4. ÇOK PARTİLİ DÖNEM VE RADYO TARTIŞMALARI
4.1 Demokrat Parti İktidarı ve Partizan Radyo
4.1.3 İkna ve Sesin Gücü: 6-7 Eylül Olaylarında Radyo
Na mesma esteira do artigo 198, inciso II da Constituição, o art. 7º, inciso II da Lei nº. 8.080 de 1990 dispõe que as ações e serviços de saúde obedecem a “[...] integralidade
297 SPEDO, 2009, p. 1781. 298 Ibidem, p. 1781. 299 SOUZA, 2010, p. 512.
de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema [...]”. É importante saber, portanto, no que consiste a integralidade e quais são os seus limites, tendo em vista que, como já dito em capítulos anteriores, não é fácil definir qual a extensão do direito à saúde.
É certo que, como se extrai da própria dicção das normas acima mencionadas, a integralidade consiste na realização do Poder Público de todas as ações para garantia integral da saúde a aquele que se submeteu ao Sistema Único de Saúde. Esta é a posição de Vidal Serrano Nunes Júnior e Sueli Gandolfi Dallari (2010), para quem o Estado, na garantia da saúde, deverá promover não apenas atividades de prevenção epidemiológica, como ainda assistência farmacêutica, e oferecer uma ampla gama de tipos de atendimento (consultas, cirurgias e internações, dentre outros), além de serviços que proporcionem o bem-estar físico, mental e social300.
Mas é claro que a integralidade não significa que o Estado é obrigado a proporcionar todo e qualquer tipo de tratamento, em qualquer situação que seja e a quem quer que seja para garantia do direito à saúde. Com efeito, conforme explicado acima, o Estado está submetido a limites orçamentários na garantia dos direitos sociais, o que impõe escolhas no caminho traçado para a efetivação de tais direitos.
Por esta razão que, não raro, há conflitos entre as escolhas orçamentárias feitas pelo Estado e as demandas realizadas por determinado cidadão, que exige justamente a integralidade e a igualdade do acesso à saúde, previstas na Constituição. Estes conflitos, em sua maioria, se referem a medicamentos e tratamentos mais avançados e mais dispendiosos.
Foi pensando neste problema que Lenir dos Santos (2009), em artigo sobre a integralidade no Sistema Único de Saúde, propôs quatro limites para a integralidade. Estes limites seriam, segundo a autora, oriundos do próprio ordenamento jurídico301.
O primeiro deles é a observância de quem é o destinatário da integralidade. A questão aqui se resume em saber se toda e qualquer pessoa, ainda que inicialmente tenha optado por receber tratamento médico pelo sistema privado, pode buscar os recursos do SUS. Um exemplo é aquele paciente que está sendo tratado por um médico particular e,
300 DALLARI, 2010, p. 91 -92.
301 SANTOS, Lenir dos. SUS: Contornos jurídicos da integralidade da atenção à saúde. In: KEINERT, Tânia
Margarete Mezzomo; BASTOS, Helena Silvia; BONFIM, José Ruben de Alcântara (Org.). As ações
posteriormente, com base na prescrição do referido profissional busca realizar uma cirurgia com recursos do SUS302.
Sobre este aspecto, a referida autora responde que o Sistema Único de Saúde não deverá atender o mencionado paciente. A justificativa para tanto é a de que, havendo uma cisão do sistema de saúde entre público e privado, deve o cidadão escolher entre um dos dois, e não os utilizar conjuntamente. Nesse sentido, segundo Lenir (2009), não poderão os profissionais do SUS ficar submetidos às prescrições dos profissionais do setor privado, de modo que, escolhendo o sistema público, ou privado, o cidadão deverá segui-lo até o fim de seu tratamento303.
Contudo, há que se questionar esta posição, na medida em que o fato da Constituição ter consagrado tanto o acesso público como privado aos serviços de saúde, não necessariamente leva a conclusão de que o ordenamento jurídico teria imposto ao cidadão a escolha por um ou outro sistema. Vale lembrar que o artigo 23 da Constituição confere à União, aos Estados e aos Municípios competência comum para zelar sobre a saúde, e o artigo 196 impõe ao Estado o dever de possibilitar o seu acesso universal e igualitário.
A esse respeito, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, no julgamento da Apelação Cível Nº 70064413024, de relatoria da Desembargadora Lara Louzada Jaccottet, acatou a prescrição realizada pelo médico da requerente, que conflitava com os pareceres técnicos emitidos pela Secretaria de Saúde. Isto porque, é o médico que cuida do caso, que sabe de suas especificidades, que pode indicar o melhor tratamento ao paciente304.
Como se vê, concordamos com esta decisão, pois a cobertura de tratamentos e remédios pelo SUS indicados por médicos particulares não se trata de submissão do sistema público ao sistema privado. Trata-se, a toda evidência, apenas da utilização pelo paciente de todos os recursos disponíveis para garantia de sua saúde.
É preciso apenas destacar, contudo, que o paciente que utiliza o sistema privado e aceita se submeter ao Sistema Único de Saúde deve respeitar as mesmas condições impostas ao demais. Ou seja, não se poderá admitir dentro do SUS diferenciação entre os pacientes em razão de sua capacidade econômica, devendo todos serem submetidos às mesmas situações.
302 SANTOS, 2009, p. 66. 303 Ibidem, p. 67.
304 BRASIL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Apelação Cível nº 70064413024. Apelante: Estado do
Rio Grande do Sul. Apelada: Maria Rita Carvalho de Oliveira. Relator: Laura Louzada Jaccottet. Porto
Alegre, 18 de maio de 2015. Disponível em:
<http://www.tjrs.jus.br/site_php/consulta/download/exibe_documento.php?ano=2015&codigo=694366>. Acesso em: 16 maio 2015.
