B- Beş Yıllık Kalkınma Planları (1963-2013)
V. Neoliberal Düzenin Mekâna Müdahale Aracı Olarak TOKĐ
cisco Campos, como bem o define Jarbas Medeiros,22 é o "típico ide6.
logo do Estaso", exercendo tríplice papel de reforma�or so sistema d.e
Cultura e Poder Polftico 79
ensino n"acional, das Inslflulções jutldlcas e dos uIsúlulções pôl;ll""s. A posiçJO social do
OUlor
na polllicabrasU�írn
,. �Yíd.ncio pelo. ",ugus efunçõe, polltlco.ll.dmil\islmtlY�, que """,,eu flJIl ámbilo fed<!m1 e 051.·
dual.lJ
Já
Azevedo AUllllill nuo exerce funçõe1 dltelam"nte vinculadas ao aparelho de Eslado; de.empenha sob
retudo
atividaees jomali.tieft!l. O ... Iatlvo dislBncismenlo do aparelho
de Esmdo
confere ;\ sua produçlo umcanlter "menos dOgrruill�O", na medida enl q ue se permile ollicordar de
Illgurll> dispositivos veu:ulados pela ConstllUIçoo de
J7.
Assim, Amnral de·rende, demrQ do EsladQ aUlománo. um .'paço parn a implel'lIentação do
projeto
indu.uiallslil. Quanto a Amur de Andrade, além de desempenhaIatiVIdades de cunho �dl'ffilCO - professor dD Umversldade do .Brasil,
fundador e direlQr da revista Clilwro Poli/lt'O - ocupa o cargo de diretor
da Agenda .cion!1l d. J
943
a 45.A análise de Gramsci sobre os jntelectuajs24 parece esclarecedora neste aspecto. O autor destaca a função social dos intelectuais, sua imersão
lia vldu prática, IIU modldn de �u" vínculaçfo ao
plOj"to
polt'tko d. umaclasso fundamental. O &r'u de organiddade dQS Irilerectullls em rol.ç:ro •
ao projeto ponnillria <!Stabeleeor UtnlJ "grad.ç�o de qualificações". COI1- figurando um" hjcrarqulzaç�o de larofas no ClIOlpô Idwlóglco. AssIm,
eramscl dIStingue. num primeiro plano, o, ImelcClu:!ls "criadores" �. cul tura e, num segundo, os "administradores" e/ou "divulgadores" :
"(. , .) a iltividadc intcleClual dl:\'e seI diferenciada e m gralls, Inclusive d o ponto dt': vista intrlnseco; estes gniUs, n..>s momentos de extrl!ma oposição, dão lugar a uma verdadeira c real difercnç:l qualitativa: no mais alto grau, devem ser colocados os criador�s das várias ciências, da f1!osofia, da arte ctc, , . , no mais baixo, os administradores e divulgadores mais modestos da riqueza intelectual
, já existente, tradicional, acumulada,"2S
A distinçãO pennite configurar os "grandes intelectuais" enquanto criadores de uma concepção de mundo, e os "intelectuais médios" como divulgadores desta concepção.'·
A
pertinência desta distinção pode ser constatada pelo espaço expressivo que ocupam os "grandes intelectuais" no corpo da Cultura Politica. A participação deles se dá de forma direta, quando escrevem para revistas, ou mediatizada, na' medida, em que os demais autores da publicação recorrem constantemente a eles, na perspec tiva de legitimar o seu discurso.No seu primeiro ano de publicação (1941 l, os nomes de maior pre sença na revista são os de Almir de Andrade, Azevedo Amàral, Lourival
Fontes e Rosário Fusco. Convém esclarecer que tomamos como critério para a determinaçãO da presença não apenas o fator quantitativo, mas tam bém o qualitativo, no sentido de aferir a qualidade diferenciada dos dis cursoS. ASSJffi, embora alguns autores como Wilson Lousada e Graciliano
80 Estado Novo: Ideologia e Poder diferença e
o
con leúdo dos SeuS escritos. Enquanto Azevedo Amaral eAlnur de Andrade esCrevem sobr� a
qlJe!lilo
da democraci., o cardter da",voluç«o, • rel.ç«o d.
