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Foi na Escola Normal Modelo da Capital que Lucia Joviano iniciou sua carreira como professora de Gymnastica na formação de professores. Mediante uma contratação para substituir a professora regente da cadeira de Gymnastica, Lucia assumiu essa cadeira, pela primeira vez, no ano de 1916113.

Aurelia Olyntho foi a primeira professora de Gymnastica da Escola Normal Modelo. A sua permanência, de forma oficial, nessa escola, entre 1910 e 1918, foi permeada por pedidos de licença para tratamentos de saúde, com justificativas assinalando que a instituição não possuía lugar adequado para a prática de Gymnastica e nem horários definidos para as aulas. Como abordado na introdução e no capítulo I deste estudo, entre os anos de 1916 e 1918, a professora de Gymnastica Aurelia Olyntho, proprietária dessa cadeira, solicitou pedidos de afastamento da regência. Foi quando Lucia iniciava seu percurso como professora de Gymnastica da Escola Normal Modelo da Capital.

Observamos o desenrolar dos pedidos de licença da professora Aurelia Olyntho e as substituições concedidas à Lucia Joviano no ano de 1917. Esse ano foi, para Lucia Joviano, o ano das substituições. Essa professora assumiu a cadeira de Gymnastica da Escola Normal Modelo da Capital em todas as oportunidades que foram surgindo, advindas dos pedidos de licença e afastamento da professora Aurelia Olyntho.

Exmo Sr. Dr. Secretario do Interior,

Incluso remetto a V. Ex. o requerimento da professora de Gymnastica desta Escola, D. Aurelia Olyntho em que pede um anno de licença para tratar de negocio. Tenho a informar que a requerente esteve em gozo de licença até o dia 30 de abril p. findo, sendo esta para licença requerida uma prorrogação que deve ser contada do dia 1º de maio findo. Saude e Fraternidade. O Director, Arthur Joviano. (12 de junho de 1917)114

Os motivos alegados por essa professora giram em torno dos tratamentos de saúde. Inicialmente, ela solicitou trinta dias de afastamento e, logo após, pediu um ano de licença115. A permanência de Aurelia Olyntho na Escola Normal Modelo da Capital foi instável, além dos pedidos de licença para tratamentos de saúde, MORENO et al.

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Correspondência Expedida / 1914-1917; p. 178; Instituto de Educação, Belo Horizonte. 29 de Novembro de 1916.

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Livro de Correspondência Expedida – 1914-1917. Instituto de Educação de Minas Gerais. 115

(2009) indicam que essa professora utilizava esses pedidos de licença como estratégia para que a escola providenciasse um local adequado para a prática de Gymnastica e horários definidos para as aulas, que até então não estavam estabelecidos.

Segundo o regulamento publicado pelo decreto N. 4524, de 21 de fevereiro de 1916116, os professores “interinos serão nomeados para reger as cadeiras vagas até que sejam providas effectivamente”; sendo assim, Lucia foi contratada como professora substituta, para assumir as aulas de Gymnastica na Escola Normal.

Exmo Sr. Dr. Secretario do Interior,

Para substituição da professora de Gymnastica d. Aurelia Olyntho, que requeriu um anno de licença, indico a professora D. Lucia Joviano que já a substituio na licença anterior. Saude e Fraternidade. O Director, Arthur Joviano. (02 de julho de 1917)117

O regulamento permitia a nomeação de um docente de forma interina e o diretor da instituição deveria indicar o nome desse docente. No ano de 1917, quem estava à frente do cargo de diretor era o professor Arthur Joviano, ou seja, esse professor indicou a sua filha para assumir o cargo. A contratação de Lucia Joviano foi viável, mediante o regulamento, a indicação do diretor e, também, pelo pedido de exoneração da professora Aurelia Olyntho118.

