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Planlama Araçlarının ve Aktörlerin Tanımlanması

5. SONUÇLAR

5.2 Planlama Araçlarının ve Aktörlerin Tanımlanması

Chegando da Europa em 1917, Sá Pereira foi imediatamente convidado pelo diretor artístico do Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, seu antigo colega em

68 No original: Our task, in short, is [...] to cultivate mind and body by natural means and in a natural way, and

thus assist in developing the personality (soul, spirit, intellect, general education, habits of life, all that goes to make up a human being), in the manner and towards the goal destined by nature.

69 No original: May this “School of Technic” assist in shortening the mechanical part connected with the art of

piano-playing, and thus enable us to devote our efforts to the culture of the soul and to enter into the spirit of the compositions.

Berlim, o pianista Guilherme Fontainha, a exercer um cargo administrativo e a docência na cidade gaúcha de Pelotas. A cidade que passava por um período econômico próspero, acabara de ser presenteada com um recém-fundado Conservatório de Música. Assim sendo, em 1918, Sá Pereira tomou posse como primeiro diretor técnico-artístico e primeiro professor de piano do Conservatório de Música de Pelotas. Suas funções também incluíram a organização pedagógica do ensino no conservatório cujo modelo foi o do Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro70. A ida de um músico do vulto de Sá Pereira para uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, no início do século XX, foi uma iniciativa que revolucionaria a vida musical da região71. Além de suas atividades no conservatório, Sá Pereira imbui-se da missão de formar platéias e um público interessado em arte e especialmente música, instruindo musicalmente a sociedade local, tendo sido o responsável por um grande número de artigos e críticas musicais publicadas em periódicos da cidade. De acordo com Isabel Nogueira (2005) Sá Pereira foi responsável por uma mudança nos padrões musicais da cidade. Sob sua orientação, foram realizados os primeiros recitais com obras até então desconhecidas do público pelotense. No primeiro programa de recital onde se apresentaram alunas de piano e de canto do conservatório, realizado em 13 de dezembro de 1918 (apenas três meses depois de sua fundação), vê-se uma lista de obras na qual são incluídos compositores nacionais e estrangeiros de diversos períodos, com destaque para os modernos e contemporâneos como Claude Debussy, Reynaldo Hahn (identificados no programa como “modernos franceses”), Araújo Vianna, Sá Pereira (“modernos brasileiros”), Ruy Coelho (“moderno português”), Cyrill Scott (“moderno inglês”) ao lado de compositores dos períodos romântico (Chopin, Liszt e Brahms), clássico (Beethoven) e barroco (Bach). O fato de haver notas explicativas sobre as peças, datas de nascimento e morte dos compositores e sua vinculação estética demonstra o caráter didático de tais recitais. Essa diversidade estilística não só tornava tais programas mais ecléticos e provavelmente mais atraentes para o público leigo, como também demonstrava a preocupação de Sá Pereira em apresentar novas obras ao lado daquelas mais tradicionais, provavelmente como forma de amenizar qualquer forma de preconceito. Esta forma de recital variado, mesclando o canto e o piano

70 Atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

71 Segundo Isabel Nogueira (2005), em texto sobre a História do Conservatório de Pelotas, o cargo de diretor

deveria ser sempre ocupado por um pianista formado em uma instituição de reconhecimento internacional, conforme os Estatutos de Fundação do Conservatório de Música de Pelotas.

solo fugindo do tradicional esquema da “audição de fim de ano dos alunos de piano”, onde havia que se respeitar uma ordem de dificuldade das obras apresentadas, denota a atitude ímpar de Sá Pereira no sentido de não relegar ao conservatório uma função de instituição voltada exclusivamente ao ensino, mas também, o de um pólo de difusão cultural. É interessante mencionar ainda que a classe de piano de Sá Pereira no conservatório de Pelotas era formada exclusivamente por moças, o que retrata um perfil da época quando era parte da educação feminina, ao lado de outras “prendas domésticas”, aprender a tocar piano. Ao indicar um tipo de repertório sério para suas alunas, que refletindo o engajamento com a estética contemporânea, como o que apresenta o recital acima citado, Sá Pereira, parece sugerir sua profissionalização, tentando apagar o estigma de estudo descomprometido, parte apenas da formação educacional habitual.

O Ensino Moderno de Piano, como citado anteriormente, é resultado da prática diária do autor no ensino do instrumento. Fugindo dos métodos tradicionais e suas fórmulas reducionistas, seu conteúdo revela uma necessidade premente no que concerne uma formação mais completa do aluno de piano. Como revela a pianista Maria Abreu (1992) filha de Andino Abreu, barítono e colega de Sá Pereira como primeiro professor de canto do Conservatório, muitas eram as dificuldades encontradas em uma cidade longe dos grandes centros. Sá Pereira certamente enfrentou uma realidade musical em Pelotas bastante desanimadora, tanto em relação ao nível instrumental quanto ao interesse artístico da sociedade. Como segue Maria Abreu em seus comentários, a batalha de Sá Pereira foi incessante, pois ele acreditava que as coisas poderiam mudar, muito embora esta crença fosse intermitente, uma vez que bons momentos eram entremeados pela tendência ao amadorismo. O trabalho de Sá Pereira como professor de piano no Conservatório de Pelotas parece ter funcionado como um laboratório no qual as idéias para o tratado germinaram e ganharam forma.