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BÖLÜM 2: YÖNTEM

2.5. ADDT Odaklı Grupla Psikolojik Danışma

Kant parece ter retido do pietismo a concepção rígida da lei.

Ferdinand Alquié

Não é necessário adiar um esclarecimento sucinto e oportuno quanto ao emprego dos termos, “ética” e “moral”. Porém, não cabem elaborações extensas e desnecessárias. Ética quer dizer tão somente, a “reflexão filosófica sobre a moral”118. A moral diz respeito à conduta suscetível de avaliação, isto é, em certa medida, as normas preferíveis para dar curso às ações humanas, visto que os seres humanos convivem e se relacionam e algumas ações são mais adequadas do que outras. Pretendo, por intermédio dos instrumentos investigativos de Schopenhauer, expor o princípio que fundamenta a moral de Kant e a sua inerente fragilidade. Em seguida justificar a legitimidade do fundamento moral schopenhaueriano.

Para compreendermos bem a crítica que Schopenhauer endereça a Kant no campo ético, precisamos, em primeiro plano, reconhecer com clareza e distinção o percurso kantiano. O que torna importante remontar os dados e referências em jogo. Vamos salientar as influências sobre a filosofia moral de Kant. Entre as referências do percurso kantiano, encontramos as investigações de Leibniz e dos moralistas ingleses (como Shaftesbury) e de Rosseau. Este último no campo da razão pura de caráter prático desempenhou, em certa medida (guardando as devidas proporções), o mesmo papel que Hume no campo da razão pura teórica. Ou seja, Rosseau trouxe questões cruciais para Kant, porque, entre outros fatores, não identificou no progresso científico critérios suficientes para garantir a dignidade humana, seu diagnóstico a respeito da passagem do estado de natureza para o estado civil, pretendeu demonstrar que o progresso técnico-científico não deve ser consignado com moralidade. O que estabeleceu a independência da esfera moral, provocando em Kant questionamentos críticos para o restabelecimento da moralidade em bases racionais e seguras.

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A originalidade da moral de Kant está, entre outros aspectos, nos limites de diferença com suas referências de pesquisa. Daí, por um lado o racionalismo kantiano separando os domínios da razão em teórico e prático desarticulou qualquer relação necessária entre o conhecimento de um objeto e o conhecimento do dever. Diferente do projeto moral de Leibniz, em que “a unidade da razão é, simultaneamente, a unidade da essência e da ação: é pelo conhecimento, (...), que se obtém o progresso moral”119. De Wolff Kant herdou a idéia de que a conduta moral carece ser coerente com os princípios, evitando, assim, a contradição. O racionalismo de Kant “não se limita a esse intelectualismo”120 porque a razão surge como fonte de autonomia. O critério de universalidade não tem uma consignação direta, imediata e irrestrita com o intelecto, isto é, podemos notar que o destaque dos moralistas ingleses na articulação entre moralidade e uma, digamos, motivação interior é mais importante.

Os moralistas ingleses “defenderam a universalidade dos princípios morais fundamentais e a concordância de todos os seres racionais quanto a esses princípios. Estes não podem ser objeto de preferência meramente individual”121. O que se constitui como uma das referências assumidas por Kant, no caso, a recusa das inclinações, porque as posições subjetivas não devem possuir valor moral, exceto se tiverem validade objetiva.

Cabe sublinhar a herança que Kant recebe de Rosseau, a concomitância do ser moral como legislador e súdito, Rosseau estabeleceu que nenhum ser humano pode estar submetido a regra moral que não emane da sua própria vontade, considerando que a natureza humana é ontologicamente boa. Kant escreveu, “Não é possível conceber coisa alguma no mundo, ou mesmo fora do mundo, que sem restrição possa ser considerada boa, a não ser uma só: uma boa vontade” 122. O que dissuadiu Kant de provar a dedutibilidade e demonstrabilidade do fim moral. Por outro lado, “perfila-se uma diferença importante, enquanto Rosseau apela para o sentimento, Kant apela para a razão pura”123. Considerar que a humanidade dispõe de uma boa natureza, sendo a razão pura sua base, implica em definir as ações como não sendo nem boas nem más pela efetividade, isto é, o conteúdo de uma ação não estabelece o seu

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Mario Tavares. Análise da obra Fundamentação da metafísica dos Costumes, p. 70

120 Ibidem. 121 Ibidem. 122 FMC, p. 53 123

significado, somente os princípios podem ser considerados maus ou bons. O princípio da moralidade de Kant: o imperativo categórico diz que devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal.

Conforme Kant, o conteúdo de uma ação não tem significado moral; o eixo da moralidade se instaura na forma. O que enquadra a moral kantiana dentro de uma ética formal em oposição as éticas de conteúdo ou materiais. De acordo com Kant, um princípio universal e racional tem que ser formal, não pode estabelecer um fim, ou seja, a lei moral deve nos dizer qual a forma que nossa ação deve adotar e não os atos que devemos praticar. A moralidade de uma ação está na racionalidade dos motivos, no princípio que determina o ato. Destaco uma ilustração elucidativa do caráter formalista do princípio ético que fundamenta a moral kantiana:

Tomemos, por exemplo, o ato de matar um homem, um ato na sua pura materialidade. Este ato não tem nenhuma tonalidade moral própria. Pode ser um ato criminoso, se for um assassinato por interesse; um ato neutro, se for executado em legítima defesa; um ato aprovado, quando se destina a proteger a pátria. Assim, não é a materialidade que caracteriza a ação moral, mas a intenção, o princípio moral que a inspira.124

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