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Araştırmaya Katılan Deneklerin Uygulama Sonrası Hatırda Tutma

3. MATERYAL VE METOT

4.7. Araştırmaya Katılan Deneklerin Uygulama Sonrası Hatırda Tutma

Nos dias que se seguiram, os jornais continuaram a publicar os eccos do Congresso, na forma de comentários, de sínteses do evento produzidas por alguns congressistas que, provavelmente, foram julgados pelos jornalistas como de maior projeção, dos destaques do evento noticiados pela imprensa do interior do Estado mas, principalmente, de outros Estados, de artigos produzidos pelos congressistas, expressando suas posições frente às teses debatidas

343 Minas Geraes, 19 de maio, p. 10.

344 A compreensão do significado dado à palavra colaboração será uma das “chaves” para a compreensão do objeto dessa pesquisa: a socialização da criança.

345 Minas Geraes, 19 de maio, p. 10.

346 Dessa festa, o Correio Mineiro detalha todo o programa executado. 347 Correio Mineiro, 19 de maio, 3ª p.

no Congresso e, por fim, de imagens divulgando flagrantes do acontecimento.349

Em linhas gerais, como cada jornal “trata” o Primeiro Congresso de Instrucção Primaria? O

Minas Geraes é mais completo em sua abordagem. Arrola todas as atividades previstas e realizadas, as teses relatadas e descreve e/ou aponta as discussões promovidas em torno das mesmas. Cita, também, os nomes dos congressistas que intervêm e o tipo de intervenção. Divulga textos, aparentemente completos, de alguns relatórios/pareceres e também, das conclusões, moções, comissões, regimento, declarações (tanto as simples quanto as declarações de voto), emendas, substitutivos, indicações ... Mas, muitas vezes, apresenta uma narrativa confusa, dúbia, obscura, principalmente quando relata as discussões. Nota-se a ausência de certas informações que possibilitariam melhor compreensão do processo, dos procedimentos. Essa “ausência” é suprida pelo Diario de Minas, que apresenta relatos mais precisos, mais detalhados, mais claramente explicados/descritos, dos debates, seus conteúdos e congressistas envolvidos. Já o Correio Mineiro, por sua vez, divulga “os bastidores” do

Congresso, o que correu à “boca miúda”, no “rés do chão”. É irreverente, toma partido, julga os comportamentos dos congressistas, nem sempre de um modo discreto. Por outro lado, muitas vezes, narra “flagrantes” sem explicitar os nomes dos envolvidos nos fatos, ou seja, de tal modo que, para os que não participavam do Congresso e, mais ainda, os não contemporâneos, fica difícil identificar as pessoas (ou pessoa) envolvidas na descrição/narrativa.350 As contradições entre eles foram pouco significativas, não comprometendo o esforço de aproximação ao evento. Pelo contrário, o cruzamento dessas três fontes, apesar de não ter sido tarefa muito fácil, foi fundamental para esse empenho de compreensão.

A questão seguinte diz respeito aos redatores: – quem eram eles? O do Minas Geraes, Francisco Negrão de Lima, é citado em várias passagens (inclusive, como redator do Congresso dos deputados). Já o Diario de Minas, por seus textos bem escritos, pela clareza e lógica sequencial na apresentação dos fatos/conteúdos, leva à suposição de alguém cuja familiaridade com a narrativa escrita fosse estreita. Assim, considerando a referência feita à

349 Ao que pude constatar, tais eccos são amplificados nos dias imediatamente posteriores ao término do Congresso e vão-se tornando, gradualmente, mais rarefeitos. À parte o estudo do impacto desse evento na produção da reforma educacional do governo Antonio Carlos, tais textos possibilitam, também compreender os modos e o tempo da sua permanência nos registros dos contemporâneos.

