• Sonuç bulunamadı

B- Beş Yıllık Kalkınma Planları (1963-2013)

7. Đmar ve Đskân Bakanlığı ve 7116 sayılı Kanun (1958)

zaçOes do governo nos mais diversos setores - política, economia, técnica, arte, letras. ciências - s:ro registradas. A revista anuncia os seus propósitos de promover e estimular o debate sobre a problemática regional, desde que se circunscreva ao contexto nacional.1l

A forma de exposição e estruturação das seções traduz bem a inten· ção de cumprir

à

risca os objetivos proclamados. Cada seção vem precedida de uma nota introdutória onde são explicitados os seus objetivos, justifi­ cados- os seus princípios norteadores .. , finalmente, fornecidos os dados biobibliográficos dos autores que a subscrevem. A preocupação em deli­ mitar e/ou elucidar os objetivos, fundamentar os princípios de análise e precisar as fontes evidencia um alto grau de organização e eficiência no manejo da informaçlio que, poderíamos mesmo dizer, é surpreendente no periodo. Estas características da

Culrura PoUtica

permitem configurar a eficácia do projeto ideológico estado-novista e o seu elevado grau de ela­ boraçi!o na montagem da estratégia discursiva. Dado o papel específico que desempenha no projeto ideológico estado-novista, a

Cultura Po/(tica

funciona como verdadeira central de informações. Assim, tudo O que se escreve sobre Vargas e sobre o Estado Novo é assiduamente registrado nas suas páginas, através da seção bibliográfica_ O levantamento pretende ser exaustivo, arrolando livros, artigos de revistas e jornais. A importilncia des­ ta seção, no conjunto da revista, evidencia-se quando da publicação da separata "O pensamento político do presidente", onde é feito um levanta­ mento retrospectivo de todo o material bibliográfico publicado ao longo dos primeiros

2 S

números da revista. A preocupação explicita em atuali­ zar, centralizar e controlar as informações na imprensa dia conta do alto grau de organizaçllo e eficácia do projeto ideológico.

A revista apresenta as seguintes seções: "Problemas políticos e so­ ciais" , "O pensamento político do chefe do governo", "A estrutura jurí­ dico-política do Brasil", "Textos e documentos históricos'" <IA atividade govemamental", "Brasil social, intelectual e artístico". Os editoriais desta seção, de autoria de Rosário Fusco, compllem o próprio perfil da revista, na medida em que a estrutura da argumentaçfo do seu discurso faz-se presente neste espaço. A defesa da "unificação" da ordem política e social sob a égide do Estado adquire papel fundamental quando, com base neste argumento, se legitima a prática política instituída pelo novo regime. O próprio título dos editoriais exprime a ênfase conferida ao politico en­ quanto força diretora do social : "A ordem política e a evoluçãO social", liA ordem poHtica e a evolução intelectual" e UA ordem política e a evolu­ ção arlistica". O desenvolvimento e/ou a evolução social estão condiciona­ dos ou só podem ser explicados em função de uma "permissfo" do polí­ tico. A nosso ver, esta argumentação está presente não só no discurso da

Cultura Polirica,

mas penneando todo o projeto ideológico estado-novi,ta.

76

Estado Novo: Ideologia e Poder A revist

a CiêncitJ Política,

sob a direção de Paulo Filho e Pedro Ver· gat., Inlcla a sua pubUcaçl!o em novembro de 1 940, encermndo-. em malo de

1 945. � pubUcada

pelo Instituto Nacional de Ciência Política

(INCP),

que se

d

efine

enquanto entidade

cultural de âmbito nacional,

destinada

a "congregar as elites intelectuais em tomo do pensamento do Estado Novo", de acordo com a orientaç[o do DIP.1l

OS objetivos da

CiêncitJ PoUtica

se circunscrevem aos do

lNep,

fun· cionando como boletim de divulgação desta entidade. Assim, publica as

suas palestras promovida, .. manalmente n. Associaçl!o 8rasllolta de Im· prensa (ABl);

n

oticia .., reali2.çllts tal. como: a

cri.çlO

de

seçDcs

(dos professores .

dos universitários)

e de núcleos

.staduais;

reg;'tr. as

parUclpaçO<:s dOI membros

da entidade nos evento. ofiCiaiS; divulga a pro­ moçfo de campanhas cívicas nacionais, Além disso, a revi.ta tl1lO:I<:rov.

dlsCUlSOS, cuuI.vistas e

cartas,

reservando ainda um espaço a resenhu bl· bliognlfleas iObre os últimos

Jançam.eOlos."

O. objetivos

da

reviJlB .10, portanto, os de divulgar . obra empreendid

a

pelo INCP. que apresenUl

como propostas:

familiarizar

o povo brasUeiro com os problemas

nacio­

nais; congzegar as eUt.s para

orientar

o povo; esclarecer 3

o

pinlfo d. na·

ção; colaborar com os

poderes

constituído, para a grandeza da

p!tria."

