O
aentldoprinclplli
e o núcleo d� proposta derenoVllça'o
� humanlza·çlo
do Estado encontravam·$<: ligado. oum.
esforço consciente d. alrlbulç�o de umVIIlOT
positivo e Imr{nseco aotrabAlho.
Esse deveria deixar de ser visto como unI CMtigo ou comoum .<imples
Instrume
nlo
par.tatingir obje.
Ilvos que .e definiamfora
de",u
unlvClSO. O lrabalho deverla ",r encatodo como uma atlvidode cenlral à Ylda do homam e n�o como l1JtI meiode
" ganhar a vida", Isto implicava que o homem assumisse plenamente sua perso nalidade de trabalhador, pois ela era central à sua rea
l
ização bomo pessoa elamMm
li sua relação COm o Estado. Almir de And .. de � calegórlco quando
aOrma que o homem conLIWsrB •proleçUo
do E.n.dopelo Lrabalho
e CJue . ordem polilic. se de$lina A felicidade dosque
lr"bolham. A dimen·sao
privada .
púbUca do homem é d.nnid� como a deseu esforço
oOmotrnballq,dor/cídlldJo,
islu 6, COnlO membro "socialmento útil"do
Estado:"O
-
outrora forma de escravida"o-
�JLoje
um melo de emane,· paçDo da p<r$onnlidade, algo que vnlorizao
l<omem •o toma digno
dorespeito
o d. proteç50 d. sociedade. Viver honestamente dorrabalho (
. . .),
enconuat em seu próprio esforço, .S$O sentido de utilidade social capaz de canalizá-lu p.un o bemcomum -
é o ",,,ior dever
do cidacMn e sI/a l11IJi. altaviril/de,
no Estado modnmo.")OA r.l
�o direta homomlpodor pública 6 atsim quollfõc.ada pelo Ir.b:tlho comO um.
r.laçao
cidad«o/Estado
. De.I. dinâmica advltia o sentldosocial
profundo d. fOrmula polfLl
ca .ncomlada pelo ESlado N<,1vo. O <;ida·dll'o
desta nova democracia,identificado
por seutruballio
produtivo, não mais se denniria pelu pos!': d. direitoscivis
epolltíco
•• mas justamente peJ3 posse dedireitos
soclais. S6 n,lm .. t.rla vordadeirumente superada "h.ran�. Uber:ll,
que ma ",a .. profundamenteos
concertos d. democracia e cid.dania, Pelo trab
alho OcldaMo
.nconl!�rIs Su3posição
na sociedade e estabeleceria relaçõescom
OEStado; por
.,(3 mesmarazilo.
O Estado se hu· manlzarl., de,linando.s. u assegurar � reaJizaç40 plenados
cid.drros pel.và. da promOÇ'ilo da
justiça
social."Ne�e >CDlldo, o projalo
poUtJoo-ideológlco
do Estado ovo t rotava baslcament .. de expurgar Oconceilo
de democracia dasncções Ub.rats,
Il1Insformando-O em uma forlO' d. organiUlça'o .. t:llWcujo objetivo
era • promOÇ'ilo do bemdo povo/lrobnlhador.
até eotao exclurdo d. re311zaÇUodl> �u pt6prio destino. Pora tonlo • • redennlçlo de democracia
Í01pliClIVl
a sUlH'roçlo
de aJSUlll< errOs fundamentais do liberal Irmo.3. ' . A liberdade e a igualdade liberais
o primeiro grande erro a ser combatido estava contido em um paI de con· ccitos que resumia os fundamentos do projeto liberal-democrático: o,
128 Estado Novo: Ideologia e Poder
conceitos de liberdade e igualdade naturais dos seres humanos, O suposto básico de tal projeto residia em uma concepção de natureza humana pela qual todos os homens eram livres e iguais, mas tornados diferentes justa mente pelas injunções sociais e políticas que se desenvolviam na sociedade, A liberdade e a igualdade eram concebidas como atributos de "nascimento"
dos homens, que eram todos equivalentes como indivlduos em uma ordem natural, Devido a este princípio básico, pelo qual os homens eram vistos como livres e iguais e também como maximizadores de seus interesses in dividuais, os conceitos de liberdade e de igualdade asswniam certas dimen sOes especificas e passavam a definir um certo tipo de ideal de democracia.
