5. SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER
5.1. Nicel Bulgulara Ait Sonuç ve Tartışma
território nacional com a fi nalidade de integrar o país ao movimento de internacionalização. O Programa de Ação Econômica do Governo (1964- 1966), segundo Otávio Ianni (1971), procurou reintegrar o subsistema econômico brasileiro ao sistema capitalista mundial. O planejamento es- tatal consolidou-se como instrumento básico de implementação das polí- ticas públicas. Foram elaborados, na década de 1970, os Planos Nacionais de Desenvolvimento – PNDs, que explicitaram os setores estratégicos de investimento estatal e controle de atividades produtivas no território. Ins- talou-se no país, entre as décadas de 1970 e 1980, uma dinâmica particular que transformou a confi guração espacial, com o desenvolvimento do sis- tema de transportes, telecomunicações e energia. Observa-se, assim, uma mudança na estrutura da produção material que passou a abranger todo o território e se tornou mais intensa e diversifi cada, gerando mudanças na circulação e no consumo. Juntos, esses processos levaram a uma maior integração do território e construíram a base de sua fl uidez (circulação e consumo). Para Santos, “essa fl uidez possibilitou que o espaço nacional se tornasse um terreno propício para os capitais internacionais. Daí no- vas temporalidades hegemônicas, exigentes de uma frenética circulação, poderem instalar-se no território brasileiro”. (SANTOS, M; SILVEIRA, L,2005,p.336)
No contexto nacional das políticas federativas, a indústria difundiu-se em estreita relação com o tamanho das populações concentradas. O eixo Rio - São Paulo despontou como uma área de acumulação da produção in- dustrial, permitindo uma diversifi cação da atividade fabril, que benefi ciou igualmente os estados da região Sul. São Paulo tendia a ultrapassar o Rio de Janeiro, sobretudo, pela maneira diferente como se organizava a sua zona de infl uência, crescendo em dinamismo. Nessa perspectiva, o sistema formado e desigualmente distribuído concentrou-se nas regiões Sudeste e Sul. Essa maior densidade do meio técnico em uma área contígua do território, foi denominada, em Milton Santos e Ana Clara Torres Ribei- ro (1979) de “Região Concentrada.”20 A fl uidez do território, acentuada na Região Concentrada, aumenta a acessibilidade físico-fi nanceira dos in- divíduos e aprofunda a distribuição produtiva, benefi ciando a ação das
20 A Região Concentrada considerada pelos referidos autores, abrange os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, caracte- rizando-se pela consolidação dos dados da ciência, da técnica e da informação.
grandes corporações. Essa é a razão pela qual, havendo maior mobilidade na Região Concentrada, é nesta que se realiza, de modo relativamente li- mitado, uma integração econômica que tem difi culdade para se difundir pelo resto do território. É esse também o embrião da polarização que, nos períodos sucessivos, veio conferir uma primazia à região Sudeste e asse- gurar a São Paulo um papel inconteste de metrópole econômica do país (SANTOS; SILVEIRA, 2005, p.337-339).
Destarte, com a concentração técnica e econômica verifi cada preferen- cialmente nos estados do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, o estado do Espírito Santo iniciou sua projeção no cenário nacional a partir da década de 1970, quando, o estado também se enquadrava no projeto de industrialização, cuja produção – benefi ciamento de minério - estava emi- nentemente voltada para o mercado internacional. A questão da localiza- ção favorável ao desempenho das atividades portuárias para escoamento da produção de minério proveniente de Minas Gerais foi o condicionante motriz para estabelecimento do meio técnico, nessa primeira fase da in- dustrialização. Alguns projetos industriais foram priorizados com fi ns à diversifi cação da economia. Entretanto, a ocupação efetiva do território espírito-santense ocorreu em período recente21 (década de 1980) com o advento dos grandes projetos industriais que caracterizaram um novo tipo de articulação do Estado ao contexto nacional e internacional. Rompe- ram-se, assim, as fronteiras regionais para a expansão do capital.
