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1.4. Problem ve Problem Çözme

1.4.4. Problem Çözme Stratejileri

A instituição visitada pelos congressistas, na manhã da quinta-feira, dia 12 de maio, foi o grupo escolar D. Pedro II, sob a liderança do secretário do Interior, do diretor de Instrução e da diretora da escola, d. Zelia Corrêa Rabello. Percorreram as dependências – salas de aula,

gabinete medico, salão nobre – e assistiram a um programma em homenagem aos srs.

congressistas, do qual participaram professoras e alunos.209 A programação foi encerrada com uma conferência sobre hygiene escolar, proferida pelo médico, dr. Lucas Machado.

Na abertura da sessão ordinária, Noraldino Lima210 faz um appello cordial e incisivo aos srs.

congressistas, no sentido de dar aos trabalhos uma orientação segura, concorrendo, assim, todos para o andamento mais rapido dos trabalhos. É que, considerando que a duração do

Congresso estava prevista, inicialmente, para oito dias, e considerando, ainda, que já se estava no quarto dia, o ritmo dos trabalhos precisaria ser acelerado: das oitenta e duas teses previstas, apenas cinco já tinham sido discutidas. As medidas utilizadas pelos congressistas no encaminhamento das discussões – apartes, questões de ordem, uso do tempo por uma duração acima da regimental, leituras repetidas, dialogos desnecessarios e collateraes – vão implicar uma reforma do regimento, em que se prevê que as intervenções passem por um controle mais rígido.211

209 Desse programa, constava: Hymno Nacional, cantado por todas as professoras e alumnos; Hymno ‘Pedro II’, cantado por um grupo de alumnos; vibrante oração, pela professora d. Iracema de Toledo Salles; “Patria”, soneto de Olavo Bilac, recitado pela alumna do 2.º anno, Yonne da Matta Machado; bailados, pelas alumnas do 1.º e do 2.º anno; ‘Cantemos’, canção por um grupo de alumnas [Minas Geraes, 13 de maio, p. 9].

210 O Minas Geraes assinala que Francisco Campos assume a coordenação no momento final em que se discutia a primeira tese do dia (OGE 4).

211 Apresentada por Magalhães Drummond. O Correio Mineiro, em vários dias/momentos, faz referência ao grande tumulto que cercou a realização do Congresso. Sob a ótica desse jornal, esse foi um evento anárquico, em que as “cartas estavam marcadas”. Alguns exemplos. Quem assiste ás sessões do Congresso de Instrucção Primaria, quem observar de perto a ordem ou, talvez, melhor, a desordem dos trabalhos... Já se tornou indispensavel o despotismo da mesa que preside aos trabalhos do Congresso. Toda gente tem a impressão agora de que as theses foram preparadas para serem approvadas pela mesa... Depois as decisões, cá fóra, serão attribuidas ao Congresso. As votações são verdadeiros passes de magica. Quando emerge da permanente turbulencia da assembléa um projecto, uma conclusão, mal os congressistas começam a afiar os ouvidos e a arregalar os olhos para vêr se percebem... zaz! passou. Que foi? Como foi? Ninguem sabe.

Aquelle vozerio, apartes, desafôros, toques de campainha, tudo, são o scenario do Congresso. Os resultados do Congresso mesmo estavam cubados... [Correio Mineiro, 12 de maio, 1ª p.].

A leitura da ata, primeira atividade do dia, segundo o regimento, é seguida pela proposta de uma moção, por parte de Alberto Álvares,212 relativa à remuneração dos professores. Os termos foram: – O Congresso de Instrucção Primaria, reunido em Bello Horizonte, confia em

que os poderes publicos competentes não continuarão por mais tempo indifferentes á precaria situação material dos professores e demais funccionarios do ensino official no Estado.213 É evidente que essa moção foi aprovada, sem discussões, nem quanto ao conteúdo, nem quanto ao “atropelo” da pauta, transgressão essa produzida por quem, nos primeiro e segundo dias havia argumentado/defendido que a tramitação das ações do Congresso se submetesse, estritamente, às normas previamente estabelecidas.