350 Novamente, registro o que do Correio Mineiro fala Linhares (1995): – jornal independente e de feição ultramoderna ... (p. 243); já assinalamos ... ter sido o Estado de Minas (2º) o iniciador da imprensa leve e

moderna aqui, mas é de justiça salientar que foi o Correio Mineiro o consolidador de tão elevada conquista...

presença de Gregoriano Canedo e Carlos Andrade351 no banquete oferecido aos jornalistas, pelos congressistas de Juiz de Fora, acredito que tais referências sejam mais que indícios da participação deles na produção escrita do evento. Do mesmo modo, a referência a Jair Silva no banquete supracitado, nos faz pensar em sua participação na “cobertura” feita pelo Correio

Mineiro.352 Além disso, considerando que o diretor do Diario de Minas, também era um congressista, penso que não podemos descartar a presença (e a escrita) de Victor Silveira, tendo em vista que, antes do início do Congresso, seu jornal havia divulgado o convite recebido para tal fim. Entretanto, a presença de Abilio Machado, diretor do Minas Geraes, não se faz notar em nenhum momento.

Como fiz as leituras/análises dos relatos dos jornais? Conforme já afirmei anteriormente, o cruzamento das informações contidas nas três fontes possibilitou uma compreensão do

Congresso, que teria sido impossível, se a minha escolha recaísse sobre um deles apenas. Um dos desafios foi decidir entre tantas possibilidades de leitura qual seria a minha escolha.353 A opção pela produção de um “diário” pareceu-me mais atraente e com mais possibilidades para o exercício da narração e suas análises. Além disso, sempre que me foi possível, e procurando não me estender além do necessário (e sempre que possível, também), a partir dos próprios jornais, procurei articular o evento com o que estava mais próximo (na educação) e com o que estava mais distante (na política, economia, cultura e sociedade), tanto no que se refere aos campos de atuação humana, quanto aos tempos diferenciados que pareciam estar associados ao Congresso. Há, entretanto, um ponto que considero imprescindível apontar: – de cada jornal, não li apenas as publicações relativas ao evento e, sim, procurei ler o jornal todo.354 Penso que isso seja importante e necessário para o historiador que toma um acontecimento como a “via de entrada” na pesquisa, ou seja, que faz do acontecimento a materialidade a partir da qual seu objeto de conhecimento será produzido. Isso permite compreender, situar e, acima de tudo, dimensionar o evento no conjunto das demais notícias divulgadas. Mesmo

351 Carlos Drummond de Andrade; provavelmente a omissão do Drummond tenha tido a intenção de não vinculá- lo a José de Magalhães Drummond, diretor do jornal.

352 Novamente Linhares (1995) nos informa: – Para cumprir sua [do fundador e diretor do jornal, Vitor Silveira] elevada e árdua tarefa, acercou-se de uma plêiade de competentes auxiliares, como Alberto Deodato, Moacir Andrade, Jair Silva, Guimarães Menegale, Aurino de Morais, Lauro Santos e outros... [p. 244].

353 Nesse sentido, fiz alguns experimentos, como a leitura “em separado” de alguns textos como, por exemplo, as moções/indicações, suas finalidades, quem delas participou; idem para os votos em separado; idem para as discussões de um determinado conjunto de teses, ou para um determinado dia do Congresso... Pude constatar as diversas possibilidades analíticas que a abertura à experimentação nos proporciona.

354 O Diario de Minas e o Correio Mineiro tinham 4 páginas cada; o Minas Geraes, o mínimo de 12 páginas (a edição de 7 de setembro de 1926, data da posse do governo de Antonio Carlos, tinha sessenta páginas, um record segundo articulista).

implicando um trabalho maior, foi possível perceber que, paralelamente ao Primeiro