A cadeira de Gymnastica permanecia vaga, ou seja, sem um regente efetivo. Lucia ocupava esse cargo de forma interina, permanecendo até o ano de 1918. Em julho daquele ano foi aberto um concurso “para provimento da cadeira de Gymnastica” 119. De acordo com o regulamento do concurso, essa vaga “só poderia ser provida por uma senhora” e as candidatas deveriam “possuir a constituição physica necessaria para o exercicio do magisterio, podendo ajuntar trabalhos seus sobre a materia da cadeira em

concurso e documentos que provem sua capacidade profissional”. Relatou-se em nota

publicada no jornal Minas Gerais dos dias 01 e 02 de Julho de 1918120, que a única candidata ao cargo de professora de Gymnastica da Escola Normal Modelo da Capital

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Decreto N. 4524, de 21 de fevereiro de 1916. Promulga o regulamento que unifica o ensino nas escolas normaes modelo, regionaes e equiparadas do Estado.

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Livro de Correspondência Expedida – 1914-1917. Instituto de Educação de Minas Gerais.

118 Livro de Registros Gerais 1917 – Nomeação da professora substituta para a cadeira de gymanastica. 119 Jornal Minas Geraes, 30 e 31 de Março, 01 e 02 de Abril de 1918.

120 Jornal Minas Geraes, 01 e 02 de Julho de 1918. “Encerrou-se hontem a inscripção no concurso para provimento da cadeira de gymanastica, tendo-se inscripto uma unica candidata, d. Lucia Joviano, que está exercendo interinamente aquella cadeira do curso normal”.

havia sido Lucia Joviano, ressaltando-se, também, que essa professora já estava exercendo interinamente a regência da cadeira na instituição.

Lucia Joviano atendia, se não todos, a maioria dos requisitos solicitados para a aprovação: já possuía diferentes vivências na instituição – tanto como aluna quanto como professora substituta – que comprovavam a sua condição física adequada para o magistério, como também a sua capacidade profissional. Aprovada no concurso, Lucia Joviano tornou-se professora efetiva da cadeira de Gymnastica da Escola Normal Modelo da Capital; tomou posse no dia 23 de julho de 1918 121.

Quatro anos após a data de conclusão do Curso Normal, Lucia Joviano assumiu a cadeira de Gymnastica da mesma instituição que a formara; substituía, assim, a sua ex-professora de Gymnastica, e compunha o corpo docente da escola onde seu pai ocupava a função de diretor.

2.3 Ser professora no Rio de Janeiro

A presença de Lucia Joviano como professora de Gymnastica na Escola Normal Modelo da Capital encerrou-se em 1924. Da mesma forma que procedeu a professora de Gymnastica Aurelia Olyntho, Lucia vinha solicitando diferentes pedidos de licença desde 1922, com a justificativa de tratamentos de saúde.

Portanto, a sua prática docente entre os anos de 1922 e 1923, apresentou-se inconstante.

Exmo. Sr. Dr. Secretario do interior

Cumprindo o despacho exarado no requerimento junto, cabe-me informar aV. Ex. que a ex-professora de Gymnastica desta Escola, D. Lucia Joviano, durante o anno lectivo findo, esteve em gozo de licença por quatro mezes (maio a agosto), para tratamento de saude, attesto amis dois mezes (setembro e outubro), em prorogação, para o mesmo fim. Foi substituída, nesse imperimento, no mez de maio, pela normalista Edith Soares, e nos demais pela professora D. Benjamira Flôres. – No dia 17 de Novembro daquele anno, D. Lucia Joviano assumio o exercicio da cadeira, e na folha de pagamento desse mez- foi- lhe consignada a importancia de 43$329, relativos aos treze dias de exercicio. – No mez de Dezembro esteve ela igualmente em exercicio, funccionando como examinadora na 4ª Comissão, nos exames de Pedagogia, musica e Gymnastica, sendo-lhe consignada,

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nesse mez, da folha de pagamento, a importancia de 230$000. Das folhas de pagamento, referentes aos mezes de Janeiro e Fevereiro de 1923, foi consignada, respectivamente, a importancia de 230$000. São nestas as informações que me conferiu prestar a V. Ex., de acordo com a escripta da Secretaria da Escola. Peço venia para ponderar que, na Secretaria das Finanças, deverão estar convenientemente registrado todos os pagamentos feitos à requerente e à sua substituta D. Benjamira Flores, figurando-se-me que V. Ex. deverá registrar dessa Secretaria as informações que julgar de mister para averiguar os “Descontos de Vencimentos”, conforme as allegações pela requerente. Saudações cordiaes.O Director, Arduino Bolivar.122 (6 de Dezembro de 1923)

