Madde IX. Alternatif ölçme ve de erlendirme
Soru 7. Portfolyo de erlendirme yönteminin uygulamas+ ile ilgili ö retmenine tavsiyelerin nelerdir?
Aos olhos de Rousseau, a filosofia, à força do questionamento e da dúvida, estava levando os homens de seu tempo a negar algumas verdades elementares. A radicalização da dúvida conduzia ao absurdo, e nesse processo o bom-senso era aviltado. Exagerando, é certo, mas numa crítica aberta, Rousseau faz o seguinte comentário sobre a filosofia de seu tempo:
Acho que, longe de dizer que os rochedos pensam, a filosofia moderna descobriu que os homens não pensam. Ela só reconhece seres sensitivos na natureza, e a única diferença que ela vê entre um homem e uma pedra é que o homem é um ser sensitivo que tem sensações, e a pedra é um ser sensitivo que não as tem.373
A ironia exagerada expõe o absurdo da filosofia e de suas pretensões. É preciso ter em mente que Rousseau escreve num contexto de verdadeira reverência aos philosophes.374 Era lugar-comum na República das Letras que desde o Renascimento a história mostrava a marcha progressiva da razão. Voltaire partilhava da ideia de que a história avança através da perfeição das artes e das ciências, conduzidas pelos philosophes.375
Espécie de apóstolos seculares da civilização, os philosophes construíam a própria identidade em oposição aos defensores mais ferrenhos da tradição e da religião oficial. Concebiam-se como a mais alta categoria da gens de lettres376, herdeiros diretos de Newton e Locke.377 Integrantes de um grupo que teria defendido a “causa do Iluminismo” desde o Renascimento, consideravam-se a força motora da história, o grupo social capaz de centralizar as correntes de progresso da marcha histórica.
Rousseau não era nenhum devoto, no sentido tradicional do termo, mas também não empunhava convictamente a bandeira filosófica. Essa sua postura é clara já no seu Primeiro
373“Profissão de fé do vigário saboiano.” In: ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio..., op. cit., p.393. 374 DARNTON, Robert. O grande massacre..., op. cit., p. 267.
375 Ibidem, p.269.
376 Que incluía outros grupos sociais como savants, érudits, gens d‟esprit, em geral adversários dos philosophes. 377 Ibidem. Newton, por exemplo, era para D‟Alembert o perfeito filósofo moderno.
90
Discours. Sua tese é a de que a razão sozinha e desordenada, longe de conduzir os homens a
uma civilização melhor, estava ofuscando as noções mais elementares, invertendo os valores; longe de proporcionar um bem-estar coletivo, estava a serviço de interesses, partidarismos e projetos pessoais.
O vigário aconselha o jovem Rousseau a evitar os filósofos: “evita aqueles que, sob pretexto de explicar a natureza, semeiam desoladoras doutrinas no coração dos homens.”378 O ceticismo filosófico publicamente professado escondia a altivez e o dogmatismo: “seu ceticismo aparente é cem vezes mais peremptório e mais dogmático do que o tom resoluto dos seus adversários.”379As “luzes” desses homens eram tão-só o pretexto para a afirmação de suas paixões mesquinhas:
sob o altivo pretexto de que só eles são esclarecidos, verídicos e de boa-fé, submetem-nos imperiosamente a suas decisões definitivas e pretendem oferecer-nos como verdadeiros princípios das coisas os ininteligíveis sistemas que construíram em suas imaginações.380
Rousseau afirma que esses homens de letra e filósofos eram na verdade tão ou mais dogmáticos que o devoto intolerante. O vigário pretende desmascarar esse “esclarecimento” hipócrita, que estava retirando as próprias possibilidades de uma vida comum:
De resto, invertendo, destruindo, calcando com os pés tudo o que os homens respeitam, retiram dos aflitos o último consolo para as suas misérias, dos poderosos e dos ricos o único freio para suas paixões; arrancam do fundo dos corações o remorso pelo crime, a esperança da virtude e ainda se vangloriam de ser os benfeitores do gênero humano.381
A crítica é ácida. O vigário traz um aspecto relevante para a discussão, que talvez tenha passado ao largo dos salões aristocráticos e de seus panfletos contra a religião:382 o cristianismo não poderia ser visto somente sob o prisma da intolerância; era necessário olhá-lo do ponto de vista do homem comum, que tinha na religião uma referência fundamental. A Igreja odiada pelos philosophes era a Igreja venerada pela esmagadora maioria das populações do Antigo Regime francês. O trabalho de crítica filosófica acabaria por retirar dos aflitos o seu último consolo.
