A) TÜRK CEZA KANUNUNDA YER ALAN ETKĠN PĠġMANLIK HÜKÜMLERĠ
17. Hükümlü Ve Tutuklunun Kaçması Suçunda Etkin PiĢmanlık
ANO 1949 1950 1958 1962
TOTAL DE ELEITORES 6.130 8.171 10.650 17.091
Tabela 3. Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao analisarmos a apuração completa dos votos no município, encontramos elementos bastante interessantes para o estudo da correlação das forças políticas210. Logo de início, res- saltamos que o candidato a governador mais votado em Magé não foi Badger da Silveira. En- quanto, em todo o estado, o petebista recebeu 33% dos votos, no município obteve somente 27% (3272 votos). Já Tenório Cavalcanti, que ficou em segundo lugar na disputa para o go- verno com 28%, em Magé foi o vencedor com 37% (4490 votos). Embora tenha obtido o a- poio recente, porém decisivo, dos comunistas e até de alguns dissidentes do PTB, Tenório já vinha atuando no município há alguns anos, particularmente junto aos lavradores da região, como adiante.
Para o senado eram duas vagas e o deputado federal Aarão Steinbruch, do PTB, foi o mais votado, se elegendo juntamente com outro petebista, Vasconcelos Torres. Em Magé, a
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Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (APERJ). Irun Santana Fala ao Povo Mageense. Reportagem do jornal O Progressista, anexada ao prontuário individual de Irun Sant’Anna no Departamento de Polícia Política e Social (DPPS). s/d. 210 Juízo Eleitoral da 20ª Zona - Magé. Mapa totalizador referente às eleições realizadas em 07/10/1962 (resultado final). Magé: 18/06/1963. Documento elaborado pela escrivã eleitoral Dora Faro a pedido do Diretório Municipal do PSD. Acervo: CPDOC. Todos os dados de votação citados a seguir foram retirados desta fonte.
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colocação dos candidatos se manteve, mas Steinbruch conquistou uma votação impressionan- te, apurando quase dois mil votos a mais que o segundo senador eleito. Foram 6488 votos contra 4542. Além disso, desbancou o ex-governador Celso Peçanha, do PSD, que recebeu 3978 votos em Magé. Ressaltamos que Aarão Steinbruch era advogado, tendo atuado na defe- sa de diversos sindicatos, incluindo no dos têxteis de Santo Aleixo 211, além de ter sido o autor da Lei da Gratificação de Natal, popularmente conhecida como Lei do Décimo Terceiro Salá- rio, instituída em julho de 1962. Esta lei foi resultado das campanhas pelo abono de Natal, que vinham sendo realizadas pelos trabalhadores brasileiros desde a década de 1940. “Naque-
le tempo ninguém sonhava com o Décimo Terceiro e o Sindicato resolveu pedir Abono de Natal. Nós percorremos todas as fábricas, não ganhamos, mas já foi um início de luta”. 212
Já para deputado estadual, foi eleito o ex-prefeito e principal liderança do PSD no mu- nicípio, Waldemar Lima Teixeira, sendo o candidato mais votado com 3205 sufrágios. Com a vitória, foi o primeiro político mageense a ser eleito para a Assembleia Legislativa desde o Estado Novo.
O legislativo municipal apresentou um considerável grau de renovação dos vereadores na Câmara, superior a 60%. O PSD conquistou a maior bancada, seguida pelo PTB. O PSP, a UDN e PSB empossaram dois parlamentares cada, sendo que os socialistas reelegeram sua bancada, formada pelos comunistas Darcy Câmara e Astério dos Santos, sendo este o segundo vereador mais votado do município, com 385 votos (na eleição anterior, em 1958, foi o mais votado com 470).
Na prefeitura, o trabalhista José Barbosa Porto obteve 6162 votos e o pessedista Olivio de Mattos 5792. Com o apoio decisivo dos comunistas, o PTB interrompeu uma hegemonia do PSD que vinha desde a primeira eleição pós Estado Novo, em 1947.
(...) Acentuamos, preliminarmente, não terem sido auspiciosos como desejá- vamos os resultados do último pleito. Por outro lado, ressentimos de motivos que nos autorizem a reputá-los desfavoráveis ao nosso glorioso partido. O fato de não termos conseguido eleger nosso candidato a prefeito municipal constituiu-se obviamente algo assas deplorável. Não obstante, constituímos uma bancada de sete vereadores pessedistas e, ainda, um do PL, por nós aqui reestruturado e, portanto, integrado na bancada, aumentando-a para oito membros. Elegemos também o vice-prefeito, um deputado estadual (o pri- meiro mageense a estrear na Assembleia Legislativa desde a Constituição de 46), além de termos contribuído expressivamente, com invejável disciplina e
211 Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ). Conclusão do Acórdão 471-57. Rio de Janeiro: 25/03/1957. p.1. Acervo do TRT-RJ.