Na correspondência endereçada à Secretaria do Interior, o então diretor da Escola Normal Modelo da Capital, Arduíno Bolivar, resume a situação de Lucia Joviano durante os anos de 1922 e 1923. Em maio de 1922, a professora de Gymnastica solicitou uma licença de quatro meses de duração; em agosto desse mesmo ano, ela solicitou uma prorrogação de três meses de licença. Ambos os pedidos de afastamento foram justificados com atestados médicos indicando a necessidade de tratamento de saúde123. Nesses sete meses de licença, Lucia Joviano foi substituída pela normalista Edith Soares, a princípio, e de forma mais recorrente pela professora Benjamira Auxiliadora Flôres. Lucia retornou à Escola Normal Modelo da Capital no mês de novembro de 1922, para compor a banca examinadora do exame de pegadogia, musica e Gymnastica, em dezembro de 1922. A professora ainda iniciou o ano de 1923 como docente da cadeira de Gymnastica, tendo exercido sua função nos meses de janeiro e fevereiro daquele ano 124.

Assim como seu pai, Arthur Joviano, Lucia também requer seu pedido de exoneração do cargo de professora de Gymnastica da Escola Normal Modelo da Capital. A congregação dessa instituição resolve iniciar no dia 3 de julho de 1924 o processo para concurso para provimento da cadeira de Gymnastica da escola. Como resultado, a professora Anna Luisa de Araujo foi efetivada no cargo125.

O final do ano de 1923 e início de 1924 referem-se ao momento em que Arthur e Lucia encerram as suas participações na Escola Normal Modelo da Capital. Essa constatação foi feita através das datas presentes nos pedidos de afastamento, licença e

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Livro Copiador – 1920. Instituto de Educação, Belo Horizonte. 123

Não se sabe os motivos desses tratamentos, os documentos acessados para identificar os pedidos de licenças não trazem nenhum indício de doenças ou outros motivos.

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Livro Copiador – 1920. Instituto de Educação, Belo Horizonte. 125

exonerações realizados. Esse período marca também o momento em que Lucia Joviano transfere-se para o Rio de Janeiro. É importante dizer que não é possível afirmar se pai e filha mudaram-se para a Capital da República simultaneamente; porém, sabe-se que notícias sobre a presença de Lúcia no Rio de Janeiro começam a circular no ano de 1923. Já indícios sobre a circulação de Arthur Joviano foram percebidos um ano antes, como já analisado no capítulo I desse estudo.

O jornal fluminense O Paiz, do dia 1º de maio de 1923 publicava: Docentes contratados para a Escola Normal

Por exceder o numero de turmas de alumnos de algunas disciplinas da Escola Normal do numero de cathedraticos e docentes das mesmas disciplinas (...) autorizou a contratar para as turmas restantes os seguintes senhores: (...) Lucia Joviano, Margarida Fryer, Noemi Santos e Dajmar da Costa, para Educação Physica.126

O desligamento de Lucia Joviano da Escola Normal Modelo e a sua inserção na escola fluminense ocorrem quase que de forma simultânea. Recém-desvinculada, oficialmente, da Escola Normal mineira, Lucia Joviano, em maio de 1923, inicia sua prática docente na Escola Normal do Distrito Federal, na cidade do Rio Janeiro, tendo sido uma das professoras contratadas.

A permanência de Lucia nessa instituição de ensino não foi um processo simples e tranquilo como aconteceu em Minas Gerais. Lá, a única professora de Gymnastica, Aurelia Olyntho,solicitava uma licença e o nome de Lucia era indicado de maneira imediata; vale lembrar que a indicação era feita pelo próprio professor da cadeira, pela congregação e pelo diretor, no caso seu pai Arthur Joviano, que aprovava a indicação127. Já no Rio de Janeiro, no início da sua carreira na Escola Normal fluminense, os contratos e demissões faziam parte da trajetória de Lucia.