ordem
politlcu com a evoluç�o Intelectual, osou
t
ros se. de,�m na análise de as�untM mais específicos, comO lileratura efolclore. A p",,,,nça dos "grandes Inleleotuais" é bem marcada, na
medida
em que se constitui uunbém em referencial de análise obngalótio para o
demais
intelecluais da rev;"ta. Assim, nOS cincoprimeiros
números - de março aJulho
d. 4 1 -, os aUlOres maIS ciladas são F Campos e Almir de Andrade.Por ocasião do :utiversárlo d. Vargas, • CullUf. Políri<'Il publica uma separoU Intitulada: "O pensamento político do presidenle", onde
reUne
artigos
e
edilo.riais pubUcados n� seus primeiros 25 números. O.artigos
SIlledonado, são considerados os que mcU.OI delinem e interp,.l_m o
penl.menlo de Vargas, tido
como
o maior doutrinador do EStado brasilei rO c, ponanto,o corporificado r
doprojero
ideológrco est.do-novÍlI"AZevedo Amm, Almir de Andrade, 8elford de OUveirn (da divis:ro d� di·
vulgaçao
do Otp) • Ros&rio Fusco são alguns dos 'autores que .dgultel]l maior destaque na publicação.ESles
da
do
, demonsu-am que a CultuFO Polr'rica re,erva .'paço ,ism·tic.tlvO llO� "grandes intelectuais" que produ2iriam oS
f
und
amenlos do dis·curso
e'lado-nollista. O falo decongreg&r
os principai, ideólogos do regime Irá conferir .specificidade ao sou discurso, que se reveste de ampla arguo menla�[" te6rica. A revista produz um discurso altamente elaborado, per·m
ea
do por concepçOd mos6ticas.cerca
da natureza do Estado e. da naç:o,do lugar do individuo na ordem poliuc., do ex.rcitio da autoridade etc. Enl1m, OS loculores -personificados sobretudo nos "grandes intelecluais" -parecem se dirigir Q um
púbhco
queim,ginlUlI integrndo
e familiarizado detllro deste universo de conhecimentos. Isso nos faz conclulr que . Cu/w,a Polirlca possui um púbhco relativamente restrito, que parece configu. rado sobretudo na! '�cljte.s intelectUaiS",
A CiéllCÚl Polit;ca, de
m
odo geral, no seu quadro de colaborodór •• congr<:sa inlelectuais de poucaprojeçllo. Em
enrrevista co
ncedida nO Es· lado d� S. Pari/o," Paulo Filho destaq as personalidades oI'" expressivas no INCP: Pedro Vetgara, S:ibóla Llm., Humbeno Grar:de, Uneu deAlbu·
querque, Alruo Vlv:!cua,Benjamin Vieira.
Rubensrem DUaIle • Renato Trav3$so!. Mostra que
O quadro da enlldado se campO< de elemonlosda
:UI:I rnagistraturn,
elementos da. forças armadas, proressores dD ensino superior, jurislas e jornalistas,estudanres
unlven!tárlos eprofinlonais
li· berais de modo geral."A revista esclarece que aceila a colaboração dos intelectuais, mas não exclui a colaboraçao de outros elementos que desejarem expor as suas idéias a respeito dos problemas nacionais.19
Cultura e Poder Polftico 81 Getúlio Vargas, em discurso dirigido aos membros do INCP a
2 1
de novembro de 1940, agradece ã entidade a solidariedade e os serviços pres tados ao seu governo Hna difusão e vulgarizaçã'o dos ensinamentos da doutrina do novo regime". Referindo-se aos intelectuais da revista, diz serem alguns já consagrados pela sua atuaçao na vida do país, e refere-se aos demais como "grandes traba1hadores, cheios de iniciativa e esperança". Mostra ainda que a colaboração de todos é necessária quer "pela altura de seu espírito, quer pela sua cultura, quer pela sinceridade de sua atuação". Finaliza mostrando que o governo encontra nos membros do INCP "os seus mais diretos e mais eficientes colaboradores".30A nOSSO ver, o quadro da revista é basicamente constituído pelos "intelectuais médios", cuja função é a de divulgar o ideário produzido por intelectuais de renome como Francisco Campos, Azevedo Amaral e Almir de Andrade, que esporadicamente colaboram escrevendo artigos." Dada a sua função no projeto ideológico, a revista produz um discurso que adquire
nuances
diferenciadas em relação ao daCultura Po/(tica.
