4. SAĞLIK İLE İLGİLİ SORULAR
4.4. Psikolojik Rahatsızlıklar
No liberalismo, o papel das partes é que era posto em destaque. Posteriormente, houve um período em que se implementou um ativismo judicial, porém, marcado por um certo autoritarismo. Já no Estado
Democrático de Direito, a própria concepção de processo foi objeto de uma importante releitura, com destaque para a necessária colaboração entre os sujeitos processuais na sua construção e na elaboração do provimento final.
A divisão de funções e de papéis dentro do processo já era, há algum tempo, objeto de preocupação da doutrina alemã, que desenvolveu a teoria dos papéis (Rollentheorie) e constatou a necessidade de se implementar a comparticipação (Arbeitsgemeinschaft) entre juízes, partes e procuradores, como forma de possibilitar a construção de decisões melhores e reduzir o tempo processual (já que decisões melhores diminuiriam o número de recursos)91.
A idéia de participação é da essência da própria democracia e, por isso, no Estado Democrático de Direito, cresce o interesse pela colaboração entre os sujeitos processuais e, conseqüentemente, a importância atribuída ao contraditório, já que é ele que irá desempenhar o importantíssimo papel de possibilitar (e garantir) a participação dos interessados no procedimento de elaboração dos provimentos (leis, decisões judiciais ou atos administrativos) que irão atingir o seu universo jurídico.
No Estado Democrático de Direito não se privilegia o papel das partes (como no liberalismo) ou o do juiz. A tônica é na melhora da relação entre os sujeitos processsuais, de modo a proporcionar um efetivo e produtivo diálogo. O procedimento não deve ser mais visto como uma série de formalidades desnecessárias e inúteis e os sujeitos processuais devem assumir a responsabilidade pela utilização adequada dos institutos92.
Para que seja alcançado o objetivo maior do processo – a composição da lide por meio de uma tutela jurisdicional adequada, efetiva,
91 Para maiores detalhes a respeito da construção desta doutrina, cf. NUNES, Dierle José
Coelho. Processo Jurisdicional Democrático: uma análise criticadas reformas processuais. Curitiba: Juruá, 2008, p. 212 et seq.
justa e oportuna – os sujeitos processuais devem atuar da forma mais produtiva e laboriosa possível. Assim, é indispensável não apenas a atuação ética de todos que participem da atividade judicial e extrajudicial, mas também a utilização dos instrumentos e institutos processuais de forma a obter a melhor produtividade possível. Vale dizer: utilizar a técnica a serviço dos fins realizados.
Indiscutível que o diálogo efetivo pode contribuir para esta maior “operosidade” dos institutos processuais, valendo colacionar o exemplo apontado por HUMBERTO THEODORO JÚNIOR:
“A utilização da fase preparatória (nosso art. 331 do CPC), levada a sério, com a fixação adequada dos pontos controvertidos pode conduzir a uma redução do tempo processual em face da percepção pelas próprias partes (e seus advogados) de que a continuidade do feito não se faz adequada e necessária, o que conduzirá um advogado técnico à busca da conciliação com o término do prazo em prazo razoável”93.
A audiência preliminar é um típico exemplo de caso de instituto cujas potencialidades não são devidamente exploradas. Ela não serve apenas para tentativa de conciliação ou declaração de saneamento, mas principalmente para a fixação dos pontos controvertidos e “filtragem completa da discussão endoprocessual para a fase posterior de problematização”94, o que ressalta a importância do efetivo diálogo – e do
efetivo contraditório - para o alcance de resultados práticos melhores.
A valorização do diálogo e da participação ativa dos sujeitos processuais em todas as fases do procedimento95 tem, além disso, potencial
para reduzir o número de recursos, já que as decisões não só serão resultado
93 THEODORO JÚNIOR. Processo justo..., p. 15. 94 THEODORO JÚNIOR. Op. loc. cit.
95 E, como se verá adiante, também,a garantia de ver seus argumentos considerados na
de um procedimento mais bem realizado, mas também tendem a ser melhor fundamentadas.
A estrutura de um processo democrático não condiz, portanto, com uma separação rigorosa dos papéis dos sujeitos processuais. A participação conjunta e ativa do juiz e das partes tem potencial para garantir um processo mais justo e até mesmo mais rápido (já que mais produtivo ou sujeito a um número menor de recursos) e pode ser vislumbrada como uma conseqüência lógica da garantia do contraditório e da concepção de um Estado de Direito Democrático.