Congresso de IP, que era uma notícia local, a travessia do Jahú,355 foi a notícia nacional de maior destaque (sem contar, é claro, as notícias relativas à política, como o pronunciamento do presidente da república, na abertura dos trabalhos do legislativo nacional e os principais atos das outras três secretarias de governo do Estado). Além das “grandes” notícias, que ocupavam a primeira página ou uma extensão maior de espaço, outras também puderam me dar uma idéia da ambiência naquele momento como, por exemplo, a realização da Exposição

de Agricultura, Industria e Commercio, sendo realizada no Prado Mineiro,356 o comício dos estudantes no Bar do Ponto,357 a relação dos filmes censurados pela Liga da Moralidade, as informações sobre o Congresso de Estudantes de Direito, que seria realizado no mês de agosto próximo, em Recife, em comemoração ao centenário desse curso no Brasil, que autoridades estavam presentes nos enterros e velórios e muitas notícias sobre um número significativo de associações. Além disso, várias notícias de ordem econômica como as oscilações no preço do café e as medidas que estavam sendo tomadas para conter a carestia. Essa leitura permite-me afirmar que, provavelmente, os repertórios de ação mais usados pelos homens, na dimensão da sua vida coletiva/social, daquele tempo, eram: os congressos, as exposições, as conferências e as associações.

A constatação dos diversos tempos perpassando pelo tempo do Congresso ficou muito evidente. Primeiro, o tempo dos narradores que ora usavam a forma verbal do presente, ora a do passado.358 Em segundo lugar, os diferentes tempos do próprio evento, com suas sessões ordinárias e extraordinárias, com as diversas visitas às escolas e às autoridades. Confesso que

355 Travessia do Atlântico, da Itália ao Brasil, num hidroavião comandado por João Ribeiro de Barros e mais três tripulantes, cuja chegada em Natal se deu em 14 de maio de 1927. Além de noticiarem as peripécias dos bravos

argonautas durante a travessia, os três jornais dão destaque à chegada, assim como noticiam as comemorações

que o feito desencadeia, informadas por outros jornais do país. Ribeiro de Barros nasceu na cidade de Jaú. 356 Com a presença do sr. dr. Antonio Carlos e de todos os seus auxiliares de governo [Francisco Campos foi representado por Alberto Campos, seu irmão e oficial de gabinete], inaugurou-se hontem, no Prado Mineiro, às 16 horas, a grande Exposição de Agricultura, Industria e Commercio ... Não é demais frisar ainda uma vez a importancia desse certamen, que ora se realiza em Bello Horizonte... A significação de tal acontecimento resalta ao mais leve e despreocupado exame, por isso que elle representa, pode-se dizer, uma verificação exacta de nossas possibilidades economicas [Diario de Minas, 8 de maio de 1927, 2ª p.].

357 A mocidade das escolas que é a alma vibrante da Patria não tem cessado de se expandir nestes dias de calor patriotico. Ainda sabbado ultimo se realisou com excepcional brilho mais um grande comicio de protesto contra os que achincalham as nossas glorias mais sagradas. Á hora aprazada no Bar do Ponto, literalmente tomada pela massa popular...foram adoptados diversos alvitres... para maior gaudio dos sentimentos nativistas foi resolvido um solemne protesto contra todos os syphiliticos que deixarem de tomar o ‘Iodo-suma’ afamado depurativo nacionalista, preparado com as plantas mais milagrosas da rica flora brasileira [Minas Geraes, 4 de maio de 1927, p. 8].

358 O que pode apontar para uma provável ausência durante a ocorrência do fato relatado, o que implicaria um relato “de segunda mão”.

o modo como os registros foram feitos nos três jornais, trouxe algumas dificuldades na compreensão desses tempos, compreensão essa fundamental para a composição do diário do

Congresso, principalmente, os registros do Minas Geraes. Ao que parece, o jornal circulava pela manhã. Assim, cada dia trazia o registro do que ocorrera no dia anterior (incluindo a

ordem do dia), e mais a ordem do dia, prevista para ser executada na data que encimava cada página. Isso sem contar que, muitas vezes, uma atividade realizada no início do dia vinha relatada no final do artigo. Ou, ao contrário, atividades ocorridas no final do dia, ocupavam as colunas centrais da primeira página, evidente destaque demarcado pelo jornal. A operação foi de “desembaralhar” o tempo para possibilitar a ordenação dos fatos, pertinente a um “diário”, dos tempos, aparentemente caóticos, dos registros dos jornais. Em terceiro lugar, os tempos referenciados nos debates, relatórios e outros textos produzidos pelos congressistas, como por exemplo, as reformas anteriores do ensino normal citadas no relatório de Oswaldo Campos, a referência a outro congresso de professores, ocorrido em 1909 e outro mais. Apesar da curiosidade em buscar tais referências, procurei ater-me às informações que pudessem, de certa forma, vincular-se ao núcleo da minha pesquisa.

