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Đlişkili Örneklemler Đçin Đki Faktörlü ANOVA Sonuçları

3. MATERYAL VE METOT

4.6. Đlişkili Örneklemler Đçin Đki Faktörlü ANOVA Sonuçları

Finalmente, no dia 18 de maio de 1927, quarta-feira, o Primeiro Congresso de Instrucção

Primaria chega, de fato, ao fim. Ao meio dia, os trabalhos têm início, com a leitura de alguns telegramas, após a aprovação da ata.331 O primeiro a falar é o sr. Arthur Furtado e, nesse momento, os critérios adotados para a escolha dos congressistas são, formalmente, divulgados. Em sua declaração, Furtado explica que a vontade liberal e magnanima do presidente era a de que, no mínimo, o triplo de pessoas pudesse participar do evento. Na ausência de um espaço que comportasse tal número, procurou então, s. exc. organizar o

Congresso de modo que fossem nelle representadas todas as circunscripções do Estado. E justifica sua declaração devido às reclamações de professores que estariam se sentindo

diminuidos perante seus collegas por não comparticiparem dessa augusta assembléa.332 Em seguida, a sra. Branca de Carvalho faz uma declaração a respeito de sua posição quanto à tese Ca 5 – acredita que o que é aprendido na Escola Normal fundamenta o trabalho da professora no ensino de canto na escola primária. Por fim, Aymoré Dutra apresenta uma última declaração, em que procurou demonstrar as dificuldades do uso de filmes nas precárias escolas do interior. Segundo ele, antes deveriamos cuidar do que não temos para depois

cuidarmos do que poderiamos ter... Ahi pelo interior do Estado ha estabelecimentos de ensino que não possuem nada.333 Ou seja, até no último instante, as tensões relativas à diferenciação interior e capital, tiveram vozes para denunciá-las.

Como já afirmei, nessa sessão não houve discussão de tese. Assim é que se passou dos atos rituais da “entrada” diretamente para os atos da finalização. Se esse procedimento pode fazer parecer que teríamos uma sessão mais abreviada, constatamos, nos documentos, que os congressistas dilataram esse tempo, intensamente ocupado por indicações e moções – na contagem possibilitada pelo Minas Geraes e pelo Diario de Minas, foram 29 desses atos. Além disso, foram propostas e acolhidas acclamações (para os promotores do Congresso) e

331 São citados, os telegramas de Affonso Penna (do Rio), Antonio Manoel de O. Lisboa (de Goyas), de Braulio Xavier (da Bahia) e de José Martinho da Rocha (de Juiz de Fora) (Minas Geraes, 19 de maio, p. 8).

332 Minas Geraes, 19 de maio, p. 8. 333 Minas Geraes, 19 de maio, p. 8.

votos de louvor (para o secretário do Congresso, Paulo Andrade; para o redator dos debates, Francisco Negrão de Lima e para o secretário do Interior). Chamam atenção a moção de Cecilia Alvarenga que homenageia o decano dos directores escolares, prof. Cordeiro Valladares, manifestando-lhe a grande admiração e reconhecimento dos congressistas334 e o uso que Margarida Praxedes faz da tribuna naquele momento: apresenta 10 indicações, sendo 9 delas aprovadas pela assembléia.335 Merece destaque, também, o enfoque dado pelos três jornais nesse dia. O Minas Geraes dispõe, aparentemente na sequência, os atos que foram produzidos, mas de um modo caótico, ou seja, sem um encadeamento lógico que possa facilitar a compreensão do leitor; o Diario de Minas, ao contrário, mesmo registrando todos os atos, produz um texto em que coerência e coesão são marcas distintivas. Enquanto este ajuda na compreensão daquele, o primeiro permite avaliar os significados atribuídos pelo redator do segundo, tendo em vista que publica os textos apresentados pelos congressistas. Já o Correio Mineiro, tal como procede no decorrer de todo o evento, escolhe que atos publicar e retira deles os elementos que possibilitam ao redator, tanto o exercício de uma crítica sensacionalista, quanto a projeção de alguns congressistas e, mais ainda, a divulgação de fatos omitidos pelos dois primeiros, procurando demonstrar, com isso, sua anunciada “independência”.

O término dessa sessão coube presidente do Congresso, Francisco Campos. Inicia seu

334 Minas Geraes, 19 de maio, p. 9. Segundo o Correio Mineiro, ao terminar a sua fala [de Cordeiro Valladares, em agradecimento], a assembléa applaudiu-o com a mais quente e prolongada salva de palmas que se produziu no Congresso [19 de maio, 1ª p.]. Ainda segundo esse último jornal, os congressistas offereceram áquelle veneravel educador um delicado mimo ... O que poderia ser esse “objeto”?