Assim, a linguagem relativamente simples que utiliza, o tom do seu discurso mais diretamente mobiliza dor, a participação expressiva de elementos não dire· tamente Ugados a atividades intelectuais permite deUnear um público bem mais amplo. Freqüentemente a revista publica moçOes de apoio de repre· sentantes sindicaisà
obra do INCP, transcreve pesquisas de opinião popu· lal sobre o governo de Vargas, enfim, conclama os diferentes segmentos da sociedade a participarem das atividades do instituto, que abrangem tanto os programas de propaganda cívica quanto a seção de pesquisas sociológicas. Em síntese, aCultura Politica
congrega os "grandes intelectuais", resppnsáveis pela criação de uma determinada concepção de mundo, in formadora do discurso autoritário. A importância desses intelectuais é notória no conjunto do projeto ideológico estado-novista, dado que os seus discursos servirão como paradigma para toda uma camada de "intelectuais médios", que se prontificarão a difundi·lo para o conjunto da sociedade. Esta nos parece ser a função dos intelectuais daCiência Polúica,
que reCO nhecem como prioritária a tarefa doINCP
na divulgação dos ensinamentos do Estado Novo. Os intelectuais daCiência Politica
se encarregarão, por· tanto, de decodificar o discurso produzido pelos ideólogos do Estado Novo, em grande parte presentes naCultura Politica.
Estabelecidas tais distinções, importa detectar, no interior de ambos os discursos, a concepçlo de "cultura política" que se configura como um dos arcabouços constitutivos do projeto ideológico estado·novista.
82 E srado No vo: Ideologia e Poder 4. Análise do discurso:
uma tentativa de interpretação
Tomamos a Cultura Politica, na qualidade de revista oficial, publicada pelo I>IP,
IAlrnO
referenCial d. anáüscno
lev3nlomcmo dos lemal que pareC<lm con'lilu'r o arcabouço do projelo ideológico estado,novisl •. A nosso ver. 10<!Jj • lcrudnca d�nvolvida pelo d"curso podo $Or .emetido • UUI nücleocomum: a "nova concepç4o de cultura", que se apresenta como integrada
ao político. N[o t, ponanto, por acaso que a revista maIs cxpre$Sivn do
pe ríodo Iraduz eSlO upo d. preocupaç[o no seu pr6prlo titulo: Cultura
PoUl!ca.
Na reconsUtulç[o do discurso,
o profundo
imbncamemo entre ostemas co[ocou·nos uma dificuldade que, a nivel d. o.dem expositiva, tra· duzlu,se na quest[o: como proc
e
der à mdjvlduallZllç�o dos lemas, sem [lIcor�r na quebra d. lógica discursiva, na qual estIo integrados? Tendo em mente lals preocupações, optamos por dcstaca·los.procurando,
porém,denuo do posslvel, deixar transparecer as suas vinculações, na perspectiva d. alestar a coerência interna do discurso. Portanto, se algumas
vezes
háce
r
ta redundânCia nas questOes untadas - por exemplo. ti tônica IIntll
l, �ral -, devemo< lomá·las enquanto proprlcd�d. do pr6prlo OOcu,"o, recollstilUldo na SUB [ogjcidade.D
entro de lal perspectiva, seleclonBJllos os segwnle. temas: a recuperação do plLlS.do; a nov. concepção d� polltlca, cuj
os desdobnunelltos ,110 , "cuhura polftlcn", o nOvo homem,parucu[ar,
menle o novo Intelectual: o mito Vargas; e finalmenle a relaçNoconsensO
e força do novo regime.