A primeira tese discutida nesse dia foi a relatada pelo inspetor regional Francisco Lins: – Si

há falhas e defeitos na actual organização do ensino primario, quaes são e quaes os meios de corrigil-os? (OGE 4). Segundo ele, o primeiro defeito do ensino primário está na escola normal214 que conta com a conivência dos inspetores na oferta de uma precária formação por parte das escolas equiparadas215 e o segundo, na grande extensão dos programas que as crianças precisam aprender.216 O argumento, por ele utilizado, de que as professoras de escola infantil, nível de ensino importante para se assegurar a aprendizagem dos conteúdos dos programas, no ensino primário, não possuíam o preparo adequado,217 foi motivo de contra-

212 O art. 10 do Regimento estabelecia: – A ordem dos trabalhos em cada sessão será a seguinte: 1.º) leitura, discussão e approvação da acta da sessão anterior; 2.º) expediente; 3.º) ordem do dia; 4.º) apresentação de indicações e moções.

213 Ao justificar sua proposta, entre outros, Alberto Alvares argumentou: – É chegado, porém, o momento de se vencer o natural constrangimento para abordar um aspecto da escola sobre que se ha silenciado até este instante; a situação material do professor publico, que é neste Estado a mais precaria e a mais incompativel com a dignidade devida á sua elevada missão.

Não basta aperfeiçoar a escola, aperfeiçoando-se os methodos de ensinar, e balisando-se novos objectivos. É preciso contar com os agentes das novas idéas, o professor. E para tanto cumpre tornar attrahente o seu nobre magisterio, remunerando-lhe o trabalho na proporção do valor moral do seu rendimento, para que desse magisterio não desertem os melhores sacerdotes, para que a esse magisterio convirjam sempre os mais capazes [Minas Geraes, 13 de maio, p. 6].

214 A formação do professor é o que mais importa, quando se trata da organização do ensino. O ensino vale o que vale a pessoa encarregada de ministral-o. Si o professor é bom, boa será a escola por elle dirigida, mesmo quando defeituosamente installada, mesmo quando mau o seu apparelhamento, mesmo quando maus os seus

programmas [Minas Geraes, 12 de maio, p. 6].

215 Normalmente funccionam as officiaes. Mas, as equiparadas? Espalham-se por todo o Estado, encontram-se algumas em recantos longinquos, mal organizadas, mal fiscalizadas. Uma ou outra presta bons serviços, porém, é certo que, em mais de uma, aliás em muitas, reina a incompetencia, já se tendo dado o facto de, entre os seus professores, se encontrar gente quasi analphabeta. Não raro, os encarregados de as fiscalizar, uns porque não sabem ver, outros porque, para não ver, fecham os olhos, têm deixado passar muito gato por lebre... [Minas Geraes, 12 de maio, p. 6].

216 Como se vê, é extraordinario o numero de materias a ensinar na escola primaria. Ahi, uma das causas do mal de que todo o mundo se queixa, representado pelo analphabetismo. Apprendendo muita coisa, as creanças,

em geral, não apprendem coisa alguma [Minas Geraes, 12 de maio, p. 6].

217 Aqui, muitas pessoas têm dito que, nas escolas infantis, não se faz sinão brincar, e muitas suppõem que basta saber brincar para saber dirigil-as. Puro engano d’alma, ledo e cego. Naturalmente se brinca nesses

argumentação. No embalo dessa discussão, Mello Campos lembra que há uma these, relatada pela mesma comissão, cuja conclusão se aproxima da OGE 4 e que, portanto, seria interessante discuti-la naquele momento. Trata-se da OGE 13 – Deve ser simplificado o

ensino primario actual, em que grau e como? – relatada por Iris Campos de Resende. A palavra é dada, então, a essa professora.218 E o tema da simplificação dos programas, posição claramente defendida por Francisco Campos em seu discurso de abertura, será um dos assuntos de maior destaque no Congresso e em torno do qual os congressistas irão agrupar-se a favor ou contra, apesar da tentativa, por parte de Oswaldo de Mello Campos, de impedir essa discussão naquele momento.219 A reação contra esse artifício foi incontinente e as posições carregaram a marca das particularidades que cada aparteador lhe conferiu. Nesse sentido, destaco aqui algumas intervenções. As de Arthur Furtado, defendendo que, na primeira etapa do ensino primário – de um modo geral denominada fundamental – deveria ser ensinado a ler, escrever e contar. Entretanto, não bastaria ensinar a ler ou desanalphabetizar: seria preciso que o aluno fosse capaz de saber ler. Nesse sentido, refere-se a um texto de sua autoria, em que esclarece isso.220 Para Antonio Benedicto Valladares Ribeiro os programas não deveriam ser simplificados,221 posição essa vivamente aparteada. Já Firmino Costa considera que a questão está sendo deslocada: o problema não está nos programas e sim, no método. Segundo Arthur Mafra, é preciso ensinar licções de cousas no primeiro ano e não limitar o ensino da aritmética às quatro operações. Nesse momento, entram na discussão dois institutos, e deve-se brincar. Mas resta saber de que brinquedos se trata. Ha brinquedos educativos que exigem serios conhecimentos da parte do educador. [Minas Geraes, 12 de maio, p. 6].