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coesão, para a eleição dos deputados federais pessedistas que, entrosados conosco, concorreram ao pleito. 213
Embora derrotado no executivo, o PSD mageense sinalizou que “não estava morto”, obtendo a maior bancada na Câmara de Vereadores (incluindo o edil mais votado) e elegendo um deputado estadual e o vice-prefeito. Aliás, foi na campanha para o eventual substituto do chefe executivo municipal que os pessedistas demonstraram toda a sua sagacidade política. Cientes de que enfrentariam um nome forte do PTB, líder operário em Pau Grande e presiden- te do sindicato, o tecelão Guilherme de Carvalho, os pessedistas apostaram em um farmacêu- tico estabelecido no centro da cidade, Moacyr Pimentel, que vinha sendo eleito vereador inin-
terruptamente desde 1947. Além disso, tratou de “estimular” outra candidatura a vice-prefeito
que disputasse votos com o dirigente sindical. A saída encontrada pelo PSD – conforme dei- xou escapar o próprio Waldemar Lima Teixeira na carta ao deputado Hamilton Xavier – foi
“reestruturar” o Partido Libertador (PL) no município, que lançou como candidato o comerci-
ante Renato Cozzolino, oriundo do mesmo distrito que o petebista. Ao final da apuração, Mo- acyr Pimentel foi eleito vice-prefeito com 5196 votos, Guilherme de Carvalho ficou em se- gundo com 3653, seguido do candidato do PL que apurou 1690 votos.
Dessa forma, do ponto de vista eleitoral, podemos elencar, grosso modo, três forças políticas em Magé no início da década de 1960: o PSD, a aliança PCB-PTB e Tenório Caval- canti, todas buscando, em menor ou maior grau, conquistar capital político junto à classe tra- balhadora. Como buscaremos pretendemos indicar ao longo deste capítulo, variadas forças atuavam no campo político mageense, particularmente nas suas relações com o mundo do trabalho, inclusive não se restringindo aos grupos tidos como “de esquerda”. Por entre esta trama, também despontaram diversas organizações que se entrecruzavam com essas forças e o mundo do trabalho, como fábricas, igrejas, associações, sindicatos, clubes de futebol, entre outros, como veremos a seguir.
Analisando as eleições de 1962 pelo retrovisor, propomos uma análise das trajetórias dessas principais forças políticas, no afã de desvendar essa rede de relações semeadas e teci- das junto aos trabalhadores. Entretanto, nosso roteiro não se dará unicamente por meio do estudo das forças em concorrência pelo poder no campo político. Utilizando a própria nomen- clatura aplicada por Pierre Bourdieu para descrever essa relação de forças – que seria travada por intermédio do monopólio do direito de falar e agir em nome de uma parte ou da totalidade
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Diretório Municipal do PSD de Magé. Carta de Waldemar Lima Teixeira ao deputado Hamilton Xavier, Diretor do Depar- tamento Eleitoral e de Organização do PSD-RJ. Magé: 24/01/1963. p.1. Acervo: CPDOC.
