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2.4. FAIR PLAY

4.1.2. Ortaöğretim Kurumlarında Okullar Arası Futbol Müsabakalarına

À atividade de produzir inventos para concretizar um mundo mais humano, isto é, feito pela intervenção das pessoas sobre a natureza, é acrescentada a colaboração entre cientistas e técnicos e a interpenetração entre técnica e ciência, possibilitando, assim, um novo rumo para a construção da condição humana e sua compreensão. Rossi (1989), diz que

“... a colaboração entre saber técnico e saber científico, que veio a se conhecer no início da Idade Moderna deve ser considerada um dos aspectos centrais e fundamentais da nova cultura.” (Rossi, 1989, p. 42 - 43)

O que vai significar essa nova cultura? Ou seja, que mudanças a colaboração entre saber técnico e saber científico trará para o conhecimento que já se encontra sistematizado? E ainda, que sentido será conferido à educação?

A sistematização do conhecimento, no seu sentido dominante, estava fundamentada sob um axioma de que o saber “legítimo” produzia-se nos ambientes em que se concentravam os doutos, aqueles que desenvolviam a atividade de pensar e conhecer a natureza humana e a natureza cósmica, utilizando-se para isso da lógica metafísica ou da especulação racional e do uso da língua clássica, o latim.

Do diálogo entre os humanistas renascentistas com os homens sem letras, isto é, dos que não se comunicavam com o uso da língua latina, é possibilitada uma relação que se opõe às teorizações do conhecimento de cunho escolástico e à autoridade da Igreja dominante. A Igreja construiu através das teorizações da Escolástica um conhecimento sobre a existência das pessoas no mundo, tendo elas uma condição humana determinada por um poder divino. Na relação dos humanistas com os

artesãos mecânicos produz-se um conhecimento que se diferencia daquele e se constitui com saberes de homens práticos aliados a saberes de doutos. Ou seja, a natureza da condição humana passa a ser percebida e compreendida como uma construção dos seres humanos e não mais uma determinação provinda de um poder metafísico.

É dessa relação, humanistas e artesãos, que se constrói uma diferenciada cultura entre saber erudito e saber prático, possibilitando, dessa forma, a sistematização de um conhecimento que trará outras concepções de homem, natureza, mundo, Deus e espírito humano.

Brunelleschi, homem sem letra, torna-se engenheiro conceituado por sua prática e seus feitos. Tinha o ofício de ourives. Com as aulas de matemática e geometria que teve com Toscanelli, dá um novo impulso à arquitetura.

“... abandona o sistema medieval dos andaimes de madeira que sustentavam os cimbres sobre os quais se modelavam os arcos e que, ao mesmo tempo, serviam de moldura, andaime e sustentação provisória.” (Rossi, 1989, p. 42)

Do saber de técnico empírico aliado com o saber dos doutos, Brunelleschi passa para uma fase de argumentação matemática, tornando-se um “intelectual” quando compreende que é possível edificar uma cúpula como a que construiu na igreja de Santa Maria del Fiore. “Trabalhando no vazio, sem cimbres provisórios para sustentar os materiais leves durante o assentamento e o secamento das argamassas” o arquiteto italiano apropria-se de um saber fundamentado na experiência pessoal aliado a um conhecimento construído pelos doutos. (Rossi, 1989)

Toscanelli, doutor da universidade de Pádua, é um estudioso de matemática, óptica e astrologia. Mecânico de relógios, interessa-se por questões de navegação marítima, inspirando as viagens de Colombo. É um representante da cultura consolidada dos doutos, porém, diferentemente da maioria dos seus pares, relaciona-se com humanistas, com técnicos e com artesãos, homens emergentes da diferenciada cultura que está redesenhando o cenário dos anos quinhentos.

O diálogo desenvolvido por homens como Brunelleschi e Toscanelli representa um marco para um novo conceito de conhecimento que se sistematiza e vai tomando

59 espaço em vários setores no início da modernidade. Um conhecimento que intervém no saber dos letrados, dos filósofos, dos pedagogos, dos artesãos, dos técnicos e dos engenheiros.

É a colaboração que se efetiva a partir de relações de amizades, de troca de saberes, do intercâmbio entre o retorno aos clássicos e a vida ativa do século XVI, apontando para um diferenciado rumo do conhecimento. Essa relação passa a constituir um movimento cultural composto de indivíduos envolvidos em diversas atividades.

“A colaboração entre os ‘artesãos superiores’ e os cientistas se impunha, em diversos setores, como uma necessidade: não só no âmbito da balística, arquitetura e construção de fortificações, mas também no caso dos cirurgiões, que passaram a ter um contato cada vez mais próximo com artistas, médicos e anatomistas; dos construtores de instrumentos náuticos e musicais; dos navegadores, ligados às pesquisas dos matemáticos, astrônomos e cosmógrafos.” (Rossi, 1989, p. 44)

Essa colaboração modifica o cotidiano tanto dos homens de vida ativa como dos homens de algumas universidades, dentre elas a de Pádua. A vida dos doutores vê-se modificada pelas técnicas, por instrumentos e invenções que determinam um novo tempo para a sistematização do pensamento. Os técnicos e engenheiros vêem-se lidando com uma outra questão do conhecimento científico. Até então, a questão mais freqüente era o como as coisas deveriam ser feitas. Nessa relação de cooperação, o conhecimento é acrescido do por quê a construção das coisas deve seguir determinados procedimentos. Nesse sentido, a ciência, em se fazendo, amplia-se.

