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Organ Ve Doku Ticareti Suçunda Etkin PiĢmanlık

A) TÜRK CEZA KANUNUNDA YER ALAN ETKĠN PĠġMANLIK HÜKÜMLERĠ

1. Organ Ve Doku Ticareti Suçunda Etkin PiĢmanlık

A escolha do setor terciário

Para selecionar o setor terciário, o Ministério Público do Trabalho procedeu a um levantamento nas pesquisas do IBGE (Censo Demográfico 2000 e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD), referentes ao emprego e rendimento, com recorte de gênero e raça. O MPT tinha por objetivo mapear os segmentos econômicos em que as desigualdades de gênero e raça se mostrassem mais recorrentes. O primeiro setor a ser selecionado foi o terciário pelas seguintes razões: (i) relevância do setor para as economias dos países em desenvolvimento e mais especificamente para a brasileira, (ii) desigualdade observada na distribuição de trabalhadores negros e negras e brancos e brancas nos grupamentos ocupacionais do setor e (iii) desigualdades nos salários pagos a homens brancos, homens negros, mulheres negras e mulheres brancas e nos mesmos grupamentos ocupacionais naquele setor (BRASIL, 2005, Folhas 15-19).

O terciário se mostrou como o segmento da economia brasileira que mais empregava mão-de-obra, além de ser aquele que possuía as maiores taxas de crescimento nas décadas que antecederam a implementação do PPIOT. No ano de 1991, por exemplo, o setor respondia por 36,5% das pessoas ocupadas nos regiões metropolitanas, tendo esse percentual se elevado para 42,8%, em 1999, o que revelava a sua importância na economia do País. O MPT percebeu que, se por um lado o setor se destacava como o mais dinâmico dos países em desenvolvimento e como aquele que pagava as maiores médias salariais, por outro abrigava muitas desigualdades, desfavorecendo especialmente negros (homens e mulheres) e mulheres (brancas). A Figura 4.1 a seguir reproduz alguns dos gráficos elaborados pelo MPT com o fim de demonstrar as desigualdades na distribuição de trabalhadores negros e negras e brancos e brancas no setor terciário. Uma análise dos gráficos permitiu verificar que trabalhadores negros e negras eram

preteridos em grupos ocupacionais de níveis hierárquicos mais elevados. Assim, faziam parte do grupo de dirigentes, por exemplo, apenas 14% de homens negros e 8% de mulheres negras. O mesmo ocorrendo entre os profissionais das ciências e das artes, sendo que neste caso os percentuais se invertiam, com 14% de mulheres negras e 8% de homens negros. O mesmo fenômeno não se repetia para as posições de menor prestígio na sociedade, nas ocupações que não exigem nível superior: nestas, a concentração de homens negros e mulheres negras era um pouco maior. Por exemplo, para as ocupações técnicas e trabalhadores dos serviços administrativos, os homens negros representavam respectivamente 15% e 17% e as mulheres negras, 20% e 21%.

Para finalizar a avaliação das desigualdades encontradas no setor terciário, o MPT identificou diferenças entre os salários auferidos pelos homens brancos e os membros dos demais grupos sociais analisados (mulheres brancas, mulheres negras e homens negros). O levantamento das remunerações pagas a trabalhadores do setor, resumido na Figura 4.2, permitiu vislumbrar que o grupo dos homens brancos era aquele que percebia os maiores salários, independentemente do grau de instrução exigido para a ocupação do cargo e do prestígio da posição na sociedade. Além de preencherem a maioria das ocupações de maior prestígio e remuneração, os homens brancos eram mais bem remunerados, mesmo quando exerciam atividade profissional idêntica a de membros dos grupos sociais discriminados – por exemplo, em uma empresa X, um gerente, diga-se, operacional nível II branco era geralmente mais bem pago que um gerente operacional nível II negro. Para o MPT, os dados levantados, e aqui reproduzidos nas Figuras 4.1 e 4.2, demonstravam nitidamente uma resistência do mercado em absorver homens negros e mulheres (negras e brancas), além de apontarem para a existência da discriminação, uma vez que não existiria outra explicação para justificar o rendimento inferior dos demais grupos, mesmo quando executando atividade econômica semelhante a dos homens brancos. Para o órgão público, sua conclusão foi reforçada quando verificou o fato de que trabalhos com a mesma taxa de produtividade, mesma exigência educacional e de competências remuneravam mulheres negras com quase um terço (38%) do salário pago aos homens brancos, como ocorria nas atividades de venda e prestação de serviço no comércio.

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Figura 4.1 - Proporção de trabalhadores do setor terciário da economia por grupamentos ocupacionais do trabalho principal, segundo sexo e raça, Brasil, 2003.

Figura 4.2 - Salário médio de brancos, negros, brancas e negras em mesmo grupamento ocupacional, setor terciário, Brasil, 2003.

Fonte: BRASIL, 2005c, Folha 18.