Deixa-se, numa perspectiva democrática, de analisar o contraditório como mera garantia de ser ouvido e passa-se a enfatizar o diálogo travado entre os sujeitos processuais e possibilidade de influenciar o desenvolvimento do processo, especialmente no que diz respeito à construção das decisões.
O direito de ser ouvido antes de sofrer os efeitos de uma decisão (bilateralidade da audiência) seria uma garantia meramente formal, caso não significasse, também, direito de influenciar na decisão, de ter suas razões levadas em consideração, analisadas e apreciadas por decisões racionais e fundamentadas.
Não há mais razões para vislumbrar no contraditório apenas um direito à bilateralidade da audiência, simples garantia de informação e reação dada às partes, em que a estrutura procedimental se estruturava de modo a possibilitar a formação do provimento unilateralmente pelo juiz96.
A releitura do princípio, em um Estado de Direito que se pretende e se quer Democrático, impõe que ele seja visto como um direito das partes de efetivamente participarem da formação do ato (provimento) final.
Direito à participação efetiva compreende direito de influenciar no conteúdo do provimento final, o que significa dizer que este, embora formalmente elaborado pelo órgão jurisdicional, deve necessariamente repercutir a atuação das partes durante o curso do processo. Em outras palavras, a decisão final não pode deixar de levar em conta os argumentos deduzidos pelas partes (contraditores), nem tampouco de expor racionalmente os motivos pelos quais acatou alguns em detrimentos de outros.
Em razão do contraditório são reconhecidos às partes o direito de ser oportuna e adequadamente informadas sobre o desenvolvimento do processo, as atividades realizadas, os atos de impulso da outra parte e do juiz, durante toda a duração do processo.
De nada valeria o direito a receber tais informações se as partes não pudessem utilizá-las. Assim, devidamente informadas, a elas deve ser garantido o direito de se manifestar sobre todas as questões, de fato ou de direito, que sejam relevantes para a solução da causa.
E, na mesma linha de raciocínio, de nada valeria o direito de manifestação se suas alegações pudessem ser simplesmente ignoradas pelo juiz. Logo, lhes é reconhecido também o direito de ver levadas em consideração pelo órgão jurisdicional, na decisão final, todas as alegações e provas produzidas97.
Vale dizer, portanto, que a exigência do contraditório se traduz na possibilidade efetiva, e não apenas teórica, de influenciar, com todos os
97 COMOGLIO, Luigi Paolo. Voce: contradittorio (principio del). Enciclopedia giuridica. Roma:
instrumentos processuais disponíveis, na formação do convencimento do juiz98.
Não há razão para deixar de vislumbrar tais direitos em todos os demais Estados democráticos que prestigiam o princípio, especialmente naqueles que, como o Brasil, o erigiram ao nível de princípio constitucional.
A obrigação de se proferir decisões fundamentadas (art. 93, inciso IX, Constituição da República), como não poderia deixar de ser, acaba sofrendo profunda influência desta nova visão do contraditório.
Isso porque, o dever de fundamentação das decisões judiciais vincula-se umbilicalmente à garantia de influência que encontra-se implícita no contraditório, gerando para as partes – aqueles sujeitos do processo que sofrerão os efeitos do provimento final – o direito de que a fundamentação da decisão considere os argumentos, provas e modo de participação. Não basta, portanto, motivar o provimento. É indispensável que tal fundamentação passe pelos argumentos, provas e conduta processual das partes para que o mandamento constitucional seja tido como observado.
Como afirmado anteriormente, vislumbrar no princípio do contraditório apenas uma garantia de bilateralidade de audiência mostrava-se insuficiente para fins de assegurar às partes o direito de influenciar na construção do provimento. Aquela visão estreita negligenciava e colocava em segundo plano o poder do diálogo por elas travado.
Foi a construção de um Estado Democrático que permitiu que a garantia se expandisse e se potencializasse, passando a compreender, além do direito das partes a serem intimadas de todos os atos processuais, a assistirem a colheita da prova e a se contraporem à prova produzida pela outra parte, também o direito de influírem na elaboração da decisão final, com o correlato
dever do órgão jurisdicional de levar em conta os argumentos deduzidos, as provas produzidas e suas próprias condutas durante o curso do processo.
Em que pese esta nova visão do instituto ter representado um significativo e importante avanço, ainda não esgotou todo o leque de garantias que dele se pode extrair.