A ordem lógk. que procuramos d" A expoo[ção desla temática
tellta ser o quanlo possível fiel ao próprio espinto do discUr1o. Assim,
se
Iniciamos o no,so trabalho com a quesllIo da "rccuperaçlo do pnssado"
6 porque, com base neSla categona, se desencadeia uma argumcnlação
destinada a valoriza. a "nova ordem",
CUj0 mérito
seria o üe buscar nÓ passado a5 "rafzes da brasilidade", Em seguida, procu"unos recémsrlluir 05fundamemos
deSIO " noV3 o,dem", que p�recc residir sobretudonn
"nov. concepçlo d. pol{Uc.". possibtUtando o surgimento de uma "no.acuhura"; " cultura polidO"" • "homens
novos".
O "01110 Vargas" cm�rgecOmo D propna personificação dCSlC " no'llo" , na medida em que Gonc-retiu.
o "desejo" d. " a Im. nacional", FiJlalmen te procuramos nmll'Sàr " natulOlO deue govemo, lIIarcado pela dupla relaçãO de consenso e (orça. coororme
o atestam as próprias 031egooO$ do discurso.
Rest. aind. observaI que, se neste momento . no ... preocup"ção
ftmdarn.nl:ll é • de recuperar O discurso enquanlo "e'tcutur"" totallznnte"
-através da calegoria
"cultura
pollllco" -, tal prncedltnanlo IIIJOimpUca
Cultura e Poder Político 83
4. 1 . A recuperação do passado
Como toda ideologia política que busca legitimar Uma determinada ordem, o discurso estado-novlsta constrói um esquema temporal em que sublima a ação presente, atribuindo·lhe certa plenitude de significados. Porém, o que confere especificidade a este discurso é a foona através da qual se apropria do passado e efetua o seu redimensionamento. A condição para a plena realizaçfo do presente reside não apenas na sua consonância com o passado, mas até numa transposição do passado para o presente.
Nesta perspectiva, não se pode falar propriamente de um retorno ao passado, na medida em que estaria subentendido certo deslocamento na escala temporal. Isto não ocorre : o passado é vivo, o passado é presente. lncursionar pelo passado significa trazer
à
tona as estruturas permanentes ao longo da mudança da história.O
que está em questão, portanto, é a continuidade, é a tentativa de recuperar, reajustar e integrar a "esséncia" que se encontra no passado. Este se conjuga com o presente; 5[0 coexisten tes e não podem ser vistos simplesmente como etapas sucessivas dentro de uma escala temporal linear. Esta percepção da história, que tende a pri· vilegiar o espacial sobre o temporal, a categoria de coexistência sobre a de sucessão constitui·se em uma das características centrais do pensamento conservador.32A revista Cultura Politica, na seção "Brasil social, intelectual e artís· tico", confere especial ênfase â recuperação do passado, através das subse ções "Textos e documentos históricos" e "Páginas do nosso passado".
O
encontro com o passado, com a "linha evolutiva tradicional", passa a ser a única possibilidade de se obter uma verdadeira fisionomia do social, que dá sentido à duração da personalidade do indivíduo, enquanto tal, e da comunidade.O "subconsciente coletivo" toma-se, portanto. o respon
sável pela continuidade da consciência nacional, que o Estado Novo soube recuperar e dar forma: "E como as vestimentas para O nosso corpo esta vam renegadas nos porões do passado, fomos buscá-las para esta festa em que todos nós participamos para comemorar o redescob,imento de nós mesmos. to33O
discurso estreita, desta forma, a conexão do individual com o coletivo, mostrando o Estado como corporificação do indivíduo, do seu "subconsciente". que contém as verdadeiras reservas da brasilidade, cuja fonte é o passado. A eficácia da "nova ordem" residiria, portanto, no seu caráter simultaneamente criador e tradicional: "( . . . ) o regime em que vi· vemos é criaç:Io enquanto aproveitamento de nossas reservas, mas é tradi· ção enquanto espírito de uma raça e de um povo ..._34
Nesta perspectiva, a criação adquire o sentido de transformação/re vitalização do já existente. As normas de orientação do novo regime não são retiradas do abstrato, mas do "já experimentado" enquanto vivência
84 Estado Novo: Ideolog ia e Poder
da alma eoletrva.