“Festa acabada... Músicos a pé”. Essa foi a manchete utilizada pelo jornal A Noite para noticiar que alguns professores regentes da Escola Normal do Distrito Federal haviam sido dispensados no mês de novembro de 1923; Lucia Joviano fazia parte desse conjunto de professores. Ao analisar a expressão “Festa acabada”, percebe- se o tom sarcástico do articulista, indicando que os professores não mais poderiam dar aulas naquele estabelecimento por meio de um simples contrato. Sem explicações, o

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O Paiz. Terça-feira, 1 de maio de 1923. 127

Decreto N. 2836, de 31 de maio de 1910. Approva o regulamento que reorganiza as escolas normaes do Estado. Decreto N. 3123, de 6 de março de 1911. Approva o Regimento Interno da Escola Normal da Capital.

jornal apenas registra a dispensa de um número considerável de professores que haviam sido contratados para reger as aulas na Escola Normal128.

Entre os anos de 1923 e 1926, Lucia Joviano procurava estabilizar-se como docente da Escola Normal do Distrito Federal, entre as contratações e dispensas efetuadas pelo governo do Rio de Janeiro. A professora Lucia estava vinculada a essa instituição de ensino, como professora contratada, quando, ao final do ano de 1926 surgiu uma possibilidade efetivação daqueles professores que estavam atuando na escola naquele ano. No entanto, no dia 22 de dezembro de 1926, o jornal Gazeta de Notícias publicava, com a chamada “A Escola Normal não precisa de mais professores”, o veto do governo municipal á resolução que sugeria a efetivação de professores. O argumento apresentado baseava-se na não necessidade de mais professores na escola, já que essa instituição escolar possuía 22 cathedraticos e 158 docentes para uma frequência de 800 alunos, e esses números eram suficientes. 129

Entretanto, situação de professora contratada altera-se em 1927 quando foi nomeada docente efetiva130:

Nomeação de docente effectiva

O Prefeito do Distrito Federal – Resolve effectivar Lucia Joviano no logar de docente da cadeira de Educação Physica da Escola Normal do Distrito Federal, de accordo com o decreto legislativo nº 3.236 de 20 de Outubro de 1927. Distrito Federal, 24 de Novembro de 1927131.

Ao final do ano de 1927, Lucia Joviano se firmava como professora de Educação Physica da Escola Normal do Distrito Federal. Há de se comentar que Lucia não era a única professora de educação physica dessa instituição, ao contrário do que acontecera em Minas Gerais132.

Além de não ser a única professora de Educação Physica, Lucia inicia sua carreira na Escola Normal do Distrito Federal com a titulação de “docente” da cadeira

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A Noite. Quinta-feira, 22 de novembro de 1923. 129

Gazeta de Noticias, 22 de dezembro de 1926. 130

Segundo Accácio (2010), os “docentes efetivos regem turmas, participam e presidem bancas de exames de alunos matriculados e de concursos de admissão [...] são chamados a substituir outros professores que se encontram em afastamentos temporários, assumindo a regência de suas turmas durante período determinado [...] representam, ainda, a Escola Normal em Congressos, Conferências”. Os docentes eram hierarquicamente inferiores nas questões salariais e de responsabilidades quando comparados com os professores catedráticos.

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Livro de Nomeação e dispensa dos funcionários e empregados da Escola Normal do Distrito Federal. 27/10/1925 a 14/05/1932. Instituto de Educação do Rio de Janeiro.

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A alteração do nome da rubrica de Gymnastica para Educação Physica será abordada no próximo capítulo.

de Educação Physica. Essa categoria possuía status inferior à do chamado “professor assistente” e à do “professor catedrático”. Segundo Accácio (2004), a “Reforma do Ensino, sancionada em 1928, estabelece que o corpo docente da Escola Normal do Distrito Federal será constituído por professores catedráticos e seus assistentes e preparadores” (professores docentes).