218 Acho necessário fazer uma observação, a respeito do registro desse momento, no Minas Geraes. Na primeira leitura, as informações pareceram-me confusas. Foi preciso um esforço extra para compreender o escrito. O que ocorreu? Primeiramente, Francisco Lins apresenta seu relatório/conclusão. Em seguida, Elysena Costa contesta a referência ao despreparo das professoras das escolas infantis (referendada por Margarida Praxedes Torres e Juscelino Aguiar). João Abreu Salgado ventila assumpto de outra these e é interrompido por José Augusto Lopes, que lhe aponta a impropriedade. Francisco Tavares apresenta outra conclusão, para a OGE 4. Logo após, são citadas a tese OGE 10 e sua conclusão. Por fim, Oswaldo de Mello Campos propõe a discussão da OGE 13, por ser afim à OGE 4. A fragmentação desse texto pode ratificar os argumentos do Correio Mineiro de que o Congresso transcorria num ambiente de balbúrdia. Nesse quadro, poderia ocorrer que o próprio relator, por vezes, se “perdesse” em suas anotações. Outra explicação possível diz respeito ao fato de Francisco Campos assumir a condução da mesa no momento em que os trabalhos já estavam em curso, segundo registro do próprio Minas Geraes e do Diario de Minas. Essa entrada, intempestiva, poderia ter, também, o efeito de alterar a concentração de todos. A bem da verdade, os registros desse dia, no Minas Geraes – diferentemente do que ocorre no Diario de Minas – não primam pela clareza.

219 Após a leitura do parecer de Iris Resende, Mello Campos requereu o encerramento da discussão, sem prejuizo da palavra dos relatores, considerando estar o assumpto suficientemente esclarecido.

220 Esse artigo está publicado, sequencialmente, no Diario de Minas, dos dias 25, 27 e 27 de maio de 1927, sob o título Ler e “saber ler”. Ao final da última parte, traz assinado A. F.

221 Fala o sr. Valladares Ribeiro, com vehemencia, provocando uma saraivada de apartes. Acha que a these é das mais importantes do Congresso. Faz restricções ao parecer. Não são assim tão grandes os programmas escolares. É um engano. São como as bolhas de sabão. Ao longe, volumosos. Mas, quando nelles se toca com o dedo, da analyse verifica-se que elles são absolutamente nullos. O modo por que os programmas são desenvolvidos é que não é um methodo perfeito. Lembra que sempre se bateu pelas idéas que está defendendo. [Minas Geraes, 13 de maio, p. 6].

personagens que não constam das diversas listas de congressistas: Irineu Guimarães, unico

professor particular presente e Carlos Góes.222 Para o primeiro, a escola primária não

prepara o menino para a vida – deve-se dar ao aluno amplo conhecimento do meio ambiente, ou seja, defende a simplificação dos programas, mas não de modo irrestrito. Já Carlos Góes se alia a Valladares Ribeiro ao denunciar os problemas de continuidade entre o primário e o ginásio, momento em que os alunos advindos do primeiro são reprovados na seleção para o segundo. Polycarpo Viotti ratifica a posição de seu colega, afirmando ser pura verdade ... que

os candidatos a exame de admissão no Gymnasio apresentam-se, em geral, pouco preparados para essa prova. Em certos casos, ... tem mesmo organizado bancas benevolentes, sem, entretanto, diminuir-se o numero de reprovações. A consequencia, pois, é a de que o preparo dos candidatos é deficiente.223 Toda essa discussão, gerou um grande rumor na sala: os

tympanos são acionados. Ao final, são aprovadas as conclusões relativas à simplificação dos programas, propostas pelos dois relatores; é incluída apenas a emenda relativa ao ensino de

licções de cousas, apresentada por Arthur Mafra.224

A tese seguinte, relatada por Helena Penna é a OGE 12 – Conviria restabelecer as ferias de

meio do anno lectivo? – apresentada verbalmente, porque a mesa não encontra, entre os

papeis, o trabalho que havia apresentado.225 Apesar de uma manobra oportunista por parte de Raymundo Tavares, no sentido de trazer novamente à discussão a questão do restabelecimento da matricula supplementar, manobra essa “desarmada” por Magalhães Drummond, a conclusão é aprovada. A próxima discussão é relativa à tese HEP 5: – Como

introduzir na escola primaria a cultura physica necessaria á nossa gente? O relator, Antonio