O"espírito" eonforma e determina
o presente,assim
eomo o futuro.
A
originalidade do regime
épe"onrfieada n
afigura de Vargas, que
eneama e eoneretiza os "desejos" do povo: " . . . sua maior originalida
de consiste no fato de ter srdo previsto por
umhomem que teve a eo
ragem de proelamá·lo dando·lhe eorpo.
Na realidade ele ja existia no ínuimo de cada um, na alma mesma da Nação, como um desejo latente e impossível "JSO
diseurso explieita a existêneia de uma "alma naeronal" latente, um
projeto polítieo presente intuitivamente na realidade brasileira, mas que
não pode ser realizado devido
:Isi
njun
ções da prátiea liberal.
Dentro de tal perspec
t
iva
, oEStado N
ov
o posslbilltarla '0 hOmemb
rasil
eiroreeuperar o
seu "tempo perdido" e & rutçA"o adquirir suav
erda· deira fisionomia. A Imponaçilo dos princlpios Jlb.rw torl. ocasiortado esta perda de Identidade da ''Ilm.a naclonill", dando surgimento à dlcOLomia "Brasillegal"
e "Brufl real". Em nome do "realismo", da "objetividade" edo
�bom
seoso", o discurso est.do-novista defende a inStaUJação d.um
"novo" nacionallJmo, que se contl1lpôe no nac
ionalismo do ideário IJberal. E.te novo nacionalismo seria org5nico, ao ligar o p
resente ao passado, res· peitand
o asuadlçoes, conUlRes,
mça; enfim, olgãnico por
que do acordo com I " a1ma nacion
al". Argumento.se a favor dos fatos e COntra o "encan· to da multiplicidade da! id�ias" que teriam fascinado, em algwu momen· to., as nossu elites dirigemes, comprometendo opróprio
de5tloo nacional. Ov
erdadeiro naclonaJlsmo deveria , portanto,d.
Jufidl'neia enganador. da. ,dél ••,
elegendo apenas wna Uld&·força" pau a Imple. mentação d. nova ordem.A
ascendência dos princlpios humanos e critt[os� colocada C<l/lIO uma das base. de sustentação da fotmação nacional. Ao naci
o
nali
smo
"pragmático . paga0" que f82. do Estado uma "criaçno arti· ficial", mantidapor
conlroto
. ef�meros,de
ve conlmpor·se um .nacíonolb. mo de ·'modemçl!o . equíllbrlo", con
trá
rio aoformaJismojuridieo.
O disCl1r>o estado·novista e
s
ube
lece • continuidadeh
ist6rica entreo
passado e o presente, apelan
do
par" a exisl�nci.de
"leis lúst6rlcu" que,00
dirlgÍt o proee
ssode
desenvolvimento d� sociedade,efetuariam
o equJ. Ubrio entte asforças
de conservaçSo e as de lmnsfotmoç[o. Assim, esta· belece que as circunstânci •• materiais propícias IIs mudanç
as estio dadas a partir da. lei,que do
Independentes d. vontade humana: "11lI vida social e oa vida polrtlca nada .contece por acaSO. Há leis de evoluçfo hf.tOrlca t de evoluçfo pollt
ica que esttro acima da vomade dos homens, da vontade do
spar
tido
se dos indlvCduo"
porque .s leis sociais, corno as leisfWcas,
5Ifo
sempre as reJaçI)eJ oeeessildM que derivam da próprio. rutluremooisasH.16
Nesta
pc"pectivaos eventos
denossa fonnaç�o históriea eompro·
variam a evolução harmôniea do país, noneada por duas tendêneias cons·
Cultura e Poder Pol {rico
85
tantes: a da unidade - uvocação centramizadora '\ e a da necessidade de autonomia - "subjetivísmomibertário". O Estado Novo daria éoncretude ao subjetivismo dos inconfidentes e de todos os movimentos nativistas da rus- " tória brasileira, E interessante perceber como aquest3'o da ··unidade"
é tratada pelo discurso, que não a recupera apenas enquanto rradiçao polí tica (evidenciada nos fatores geográficos, históricos e econômicos), mas como essência constitutiva da topersonalidade nacional''. cujo elo moral é o cristianismo. A recorrência ao passado se dá, portanto, sempre no sen tido de recuperar a centralizaçlio, mostrando os momentos de sua quebra como de "despersonalização" da nacionalidade.
