TÜRKİYE’DE FİNANSAL LİBERALİZASYON DÖNEMİ VE ÖDEMELER BİLÂNÇOSU
3.2. Finansal Liberalizasyonun Ödemeler Bilânçosu Üzerine Etkileri Bu bölümde finansal liberalizasyonun ödemeler bilânçosuna olan etkiler
3.2.2. Finansal Liberalizasyonun Ödemeler Bilânçosu Üzerindeki Etki Mekanizmaları
3.2.2.1. Doğrudan Kanallar İle Etkiler
3.2.2.1.1. Portföy Hesabı Kanalıyla Etkis
Tanto que os Inquisidores ou Inquisidor chegar à cidade ou lugar da comarca onde de novo de começar a entender em o ofício da santa Inquisição depois de ter apresentados seus poderes ao perlado fará ajuntar as justiças seculares e lhe apresentará a patente del Rei meu senhor concedida ao ofício da santa Inquisição e dar-lhe ao trelado dela se cumprir, para que sejam enformados do que sua alteza manda, depois mandará apregoar e notificar o dia em que há de publicar a santa Inquisição o que será domingo e assim em que igreja para que a clerezia e povo sejam presentes em ela a qual igreja será a que parecer mais conveniente para isso e para ouvir o sermão da fé e mandará que naquele dia não haja outra pregação no tal lugar. E o sermão será principalmente em favor da fé e louvor e aumento do santo ofício e para animar os culpados de crime de heresia, e apostasia a se arrependerem de seus heréticos errores e pedirem perdão deles para serem Recebidos ao grêmio e união da santa madre igreja. [sic] (R IHGB20, 1996, p. 575 – 576).
Cumprindo a determinação contida no Regimento da Inquisição portuguesa de 1552, o visitador Heitor Furtado de Mendonça21 presidiu, em 28 de julho de 1591, na cidade de
Salvador, o primeiro Auto de Fé do Brasil. A escolha da cidade de Salvador para receber tão importante cerimônia se justifica, pois a mesma era, desde 1549, capital da Colônia e seu mais importante centro econômico; a época a cidade contava com “pouco mais de três mil vizinhos – e se incluirmos a escravaria no cômputo de sua população, devia abrigar por volta de 20 mil pessoas” (MOTT, 2010, p. 138).
A cerimônia seguiu a risca o protocolo determinado pelo Regimento; todas as autoridades, eclesiásticas e seculares, estiveram presentes, bem como os demais cristãos batizados. Durante a celebração podia ser visto, tremulando sobre o altar, o estandarte do Santo Ofício que trazia estampado o lema da instituição, Justitia et Misericordia22. O sermão
proferido pelo provincial dos jesuítas “não poderia ter sido mais acertado: parafraseou o inaciano a sentença de Cristo quando disse ao Príncipe dos Apóstolos: ‘Tu és Pedro, e sobre
20 A Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro utiliza a sigla R IHGB para se referir a mesma. 21 Sobre Heitor Furtado de Mendonça, Vainfas (2005, p. 17 - 18) faz o seguinte relato: “O primeiro visitador era
capelão fidalgo d’el-rey, membro do Desembargo do Paço, deputado da Inquisição de Évora. Era homem de foro nobre. Antes de ser nomeado para a função, passara por variadas investigações sobre sua limpeza de sangue, dezesseis ao todo, para detectar qualquer tipo de mácula sanguínea que impedisse sua entrada no seio inquisitorial. Fora constatada sua pureza sanguínea e competência nas letras e sã consciência pelo próprio inquisidor-geral, o Cardeal Arquiduque Alberto, que o nomeou para chefiar a visita”.
22 “Justitia et Misericórdia”: eis o lema do Santo Ofício, escrito com letras douradas, bordadas em relevo sobre
o estandarte da Inquisição e acima de seu símbolo: ao centro uma cruz, à direita um ramo de oliveira, e a esquerda uma espada”. (PIERONI, 1997, p. 27). A misericórdia era representada pelo ramo de oliveira e a justiça pela espada.
esta pedra edificarei minha Igreja!’ oportuna lembrança do poder hierárquico eclesial” (MOTT, 2010, p. 21 – 22).
Concluído o sermão foi promulgado o tempo da graça, nesse período o Santo Ofício se comprometia a agir “mais com zelo de salvação das almas e misericórdia que com Rigor de Justiça” (R IHGB, 1996, p. 576) com todos que por livre iniciativa, procurassem a mesa para confessarem suas transgressões. A estes era garantido ainda, que não teriam bens confiscados nem sofreriam punições corporais.
