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Peyami Safa – Sözde Kızlar (1925)

A. Cumhuriyet’in Ġlanından 1928 Anayasa DeğiĢikliğine Uzanan Süreç

3. Peyami Safa – Sözde Kızlar (1925)

A ausência de texto nos livros de imagens oferece uma narrativa consti- tuída apenas por imagens, criando uma representação de um enredo, apresen- tando-se de maneira clara e direta.

A leitura da imagem possui características próprias e um modo distin- to de ver, ler e interpretar seus signiicados: é no mesmo tempo total

e particular, temporal e atemporal; pode-se ler as partes sem enten- der o todo. No caso das palavras, ocorre uma sucessão temporal de letra, sílabas e vocábulos, que formam conceitos e ideias. (OLIVEIRA, 2011, In: LINDER, 2011, primeira orelha)

A ampla luência que as imagens oferecem proporciona uma riqueza de signiicações muito mais ampla que o texto verbal, linear, criando inter-re- lações variantes sobre um mesmo foco da narrativa, diretamente dependente do repertório do leitor. Necyk (2006) comenta que no século XIX as ilustrações serviam para guiar a informação e controlar o entendimento das teorias peda- gógicas, mas com as imagens a interpretação se dá pelo próprio leitor, que é responsável pela história e seu desenrolar. Esse formato é comum no universo infantil, em que os livros ilustrados são uma constante, até mesmo para intro- duzir o hábito nas crianças de se relacionar com os livros.

Figura 21: Páginas de “A Fada Ailhada” (2001), de Marilda Castanha. Fonte do autor.

Os livros sem palavras são sinônimos de livros de imagens, álbum de igurinhas, e outras denominações citadas por Camargo (apud DOMICIANO, 2007) se valem desse recurso para criar estímulos ao leitor que será o coautor da estória, ordenando as imagens e atribuindo signiicados às páginas.

Da mesma forma, a ideia do livro sem texto não quer dizer que ele ne- cessariamente precisa possuir imagens. O designer Bruno Munari, em seu “Livro

Ilegível” (1955), nos apresenta um livro sem texto no qual é levado em conside- ração apenas o suporte – o papel – e suas possibilidades. Com cortes, ângulos e texturas, narram às percepções de quem manuseia o livro-objeto, possível de ser “lido” a partir de qualquer página e em qualquer ordem. Uma relação direta pode ser feita com os livros de poemas, em que é possível que se abra em qual- quer ponto, sem a necessidade de uma leitura linear, sequencial. É importante destacar que livros podem ser lidos de forma não linear por causa de sua estru- tura gráica e projetual, tais como os livros infantis de Munari, bem como pela sua estrutura textual, tal como o livro “Jogo da Amarelinha”, de Júlio Cortázar. Nesse romance de 1963, Cortázar explora a não linearidade a partir de vários encaminhamentos possíveis e das diferentes sequências de leitura. A questão principal é a relação com o objeto livro, com o próprio livro. O autor indica os caminhos possíveis de leitura, como em um jogo de amarelinha, explorando as relações subjetivas do leitor.

Figura 22: “Livro Ilegível” (1955), de Bruno Munari. Fonte: Estudesign (Blog). Disponível em <http://estudesign.blogspot.com/2010/07/decepcao-do-mes.html>. Acessado em: 20/7/2011.

Os pré-livros são caracterizados por serem constituídos em sua totali- dade de formas e texturas, objetos que isolados não possuem um signiicado literário, mas ao serem trabalhados conjuntamente ao seu contexto formal ad- quirem um conjunto de informações possível de verbalizações ininitas, sendo limitada apenas pelo seu interlocutor.

Esses livros, assim chamados pela sua forma, buscam explorar o reper- tório e a experimentação criando situações abstratas, sensoriais, imaginativas e únicas, sugerindo direções e narrativas inusitadas cada vez que se folheia, ou melhor, que se manuseia o livro.

Elaborados por Bruno Munari, os 12 livros – todos com o título LIVRO na capa – ousam ao apresentar texturas e objetos inseridos de tal forma que for- çam o leitor-usuário a interagir com o que lhes é apresentado, um dos volumes apresenta um botão que instiga a ser fechado, outro possui uma linha atraves- sando todas as suas páginas.

Figura 23: “Pré-livros” (1980) de Bruno Munari. Fonte: Achados e Perdidos (Blog). Disponível em: <http://terezaeluiz.blogspot.com/2009_07_05_archive.html>. Acessado em 28/7/2011.

Domiciano (2007) narra suas experiências desenvolvendo com seus alu- nos o conceito de pré-livros, os quais foram, inclusive, ferramentas de análise junto às suas pesquisas. O instinto de investigação está amplamente inserido nesse conjunto de formas e elementos que superam as barreiras da linearidade e coerência, criando a cada página um novo enredo, uma nova signiicação.

A construção do livro enquanto objeto é algo que transcende as ima- gens puras e converge em formas e outros recursos capazes de transmitir, ins- tigar e interagir com o leitor, a ponto de não precisar de texto verbal ou mesmo

imagens. Ao mesmo tempo em que se podem inserir informações visuais que narrem uma história, a própria combinação de objetos podem exercer esse pa- pel.

Assim como no livro “Na Noite Escura” (1962), de Bruno Munari, no qual uma das formas inovadoras de apresentar uma narrativa se dá com a caverna recortada em seu interior, e a cada página uma nova informação é apresentada (Figura 24). Os formatos inseridos instigam o leitor a olhar dentro, ou seja, a virar cada página esperando alguma surpresa.

Figura 24: Reprodução do livro “Na Noite Escura” (1962), de Bruno Munari. Fonte: O Bicho dos Livros (Blog). Disponível em <http://obichodoslivros.blogspot.com/2011/06/o-que-se-esconde-e-

o-que-se-desvenda.html>. Acessado em: 20/7/2011.

Esse conceito de interação integra a proposta de um livro-objeto que oferece ao leitor formas de participar do entendimento da narrativa existente, seja de forma textual, visual, texto-visual, seja com linguagens únicas e abstra- tas.