Já a segunda limitação estabelecida por Lenir dos Santos (2009) é a de que o direito à saúde deverá ser garantido de acordo com os limites orçamentários do Estado. Sobre este aspecto já nos manifestamos em momento anterior, razão pela qual não há necessidade de maiores discussões sobre o tema. É preciso sinalizar, contudo, a observação feita quanto à alteração trazida pela Emenda Constitucional nº. 29, fixando limites mínimos para a disposição de recursos para a saúde, além do art. 36 da Lei 8.080 de 1990, que dispõe que o planejamento e a orçamentação da saúde deverão ser compatíveis com a disponibilidades dos planos de saúde dos federados e a necessidade da política de saúde305.
A terceira limitação é a prudência da utilização de novas tecnologias para garantia do bem-estar do cidadão. Esta limitação decorre do artigo 15, incisos V, VIII e XVI da Lei 8.080/90, que afirmam que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios possuirão a competência para “[...] elaboração de normas técnicas e estabelecimento de padrões de qualidade e parâmetros de custos [...]”, “[...] elaboração e atualização periódica do plano de saúde [...]” e “[...] elaborar normas técnico-científicas de promoção, proteção e recuperação da saúde [...]”306.
A ideia desta limitação é a de que, na busca da garantia do direito à saúde, o Estado não se submete aos interesses lucrativos dos laboratórios que produzem os medicamentos ou das empresas que fabricam novas tecnologias para a saúde. Em outras palavras, a regulamentação técnica e científica realizada pelo Poder Público (a exemplo dos medicamentos genéricos) é essencial para otimização dos gastos com a saúde pública307.
Mas aqui vale fazer um alerta para o falso dilema. Não há dúvida de que o Estado poderá criar padrões de atendimento para otimizar os seus recursos, como ocorre em qualquer grande estrutura. O que não se pode, como ensinam Vidal Serrano Nunes Júnior e Sueli Gandolfi Dallari (2010), é utilizar esta padronização como uma justificativa de limitar ou até mesmo afastar o direito à saúde, tal como previsto na Constituição308.
Sobre este ponto, no julgamento do Recurso Inominado nº. 0399766- 91.2013.8.19.0001 o Colégio Recursal dos Juizados Especiais do Rio de Janeiro entendeu que o catálogo de remédios realizado pelo do SUS não impede o fornecimento de outros medicamentos que não estão ali previstos, mas foram indicados por prescrição médica. A
305 SANTOS, 2009, p. 68. 306 SANTOS, 2009, p. 68. 307 Ibidem, p. 69.
justificativa para tanto é a de que não pode o Poder Judiciário se sobrepor à análise técnica feita pelo profissional médico, que possui maior relevância para garantia do direito à vida309.
Desta feita, o que fica claro é que, ainda que tenha o Poder Público o direito de criar normas e protocolos para qualificar seus gastos com a saúde, tais diretrizes não podem servir de empecilho para a efetivação do direito em si.
Por fim, o último limite é aquele previsto no artigo 7º, inciso VII e 35 da Lei nº. 8.080/90, qual seja, a utilização do critério epidemiológico, de organização de serviços e populacional para a definição das prioridades e das políticas de saúde. Este critério deveria, nos termos da Emenda Constitucional nº. 29, impedir a intervenção do Judiciário no plano de saúde, especialmente porque este plano é elaborado em conjunto com o conselho de saúde local310.
Sobre esta argumentação, como já dissemos no item 4.5., se o Poder Judiciário constatar que há conflito entre o indispensável direito à vida e à saúde e os interesses financeiros secundários do Estado, não há dúvidas de que deverão prevalecer os primeiros. Ora, não raro se verifica que, mesmo com a participação popular, os recursos do Sistema Único de Saúde, na maioria das regiões do país, são insuficientes para atender adequadamente as necessidades básicas da população.
Aliás, também é comum se verificar nos noticiários informações sobre a crise na saúde pública dos Estados e Municípios onde algumas vezes sequer há remédios e insumos básicos, como esparadrapo cirúrgico311.
Diante de situações como esta, não há como o Poder Judiciário se manter omisso, sobretudo quando se verifica os vultosos gastos realizados com áreas menos importantes, como a publicidade. É certo que, para além dos interesses financeiros do Estado, há um direcionamento constitucional que deve ser acatado e respeitado, especialmente em seus patamares mínimos.
Sendo assim, se o respeito ao mínimo vital em matéria de saúde não for realizado pelo Poder Executivo, é certo que ao Poder Judiciário cabe intervir para a garantia do espírito da Constituição.
309 BRASIL. Colégio Recursal dos Juizados Especiais do Rio de Janeiro. Recurso Inominado nº 0399766-
91.2013.8.19.0001. Recorrente: Estado do Rio de Janeiro. Recorrido: Alcyr Magno Monteiro. Relator: Luiz
Fernando de Andrade Pinto. Rio de Janeiro, 08 de agosto de 2014. Disponível em: <http://www1.tjrj.jus.br/gedcacheweb/default.aspx?UZIP=1&GEDID=0004757BF5A4A85241DBB24424E D316436DDC503241C492D>. Acesso em: 16 maio 2015.
310 SANTOS, op. cit., p. 70.
311 AOS 100 dias de governo, Rollemberg enfrenta crise na saúde do Distrito Federal. R7, 10 abr. 2015.
Disponível em: <http://noticias.r7.com/distrito-federal/aos-100-dias-de-governo-rollemberg-enfrenta-crise- na-saude-do-distrito-federal-10042015.html>. Acesso em: 16 maio 2015.