Lucia Joviano se tornou professora docente na Escola Normal do Distrito Federal no mesmo ano em que Fernando de Azevedo iniciou suas propostas reformadoras na Diretoria de Instrução Pública no Rio de Janeiro. Uma das suas ações que afetaram diretamente a organização da escola foi banir os “favoritismos políticos nas nomeações e promoções – forma frequentemente observada de ingresso de professores na Escola Normal”, instaurando as classificações por meio de concursos públicos. Os concursos constavam de “arguição de tese, prova escrita sobre ponto sorteado com 24 horas de antecedência, prova de aula e prova prática em algumas disciplinas” (ACCÁCIO, 2000).

Diante dessa questão, uma dúvida surge: será que Lucia Joviano se submeteu a esses concursos? Quando escreve sobre a construção da profissão docente na Escola Normal do Distrito Federal, Liéte Accácio (2000) alimenta esse questionamento. A autora analisa três teses apresentadas em um concurso para a cadeira de Educação Physica, aberto em 1929.

Na primeira tese, de autoria feminina e chamada "Da Educação Física como Fator de Regeneração da Raça", as principais questões defendidas giram em torno “dos fatores de degeneração da raça, de erros alimentares, do sedentarismo” e a indicação da “Educação Física como o fator por excelência de regeneração da raça” (ACCÁCIO, 2000).

O segundo candidato produziu uma tese com o título: "Da Educação Física como Fator Primordial de Brasilidade". Nela, o autor defende a ideia de uma nação cívica e da "raça conscientemente unitária, cada brasileiro sentindo brasileiramente o Brasil". Sobre a sua defesa, Accácio (2000) comenta:

Entretanto, no seu afã de conseguir a classificação, investe no preconceito contra a mulher. Frisa que a mulher não pode ocupar o cargo de professora de ginástica, principalmente numa Escola Normal para moças, "já devido a fatores morais [...] já pelos fatores de sua economia orgânica, que lhe dão uma flutuação de temperamento

natural." Como entre seus concorrentes há duas mulheres, torna-se fácil adivinhar seu alvo mais imediato.

É interessante ressaltar o preconceito declarado do candidato em relação às mulheres; e isso é ainda mais significativo ao se considerar que ele concorria com duas professoras. A terceira candidata, como vimos, era uma mulher; elaborou uma tese e a nomeou como "Da Ginástica Rítmica e suas Modalidades na Educação Física Feminina". Sobre essa tese, Accácio (2000) tece sua interpretação:

A tese trata da educação física do ponto de vista fisiológico, e do desenvolvimento mental e físico através da infância, puberdade e adolescência. Funcionalista, considera a finalidade da escola "dar à criança uma educação geral e um desenvolvimento harmonioso de suas faculdades e funções". Trata das modificações da escola moderna, da metodologia de uma aula de ginástica, de testes, da história da educação física.

Ao atentar para as interpretações produzidas por Liéte Accácio sobre as teses de Educação Física, percebemos que a última tem uma característica diferente das demais. Ao falar da infância, da puberdade, da adolescência, da finalidade da escola, da escola moderna e de metodologias, essa tese demonstra uma preocupação de cunho pedagógico; é uma tese que fala mais de uma instituição escolar e de uma educação física na escola, ao contrário das duas primeiras teses que abordam questões mais amplas da Educação Física.

Ainda nessa tese, chamada "Da Ginástica Rítmica e suas Modalidades na Educação Física Feminina", o tema sobre o feminino coincide com um dos lugares em que Lucia Joviano se colocava. Como citado no capítulo anterior, Lucia era responsável pela prática de exercícios de ginástica na Phalange Feminina, exercícios esses denominados como “uteis a causa da educação physica feminina no Brasil”133

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Não foi possível saber, até o momento da escrita deste trabalho, os nomes dos candidatos, e nem qual foi a tese aprovada, mas torna-se importante salientar que Lucia Joviano chegou em uma instituição que era lugar de debates de ideias sobre a Educação Física. Sendo assim, se Lucia Joviano esteve presente nesse concurso, ainda não é possível afirmar; mas é certo que essa professora se fez presente em uma instituição onde ideias e questões sobre a educação física estavam sendo produzidas e debatidas.

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CAPÍTULO III

Lucia Joviano e a Gymnastica/Educação Física no Ensino Normal