O discutso efetua uma ordenação espacial dos acontecimentos, enfa tizando a transcendencia de principios que permaneceram incólumes ao
longo da nossa evolução
sócio-politica. Tais princípios extrapolam o indi viduo histórico contingente, que apenas materializa estes principios en quanto portador dos mesmos.A história do Brasil é recuperada como exemplo de "renúncia, cren ça, sacrifício, generosidade e paz", dado o espírito crisUo do povo brasi leiro mais afeito à unidade do que ao separatismo. Em contraste com a história das grandes civilizações que nasceram de violentas guerras de con quistas, a nação brasileira é fruto do p
a
cifISmo: "A um Alexandre, que conquista pemas armas, preferimos um Cabral, que planta uma cruz; a umlln
coln que
JlSsiste ã emancipação dos negros de sua pátria depois de um caudal de sangue, contrapomos uma princesa Isabel, a redimir a raça negra com uma penada. "37Dentro desta visão iistórica, onde a paz e a harmonia de interesses regem a evomuçlo dos acontecimentos, ã categoria "espiritualidade" acres centam-se novos valores, comO" o do heroísmo. O discurso recupera duas figuras históricas que sintetizariam a personamidade nacional: O bandei rante,
como ,imbolo de
dominio,posse,
superioridade e altivez, e o jesui ta, que corrigiria os excessos, em nome da fé, impondo a moralidade e a su perioridade espiritual.Tanto Oi/tura Po/(tica como Oêncill Polflica defendem a unidade moram da pátria, assegurada pemo .spirito cristao. Porém, na Oêncill Poliri ca, o catolicismo como fator de unificação ganha maior peso, quando se comoca o reconiecimento oficial da remigi�o como condição prioritária para assegurar o Estado nacional. 38
Se,
de
um modo geral, o discurso estado-novista estabelece a conti nuidade Iústórica a partir da tendencia constante ã centralização adminis trativa, no período30-37
esta se comoca de forma incontestável. Assim, os intensos conflitos polftico-ideológicos que marcam o periodo s:t:o vistos como obstáculos temporários a impedir a consolidação da RevoluçãO de30.
Esta é comocada como fato político que desembocaria, incontesta velmente, no golpe de37.
Dentro de tal perspectiva, a Constituintede 34
86
Estado Novo: Ideologia e Poderteria gerado um momento de verdadeiro impasse, dado que os liberais ha· viam voltado li cena política, interceptando o projeto que vinha sendo encamiohado. Porém o período de "desordem" e "desorientação" 0110 persistira, dado que o conjunto da sociedade apelara para o chefe, consoli· • dando, desta forma. a "nova ordem" iniciada em
30:
"A d.ecepção foi toU.l (em 34} mas o povo. não perdeu ao confianç.a 1'10 seu
eleito e dele exigiu o golpe salvador de 10 de novembro.
O
conduto', insti· gado pelo povo que ratificava a sua escolha, apelou para o úército e a Nação viu satisfeita que os generais haviam guardado nos corações o ideal dos
tenentes",l9
A recuperuç.'!o do do odqulre, onanto. espaço expressivo no discuno.
que
buscafilostrar
o novo Estado como o realizAdor dop\lU&do.
O presente realiza o
que
o passado RIo pOde realizar devido aos obsLtlculosque lhe foram impostos "de for. para denrro".