A entidade conta, portanto, com pleno respaldo do governo. Suas sessO<:s comemorativas são irradiadas pela Rádio Nacional; personalidades políticas de vulto como Dutra, Marcondes Filho, Apolônio Sales, Cordeiro de Farias parabenizam o instituto pelo apoio dado ao regime.

O discurso da revista explicita claramente a natureza da entidade e o seu papel no projeto ideológico estado·novista, declarando que o seu objetivo maior é o de propagar para. o conjunto da sociedade os funda· mentos do novo Estado, na perspectiva de assegurar·lhe a estabilidade. Coloca·se não como "mero centro

de

estudos", mas sobretudo como

"movimento Idealista" vol

t

ado para a "prática da verdade". Enuncia como uma d. Suas

propostas

fundamentais

a d.

ministraI a educaçi[o civica, de,· pertando o patriotismo �consciontc e cultural" voltado para a ação e, portanto. I'ento

das

"visOei sentlmentals" e do> "arroubos literários". A revista esclarece que a sua taIof. � • de "socializar" wn

conjun

la de ce>­ nhecimentos metodicamente controlados e "sistematizados", contribuindo

para fonnar a consciência política da nação.16

Temos, portanto, de um lado, a

Cultura Politica,

como revista oficial publicada pelo DlP;· de oulio, a

CiêncitJ PoiJ"tica,

que se dispõe a seguir a orientação deste órgão. Enquanto a

Cultura Politica

se propõe a "definir" e/oll uesclarecer" o rumo das transformações político-sociais, fornecendo as coordenadas do discurso, a

Ciência PoUtH:a

se autoconfigura enquanto "escola de patriotismo" voltada para a difusão dos ensinamentos do Esta· do Novo.

Culrura

e Poder Polftico 77

Estes dados reforçam a nossa rup6tese de Lr1Ibalho referente aos

lug;lIos diferenciados que parecem ocupar respectivanlenle • Cultura Poli­ ric. e • Ci."cÜJ PoliU!!a, no tntUior do projeto ideológico �tadQ-novl>ta_

A �niU\se de Plene AIISUI" sobre .. ideologillS poliUtas vai ao encontro

desw questões, na medida em que esubelece a diversifiCOção de tarefas VIgente na campo ideológlco_ Este ê configurado enquanto espaço hierlll'­

quludo, onde os ogenles SOCIlUS desempenham funções especifico. a partir do seu pau d. vtncuJnçfO com a ideolo

gi

a político, ou sej., com o

p=

so de sua mboraçlo c dlfus«o_ eSla perspectiva são diningUldos: pro­ dUlores, mIlilJln�, sbnpatizanle, • público em guaL Embora AIISart

aplique a ,� (fpologin ao quadro dos partidos políticos, scredÍlamos $Or

YilIveJ estendê-Ia

aos intelectuaIS participante. do pro

j

eta ideolÓgiCO

esta­

dO-DOvist., dado que nO interior desle projetO se estabelece uma ruerir­

qui. de funções bastante nítida_ A questão que procuraremos enfatizar,

no decorrer do trabalho, é a da integração e articulação destas funçOes no conjunto do projeto, assegurando a sua eficácia_

No Estado Novo, a alta centralizaçNo do poder político

é

evidente­ mente acompanhada pela centralização do poder simbólico. O controle efetuado pelo

DIP

na lentativa de obstaculizar a divulgação dos outros discursos configura um campo ideológico relativamente homogêneo,l8 A nítida demarcaçlo de tarefas no campo ideológico estabelece a funçãO precisa que cada agente deve desempenhar. A produção sbnbólica se res­ tringe a um círculo especializado de teóricos e/ou dirigentes que se colo­ cam como os "guardiães privilegiados das ideologias". Neste sentido, pro­ curam preservar os seus fundamentos como verdadeiros dogmas, no intuito de resguardá-los da crítica que possam vir a lhe fazer os militantes e/ou aderentes e o público em geral.

Os elementos que constituem a maior ameaça aos doutrinadores

são aqueles que, sem ter vínculos efetivos e mais imediatos com a ideolo­ gia, podem criticar os fundamentos do discurso oficial. Os efeitos desta crítica podem ser simplesmente desastrosos já que, de um lado, põem em

risco a obediência dos seguidores, de outro, esvaziam a própria autoridade dos doutrinadores oficiais. � bem significativo que Azevedo Amaral, na categoria de "produtor" do discurso do Estado Novo, defenda ardorosa­ mente a idéia de restringir o direito de participação na ímprensa àqueles que colaboram com o Estado ou, mais precisamente, li "elite intelectual" :

" O

Estado autoritário tem

de

distinguir expressõcs de pensamento reitas no

plano ideológico

c

no terreno da crítica superior, das manifcstaçõl!s

turbu· �

lenfas e apaixonadas de

sentimentos

CiipazCS de

exercer influência sobre

a erncr