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1.5. ARAŞTIRMANIN VARSAYIMLARI

2.1.4. Bazı A.B. Ülkelerinde ve A.B.D ’de Sınıf Öğretmeni Yetiştirme ve

2.1.4.3. İngiltere

Para Marx, a matéria na qual o trabalhador aplica seu trabalho é denominada objeto de trabalho, definindo que:

A terra, como fonte original de víveres e meios já prontos de subsistência para o homem, é encontrada sem contribuição dele, como objeto geral do trabalho humano. Todas as coisas, que o trabalho só desprende de sua conexão direta com o conjunto da terra, são objetos de trabalho pré-existentes por natureza. Assim, o peixe que se pesca ao separá-lo de seu elemento de vida, a água, a madeira que se abate na floresta virgem, o minério que é arrancado de seu filão. Se ao

contrário, o próprio objeto de trabalho já é, por assim dizer, filtrado por meio de trabalho anterior, denominamo-lo matéria-prima. Por exemplo, o minério já arrancado que agora vai ser lavado. Toda matéria-prima é objeto de trabalho, mas nem todo objeto de trabalho é matéria-prima. O objeto de trabalho apenas é matéria-prima depois de já ter experimentado uma modificação mediada por trabalho (MARX, 1988, p.235).

O objeto de trabalho do catador é matéria-prima, visto que nos resíduos descartados há imprimido um ou vários processos produtivos prévios. Por exemplo, quando o catador encontra uma caixa de papelão, sabe-se que esta já foi produto de um ou mais trabalhos anteriores, trabalhos estes que lhe conferiram um valor de uso e um valor de troca7. Agora, porém, esta caixa de papelão

encontra-se como lixo, tendo sido desconsiderada sua utilidade, ou porque a mesma perdeu de fato as suas funções originais, ou porque seu consumidor lhe conferiu tal característica disfuncional, descartando-a.

Em uma análise ampla do objeto de trabalho, observa-se que o catador promove um importante processo de transformação valorativa do material descartado. A ação modificadora se dá a partir das mãos do trabalhador , ou seja, da aplicação de sua força de trabalho, ou do trabalho vivo, na renovação do caráter qualitativo deste objeto. Portanto:

(...) Por meio de sua atividade cotidiana, [os catadores] transformam o lixo (algo considerado inútil a princípio) em mercadoria outra vez (algo útil, dotado de valor de uso e de valor de troca). É por este processo que ocorre a ressignificação do lixo em mercadoria (IPEA, 2013, p.5).

Por conseguinte, observa-se que a lucratividade deste circuito econômico, que se dá com o trabalho do catador, ocorre por duas vias: pelo aproveitamento de um material que, embora descartado, tem nele embutido processos produtivos prévios, que agora podem ser úteis ao novo processo produtivo da reciclagem; e pelo benefício financeiro obtido também a partir do preço

7 O trabalho tem um duplo caráter: produz valores de uso, que satisfazem as necessidades, e produz valor (de troca), que está apoiado no intercâmbio de mercadorias no mercado em uma sociedade monetária e capitalista (ALTVATER, 2007, p. 330).

reduzido pago aos catadores na aquisição desses materiais interessantes ao mercado, ainda fetichizados como lixo ou algo dotado de pouco valor (GONÇALVES, 2006).

Sobre o processo de produção de mercadorias, Marx afirma que:

(...) Nosso capitalista não é movido por puro amor aos valores de uso. Produz valores de uso apenas por serem e enquanto forem substrato material, detentores de valor de troca. Ele tem dois objetivos. Primeiro, quer produzir um valor de uso que tenha um valor de troca, um artigo destinado à venda, uma mercadoria. E segundo, quer produzir uma mercadoria de valor mais elevado que o valor conjunto das mercadorias necessárias para produzi-la, isto é, a soma dos valores dos meios de produção e da força de trabalho, pelas quais antecipou seu bom dinheiro no mercado. Além de valor de uso, quer produzir mercadoria; além de valor de uso, valor, e não só valor, mas também valor excedente (MARX, 1988, p. 220).