Muitos textos/documentos citados nos jornais, não foram, ainda, localizados. Por diversas vezes, o Minas Geraes refere-se à leitura dos relatórios por seus autores. Entretanto, tais relatórios não estão publicados no jornal (ao todo, foram publicados 19 relatórios, relativos a 18 teses).359 Além desses documentos, não encontrei o folheto contendo as teses o qual foi distribuído aos congressistas, nem um exemplar da caderneta que cada congressista recebeu, contendo o registro do número da poltrona onde tomaria assento e que lhe permitiria acesso ao local.360 Também não localizei, ainda, as atas, que eram lidas no início de cada sessão e que foram redigidas por Paulo Andrade. Acima de tudo, não encontrei os annaes do

Congresso, tão citados no decorrer dos debates, cuja publicação os congressistas tomavam como certa.361 Entretanto, apesar dessa lacuna, a opção pela escolha dos jornais como fonte principal da minha pesquisa, à medida que sobre eles fui intensificando minhas análises, mais

359 Penso que muitos desses relatórios possam ter-se transformado em artigos para a Revista do Ensino ou para jornais, das cidades onde residiam os congressistas do interior do Estado. Nesse sentido, um cruzamento necessário/possível seria com o levantamento feito por Biccas (2001) em sua tese de doutorado.

360 O Diario de Minas publicou uma nota de rodapé na primeira página: – Acha-se em nossa redacção a caderneta n. 380, do Congresso de Instrucção encontrada no recinto da Camara dos Deputados, a qual poderá ser procurada por seu proprietario [22 de maio de 1927].

361 Tenho tido a intuição de que esses anais não foram produzidos, nos moldes em que se produziam os anaes de cada sessão, em cada legislatura do Congresso do Legislativo, ou seja, a cada ano, em forma de um livro. Como já escrevi em nota anterior, tem-me parecido que a publicação das RE nº 21 e 22 foi, de fato, a concretização dessa expectativa.

e mais, assegurou-me do acerto na escolha.

Além das questões debatidas a partir das teses, fica a pergunta: – O que ficou de fora? O

Correio Mineiro deu a resposta com um artigo intitulado Uma these que faltou ao Congresso

de Instrucção: o que se deve fazer da escola maternal?362 De fato, chama a atenção o fato de as escolas infantis terem merecido um lugar de destaque nas comissões e a escola maternal nem ter sido citada. A inauguração do prédio “monumental” dessa escola, no “apagar das luzes” do governo Mello Vianna, até então, não tinha sido “aberta ao público”, apesar de Elysena Costa ter participado do Congresso, na condição de diretora dessa instituição. Na verdade, essa escola nunca funcionou como tal. Em depoimento prestado ao jornalista Victor Silveira, por ocasião da produção de um grande levantamento sobre o Estado,363 Lúcio José dos Santos, na condição de diretor de Instrução do governo Mello Vianna, afirmou que a

escola maternal vae ser confiada aos cuidados e direcção de eximias educadoras, as irmãs Servas do Espirito Santo, vantajosamente conhecidas entre nós, havendo tambem uma directora technica.364 É possível imaginar a posição tomada por um liberal como Antonio Carlos, constituinte na produção da primeira constituição republicana, com relação aos prováveis acordos/arranjos relacionados à escola maternal, preestabelecidos antes de sua gestão: – endossar o funcionamento de uma escola pública, administrada por freiras, naquele momento, era algo que, provavelmente, ainda não se podia admitir.

362 20 de maio, 3ª p.

363 SILVEIRA, 1926. 364 SILVEIRA, 1926, p. 135.