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dos profanos (os cidadãos comuns) 214 – pretendemos aqui justamente analisar esse “capital político acumulado no decurso das lutas passadas” 215 a partir das experiências dos “profa-
nos”, neste caso os trabalhadores rurais e têxteis de Magé, bem como suas implicações na
formação dessas forças construídas na política institucional, baseada na representação. Desse modo, visamos superar, em termos de análise, a ruptura recorrente entre profissionais da polí- tica (representantes) e profanos (representados), investindo na compreensão dos diferentes
tipos de rede de contato dos “de baixo” e suas variadas formas de mobilização. 216
O valor das lutas do passado
O Sr. já ouviu falar na ‘União dos Operários das Fábricas de Tecidos’ de Santo Aleixo? Pois então escute. Quando acabou a Primeira Guerra Mundial em 1918, correu aqui um boato de que a revolução social havia estourado na Europa e no Rio de Janeiro. Imediatamente os líderes da União dos Operá- rios das Fábricas de Tecidos, entre eles, o velho Guilhermino, fizeram um comício e depois marcharam a pé com o povo de Santo Aleixo com destino a Magé. O objetivo era tomar a cidade e dar-lhe um governo nitidamente ope- rário e popular. Lá chegando o povo, que estava desarmado, foi recebido e dispersado a bala por forças policiais. Alguns de seus líderes foram presos e torturados selvagemente, outros caçados como feras pelos matos. Vive aqui ainda um velho, que dormiu dentro de um buraco, feito [no meio do] mato, durante mais de 15 noites. 217
A fala do tecelão contramestre Agenor dos Santos ao repórter do jornal comunista Tri-
buna Popular fez menção a uma das manifestações operárias mais antigas que se tem notícia
em Magé: a “Greve do Pano” 218, ocorrida em novembro de 1918. A paralisação foi iniciada por meio de um sinal convencionado para que todos os tecelões suspendessem seu trabalho e carregassem para casa cortes de tecidos, daí o nome como ficou conhecida esta greve. Naque- le mês, eclodiu uma greve geral no Rio de Janeiro e os primeiros a entrarem na luta foram os
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BOURDIEU, Pierre. A representação política: elementos para uma teoria do campo político. In: ______. O poder simbóli- co. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. 2 ed. p.185.
215
BOURDIEU, Pierre. op.cit. p.190. 216
Sobre as redes de contato da classe trabalhadora (seus vínculos densos e de amplo alcance). Cf. SAVAGE, Mike. Classe e história do trabalho. In: BATALHA, Cláudio Henrique de Moraes; SILVA, Fernando Teixeira da; FORTES, Alexandre (org.). Culturas de classe: identidades e diversidade na formação do operariado. Campinas, SP: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), 2004. pp.25-48; e ________________. Espaço, redes e formação de classe. In: Revista Mundos do Trabalho. v.3. n.5. jan-jun/2011. pp.06-33.
217
Tribuna Popular. 13/04/1946. p.8. 218
Conforme já salientamos no capítulo anterior, a greve foi assim denominada pelos operários mais antigos em entrevistas,
tendo o episódio, embora não denominado como “Greve do Pano”, sido noticiado por diversos jornais do Rio de Janeiro e
relatado em um livro de memórias. Cf. FERNANDES, Antônio de Paiva. Magé durante o Segundo Império e os primeiros tempos da República: a história de uma abnegada mulher. Rio de Janeiro: s/ed, 1962. Ao pesquisarmos periódicos anteriores a 1918, encontramos outras referências a protestos e greves dos tecelões em Magé. Cf. Jornal do Brasil. 12/08/1898. p.2; O Século. 23/07/1910. p.2; O Paiz. 17/09/1911. p.3; e A Noite. 25/02/1915. p.2. Cabe, portanto, maior estudo sobre este perío-
do, que logicamente não abrange os objetivos deste trabalho. De qualquer forma, a “Greve do Pano” é a manifestação mais
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tecelões. Na Capital Federal, o movimento conhecido como “Insurreição Anarquista” logo foi
sufocado pela polícia. Entretanto, em Magé, mais especificamente em Santo Aleixo, ele ad- quiriu um pouco mais de fôlego. Na ocasião, a União dos Operários em Fábricas de Tecidos reivindicava liberdade de pensamento, seis dias de trabalho por semana, salário mínimo e oito horas de trabalho por dia. 219
Ao final, o impasse agravou a situação. Casos de depredações, dinamitamento e sa- ques foram registrados por ocasião do movimento, que foi duramente reprimido pelas forças policiais. Operários que não concordavam com a greve ou estavam com medo da repressão procuravam dar fim aos tecidos, queimando-os, enterrando-os no quintal ou deixando-os no portão das fábricas, ao anoitecer. Mas alguns grevistas foram presos. Tanto é que na comemo- ração ao 1º de Maio de 1919, os dirigentes da União dos Operários em Fábricas de Tecidos realizaram, nas escadarias do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, “um veemente protesto
contra o encarceramento de cinco trabalhadores na cadeia de Magé, (...) por ocasião dos acontecimentos de novembro último”. 220
Interessante observar que esta greve também foi lembrada de forma heroica para além dos trabalhadores locais. No periódico comunista Novos Rumos, em 1962, em uma coluna
chamada “Teoria e Prática”, Apolônio de Carvalho citava a greve dos tecelões de Magé “em 1920” (sic) como demonstração da “inadiável necessidade de um partido político indepen-
dente e de um programa de ação política” 221
. O próprio Otávio Brandão, um dos primeiros teóricos do PCB, em entrevista ao CPDOC/FGV, relatou ter conhecido um dos operários atu-
antes no movimento, o tecelão Guilhermino Leite, que desde então passou a compor uma “lis- ta negra” das fábricas de tecidos, obrigando-o trocar de profissão222
. O jornal Voz Operária, ao publicar matéria, em 1950, sobre as lutas operárias no Brasil, assinada por Maurício Vi- nhas, também citou a greve ocorrida em Magé, porém em tom de crítica, pois os operários “derrubaram as autoridades locais, mas – como eram anarquistas – cruzaram os braços e
ficaram esperando que a felicidade descesse dos céus. Não é difícil imaginar o que desceu
por causa desse erro ideológico, que desarmou os operários...” 223
. Outra referência relevante é a do historiador russo Boris Koval, da Academia de Ciências da URSS, que elevou o episó-
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Jornal do Brasil. 23/11/1918. p.5. 220
A Razão. 02/05/1919. Apud. BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. O Ano Vermelho: a Revolução Russa e seus reflexos no Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2004. p.244.
221 Novos Rumos. 06 a 12/07/1962. p.4. 222
REGO, Otávio Brandão. Otávio Brandão (depoimento, 1977). Rio de Janeiro, CPDOC, 1993. 223
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dio de 1918 em Magé à “proclamação de uma República Operária, que durou alguns di-
as”.224
A partir desta greve, começaram a surgir associações e sindicatos no município, sob diversas orientações. Uma das primeiras que se tem registro é a Associação dos Operários da América Fabril. Fundada em 1919, constituía-se como uma associação patronal da Compa- nhia América Fabril, de caráter assistencialista, atendendo não apenas aos operários da Fábri- ca Pau Grande, em Magé, como também de outras indústrias têxteis da companhia no Distrito Federal: as fábricas Cruzeiro, no bairro do Andaraí; Bonfim e Mavilis, no Caju; e Carioca, na Gávea 225. Também em 1919, jornais de Petrópolis noticiaram a ocorrência de “meetings” (reuniões) e greves dos operários da Fábrica Cometa, localizada no Meio da Serra, divisa en- tre o referido município e o de Magé. 226
Em 1923, foi criada a Associação Beneficente Operária Mageense, com o objetivo de auxiliar seus sócios em caso de enfermidades e seus familiares em caso de falecimento. No ano de 1926, foi fundada a União Beneficente dos Operários da Fábrica Magé, que visava promover “a união da classe, defender seus interesses legais, disseminar a instrução entre os
associados, bem como prestar-lhes auxílio pecuniário”.227 Essas associações mutualistas ti- nham que registrar seus estatutos em cartório e comunicar sua existência à polícia, mantendo- a informada das alterações estatutárias e das mudanças de diretoria, conforme preconizava o Código Civil de 1916 em relação às sociedades operárias. 228
Paralelamente a estas associações, a União dos Operários das Fábricas de Tecidos de Magé, citada por Agenor dos Santos como responsável pela greve de 1918, manteve sua atua- ção na década seguinte, realizando reuniões juntos aos tecelões de cada fábrica, passeatas com banda de música e também comícios, onde propagavam a importância da vida associativa e estreitavam os laços entre os trabalhadores das indústrias locais, conforme notícia publicada no jornal da Federação dos Trabalhadores do Rio de Janeiro:
Os operários que trabalham na Fábrica de Tecidos Pau Grande enviaram-nos uma reclamação justa. Nessa fábrica labutam para mais de 200 operários. A sua diretoria é composta de ingleses violentos e [inelegível] que querem es- cravizar os trabalhadores, auxiliados, nessa prepotência, pelos capangas. Os
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KOVAL, Boris. História do Proletariado Brasileiro: 1857 a 1967. São Paulo: Editora Alfa-Omega, 1982. p.150. 225
WEID, Elisabeth von der; BASTOS, Ana Marta Rodrigues. O Fio da Meada: Estratégia e Expansão de uma indústria têxtil: Companhia América Fabril 1878/1930. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986. p.188.
226
FILHO, Oazinguito Ferreira da Silveira. Anarquismo em Petrópolis?. Instituto Histórico de Petrópolis. Disponível em: <http://www.ihp.org.br/colecoes/lib_ihp/docs/ofsf20071022t.htm>. Acessado em 01 de maio de 2009.
227 CARTÓRIO DO 3º OFÍCIO DE MAGÉ. Livro de Registro de Pessoas Jurídicas. n.1.1910-1966. fls.25-36; 44-45. 228
BATALHA, Cláudio Henrique de Moraes. O movimento operário na Primeira República. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. pp.20-21.