Para Gonçalves (2006, p.116), o material reciclável não é um lixo qualquer (...), mas produtos que têm trabalho humano incorporado e que possuem determinado valor de troca para a indústria da reciclagem, o que possibilita a sua comercialização . Nesse sentido, os catadores ressaltaram a potencialidade transformadora que conferem a seu objeto de trabalho, destacando que por meio de sua ação laboral, eles renovam a condição outrora morta desses materiais, que agora são por eles enfatizados como materiais recicláveis, como vemos nas falas a seguir:

Catar lixo? Lixo não, misericórdia! (risos), catar reciclagem! (Marcos).

Não! Lixo é um, reciclado é outro! O lixo é o lixo orgânico né? E a reciclagem é garrafa, caixinha de leite, jornal, papelão, plástico duro, plástico fino, isso é reciclagem. (...) O papelão, ele volta em várias coisa! Ele volta em uma calça jeans, ele volta em um carro, plástico duro volta em caixinha de interruptor, volta em tudo. Tudo que eles vende, eles recolhe do lixo e faz tudo de novo! (Antônio). Ah, ele (o reciclado) vai virar vários objeto né, que eles vai correndo pra triagem, e vai ficar tudo novo outra vez, e volta, talvez até pra mim mesmo ele volta. É pra eu mesma que tirei, que joguei ali, e volta pra mim mesmo. A gente não sabe pra onde ele vai, a gente sabe que ele vai ser reciclado e vai ser renovado. Mas de lixo ele se torna novo! (Ana).

A reciclagem, pra algumas pessoas, é lixo né? Eles fala que é lixo! Eles não falam assim, catador de reciclável , eles falam assim, catador de lixo (risos). Eles acham que a gente tá catando lixo. Mas desse lixo, todos eles sai com dinheiro! (...) E sem catador, o reciclável é lixo, porque o caminhão de lixo vai pegar o reciclável e vai levar tudo embora! (Francisco).

Embora o catador promova a renovação daquilo que era material descartado, isso se dá a partir da venda de sua força de trabalho. Neste sentido, ao mesmo tempo em que ele confere o potencial de mercadoria ao que antes era lixo, isso ocorre somente pelas vias da deterioração de suas condições de trabalho e saúde. Em outros termos, enquanto o objeto de trabalho se torna produto renovado, o catador se desgasta física e mentalmente. Esta questão é sintetizada na fala de um dos catadores:

Oh, deixa eu falar uma coisa. Isso daí, quando fica velho, volta a ficar novo. E a gente, se a gente ficar velho, será que vai ficar novo de novo? Será que a gente vai sair novo do outro lado? (risos). Sai não! (Francisco).

Esta fala revela a condição principal do capitalismo na busca de valor excedente ou mais-valia: o uso intensivo da força de trabalho. Segundo Marini (1973), é a partir de três mecanismos principais que a mais-valia é extraída da classe trabalhadora: o aumento da jornada de trabalho, o aumento da intensidade do trabalho e um pagamento abaixo do valor da força de trabalho. Sobre isso, o autor relata que:

(...) nos três mecanismos considerados, a característica essencial está dada pelo fato de que são negadas ao trabalhador as condições necessárias para repor o desgaste de sua força de trabalho: nos dois primeiros casos [aumento da jornada de trabalho e aumento da intensidade de trabalho], porque lhe é obrigado um dispêndio de força de trabalho superior ao que deveria proporcionar normalmente, provocando assim seu esgotamento prematuro; no último [salário abaixo do valor da força de trabalho], porque lhe é retirada inclusive a possibilidade de consumo do estritamente indispensável para conservar sua força de trabalho em estado normal (MARINI, 1973, p.156).

No trabalho do catador, o processo de utilização da força laboral se mostra precarizada, na medida em que esses trabalhadores estão inseridos na informalidade e em condições sociais

deficitárias, tendo na necessidade de sobrevivência imediata e na baixa remuneração de seu trabalho os principais elementos propulsores do aumento do tempo e da intensidade laboral, formando um quadro de intenso processo de desgaste da saúde.

Por conseguinte, é possível identificar que as características do processo de valorização do capital influenciam no cotidiano de trabalho do catador, interferindo na conformação concreta de seu processo de trabalho. Este será caracterizado e analisado a seguir.