Com a ampliação da ciência e também ampliando o próprio processo do conhecimento científico, vários setores do século XVI praticam a ciência, ensinam os procedimentos da prática de ciência e escrevem sobre esse processo de conhecimento.

A cartografia é acrescida de métodos cartográficos (Apianus, 1524; Frisius, 1553; Mercator, 1569). O astrolábio já era instrumento científico conhecido na Idade Média, mas é entre 1575 e 1625 que é desenhada uma quantidade considerável de variantes não conhecidas anteriormente. As relações entre matemática, astronomia e arte de navegação são aprofundadas. A partir dessas relações, criam-se escolas de navegação (Casa de Contratación de Sevilha, nascida em 1503, é uma delas);

instalam-se grupos de estudiosos em matemática para aprimorar a instrução matemática de mestres artesãos e em ensino dos métodos científicos de navegação marítima a serem demonstrados aos navegadores (Thomas Digges, matemático e astrônomo esteve no mar fazendo demonstrações durante vários meses; Thomas Harriot, em 1585, como matemático e conselheiro científico, acompanhou colonos de sir Walter Raleigh até a Virgínia).

Os livros sobre máquinas (entre eles Pirotechnia de Vannoccio Biringuccio, publicado em Veneza em 1540; De magnete, de William Gilbert, editado em 1660; De re metallica de Rodolfo Agricola) publicados entre os séculos XVI e XVII, dedicavam-se a soluções de problemas colocados pela arte militar, arte de mineração, arte de metalurgia e arte da navegação. Esses livros

“São concebidos e escritos num clima cultural sensível às grandes transformações em curso, às grandes descobertas geográficas e astronômicas: não é casual que esses livros contenham só descrições de máquinas existentes, mas mais freqüente e predominantemente, projetos (às vezes inexeqüíveis) de novas máquinas a serem construídas.” (Rossi, 1989, p. 47)

Ao descreverem os procedimentos práticos e teóricos sobre novos fatos, os mecânicos escritores da época visualizam uma função direcionada à ampliação do saber humano. Para que esse campo do saber se concretizasse, requeria-se observação e descrição dos fatos, de forma sistemática, analítica e meticulosa, acompanhadas, para tanto, de técnicas de ilustração com imagens gráficas claras e compreensíveis.

As pessoas que escrevem sobre os seus inventos, sobre as possibilidades da aliança entre o saber prático e o saber de um segmento de doutos estão possibilitando a construção de um novo conhecimento não prestigiado pela Escolástica, isto é, inclui- se nos primórdios da modernidade a faculdade da sensibilidade provinda da atenção dada aos sentidos. O processo da sensibilidade se efetiva na relação corpo e mundo exterior. Para perceber o entorno será necessário dar a devida atenção ao corpo, aos sentidos, para ver os fenômenos da natureza e o movimento dos astros, para olhar os avanços de seus instrumentos, utensílios e arquitetura, para observar as demonstrações dos seus experimentos. Esse situar o corpo no mundo material

61 possibilita a construção e uso da sensibilidade provinda dos sentidos e processada na aliança com a faculdade do pensar.

É nesse “clima cultural sensível às grandes transformações” que a teoria pedagógica comeniana se constituirá. Para tanto, que elementos irá prestigiar na sua elaboração, enquanto conhecimento que se dirige para a educação das pessoas? Que artifícios pedagógicos irá construir para formar o ser humano situado no mundo das coisas? Que arte irá privilegiar para desenvolver a sensibilidade dos indivíduos para com as coisas do mundo?

A arte privilegiada pela teoria pedagógica comeniana para formar o ser humano na sua integridade corpo, sentidos e forças intelectuais é a arte educação, a qual se efetiva na oficina escola. O indivíduo constituir-se-á na sua sensibilidade colocando em ação os seus sentidos: “desde cedo os sentidos do homem (podem ser abertos) para a observação das coisas”. A apreensão dos sentidos externos conduz à sensibilidade interna: “o sentido interno quando sente que vê, que ouve e que sente, (nota) as diferenças entre as coisas, manifestando-se o intelecto”. (Coménio, 1966, p. 84 e 129)

Assim, segundo a concepção pedagógica comenina, as pessoas estão no mundo para se construírem utilizando-se do corpo, das faculdades dos sentidos e do intelecto, ou, conforme a Didáctica Magna (1966):

“Assim como se aprende a fazer fazendo [...] assim também se aprende a trabalhar trabalhando, de modo que contínuas ocupações do espírito e do corpo (moderadas, bem entendido) se transformem em energia e tornem intolerável ao homem laborioso a ociosidade estéril” (Coménio, 1966, p. 347)

No “clima cultural sensível às grandes transformações”, a teoria pedagógica comenina elabora a sua concepção de formação humana análoga à concepção do conhecimento que se constrói a partir da relação entre artesãos e doutos: o conhecimento se constitui entre o fazer e o pensar, a formação se constrói entre o sentir e o agir, atividades essas inseridas no mundo da ação.

3 – A prática, a experimentação, os procedimentos e a teorização científica: