• Sonuç bulunamadı

1.5. ARAŞTIRMANIN VARSAYIMLARI

2.1.1. Nitelikli Öğretmen Kavramı

Os catadores expressaram várias manifestações de inserção desigual no interior da cadeia de reciclagem, especialmente no que se refere à sua relação com as empresas intermediárias, cuja conformação interfere direta ou indiretamente em seu cotidiano de trabalho. Os trabalhadores destacaram que o catador é o único elo deste circuito econômico a obter a menor renda durante a comercialização dos materiais, ficando a maior parte da rentabilidade voltada para o topo da cadeia de reciclagem.

6 O termo Lumpenproletariat significa proletariado em farrapos e inclui os trabalhadores que vivem em condições miseráveis, como indigentes, sem possibilidade de empregar-se, sendo considerados como superpopulação relativa em sua forma excluída, na esfera do pauperismo (MARX, 1988).

Ah, eu acho, eles lucram muito mais! No ramo de papelão, não é grande coisa pra gente, porque eles pagam 20 centavos e vende a 80. Aonde já se viu, um quilo de arquivo custar oito centavos, entendeu? É uma miséria. Você tem que catar quase um caminhão pra ganhar lá, 50, 60 real. Mas é assim que é! Fazer o quê? (Simone).

Aqui o que você vê é tudo centavos, a única coisa que é dois real é a latinha! Na parte deles, eles vai vender a três, ganha em cima. E a metalúrgica ganha em cima disso, as fábrica. É um em cima do outro, entendeu? (Samuel).

O catador é o principal da história, e é o que é mais prejudicado e menos remunerado (...) Se um quilo de PET vale 1 real, quantas PET você acha que vai ter que dar pra dar um quilo? O reciclador tá sempre abaixo! Lá na frente, o grande é que vai ter o lucro! O catador mesmo não vai ter o lucro. Pra ele é vendido por miséria. Ele tem um trabalho danado, ele toma sol, ele passa dificuldade, ele corre risco de pegar uma doença, mas o lucro fica lá na frente, não fica pra ele, entendeu? (Sandra).

Na compreensão da dinâmica do processo de valorização, observa-se que (...) não basta produzir, mas é necessário fazê-lo sob condições que permitam vender o produto com lucro (LAURELL; NORIEGA, 1989, p.105). Por conseguinte, a condição laboral do catador fica reduzida ao mínimo de custo possível, expressa pela baixa renda adquirida apesar das características exaustivas e danosas de sua atividade, o que constitui aspecto crucial para o crescimento dos demais componentes da cadeia (MOTA, 2002; MARIATTI, 2009; IPEA, 2013).

A visão dualista e fragmentada do mercado de trabalho (ou setor formal versus setor informal), intensamente criticada por Milton Santos (2009), é por ele substituída pela concepção de circuito superior e inferior. A partir desses conceitos, entende-se que a economia urbana, embora composta de dois subsistemas, deve ser estudada como um corpo único e interligado. Para o autor, o circuito superior é entendido como oriundo da modernização tecnológica, representado pelos monopólios, enquanto o circuito inferior é formado por atividades de pequena escala, desempenhadas comumente pelas populações pobres (SANTOS, 2009). Tal conformação pode ser observada, respectivamente, nos elos superiores da cadeia de reciclagem, compostos pelas grandes indústrias recicladoras no país, e pelo trabalho do catador, submetido à lógica deste circuito superior.

Santos (2009, p.43) destaca ainda que (...) de qualquer maneira, quem permanecer fora do mundo do emprego permanente ainda assim não está perdido para a economia como um todo . Por conseguinte, o trabalho do catador, embora aparente uma atividade sem geração de valor, visto que consiste na coleta dos chamados resíduos urbanos ou lixo, culmina na produtividade e lucratividade dos demais elos da cadeia de reciclagem, evidenciando a interdependência destes circuitos. Ainda, embora interligados, a desigualdade entre ambos é evidente, como descreve o referido autor (2009, p.51):

A idéia de lucro é diferente em cada um (...): no superior é uma questão de acumulação do capital, indispensável para a continuação da atividade e para sua renovação em relação ao progresso tecnológico; no inferior, a acumulação de capital não constitui o objetivo mais importante; na verdade, frequentemente nem existe. A sobrevivência e a garantia de satisfação das necessidades da família no dia a dia são as preocupações mais importantes.

Com o objetivo de expressar visualmente a cadeia de reciclagem e o papel do catador dentro desse processo produtivo, uma das catadoras criou e comentou a fotografia a seguir.

Figura 8 Fotografia produzida pela catadora Sandra.

Descrição: Nessa foto eu quis focar também esse prédio, pra ver lá de baixo, e até em cima. Ou seja, do menor, do catador, ao empresário de um prédio. Eu quis

mostrar isso também. Que tanto faz o empresário estar lá em cima, como também o catador, porque é um serviço digno, tá bom? Pra que ele chegue lá em cima, o catador tá aqui embaixo... (Sandra).

Essa fala mostra que, ao mesmo tempo em que estes trabalhadores são desvalorizados em seu contexto de trabalho, eles compreendem o papel essencial que possuem no funcionamento da cadeia de reciclagem, buscando reafirmar sua dignidade e importância enquanto trabalhadores fundamentais no processo. Ainda assim, esta imagem, imersa no cotidiano dos centros urbanos, por sua disparidade social, resulta na aparente desvinculação da influência do catador na valorização do capital. A própria imagem do social, na figura do catador garimpando os resíduos em busca do material reciclável, omite o complexo processo executado, que no seu interior revela o papel crucial desses trabalhadores no avanço das indústrias recicladoras no país por meio da geração de matéria- prima reciclada, que reduz custos para diversas empresas nacionais e internacionais (BOSI, 2008; IPEA, 2013).

As empresas intermediárias, além de pagarem um preço ínfimo pelos materiais, têm seus preços de compra dos produtos em constante instabilidade, devido às frequentes oscilações do mercado da reciclagem (LONG, 2000; PALACIO; GUZMÁN; SALAZAR, 2008; BOSI, 2008). Santos (2009) descreve a existência desta dinâmica entre os circuitos superior e inferior, sendo que no circuito superior os preços de circulação dos produtos em geral são fixos, ao menos em termos oficiais, enquanto no circuito inferior o preço da mercadoria não é fixo e suas variações são acentuadas (2009, p.50).

Por conseguinte, os catadores entrevistados relataram que os preços pagos pelos materiais recicláveis sofrem redução em períodos de aumento do consumo e maior geração de resíduos urbanos, incluindo épocas festivas ou feriados nacionais. Eles também destacaram que tais valores costumam ser homogêneos entre os depósitos, reduzindo ainda mais a possibilidade de negociação e busca de melhor renda por parte dos catadores.

Pra você ver, você vai em um depósito grande, o papelão é 25 (centavos por quilograma). Você vai no outro da Joana, é 25 também, e era um ferro velho muito maior. Então eles paga do jeito que quiser. É complicado (Antônio).

A PET, como eu te falei, tá 80 centavos. Então a gente reclama, e fala, pô, não vai aumentar nem um pouquinho? Aí eles dizem, ah, na outra semana vai ter aumento. De repente, era 80 centavos e passa pra 82 centavos! É brincadeira! Mas a realidade é essa. E tem época que o reciclado dá mais, por quê? Em época de festa eles sabem, eles vão catar muito papelão, muita latinha, então se é dois e cinquenta, dois reais, passa pra um e cinquenta. Aí você vai em outro depósito e eles combinam, tá o mesmo preço. Então, é pegar ou largar. Agora no nosso é só largar mesmo, porque como você vai estocar em casa? E você vai comer o quê? Vai comer latinha? Vai comer papelão? Então o catador de lixo ele não tem opção (Luiz).

Em estudo sobre o universo da reciclagem e a inserção econômica dos catadores, Bosi (2008) destaca a questão da instabilidade dos preços neste circuito. Segundo o referido autor, a sazonalidade dos valores dos materiais recicláveis sofre interferências do mercado internacional, da relação produção/demanda e da política cambial nacional (por exemplo, a oscilação do dólar), interferindo na renda adquirida pelos catadores, que comumente são os principais afetados (BOSI, 2008).

Mesmo angariando uma maior quantidade de material reciclável, os catadores nem sempre conseguem aumentar seus recursos financeiros, influenciados pela lógica de mercado no capitalismo globalizado. O pouco poder de voz, a subjugação e a volubilidade e baixos ganhos obtidos com a coleta de recicláveis intensificam, portanto, sua precariedade laboral.