Vai dizer o vigário saboiano na Profession: “enquanto resta alguma boa crença entre os homens, não se devem perturbar as almas cordatas, nem alarmar a fé dos simples com
378 “Profissão de fé do vigário saboiano.” In: ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio..., op. cit., p.446. 379 Ibidem.
380 Ibidem. 381 Ibidem.
382 No salão de M. Geoffrin, por exemplo, filósofos como o barão de Holbach, Diderot e o próprio Beccaria se
reuniam e articulavam libelos contra a religião cristã. POMEAU, René. La Europa de las Luces..., op. cit., p. p.70.
91 dificuldades que eles não podem resolver e que os inquietam sem esclarecê-los.383 O eclesiástico se revoltava com o ateísmo filosófico de ricos aristocratas. O cristianismo era então um dos grandes referenciais da vida coletiva e cumpria uma função social. O homem aflito deveria ter direito a ele. O capricho de um grupo não poderia se impor a uma maioria humana que tem necessidade da religião.
Não há como não ver na crítica aos filósofos implementada pelo vigário a cautela em relação aos falsos profetas ensinada por Jesus nos Evangelhos. Em Mateus, Jesus diz aos discípulos: “guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes.” (Mt 7, 15). Jesus diz que os falsos profetas seriam reconhecidos pelos frutos produzidos384, e os frutos produzidos pelos filósofos eram na visão do vigário frutos de desolação. Por outro lado, o vigário se mantém no fiel discipulado quando não permite que se tire o consolo da religião do coração humano. Ressoa por traz de sua postura a passagem de Mateus na qual Jesus é incisivo quanto a isso: “caso alguém escandalize um destes pequeninos que creem em mim, melhor será que lhe pendurem ao pescoço uma pesada mó e seja precipitado nas profundezas do mar.” (Mt 18, 6).
Dos poderosos, por sua vez, os filósofos estariam retirando o único freio de suas paixões. Sem a referência de um Ser Supremo e da imortalidade, assim como as noções de recompensa ou punição, os mais ricos e poderosos poderiam dar livre vazão às suas paixões, pondo em risco a própria existência social.385
O debate acerca da eficácia social da religião já tinha algum tempo na Europa. Bayle, no início do século XVIII, defendia que uma “sociedade de ateus” seria perfeitamente possível, e foi um dos deflagradores da discussão. Ao longo da Profession e no momento em que discute esta questão, se opondo ao materialismo, Rousseau retoma a tese de Bayle e a submete a uma contundente crítica. A causa de Bayle é vista por ele como a causa de todos os filósofos:
Bayle demonstrou muito bem que o fanatismo é mais funesto que o ateísmo, e isso é incontestável [...] mas o que não disse e não é menos verdade é que o fanatismo, embora sanguinário e cruel, é uma paixão grande e forte, que eleva o coração do homem, que o faz desprezar a morte, que lhe dá uma
383“Profissão de fé do vigário saboiano.” In: ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio..., op. cit., p.443.
384 “Pelos seus frutos os conhecereis. [...] Uma árvore boa não pode dar frutos ruins, nem uma árvore má dar
bons frutos. [...]. É pelos seus frutos, portanto, que os reconhecereis.” (Mt 7, 16; 18;20).
