockun (2009) também sustenta que os direitos individuais possuem uma dimensão individual, pois o seu uso e gozo são de fruição singular249.
247 SILVA, 2006, p. 286. 248 NAZAR, 2014, p. 46. 249 ZOCKUN, 2009, p. 43.
É preciso lembrar, como faz Vidal Serrano Nunes Júnior (2009), que a Constituição, nos artigos 3º, inciso III, e 170, inciso VIII, proclama como objetivo da República e princípio da ordem econômica a redução das desigualdades sociais. Isto evita que o Poder Público adote políticas que sejam contrárias a avanços sociais250. Portanto, pode-se
dizer, ainda, que os direitos econômicos servem de base para a evolução dos direitos sociais. Assim, surgem questões que, no nosso entender, englobam tanto os direitos econômicos quanto os direitos sociais, e têm sido alvo de intensos debates na doutrina e na jurisprudência. Estas questões são referentes ao mínimo existencial, à reserva do possível e à proibição do retrocesso.
4.6.1 Mínimo existencial, reserva do possível e a proibição do retrocesso
O conceito de reserva do possível surgiu do julgamento de dois tribunais administrativos, de Hamburgo e da Baviera. Os julgados tratavam da admissão para os cursos de medicina de Hamburgo e da Baviera, nos anos de 1960 e 1970251.
A legislação de Hamburgo dizia ser possível a limitação no número de estudantes admitidos no curso de medicina de acordo com a capacidade regular do curso, devendo ser verificado se não poderiam ser tomadas medidas para se evitar a referida restrição. As formas de admissão seriam estatuídas por leis do Conselho Acadêmico252.
Por outro lado, a legislação da Baviera afirmava que o número de estudantes só poderia ser limitado se isto fosse essencial à manutenção do curso. Dava, ainda, prioridade aos candidatos oriundos da própria Baviera253.
Diante dessa situação, o Tribunal Federal Constitucional Alemão concluiu que as limitações absolutas de admissão para um determinado curso são constitucionais: i) se forem fixadas de acordo com os limites do estritamente necessário, depois do uso exaustivo das capacidades de ensino disponíveis; e ii) se houver escolha e distribuição dos candidatos de acordo com critérios racionais, com uma chance para todo candidato qualificado e sempre respeitando, na medida do possível, a escolha individual do lugar de ensino. Outra questão
250 ZOCKUN, 2009, p.112.
251 MARTINS, Leonardo (Org.). 50 anos de jurisprudência do Tribunal Constitucional Federal Alemão.
Montevideo: Fundación Konrad-Adenauer, 2005, p. 656.
252 Ibidem, p. 656. 253 Ibidem, p. 657.
importante é a de que as limitações absolutas só poderiam ser definidas por meio da lei, cabendo aos Conselhos Acadêmicos a definição apenas de outras particularidades254.
Afirmou, ainda, o Tribunal Constitucional Federal que os direitos sociais de participação em benefícios estatais se encontram sob a reserva do possível, de modo que são limitados a aquilo que pode o indivíduo, racionalmente falando, exigir da coletividade. Desse modo, esta avaliação (entre a necessidade e possibilidade) será feita pelo legislador, que na administração do orçamento irá atender aos interesses da coletividade, de acordo com a harmonização econômica geral, além da necessidade de ampliação e novas construções de instituições de ensino superior255.
Esta ideia de limitações materiais para a administração pública foi trazida para o Brasil, em especial, nas ações movidas contra o Estado que pretendiam a obtenção de acesso a direitos sociais garantidos pela Constituição. Com base na teoria da reserva do possível, muitas vezes o Estado apresentava a alegação no sentido de que os seus escassos recursos não poderiam ser desviados do direcionamento que já havia sido dado pela administração pública, apenas para fins de assegurar um direito individual.
Entretanto, ante as estratégias de positivação acima mencionadas, esta argumentação perde relevância, uma vez que para alguns direitos sociais, tais como a saúde e a educação, o Constituinte fez questão de atribuir ao indivíduo um direito subjetivo mensurável, passível de cobrança do Estado.
Mas pergunta que surge é se, para os demais direitos sociais, que não estão previstos da mesma forma que a saúde e a educação, como a moradia, por exemplo, a reserva do possível pode ser invocada como fator limitador e até mesmo excludente da incidência do direito.
É nesse ponto que surge a ideia de mínimo vital. O mínimo vital é a ideia de que, para ter uma vida digna, o ser humano precisa de determinados elementos sociais. Trata- se, portanto, de um núcleo irredutível, inerente a todo e qualquer ser humano.
Como demonstra Vidal Serrano Nunes Júnior (2009), o mínimo vital pode ser extraído da Constituição. Existe uma série de disposições que levam a esta conclusão, tais como a indicação da cidadania como fundamento do Estado (artigo 1º, inciso III), a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades como objetivo do Estado (artigo 3º,
254 MARTINS, Leonardo (Org.). 50 anos de jurisprudência do Tribunal Constitucional Federal Alemão.
Montevideo: Fundación Konrad-Adenauer, 2005, p. 658.
inciso III), e o fato de que a própria ordem econômica, calcada na livre iniciativa, possui o objetivo de garantir a todos uma existência digna, conforme os ditames da justiça social256.