Uma vez que o Estado moderno nasce no bojo de um processo de lutas contra o arbitrio dos monarcas absolutos, o conceito de liberdade que então se desenvolve procura justamente marcar uma distinção. e até mesmo uma oposição, entre os interesses e direitos de governantes e governados, Assim, fica estabeleCido um modelo de Estado protetor, cuja finalidade principal é
a
de resguardar . esfera das liberdades individuais, O liberalismo elege, desta forma, como seu ideal de governo, a primazía da liberdade, compreendida como a esfera priváda dos direitos individuais, A liberdade, definida de for ma " negativa", é entendida nao como um fenômeno l'poUtico". mas jus tamente ao contrário, como um fenômeno que pertence ao âmbito das atividades n[o-pollticas que um dado Estado garante àqueles elementos do corpo polltico que o constituem. O conceito de liberdade é. na tradição liberal (tanto contratualista quanto utilitarista), eminentemente privado, isto é, definido como uma esfera separada e resguardada do poder público, encarado como um mal ameaçador, muito embora necessário à própria sobrevivência da sociedade. O reino da felicidade é, em decorrência, vivido na esfera privada da sociedade, que deve ser protegida em sua dinâmica natural de excessos políticos desvirtuadores.Assim, se os homens são livres na sociedade (ou, o que quer dizer o mesmo, no mercado), para todas as atividades de contrato "privado" é fundamental que sejam igualmente considerados iguais em um duplo senti do. Dentro da ortodoxia liberal, para se protegerem dos próprios abusos do poder. Ultrapassando tal ortodoxia e mergulhando no processo de demo cratização do liberalismo, para participarem na própria constituição do poder público, Aqueles que são livres e iguais para contratar no mercado e para estabelecerem limites li ação do Estado s«o igualmente livres e iguais para participarem na formação das instituiçl'les estatais," O substrato da obrigaçãO política nos Estados liberal-democratas passa a ser a co-partici pação dos indivíduos na constituição do poder público. O conceito de li berdade como que se "amplia", passando a ser realizado não só na esfera do privado - que é indelevelmente mantida - como igualmente na esfe ra do público. A liberdade, e principalmente a igualdade dos homens, não se encontra mais dissociada do "poder = mal/ameaça", mas constrói-se
o Redescobrimenro do Brasil 129
justamente em convergência com este "poder = bem/colaboraçao". A feli
cidade dos indivlduos nao é estranha às formas de participação no público, donde a emergência do conceito de cidadão como sujeito jurldico legitima dor desta forma estatal.
A cidadania, definida como a igualdade de todos perante a lei e fundada na equivalência política de todos os indivlduos, transforma-se na bandeira e no ideal da liberal-democracia. E é neste ponto fundamental que reside o seu principal problema, já que a igualdade é, nesta tradição, "limitada" ao significado de eqüidade política e defInitivamente afastada dos ideais de justiça social. 37 Tal operação deixa em evidência a flagrante contradição da doutrina com os fatos da realidade social.
A nosso ver, os críticos do Estado Novo procurarão requalificar o significado da nova democracia que defendem, tendo em vista uma discor dância básica com O próprio suposto do liberalismo e, mais ainda, da libe rai-democracia. Desta forma, o primeiro grande problema apontado por eles no que se refere às concepções de liberdade e igualdade diz respeito à própria concepção de natureza humana que orienta esta formulação. Na verdade, a operação que elegia a eqüidade polftica, abandonando o critério da justiça, era a mesma que mascarava a existência de desi
g
ualdades natu rais entre os homens.Seguindo uma nova orientação científIca, traduzida nos postulados elitistas de teóricos europeus (como Pareto e Mosca), o que se procurava afIrmar no início era a inexistência de uma situação de igualdade de condi ções entre os seres humanos. Fora justamente esta concepçãÇ) que conduzi ra às origens da crise e dos problemas políticos e econômicos dos tempos modernos. Isto porque o liberalismo. consagrando o não-intervencionismo estatal e o valor do individualismo, acabara criando, com seu ideal de eqüi. dade, uma ordem social plena de novos privilégios polfticos e de profundas desigualdades sociais. O que a experiência de mais de um século de libera lismo comprovava era justamente que a primazia da liberdade e da igual dade formal nlio resolvia os mais urgentes problemas do homem. Portanto, outro deveria ser o ideal da democracia moderna, da verdadeira democracia preocupada com a revalorizaçao do homem, tanto em sentido material quanto espiritual: liA sociedade interessam muito menos as formas dos re gimes políticos do que os seus resultados concretos, do que a sua efIciência na defesa dos interesses humanos."J8
O grande ideal e o grande sentido da democracia não era, assim, a li· berdade, mas a
jusriça,
único critério capaz de legitimar autoridades e supe rar rórulos de regimes: "O que há de eterno no ideal democrático é essa aspiração de justiça social. Mesmo o problema da liberdade, tlio exagerado pelos filósofos do liberalismo, passava a segundo plano, diante do proble ma da justiça: "pois a liberdade só se legitima quando é justa( ... l,
quando nlio se faz instrumento de reivindicações egoísticas e de luta de classes, de130