222 O sr. Irineu Guimarães, na tribuna, allega que é o unico professor particular presente á assembléa tendo feito não pequenos sacrificios para comparecer [Minas Geraes, 13 de maio, p. 6]. Quanto a Carlos Góes, o Correio Mineiro destaca a sua presença: conhecido grammatico... membro da Academia de Letras e, ao que parece, também professor do Gymnasio Mineiro. Segundo informação desse jornal, ninguem havia indicado os professores do Gymnasio Mineiro [13 de maio, 1ª p.]. Entretanto, conhecemos a lista publicada pelo Minas Geraes de 28 de maio em que os congressistas são relacionados às instituições nas quais estão vinculados. Há ali o grupo dos professores do Gymnasio Mineiro. Mas, mesmo com a omissão, o professor Carlos Góes se faz presente.

223 Minas Geraes, 13 de maio, p. 6. Polycarpo Viotti era reitor do Gymnasio Mineiro.

224 Aqui cabe um comentário a respeito da lógica de participação dos congressistas nos debates. As oposições são, via de regra, acompanhadas dos argumentos e de uma proposta de emenda, substitutivo ou aditivo. Quando tais dispositivos não são aprovados, transmudam-se em declaração de voto. Ou seja, seu proponente mantém a posição defendida. Muitas declarações de votos são registradas no Minas Geraes.

225 É interessante destacar que d. Helena Penna, diretora do GE Barão do Rio Branco, primeiro grupo escolar da capital foi, desde o início, integrante da comissão executiva do Congresso e, no início das atividades, foi escolhida para integrar a mesa diretora dos trabalhos. Causa certo estranhamento a “perda” desse relatório. Além disso, a tese que lhe é destinada para análise/parecer é pouco significativa, comparando-se com outras, a OGE 13, por exemplo. Portanto, cabe perguntar qual era, de fato, o papel de Helena Penna na liderança do Congresso.

Pereira da Silva lê seu parecer226 e apresenta suas conclusões. Dois pontos motivaram tensões e debates: a proposta de uso de aparelhos para a ginástica na escola primária e supressão dos

bailados e danças classicas. Quanto ao primeiro deles, José Augusto Lopes sugere que os aparelhos recomendados pelo relator sejam trazidos à assembléia para que os congressistas

votem com conhecimento de causa e que um médico se pronuncie, dando o parecer técnico

quanto à adequação ou não de tais aparelhos. Quanto ao segundo ponto, a eliminação dos

bailados, Magalhães Drummond não é favorável, mostrando a projecção e a influencia que

têm no proprio desenvolvimento intellectual dos alumnos.227 Para reforçar sua posição, refere- se a um parecer de Lúcio José dos Santos, que fala favoravelmente á dança rytmica. Por que os bailados deveriam ser eliminados da escola primária? O Minas Geraes não deixa claras essas razões; os outros dois jornais as esclarecem, de um certo modo, referindo-se ao aspecto

moral da questão, como fundamento dos argumentos do relator. Segundo Pereira da Silva, nos bailados, via de regra, só figuram creanças bonitas e ricas; os bailados corrompem a

harmonia escolar.228 Mais ainda, o bailado classico é... para as meninas bonitas, filhas de

gente bem classificada. Há intrigas, em que ficam envolvidos o pae, a alumna e a professora.229 Um dos congressistas argumenta que, para concordar no ponto de vista da

moralidade, ... tiraria as suas filhas da escola, si não fosse aceita a proposta...230 Ao referir- se a Lúcio dos Santos, como um modo de “reforçar” sua posição em favor dos bailados, Magalhães Drummond argumenta que não é prescrevendo modas que reagiremos contra a

imoralidade.231 São argumentos consistentes, sem dúvida. No entanto, apesar do peso aparente dos argumentos em favor da eliminação dos bailados na escola primária, o substitutivo apresentado por Magalhães Drummond, ao final aprovado, deixa aberta a possibilidade contrária ao propor que a gymnastica rytmica poderá ser introduzida nas

escolas primarias, substituindo os termos propostos pelo relator: – No programma será

incluido a gymnastica rytmica, excluindo-se os bailados e danças clássicas.232 Como bom professor de direito, Magalhães Drummond estava operando com um princípio jurídico básico: o que a lei explicitamente não veta não é proibido. É importante lembrar que na