Era a primeira vez que um Auto de Fé era realizado na Colônia, mas muitos dos residentes em Salvador já tinham presenciado cerimônias como esta em sua terra natal23,
outros que nascidos no Brasil certamente ouviram relatos sobre as mesmas. Todos sabiam que era imperativo aproveitar a oportunidade de confessarem suas culpas no tempo da graça, evitando assim punições mais graves. Era especialmente atrativo para os transgressores sexuais se apresentarem para reconciliação nesse período, pois evitavam a pena da tortura. Não podemos afirmar se os indivíduos procuravam o Santo Ofício apenas pelo medo das penas ou se de fato, motivados pelo sentimento de culpa, sentiam-se arrependidos por terem um comportamento que destoava da norma social. Fato é que muitos dos cristãos brasileiros que assistiram a esta cerimônia procuraram a mesa do Santo Ofício para se confessar. Por determinação dos Regimentos todas essas confissões eram registradas em livros próprios que
Vindo alguma pessoa no tempo da graça com contrição e arrependimento pedir verdadeiramente perdão de seus erros e culpas, será Recebido benignamente e examinada sua confissão assim acerca de suas culpas como se tem nelas sócios cúmplices e aderentes, parecendo que faz boa confissão se Receberá a tal pessoa a Reconciliação com muita misericórdia e fará abjuração secreta perante os Inquisidores e notário e duas testemunhas somente a que se dará juramento que tenham segredo e ha abjuração se
escreveram em um livro que Haverá para estas abjurações secretas. [sic]
(R IHGB, 1996, p. 577, grifo nosso).
Durante o período em que Heitor Furtado de Mendonça realizou a visitação ao Brasil, o mesmo esteve na Bahia entre 1591 e 1593 e posteriormente em Pernambuco, onde permaneceu entre os anos de 1593 e 1595. O conteúdo das confissões colhidas nessas
23 Falando sobre as confissões de Pernambuco, Mott (2002) nos dá um exemplo confirmando que muitos moradores do Brasil já conheciam a forma de atuação do Santo Ofício e a dinâmica dos Autos de Fé, mesmo antes desta cerimônia ser realizada na Colônia. Isso se deve ao fato de que muitos moradores do Brasil eram degredados que cumpriam pena na Colônia: “entre os que guardavam na memória o cruel genocídio dos filhos da
dissidência estava a negra Joana Afonso, natural de S.Tomé. Ela própria viera degredada para os Brasis,
condenada pela justiça d'el Rei pelo crime de adultério. Em sua audiência de denúncia perante a Mesa da Visitação, declarou que por volta de l570, em sua ilha natal, se prenderam muitos homens por somíticos e muitos foram queimados por isso e entre outros degredados […]” (MOTT, 2002, p. 16).
ocasiões foi compilado em duas obras: Confissões da Bahia (1591-1593)24 e Confissões de
Pernambuco (1593-1595)25.
Debruçamos nossa análise sobre as confissões por considerar que nestas está representada a essência da educação sexual a que estavam submetidos os moradores da Colônia. O êxito que a Igreja, através de seus sermões, e o Estado Português, através de suas leis coercitivas, tiveram na modelagem da sexualidade dos indivíduos é claramente manifesto nas confissões. Era de conhecimento geral o perfil da sexualidade aceito socialmente; apenas as cópulas envolvendo homem e mulher eram aprovadas por estarem de acordo com as leis de Deus, mas mesmo nestas o chamado pecado contra natura26 era condenado, pois não tinha
fins reprodutivos e representava um desperdício de sêmen. Nesse contexto onde apenas a cópula heterossexual era tida como correta a sodomia, também chamada de pecado nefando, constituía um dos mais graves pecados que o indivíduo poderia cometer, sendo que
Na lógica inquisitorial, típica do racionalismo escolástico, a heresia da sodomia reside na profanação da ordem natural e da criação cósmica: um só homem e uma só mulher unidos por Deus por meio do sacramento do casamento. A relação sexual entre os esposos, objetivando a procriação, é, segundo a Igreja Católica, a única prática legítima. A sodomia condenada pelos tribunais inquisitoriais era a expressão máxima da luxuria; a maior violência que se pode cometer contra Deus servindo-se da natureza que Ele criou. (PIERONI, 1997, p. 35).
A inquisição utilizava-se de uma vasta nomenclatura para se referir aos crimes, órgãos ou posições sexuais, como podemos constatar no quadro 1 apresentado a seguir