385 Esse é um ponto de vista bastante comum no século XVIII. Voltaire parece compartilhar do sentimento do
vigário. Em Dieu e les hommes, ele diz: “que outro freio podia, pois, ser posto à cupidez, às transgressões secretas e impunes, além da ideia de um senhor eterno que nos vê e que julgará até mesmo nossos pensamentos mais íntimos?” Segundo ele, a noção de um Deus recompensador e vingador é o antídoto das nações ditas civilizadas contra a guerra. Deus e os homens. [1769]. Trad: Eduardo Brandão. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p.5.
92 força prodigiosa e que só devemos orientar melhor para tirar dela as mais sublimes virtudes, ao passo que a irreligião, e em geral o espírito raciocinador e filosófico, prende à vida, efemina, avilta as almas, concentra todas as paixões na baixeza do interesse particular, na abjeção do eu humano, e assim sabota secretamente os verdadeiros fundamentos de toda sociedade, pois o que os interesses particulares têm em comum é tão pouca coisa, que nunca contrabalançará o que têm de oposto.386
A perspectiva de Rousseau não deve ser vista tão-somente sob o aspecto moralizante; ela tem um fundamento racional: não é possível construir uma sociedade sobre o frágil alicerce dos interesses particulares. Estes têm pouca coisa em comum.
A filosofia, particularmente a materialista, não representa tanto um amor à paz, mas uma indiferença ao bem. O filósofo não está preocupado com o bem comum dos homens desde que para ele as coisas estejam tranquilas: “se o ateísmo não faz derramar o sangue dos homens, é menos por amor à paz do que por indiferença pelo bem; pouco importa ao pretenso sábio como vão as coisas, contanto que permaneça em repouso em seu gabinete.”387
A indiferença do filósofo é ultrajante: “a indiferença filosófica assemelha-se à tranquilidade do Estado sob o despotismo; é a tranquilidade da morte, mais destrutiva que a própria guerra.”388 Trata-se de uma paz indiferente ao bem comum e à causa do homem. Os princípios que norteiam os filósofos ateus são, assim, perniciosos:
não fazem com que se matem os homens, mas impede-os de nascer, destruindo os costumes que os multiplicam, segregando-os de sua espécie, reduzindo todas as suas afeições a um secreto egoísmo, tão funesto à população quanto à virtude.389
O espírito filosófico, embora capaz de lutar contra o fanatismo e a intolerância, não consegue vencer o desejo de glória e distinção: “resta saber ainda se a filosofia, confortável em seu trono, dominaria bem a gloríola, o interesse, a ambição, as pequenas paixões do homem e se praticaria essa humanidade tão mansa que ela proclama com a pena à mão.”390
Os filósofos são analisados por Rousseau não somente em si mesmos, mas à luz dos outros homens, dos não-filósofos, das maiorias. No livro IV do Émile, Rousseau vai dizer: “o gênero humano é composto pelo povo; o que não é povo é tão pouca coisa que não vale a pena contá-lo. O homem é o mesmo em todos os estados; se assim for, os estados mais numerosos são os que merecem maior respeito.”391 Aos olhos de Rousseau é inadmissível que
386“Profissão de fé do vigário saboiano.” In: ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio..., op. cit., p. 447. 387 Ibidem.
388 Ibidem. 389 Ibidem. 390 Ibidem.
93 uma parcela privilegiada da sociedade se arrogue à condição de classe condutora do gênero humano.
O Émile e a Profession são provocativos ao partido filosófico: “pelos princípios, a filosofia não pode fazer nenhum bem que a religião não faça ainda melhor, e a religião faz muito bem o que a filosofia não seria capaz de fazer.”392 Muitos filósofos procuravam vincular a religião cristã à guerra e à conquista. Eram recorrentes as considerações sobre as cruzadas, as guerras de religião dos séculos XVI e XVII, as perseguições aos hereges, a Inquisição e as fogueiras. Rousseau igualmente responsabiliza o clero, mas isenta a religião: “todos os crimes cometidos no clero, como em qualquer outro lugar, não provam que a religião é inútil, mas sim que muito pouca gente tem religião.”393
Ao contrário da filosofia, a religião é capaz de conduzir os homens à humanidade. O cristianismo conduz à mansidão, e isso teria sido fundamental para a conservação da autoridade política nos tempos modernos:
Nossos governos modernos devem sem dúvida ao cristianismo sua mais sólida autoridade e suas revoluções menos frequentes; ele os tornou [os homens] menos sanguinários; isso se prova de fato comparando-os com os governos antigos. Mais bem conhecida, afastando o fanatismo, a religião deu maior mansidão aos costumes cristãos.394
A pacificação social não seria obra das letras: “essa mudança não é obra das letras, pois em toda parte onde elas brilharam a humanidade não foi mais respeitada; as crueldades dos atenienses, dos egípcios, dos imperadores de Roma e dos chineses o atestam.”395 Ao contrário, o cristianismo: “quantas obras de misericórdia são obra do Evangelho! Quantas restituições, quantas reparações a confissão não provoca entre os católicos! Entre nós, quantas reconciliações e esmolas a aproximação dos tempos de comunhão não traz!”396
A pretensão filosófica era a de uma sociedade racional, humana e tolerante. Rousseau questiona como isso seria possível. Seria necessária uma sociedade de filósofos, e isso é impraticável. Philosophes costumavam apontar como exemplos as civilizações clássicas, mas Rousseau aponta a fragilidade da comparação.
Em primeiro lugar, não houve nem nunca haverá uma sociedade composta exclusivamente por filósofos. Em segundo, mesmo que em tese fosse possível, as dificuldades
392“Profissão de fé do vigário saboiano.” In: ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio..., op. cit., p.447. 393 Ibidem, p.448.
394 Ibidem. 395 Ibidem. 396 Ibidem.
94 para isso seriam insuperáveis. A “solução prática” de Rousseau é: nem sociedade de bons filósofos, nem sociedade de maus cristãos, mas sociedade de verdadeiros cristãos:
Um dos mais familiares [sofismas] ao partido filosofista é opor um povo supostamente composto de bons filósofos a um povo de maus cristãos; como se um povo de verdadeiros filósofos fosse mais fácil de se formar do que um de verdadeiros cristãos!”397
Rousseau pretende não apenas implodir o projeto epistemológico que tinha no conhecimento e na ciência os agentes centrais do processo civilizatório, mas também as pretensões de uma teologia que procurava racionalizar em excesso a religião. Já no começo da década de 1750, na sua resposta ao rei da Polônia, ele manifesta sua indignação contra a escolástica racionalizante:
Eu deveria, sem dúvida, ter censurado expressamente todas essas sutilezas pueris da escolástica com as quais, sob pretexto de esclarecer os princípios da religião, se enfraquece o espírito, substituindo a humildade cristã pelo orgulho científico. [...] Deveria ter-me indignado contra esses homens frívolos que, com suas miseráveis disputas, aviltaram a simplicidade sublime do Evangelho e reduziram a doutrina de Jesus Cristo a silogismos.398
Há homens que pela condição de vida não estão familiarizados ao trabalho intelectual. Estariam praticamente impossibilitados de chegar a uma concepção de Deus a partir da análise das relações existentes na ordem da natureza. Diz Rousseau ao bispo de Paris:
A ordem do universo, por admirável que seja, não impressiona igualmente todos os olhos. O povo dá-lhe pouca atenção, estando privado dos conhecimentos que tornam essa ordem perceptível e não tendo aprendido a refletir sobre aquilo que percebe. Isso não é embrutecimento nem má vontade, é ignorância, entorpecimento do espírito. A menor meditação fatiga essas pessoas, assim como o menor trabalho braçal fatiga um estudioso. [...] O senhor acredita que um cafre ou um lapão filosofa muito sobre o funcionamento do mundo e a geração das coisas? [...] Existem certamente homens que jamais tiveram uma discussão filosófica em sua vida, e cujo tempo é gasto inteiramente em buscar seu alimento, devorá-lo e dormir. Que faremos desses homens – os esquimós, por exemplo? Faremos deles teólogos?”399
Rousseau não acredita num projeto intelectual para os homens nesse sentido. A razão e a ciência não conduziriam os homens à felicidade. A escolástica, por sua vez, produzida por padres para a instrução de padres, não teria condições de confortar os homens comuns.
397 “Profissão de fé do vigário saboiano.” In: ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio..., op. cit., p. 477. 398“Resposta de J.-J. Rousseau ao Rei da Polônia.” [1751]. In: Rousseau, op. cit., p.381-382.
95 O erro de todos os ilustrados era a pretensão em fazer dos homens outros tantos ilustrados. 400 É claro que Rousseau não pretende um projeto de irracionalidade ou sentimentalismo. Ele considera a razão fundamental para a boa constituição do homem. O seu argumento é o de que a filosofia, a ciência ou a escolástica não sensibilizariam os homens porque estariam distantes de sua causa.
Para Rousseau, o grande perigo não é a atividade científica, filosófica ou teológica em si, mas o orgulho que frequentemente se associa a elas. No seu debate com o arcebispo de Paris a respeito do Émile, ele invoca a passagem contida na Carta de São Paulo aos Romanos, que critica a insensatez dos filósofos na elaboração dos seus “vãos arrazoados”, deixando de reconhecer o Criador nas suas criaturas.401
A passagem havia sido invocada pelo bispo para acusá-lo, mas Rousseau diz que ela está toda a seu favor, confirmando o que dissera no Émile: que todo “filósofo que não crê está errado porque usa mal a razão que cultivou e porque está em condição de entender as verdades que rejeita.”402 Na mesma carta, diz Jean-Jacques: “todo filósofo ateu raciocina de má-fé ou está cego por seu orgulho”403; segundo ele, “aos olhos de todo homem que pensou, que refletiu, Deus se manifesta em suas obras; [...] ele se revela às pessoas esclarecidas no espetáculo da natureza; [...] quando nossos olhos se abrem, é preciso fechá-los para não vê- lo.”404 Como os homens insensatos da carta de Paulo, os filósofos modernos estavam se perdendo em vãos arrazoados sobre a natureza e não eram mais capazes de reconhecer o próprio Deus; ao jactarem-se de possuir a ciência e a sabedoria, haviam se tornado tolos.
400 Nas Confessions, Rousseau critica o abade de Saint-Pierre por acreditar que os homens se conduzem pelas
luzes e não pelas suas paixões. As Confissões..., op. cit., p.383. Saint-Pierre, segundo ele, era um homem venerável, mas tinha um defeito: “aquele homem raro, honra do século e da espécie, e talvez o único, desde a existência do gênero humano, que não teve outra paixão senão a da razão, no entanto, só avançou de erro em erro em todos os seus sistemas, por ter querido fazer os homens semelhantes a ele, em vez de tomá-los tais como se apresentam e como continuarão a ser.” Ibidem.
401 Rm 1, 18-22: “Manifesta-se, com efeito, a ira de Deus, do alto do céu, contra toda impiedade e injustiça dos
homens que mantêm a verdade prisioneira da injustiça. Porque o que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles, pois Deus lho revelou. Sua realidade invisível – seu eterno poder e sua divindade – tornou-se inteligível desde a criação do mundo, através das criaturas, de sorte que não têm desculpa. Pois, tendo conhecido a Deus, não o honraram como Deus nem lhe renderam graças; pelo contrário, eles se perderam em vãos arrazoados, e seu coração insensato ficou nas trevas. Jactando-se de possuir sabedoria tornaram-se tolos [...].”
402 « Carta a Christophe de Beaumont .» In : ROUSSEAU, Jean-Jacques. Carta a Beaumont..., op. cit., p.64-65. 403 Ibidem, p.64.
404 Ibidem. Quando Rousseau diz no Segundo Discours que o homem que medita é depravado, ele não está
pregando o irracionalismo ou sentimentalismo como já se pensou entre os seus intérpretes. Ele tem em mente o mau uso da razão. Rousseau não defende a “falta de instrução e cultura”; pelo contrário, diz na Carta a
Beaumont que é pela instrução que o homem eleva-se às sublimes noções da divindade (op. cit., p.64). O que
96