Com base nesta ideia, é traçado um limite para o Estado. Ainda que determinados direitos sociais não tenham positivação extensiva na Constituição, não se poderá negá-los totalmente com base na insuficiência de valores nos cofres públicos, tendo em vista que a Constituição garante a todos, no mínimo, uma existência digna.
Não se nega, contudo, que o conceito de mínimo existencial é vago e varia de acordo com cada região. Carolina Zancaner Zockun (2009), a esse respeito, afirma que o objeto jurídico do mínimo existencial envolve uma “zona de certeza positiva”, uma “zona de certeza negativa” e uma “zona de penumbra”257. A definição, portanto, será feita de acordo
com o caso concreto, onde será verificado qual é o núcleo essencial daquele direito social em discussão.
Aliás, fica até difícil falar em impossibilidade financeira para atender demandas de direitos sociais quando a verba prevista para a publicidade institucional do governo federal para 2014 ano aumentou em 33,8% (trinta e três vírgula oito por cento), de R$ 202,8 (duzentos e dois vírgula oito) milhões para R$ 270,1 (duzentos e setenta vírgula um) milhões258. Ou seja, diante da realidade fática, e do caso concreto, certamente haverá muito
mais casos em que a garantia do mínimo vital prevalecerá sobre a reserva do possível.
É claro que o conceito de mínimo vital irá variar de país para país. Cada país, de acordo com a sua história e situação socioeconômica irá definir um núcleo mínimo para os seus direitos sociais, ou seja, um caminho a ser seguido na garantia de uma vida digna para os seus cidadãos.
Contudo, cada vez mais surge uma ideia de mínimo vital em âmbito internacional. Conforme Vidal Serrano Nunes Júnior (2009), esse é o caso de alguns países africanos, que tendem a utilizar os direitos sociais em uma escala de solidariedade internacional para que possam obter ajuda de outros países e organismos internacionais259.
Por fim, existe ainda outro mecanismo de proteção de direitos sociais contra as ingerências do administrador. Este mecanismo é o da proibição do retrocesso. Com efeito, como sustenta Cristina Queiróz (2006), a proibição do retrocesso “[...] determina, de um lado,
256 NUNES JÚNIOR, 2009, p. 71.
257 ZOCKUN, 2009, p. 55.
258 GALLO, Mel Bleil. Orçamento para publicidade institucional cresce 33,8% em ano eleitoral. Contas
abertas, 31 jan. 2014. Disponível em: <http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/7673>. Acesso
em 02 maio 2015.
que, uma vez consagradas legalmente as ‘prestações sociais’, o legislador não poderá depois eliminá-las sem alternativas ou compensações [...]”.260
Isto significa que, uma vez concretizado um direito social por meio, por exemplo, de uma política pública, esta concretização não poderá ser revogada sem uma outra política equivalente que mantenha a mesma situação para os destinatários.
É claro que se a carência por determinada prestação for provisória, a ação prestacional poderá desaparecer. Vidal Serrano Nunes Júnior (2009), sob este ponto, exemplifica o caso das assistências a vítimas de desastre de grandes proporções na natureza. Superado o desastre e os problemas gerados, não há mais razão para a atuação do Estado261.
Contudo, quanto às necessidades de caráter permanente, não há qualquer dúvida de que a proibição do retrocesso consiste em mecanismo que protege o cidadão contra atitudes regressivas do Estado, muitas vezes causadas por motivos políticos.
Assim, o que se pretendeu demonstrar acima é que a relação entre a saúde e o direito econômico reside no fato de que o direito econômico, agindo em dimensão institucional por meio da intervenção do Estado no domínio econômico, serve de base justamente para a promoção da saúde.
Mas a ação do Estado não é livre. Ela fica condicionada a limites estabelecidos pela própria Constituição, que estabelece, inclusive na ordem econômica, que se deve garantir um mínimo dos direitos sociais a cada pessoa. O mesmo diploma ainda estabelece que, uma vez garantida a efetivação de um direito social, não poderá haver a sua revogação, ainda que seja mais vantajosa economicamente para o Estado.
Portanto, fica claro que o direito à saúde, como direito social, possui uma relação umbilical com o direito econômico.
260 QUEIROZ, Cristina. O princípio da não reversibilidade dos direitos fundamentais sociais: princípios
dogmáticos e prática jurisprudencial. Coimbra, Portugal: Coimbra Editora, 2006, p. 116.
5 A INTERVENÇÃO DO ESTADO PARA GARANTIA DA SAÚDE
Este capítulo trata da estrutura que o Estado dispõe, por meio da Constituição e das normas legais, para garantia da saúde. É que garantir a saúde, como não poderia deixar de ser, envolve muito mais do que a ditribuição de médicos pelo país, mas uma larga estrutura de estabelecimentos, equipamentos e profisionais em áreas administrativas e específicas de saúde.
Por isto, a intervenção do Estado para garantia da saúde, nos termos delineados pela Constituição de 1988, demanda uma ampla participação e gestão dos mais diversos setores, que discutem sobre recursos públicos e privados para a garantia do serviço.
Por outro lado, como exposto acima, a iniciativa privada possui participação na saúde, seja complementando o Sistema Único de Saúde, seja de forma autônoma, atuando no mercado sob a fiscalização do Estado.
Desta feita, é clara a importância para que seja analisada, ainda que não de forma integral, o sistema público e privado da saúde no Brasil. Isto será necessário para que se possa verificar a necessidade estrutural do programa “Mais Médicos”.