2.3. ORTAÖĞRETĠMDE ÖĞRENCĠLERĠN GENEL ÖZELLĠKLERĠ
2.3.5. Ahlaki GeliĢim ve Eğitim
para a teoria pedagógica escolar
A pluralidade das ações dos diferenciados movimentos sociais incluindo discussões em torno dos vínculos entre trabalho e educação trouxeram alguns elementos para os professores pesquisadores da didática e para a teoria pedagógica escolar.
Um dos elementos foi a própria tensão trazida ao se questionar a teoria pedagógica que tradicionalmente tem-se voltado para as questões das práticas do processo de ensino ou da transmissão/assimilação de conteúdos, isto é, a didática enquanto campo de conhecimento, mesmo nas discussões internas do seu próprio grupo de estudo e com as questões colocadas a partir das discussões em torno das atividades dos movimentos sociais, incluindo os vínculos entre trabalho e educação, vê-se questionada no seu objeto de estudo - o ensino. Da predominância de uma discussão delimitando o objeto de estudo da didática em torno das questões do ensino, ou seja, do processo de ensino-aprendizagem, passou-se a pensar a didática enquanto teoria pedagógica comprometida com o processo educativo escolar marcado por outros processos educativos que acontecem no coletivo das práticas sociais e culturais.
A tensão mobiliza os professores de didática e os faz avançar no sentido de considerar outras implicações que se processam no fazer pedagógico escolar. A partir das discussões dos anos oitenta e início dos anos noventa os professores pesquisadores da didática vão perceber que as práticas escolares são mais do que
ensino17, mais do que transmissão e assimilação de conteúdos sistematizados pela humanidade. Na escola, os educandos inserem-se num processo educativo escolar.
E o que isso implica para a didática enquanto teoria pedagógica? Implica para a didática considerar outros elementos. A teoria pedagógica, ao considerar os debates dos movimentos sociais, volta-se para a abrangência da teoria da formação dos seres humanos. Ampliar o objeto de estudo - ensino - para o processo educativo escolar implica voltar a atenção para além das práticas escolares, ou seja, implica deter-se em práticas e teorias que consideram os homens e mulheres inseridos em processos de intervenção e de formação que acontecem nas práticas socioculturais.
Nesse sentido, os estudos sobre movimentos sociais e vínculos entre trabalho e educação vão tensionar a didática a reconhecer que, além do desenvolvimento das práticas pedagógicas escolares, existe um pensamento sobre a realidade social e sobre a pedagogia da formação ou deformação do ser humano construído pelas ciências sócio-históricas. Por isso, enquanto teoria pedagógica, ela tenderá a perceber que as questões fundamentais não são apenas os problemas do processo ensino- aprendizagem na escola, eles também resultantes da prática social, mas nesse processo há questões voltadas para a formação das pessoas inseridas no mundo mais abrangente do campo escolar, no mundo sócio-histórico. E essas questões são mostradas fora do espaço escolar, nas práticas dos movimentos sociais e nas práticas do trabalho produtivo.
Assim, essa didática constituir-se-á numa teoria pedagógica aliada à teoria da formação dos indivíduos sociais, olhando para além das práticas escolares. Buscar elementos nos processos educativos que se dão nos movimentos sociais e nas relações do trabalho humano produtivo é ampliar sua própria abrangência ou reposicionar-se enquanto didática.
A teoria pedagógica, ao ampliar-se aliada à teoria dos processos de formação individual e social, passa a assumir o processo educativo escolar como um processo de construção de práticas pedagógicas. Incluem-se, nesse sentido, os estudos de diferenciadas práticas e não apenas o estudo de um processo regular de transmissão
17 Embora as discussões no campo de conhecimento da didática na década de oitenta e início dos anos
noventa tenha ampliado a concepção de ensino, neste estudo o tomamos no sentido que tem predominado no meio escolar, ou seja, ensino enquanto uma prática social de transmissão e assimilação de conteúdos e habilidades voltados para a apreensão do conhecimento que é adquirido na escola.
19 ou de inculcação de conhecimentos sistematizados pelas ciências-mães, como por exemplo, sociologia, história, psicologia.
As leituras e as discussões em torno das práticas socioculturais que se processam na vida e no trabalho mostram aos professores pesquisadores da didática que o processo educativo é um processo de trabalho, um processo de intervenção, um processo complexo de construção. Assim, a teoria pedagógica18 passa a ser compreendida como uma forma de entender o processo educativo escolar enquanto pensamento que indica uma luminosidade nova sobre o processo de construção das pessoas que passam pela instância escola; uma teoria pedagógica que informa sobre a ação da prática interventiva, que assume que o processo escolar é educativo porque é um processo de construção de indivíduos sociais, que se processa nas atividades vivenciadas fora ou dentro da escola.
Portanto, as discussões em torno da organização dos movimentos sociais apontaram para a construção de uma teoria pedagógica que considera aliadas ao processo de formação do intelecto ou da razão a vivência, a experiência, a prática que se processa na vida dos homens e mulheres inseridos nas organizações sociais e no mundo do trabalho.
Observar as pessoas nos movimentos sociais e nos processos do mundo do trabalho é captar uma lógica, uma compreensão, uma interpretação da produção e reprodução da existência na dimensão sócio-histórica da construção dos seres humanos. Uma tendência do campo de conhecimento de didática, enquanto teoria pedagógica, rumou para essa percepção.
E é neste processo de construção do campo da didática que situo meu objeto de estudo.
18 Neste estudo estabelecemos o significado de teoria pedagógica analogamente ao didática enquanto uma
tendência do conhecimento que se propõe a construir o processo educativo escolar tomando a complexidade do sujeito situado em sua realidade social.