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operários fabris de Santo Aleixo reclamam, porém, se não forem atendidos saberão defender sua dignidade. 229
Ao final dos anos de 1920, é formada a Aliança Operária das Fábricas de Magé, enti- dade de orientação comunista, que chegou a manter uma escola para os tecelões na sede do município 230. Tudo indica que a “aliança” herdou o capital político da “união”.
Apesar de ainda não configurar propriamente como um sindicato, a Aliança Operária conseguiu participar ativamente das mesas de negociação junto ao patronato, assim como manter relações estreitas com outras entidades de classe, conforme demonstra o conteúdo de um panfleto distribuído pelo Comitê de Apoio e Defesa dos Grevistas da Piedade, no Rio de Janeiro, em 1931, e apreendido pela polícia: “Companheiros e companheiras das fábricas de
tecidos do Rio, Niterói, Petrópolis, Magé, Santo Aleixo, São Paulo e todo Brasil... apoiemos os grevistas da Piedade!”. 231
Também nos relatórios apresentados pela Prefeitura Municipal de Magé ao Interventor do Estado do Rio de Janeiro nos anos posteriores à Revolução de 1930, foi possível perceber a ocorrência de “diversos incidentes de caráter social”, sobretudo após a chamada “Lei de
Sindicalização”, promulgada em 1931, reconhecendo e subordinando os sindicatos ao Minis-
tério do Trabalho, Indústria e Comércio, recém criado. Nesse contexto, a Aliança Operária de Magé foi reorganizada, podendo participar mais ativamente das mesas de negociação junto ao patronato. 232
Estas discussões passaram a ser frequentemente mediadas pelo prefeito interventor no governo municipal e acompanhadas por representantes do Departamento do Trabalho do Es- tado do Rio de Janeiro.
(...) É fácil imaginar a importância capital que assumem para este Município as questões de ordem social, que receberam entre nós um incremento novo com a vitória da revolução, com a decretação de leis trabalhistas, e enfim com o eco das conquistas da sociologia moderna. Repetidas vezes temos si- do chamados para solucionar casos operários, originados em desentendimen-
229
Voz do Povo. 09/06/1926. p.1. 230
MAGÉ (RJ). Relatório apresentado ao Exmo. Sr. Interventor no Estado do Rio Comandante Ary Parreiras pelo Prefeito Gilberto H. de Bacellar. Prefeitura Municipal de Magé: s/d, 1933. p.13. Além da Aliança Operária, as fábricas Pau Grande e Mageense mantinham escolas para os operários, com cursos noturnos e diurnos.
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ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (APERJ). Catálogo de panfletos apreendidos pela Delega- cia Especial de Segurança Política e Social – DESPS (1933-1944). Rio de Janeiro: Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), 1999. Panfleto nº 242. p.45.
232
Em 26/04/1931, um representante do Departamento Nacional do Trabalho visitou a localidade de Pau Grande, tendo em vista a resistência imposta pela Companhia América Fabril aos seus operários, não permitindo que se associassem aos traba- lhadores de outras fábricas de tecidos do município. Na ocasião, foi consolidada a sindicalização destes tecelões e organizad a a Aliança Operária de Magé, Andorinhas e Pau Grande. Cf. O Globo. 27/04/1931, p.1. Há também registros, via imprensa, de que o Ministério do Trabalho reconheceu, em 1934, o Sindicato da Lavoura do Município Fluminense de Magé, informação que carece de um estudo mais aprofundado. Cf. Correio da Manhã. 10/10/1934. p.2.
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tos entre patrões e operários (...). Lutando com as dificuldades oriundas de uma legislação ainda recente e incompleta, aplicada a um meio, desprovido da necessária cultura social, explorado, por vezes, por pseudo líderes operá- rios, temos felizmente conseguido, apesar de tudo, graças ao instinto clarivi- dente e sensato da massa operária achar soluções satisfatórias para os casos proletários surgidos ultimamente neste Município (...). 233
Por vezes, no entanto, as formas de atuação dos trabalhadores têxteis de Magé eram criticadas pelos mediadores dos conflitos, sob a alegação de que a “interpretação e aplicação
prática das novas leis sociais”, bem como a “percepção nem sempre exata do espírito da
nova legislação, por parte dos proletários” contribuíam para o estado de “inquietação operá-
ria”. 234
Em situações de impasse, sentindo-se desrespeitados e com vários companheiros pre-