A escolha do segmento dos bancos privados

O setor de serviços talvez seja um dos segmentos mais heterogêneos das economias capitalistas, pois compreende atividades diversas, como a prestação de serviços financeiros (de diversas naturezas, como os bancários, de home broker, entre outros), prestação de serviços profissionais (advocatícios, médicos, de arquitetura entre outros), prestação de serviços em geral (domésticos, de manutenção, como de bombeiro hidráulico, eletricista, pedreiro, entre outros). Diante de tantas opções, o que teria levado o Ministério Público do Trabalho a selecionar o setor dos bancos comerciais para iniciar a implantação do PPIOT? O MPT justificou sua escolha apresentando quatro razões.

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Primeiro porque, nos anos que antecederam o Programa, o órgão público já havia recebido, por parte dos movimentos sociais, denúncias sobre a prevalência da desigualdade e discriminação nas atividades bancárias. Segundo, como vimos na introdução desta tese, na ocasião já estavam disponíveis “dados estatísticos oficiais, levantamentos e estudos preliminares, que demonstravam um significativo e recorrente quadro de desigualdade de gênero e raça” no setor bancário. A magnitude do segmento dos bancos privados dentro do setor terciário, uma vez que representavam as organizações mais lucrativas do setor, foi apontada como a terceira razão a justificar a escolha. O último argumento foi de que a grandeza das taxas de lucratividade verificadas nos bancos elevava o nível de responsabilidade social deles acima daquela já instituída na Constituição Federal que, em seu artigo 192, estabelece que o sistema financeiro nacional fora estruturado de modo a promover o desenvolvimento equilibrado do País, buscando “servir aos interesses da coletividade” (Folha 19-20).

O levantamento efetuado nos bancos de dados do IBGE permitiu a elaboração de gráficos que revelavam (i) as desvantagens remuneratórias dos negros e das mulheres no setor bancário brasileiro, (ii) as desvantagens admissionais e ocupacionais entre negros e brancos no setor bancário brasileiro, (iii) as desvantagens admissionais e ocupacionais entre homens e mulheres no setor bancário brasileiro e (iv) que as desvantagens de negros e mulheres no setor bancário não decorrem de motivos educacionais (BRASIL, 2005, Folhas 20-25).

Em 2003, os bancos brasileiros exibiam um quadro de desvantagem salarial com grande prejuízo para os homens negros e mulheres (negras e brancas). O gráfico revelava que a remuneração dos trabalhadores negros era, em média, 60% do valor dos salários dos brancos e que, no que concerne a níveis de remuneração, a situação das mulheres era um pouco pior, pois a diferença salarial era mais ampla, revelando sérias barreiras com relação às mulheres, como demonstra a Figura 4.3.

Figura 4.3 – Salário nominal médio dos trabalhadores do setor de intermediação financeira segundo sexo e raça, Brasil, 2003.

Fonte: BRASIL, 2005c, Folha 18.

O MPT também identificou que as desigualdades no interior do sistema de intermediação financeira não eram apenas as oriundas das diferenças nos níveis dos salários auferidos pelos diversos grupos de trabalhadores, mas também se manifestavam na alocação dos trabalhadores por ocupação. Ao analisar os dados concernentes aos trabalhadores negros (mulheres e homens), o MPT concluiu que, mesmo não havendo discrepâncias educacionais, a admissão dos negros ficava restrita a ocupações de menor prestígio e, consequentemente, de menor remuneração. Foi possível observar que, enquanto nas atividades de manutenção e conservação de edifícios havia cerca de 65% de negros, apenas 5,6% eram escriturários de contabilidade, que é, tipicamente, o cargo de início da carreira bancária. De modo semelhante, enquanto os negros representavam mais da metade dos contínuos, garçons, barmen e copeiros dos bancos, somente 13,7% deles ocupavam o cargo de caixa bancário e operadores de câmbio e 15,9% dos cargos de gerentes de operações ou apoio nas organizações bancárias. Os dados relativos às mulheres também revelaram uma segregação ocupacional por sexo: as mulheres ocupam posições de menor complexidade técnica e de menor prestígio e, consequentemente, com remuneração inferior que as ocupadas por trabalhadores do sexo masculino. E isso ocorre independentemente do fato de as mulheres apresentarem vantagens educacionais em relação aos homens.

Por fim, os dados reunidos permitiram concluir que as desigualdades de remuneração e ocupação constatadas não podiam ser explicadas pela suposta pouca educação dos negros e das

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mulheres, uma vez que a diferença educacional média entre os negros e os brancos era muito pequena, e inexistente no caso das mulheres (brancas) em relação aos homens (brancos), como se vê na Figura 4.4.

Figura 4.4 – Salário nominal médio dos trabalhadores do setor de intermediação financeira segundo sexo e raça, Brasil, 2003.

Fonte: BRASIL, 2005c, Folha 24.