226 Não publicado nos jornais. 227 Minas Geraes, 13 de maio, p. 7. 228 Diario de Minas, 13 de maio, 1ª p. 229 Correio Mineiro, 13 de maio, 2ª p. 230 Correio Mineiro, 13 de maio, 2ª p. 231 Diario de Minas, 13 de maio, 1ª p. 232 Minas Geraes, 13 de maio, p. 7.

propaganda da escola moderna para a qual se quer a adesão, as imagens internas dos grupos escolares, tem nos bailados uma das práticas trazidas à visibilidade.233

Na sequência das discussões, Antonio Pereira da Silva permanece na “tribuna”, pois é seu o relato da tese seguinte: – O escoteirismo poderá dar entrada na escola primaria, como meio

de educação moral e civica? (HEP 7). E, novamente, sua resposta afirmativa, apesar de não gerar uma obrigação, provoca tensões/debates: ao final, suas conclusões são aprovadas. Em seguida, é iniciada a discussão de uma tese de EMC – Quaes os meios mais efficientes de que

dispõe a escola para crear e desenvolver na creança a noção de dever? Essa tese, em sua redação, reúne elementos da EMC 3 e EMC 2. Entretanto, seu relator, Rodolpho Jacob, que não consta da relação dos relatores convidados,234 cujo relatório é publicado no Minas Geraes de 13 de maio, refere-se a ela como sendo uma síntese da EMC 3 – Quaes os meios mais

efficientes de que dispõe a escola para crear e desenvolver na creança o espirito de familia e o de solidariedade social? – e EMC 1 – Quaes as qualidades moraes a serem cultivadas nas

creanças conforme a sua edade? A análise do relatório e das conclusões confirma isso, mas,

233 Há dois pontos que julgo interessante destacar. O primeiro, diz respeito aos registros da discussão da tese HEP 5 nos três jornais e na Revista do Ensino. Segundo o Minas Geraes, Magalhães Drummond apresenta o substitutivo (10 itens) para as conclusões propostas por Antonio Pereira da Silva. Esse substitutivo é endossado por Guiomar Meirelles, integrante da comissão, que não havia concordado com Pereira da Silva quanto ao uso de aparelhos para ginástica na escola primária (mas havia apoiado a exclusão dos bailados). Os jornais apontam essa ambiguidade da professora. Esse substitutivo é aprovado, ou seja, anula as propostas que o geraram. O MG e o DM mostram isso; o CM omite. Aparentemente, esse embate é “vencido” por Magalhães Drummond, segundo o MG; por Guiomar Meirelles, de acordo com o DM (esse jornal, inclusive, atribui a essa professora a apresentação do substitutivo); já para o CM, vence o relator da tese. Ou seja, é muito difícil “recuperar” fatos ocorridos no passado, sem nos submetermos aos crivos que aqueles que produzem os registros, nos “impõem”. A aproximação que fazemos, por mais que busquemo-nos “cercar” de documentos, não foge dessa condição. Resta- nos elaborar algumas hipóteses. Nesse caso, por exemplo, os registros que mais se afastam, são os do MG e os do CM. Haveria alguma animosidade entre os redatores? Ou, o que penso ser mais provável: os redatores não se mantinham “isentos” diante do que viam e ouviam: a direção que davam a seus textos, provavelmente, demonstravam as posições que, pessoalmente, tomavam. Quanto a isso, a publicação das conclusões das teses, na Revista do Ensino n. 22, de agos/setembro de 1927, apresenta dois elementos de estranhamento. Um deles é o registro de que o substitutivo para a tese HEP 5 foi apresentada por Alexandre Magalhães, nome esse que não aparece nos registros dos jornais. Outro, é a publicação dos dois conjuntos de conclusões: a aprovada e a prejudicada. Por que isso acontece? O segundo ponto é relativo aos registros dessa mesma tese no MG. O relato das discussões é interrompido com uma informação sobre o encaminhamento: – O sr. Presidente agora comunica ao Congresso que as theses 5ª, 6ª e 8ª sobre educação physica podem muito bem, pela materia que ellas encerram, ser discutidas conjuntamente [13 de maio, p. 7; negrito meu]. Ora, o tempo verbal utilizado pelo redator é o presente, nos registros de todos os dias. Isso faz supor que sua escrita se desse no tempo em que ocorreram os fatos. Assim, a presença desse agora faz pensar no reinício de algo que fora interrompido. Penso que os trabalhos estavam reiniciando após um tempo para um café, e esse reinício não é marcado, de imediato, pela retomada das discussões. O MG não faz referência à “hora do café” mas o CM o faz. O jornal do dia 12 de maio registra: – As professoras mostraram-se abespinhadas com o desenvolver dos debates. E culpam a mesa. –