335 Segundo o Diario de Minas, é rejeitada a indicação para que o professor noturno recebesse uma gratificação mensal por aluno. O Correio Mineiro destaca a projeção dessa diretora durante os dez dias do evento: – D. Margarida Praxedes foi a maior evidencia do Congresso. Intelligente, preparada, com os recursos inesgotaveis de uma imaginação viva, aquella congressista apresentava todos os dias uma idéa nova, ás vezes facilmente acceita, ás vezes regeitada depois de um debate delirante. A saudação á bandeira proposta por d. Margarida, é de uma complexidade imprevista. A professora que passasse perto do pavilhão teria de prestar-lhe homenagens especiaes: com a mão direita sobre o coração, d. Margarida mesmo, como todas as outras, atirariam um grande beijo á imagem da patria. Isto se fazia revirando languidamente os olhos, numa confissão enternecida de civismo. Infelizmente d. Margarida vae voltar para Rio Preto um pouquinho contrariada, tudo continua na

mesma; não precisa beijar a bandeira e nem pode bater nos meninos [19 de maio, 1ª p.]. De fato, Margarida

Praxedes é objeto de comentário em várias notas do Correio Mineiro nesse dia. Uma delas refere-se, de um modo ambíguo, a uma característica da personalidade da congressista: – A observação foi puramente accidental. Entravamos na sala do café, onde d. Praxedes gentilmente falava para um auditorio que sempre alli apparece quando a illustre congressista deixa o recinto. Em torno della havia olhares curiosos, cheios de espanto. Para ouvir melhor, fomos lavar as mãos sem necessidade... D. Praxedes tem uma dupla personalidade. Dirigindo-se á assembléa, ella é uma austeridade que surprehende pelo exaggero de seu escrupulo. Há pouco ficamos penalisados, quando a professora exigiu o restabelecimento da palmatoria. Que horror! Ella queria mesmo bater nos gurys de Rio Preto... Com a chicara na mão, d. Praxedes é, no entanto, outra mulher. Vimos hontem o seu reverso. É admiravel pela suavidade dos seus conceitos e pela grandeza de seu coração. Ficamos enlevados. D. Praxedes contava pequenos escandalos administrativos. Tal como nas actas eleitoraes, ella por meio de fraudes sinceramente confessadas, protege os alumnos que não têm frequencia [19 de maio, 1ª p.].

discurso, agradecendo a collaboração de todos, aplaudindo o brilho, a inteligencia, a

vibração que demonstraram no decorrer do evento. Após essas palavras “de praxe”, escolhe deixar como marca, em sua palavra final, um tema que já tinha posto em destaque no discurso de abertura que, no entanto, de certo modo, ficara diluído no conjunto das idéias que queria expressar, como “norteadoras” da posição que representava: um referente para os debates que ainda estariam por vir. Agora, que tais debates estavam encerrados, Francisco Campos reforça sua tese central – é necessário promover a cultura do povo. São suas as palavras:

Senhores congressistas. Si alguém me perguntasse qual a aspiração dominante do Estado de Minas Geraes e do Brasil, eu diria que o Estado de Minas e que o Brasil aspiram, primeiramente, antes que tudo, a cultura (Muito bem!).

A cultura é a aspiração nacional do nosso povo; não é aos melhoramentos materiaes, que o nosso povo aspira, nem á accumulação e á promoção da riqueza individual e publica, mas á cultura, antes de tudo, porque só a cultura dá destino e finalidade á riqueza (Muito Bem!) [Negrito meu].

Não haveria maior pobreza e mais degradante miseria do que a de um povo acocorado sobre os seus thesouros e ignorando os altos e nobres destinos a lhe dar e que, só elles, justificam e ennobrecem a actividade humana (Applausos).

Vós viestes aqui dentro, neste recinto, tornar manifesto e apparente que a aspiração fundamental do Estado de Minas é a cultura.336

Ao contrapor melhoramentos materiaes à cultura, Francisco Campos argumenta que, se os primeiros já têm a sua technica resolvida e dependem apenas dos recursos financeiros, a

cultura da mentalidade humana enfrenta os problemas technicos que possam promover a

formação moral e intellectual do homem, o que demanda um estudo e um aparelhamento adequados.337 Nesse momento, em certo sentido, o secretário do Interior tomou partido quanto a um ponto que permeou as discussões do Congresso: as tensões entre o conhecimento construído na experiência do magistério e o conhecimento técnico adquirido nos estudos das teorias pedagógicas, declarando-se francamente favorável ao segundo.338 Além disso, deslocou a responsabilidade do Estado de “provedor” das condições materiais necessárias à escolarização, para a de “propiciador” das condições que irão possibilitar aos congressistas, nas funções que representam (no cotidiano das escolas), a responsabilidade de, efetivamente,

promover a cultura do povo.

336 Minas Geraes, 19 de maio, p. 9. 337 Minas Geraes, 19 de maio, p. 9.

338 Na exposição de motivos do Regulamento do Ensino Primário, o secretário deixa clara a posição da técnica como um conhecimento “maior” em oposição à prática, em tese, considerado como um conhecimento “menor”.