2.2 A te c nifi c a ç ã o e a c o nstituiç ã o de sig ua l do te rritó rio do Es- pírito Sa nto
O cientista deverá, portanto, para ser intelectualmente ho- nesto e para afi rmar-se enquanto tal, manter-se vigilante e crítico em face de seus valores, evitando tomar impressões por resultados consolidados, duvidando das próprias cer- tezas provisórias, insistindo em examinar um problema a partir de diferentes ângulos, expondo-se de muito bom gra- do ao teste do exame empírico pormenorizado e extraindo
21 Segundo Campos (2002:32) , em 1920, as terras apropriadas correspondiam a 28,1% da área total do Estado; em 1960 representavam 63%; e por volta de 1970, a fronteira agrícola havia se esgotado. A região norte foi a que mais demorou a ser ocupada. Esse processo lento de ocupação do território, faz parte do movimento que originou o deslocamento do colono no território a partir da necessidade de recorrer a novas terras, à medida que constatava o uso e esgotamento das terras ao sul do estado.
humildemente as lições do teste supremo, o da história. (SOUZA, 2006, p.98)
A refl exão sobre o comportamento do desenvolvimento industrial no Es- pírito Santo nos faz admitir que a estrutura do modelo se funda nos blocos de economias integradas às atividades exportadoras e a outras como com- plemento de atividades importadoras. Esse sistema industrial formado em torno de um mercado abastecido no exterior é específi co das economias dos países periféricos. Conforme argumenta Furtado, a evolução dos ter- mos de intercâmbio tende a ser desfavorável à periferia do sistema – isto é, aos países fornecedores de produtos primários –, e a acumulação conti- nua a concentrar-se nos países centrais (FURTADO, 1996, p.20). Esta é a argumentação de Furtado para o enfraquecimento dos Estados frente às ações oligopolistas e coordenadas das empresas:
A ação dos Estados nacionais, no centro do sistema, am- pliou-se em determinadas direções para assegurar a estabi- lidade interna, sem a qual as fricções internacionais seriam inevitáveis; mas por outro lado, modifi cou-se qualitativa- mente, a fi m de adaptar-se à atuação das grandes empresas estruturadas em oligopólios, que têm a iniciativa no plano tecnológico e são o verdadeiro elemento motor no plano internacional.
(FURTADO,1996,p.59)
O atual projeto de modernização e ampliação do setor industrial capixa- ba, em especial o siderúrgico, signifi ca um aprofundamento da estrutura produtiva já em andamento desde a instalação dos Grandes Projetos no Espírito Santo, nos anos de 1970. O conhecimento dos processos que im- pactaram o território metropolitano, defi nindo e fortalecendo uma hierar- quia regional numa primeira fase da industrialização, torna-se imperativo para a compreensão da forma como o Estado organiza o território para instauração da nova base técnica-científi ca, nesse segundo momento, em que a industrialização tende a ser largamente ampliada.
O escopo dos Grandes Projetos dos anos de 1970/1980 apoiava-se na perspectiva de quatro grandes grupos voltados predominantemente para o mercado externo: o complexo siderúrgico, o complexo naval, o com- plexo paraquímico e o complexo portuário. Quase todos esses projetos
se tornaram realidade, com exceção do complexo naval. Vale lembrar que o Espírito Santo abrigava a sede da Companhia Vale do Rio Doce desde os anos de 1960, quando já operava o transporte do minério pelo Porto de Tubarão. O governo estadual antecipou-se à concretização do Projeto Siderúrgico de Tubarão (CST), localizado no município da Serra, contíguo à Vitória. Em 1974, criou ainda um distrito industrial no município da Ser- ra22 – o Centro Industrial (CIVIT) – visando atrair indústrias para o Es- tado por meio da venda a preços subsidiados, dos módulos industriais. A concretização desde distrito, contíguo à área prevista para a instalação da Companhia Siderúrgica de Tubarão, resultou na transformação do setor norte da Grande Vitória em área preferencial para instalação de projetos industriais e residenciais.
A Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), maior produtora mundial de semiacabados de aço, foi constituída em junho de 1976, como uma joint- venture de controle estatal e capital misto, com a participação minoritária dos grupos Kawasaki, do Japão, e Ilva (ex-Finsider), da Itália; porém, a sua operação começou apenas em novembro de 198323 . A Companhia é servida por uma malha rodo-ferroviária: Estrada de Ferro Vitória-Minas e Ferrovia Centro - Atlântica (antiga Rede Ferroviária Federal) e as Ro-
22 O município da Serra faz limite como o município de Vitória, ao norte, e integra a RMGV. O