BÖLÜM 1: KURAMSAL ÇERÇEVE VE ĐLGĐLĐ LĐTERATÜR
1.1. Psikolojik Đyi Olma
1.1.4. Psikolojik Đyi Olmaya Yönelik Kuramsal Açıklamalar
A maior parte das pessoas com deficiência auditiva (11 pessoas) faz referência a ter aprendido uma tarefa, uma atividade de prestação de serviço:
“trabalhar com peças”, “lixar”, “trabalhar com fios”. Alguns assinalam ter aprendido a
comportar-se, e um refere-se a aprender usar o aparelho auditivo.
“fazer casa, fazer peças, trabalhar com fios”(Dilma)
“lixar, fazer peças para carro, furar”(Justino)
“um ‘emprego’32 e usar aparelho”(Mário)
Um ex-usuário responde que aprendeu “coisas que já sabia”(Evelin), enquanto
outro diz que “já tinha experiência” e que o programa “é para quem não tem experiência
; sem escolaridade.” (Ernesto). Essas colocações apontam, provavelmente, o fato de as funções serem atividades de fácil aprendizado, simples, e talvez, repetitivas. As orientações quanto a hábitos e comportamentos no ambiente de trabalho e quanto à
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procurar emprego talvez lhes fossem familiares. Podemos considerar a possibilidade de cada um deles terem expectativas de um emprego em tempo mais breve, ou de desejar aprender uma função diferenciada. A primeira opção parece mais próxima, já que citam “queria trabalhar” e “ajudasse a encontrar um emprego” como motivos de procura pela instituição. Ambos desligaram-se do programa, antes de sua conclusão:
“Estive doente, a avaliação caiu, desanimei. Saí para trabalhar na E.”(Evelin)
“Não estava ajudando, tinha pego um trabalho. Rebocar parede, fazer muro”(Ernesto)
As pessoas com deficiência mental referem-se a funções aprendidas, mas também a cuidar da aparência, respeitar horário, conversar com pessoas e aprender com as outras pessoas com deficiência.
“Aprendi muitos com os colegas deficientes auditivos e deficientes físicos. Aprendi sobre a vida. Antes eu reclamava muito da vida.”
(Jurandir)
As pessoas com deficiência física não fazem referência à função, mas preferencialmente a comportamento e atitudes de trabalho: respeito aos colegas, aos superiores. Referem-se também ao desenvolvimento pessoal: pensar diferente, auto-aceitar-se.
“aprendi a pensar diferente. Não é a deficiência que inferioriza a pessoa. É só uma limitação.” (Arnaldo)
“aprendi um pouco de tudo que somou bastante experiências para o meu dia-a-dia.” (Nádia)
Algumas pessoas não responderam a esta questão.
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Para os técnicos, o programa possibilita a aquisição de habilidades gerais, não específicas de uma função de trabalho, e possibilita a vivência de aspectos mais amplos, muitas vezes negligenciados, limitados ou excluídos do cotidiano da pessoa com deficiência.
“Eles não tinham horário para levantar, por exemplo, não tinham uma atividade, muitos não tinham atividade nenhuma em casa, não tinham responsabilidade nenhuma. Hoje são responsáveis pelo cartão-ponto , são responsáveis pelo espaço que eles usam no banheiro, são responsáveis pela limpeza, pela ordem da oficina. E eles acabam extrapolando para outras situações, outros âmbitos das suas vidas. (terapeuta ocupacional, responsável pelo aconselhamento profissional)
“Acho que nós temos um programa, que tem falhas, que tem algumas coisas para ser melhoradas, algumas coisas para serem modificadas, mas acho que procuramos - e isso tem a ver com a equipe que temos - temos procurado fazer um trabalho que leva a alguma transformação, mudança.(...)Acho que em todos aqueles que passam por aqui,(...) percebe-se uma modificação, não só neles, mas em nós também. (...) mas eu sinto que aqui eles saem de alguma forma diferentes e que nós propiciamos isso.” (psicóloga)
“Acho que, sem dúvida, o programa é de um valor incontestável, não sei. Para alguns eu acho que vai num nível. Para uns vai num nível muito maior, muito melhor, dependendo muito da questão social, da família, se essa família o incentiva, se o aceita, enfim. Acho que tudo isso, são variáveis que vão estar interferindo. Se o programa tem um valor para ele? Eu acho assim. Duvido que alguém passou por aqui e não saiu modificado, ou que não saiu da I. melhor. Pior, eu duvido que alguém tenha saído. Esse valor existe sim... Para algumas pessoas a I. é uma escola de vida, porque ele se depara com situações que ele não se depararia na vida, talvez na vida social dele.(...) Falamos que todos têm condição de fazer alguma coisa. E acho que esse bem, a I. deve ter feito para muita gente. Para todos, principalmente para todos aqueles que chegam na I. com uma auto-imagem diminuída, com uma dificuldade em fazer, porque acha que não consegue. Acho que esse é um ponto. (gerente administrativa)
Em várias citações dos técnicos da instituição, aparecem referências a rotina, normas, responsabilidades, comportamentos adequados, etc. Aqui vale refletir sobre como estas questões são tratadas, de que forma isso se concilia com o
desenvolvimento pessoal de cada indivíduo dentro do programa. Uma crítica presente na literatura refere-se à limitação dada pelo tipo de atividades (industriais - parcelares e repetitivas) e pela dinâmica mantida em organizações com a proposta de reabilitação profissional. Vale realmente repensar estas questões para que, cada vez mais, situações de desenvolvimento pessoal como as mencionadas acima sejam constantes, que o indivíduo não seja passivo em relação às orientações dadas no programa, e que possa também exercer seus direitos e deveres.
“(...)acredito que não é porque é deficiente que tem que aceitar qualquer coisa, porque é deficiente que tem que estar permitindo. Então, acho que aqui nós temos uma proposta de trabalho controlada, porque é uma instituição, e toda instituição, no meu ponto de vista, não é asséptica, tem suas ‘doenças’ e temos que identificar isso da melhor maneira possível. Mas é importante que ele saiba dos seus direitos, (...) dos seus deveres. Temos os direitos aqui. Por exemplo tem a bolsa que é no dia 10. Então, tem que sair no dia 10. Tem que ter uma alimentação saudável...Isso nós temos dado conta. Enquanto cidadão tem o direito de reivindicar seus direitos, questionar sua avaliação. Isso também acho que temos dado conta. Tenho sentido necessidade de estar discutindo mais isso com eles, precisaria sistematizar isso. Os empresários, empresas têm essa visão que diz que se tem que ter produção, tem que dar lucro, etc. Não estou negando isso. É a realidade. Só que acho que não é porque se é deficiente, e isso para qualquer indivíduo sendo deficiente ou não, não se tem que ficar dizendo amém. E para explicar um pouquinho o que disse, sinto que algumas empresas com as quais entramos em contato e que potencialmente pode ser uma empresa que pode estar investindo no nosso aprendiz, tem muito essa visão de, não diria exploração, mas de trabalho, trabalho, trabalho. Então, não é para irem brigar, mas para saberem os direitos que eles têm, os deveres que têm também, porque só falando sobre dever, ser pontual, tem que ser responsável, tem que ter iniciativa, tem que ser cooperativo, mas que direitos se tem?” (psicóloga)