Pouco depois das 20 horas, teve início o ritual do encerramento do Primeiro Congresso de

Instrucção Primaria, já então sob a coordenação de seu presidente de honra, dr. Antonio Carlos de Andrada que, primeiramente, deu a palavra ao secretário geral, Alberto Alvares para a leitura da synopse dos trabalhos. Em seguida, ao sr. Julio de Oliveira, para o pronunciamento de um discurso em que enalteceu a brilhante actuação dos professores

mineiros, louvou os organizadores desse ‘certamen’ e terminou sua oração com apllausos da

assembléa.339 Acredito que essa tenha sido a tarefa para a qual fora “designado”. Entretanto, não deixa de causar certo espanto quando, no meio do discurso, Julio de Oliveira pede o voto feminino.340 Ou seja, se alguma das mulheres presentes ainda pudesse ter alguma dúvida a respeito da importância da sua collaboração, no programa de governo em curso, essa “grande moção” dissipou-a, é provável. Assim, se o tema do voto, “estranho” ao campo educacional, é objeto de muita tensão logo no início dos trabalhos, surge novamente, no final, como um “ponto de consenso”.341

Ao encerrar o Congresso, Antonio Carlos faz um discurso em que reafirma as idéias e argumentos já bastante divulgados em seus pronunciamentos e registrados na sua plataforma de governo. Dentre elas, a afirmação de que o chefe de Estado que se considera omnisciente e

que prescinde ... do auxilio [destaque meu] dos espiritos esclarecidos ou das classes interessadas nos grandes problemas sociaes, difficilmente ... se collocará na altura dos deveres que lhe cumprem, como dirigente de um povo culto.342 A esse auxilio ele denominará reiteradamente de collaboração. Assim, num curto discurso, ele diz que agradece a

collaboração esclarecida e valiosa, diz que a collaboração dos congressistas foi preciosa, agradece, novamente, a collaboração que lhe trará estimulos novos, e por fim, que no seu

339 Diario de Minas, 19 de maio, 3ª p.

340 Qual o motivo da mulher brasileira tão capaz de cumprir os deveres civicos, tão interessada em questões que

visam o engrandecimento social, tão intelligente para comprehendel-as não ha de compartilhar com o homem o direito civico do voto, a exemplo do que já se faz na Inglaterra, este direito que a clara e patriotica visão do

actual governo de Minas acaba de fazer resplandecer em toda a sua verdade e pureza? [Minas Geraes, 19 de

maio, p. 10].

341 Ousaria algum dos homens presentes, contrariá-lo? Além disso, o voto feminino é posto “em pauta” num momento em que as discussões estavam encerradas. A par disso, não resisto em registrar, aqui, algumas coisas que “encontrei”, nas andanças pelos arquivos. Na biblioteca do APM, pude ler num livro escrito por Mario de Lima, editado em 1921 – Idéas e Comentarios – um artigo intitulado: A mulher na vida e na obra de Nietzsche. Nesse texto, o autor demonstra que Nietzsche considerava a mulher um ser inferior e era contra as tentativas de

emancipação feminista. Mario de Lima parece concordar com essa última idéia, mas não com relação à primeira.

Nesse sentido, argumenta que faltava a Nietzsche, para julgar com justiça a mulher, o sentimento de simpatia cristã, que reconhece nela a companheira do homem, capaz de elevar, pela prática das mais nobres virtudes, ao

apogeu da grandeza moral [LIMA, 1986, p. 96]. Outro “encontro” com esse tema deu-se na Hemeroteca, onde

pude ver/ler, numa das revistas Semana Illustrada, uma charge com o título – E o feminismo avança... Ilustrando essa afirmação, uma fila de carros, todos com mulheres ao volante (Semana Illustrada, n. 28, 10 dez 1927, capa). 342 Minas Geraes, 19 de maio, p. 10.

governo pretende contar com a collaboração de todas as classes. E continua, dizendo da

collaboração das classes produtoras, que realizarão também um congresso e do auxilio dos

poderes municipaes, a serem chamados para manifestarem os reclamos e interesses das

populações sobre as quaes cumpre zelar.343 Assim, collaboração se coloca como uma “palavra-chave”, não só por esse discurso, mas por fazer parte de um repertório de palavras, que podem ser encontradas nos jornais, na maior parte das vezes, em situação de destaque, como nos títulos dos artigos.344

Para fechar, definitivamente, o Congresso, seguiu-se a linda festa de arte promovida pela

Associação das ex-alumnas da Escola Normal Modelo, em homenagem aos congressistas,345

que começou com um discurso feito por Anita Fonseca em que saúda os congressistas e divulga várias informações a respeito da associação que representa naquele momento. Em seguida, são executados números artísticos.346 Entre a primeira e a segunda parte, o professor Cordeiro Valladares é novamente (e duplamente) homenageado: pela menina Naly Burnier,

em nome da infancia mineira347 e pela professora Maria da Glória Carvalho, em nome do

Congresso.348 E assim, num clima de pura emoção, para que ninguém dele se esquecesse, é encerrado o Primeiro Congresso de Instrução Primaria. Mas a história é feita por homens e mulheres, de carne e osso, os responsáveis pela lembrança ou pelo esquecimento...