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B- Beş Yıllık Kalkınma Planları (1963-2013)

9. Dokuzuncu Kalkınma Planı (2007-2013)

sentavam uma tendência a voltar ao passado e a fazer ressurgir formas arcaicas de organizaçl!o social

e

política. A estes se juntavam os elementos influenciados por modelos exóticos (comunistas e fascistas).

Vnle notar ai observaçi5es d. Auvedo Amaral sobre a Constituinte de 1 934. Para ele, u eleições de 1933 . B Constituinte foram r.aUzadas segundo 0$ postulados da democucJa liberalu Embora fosse o primeiro exemplo de urna usembléia d. aut"mlcos representante. do eleJtorado, a Constituinte ''ultrapassou 'o das os suas antecessoras na demonstraçlo da lastlmlvel tncapacidade para o desempenho da funçl!o leglsl.tiva" (EA, pu

129).

Esta avaliaçlO n'o

6

orlàinal; Iniunero, IUIOres, ao defenderem o Estado Novo, apontam 1934 como UJruI experiência fracossada. O int.res­ .ante em Azevedo Amaral o! que el. coloca 1934 como etapa preliminar neceSSllrl. para que se tiv<sse uma

prova insofwruvel

de sua ineliciência. "Saro passaI" por uma exporllneia liberal-<lrmocrdtica autêntica, o povo brasile1to díflcUmcme se teria conformado maú tarde com o reglm. auto· ritário que acoU.eu com tanta sati�raçl!o" r;v,

p.

1 33).

As consoqüencias e os .mpasses do prooesso revolucionário pós·30

slIo apre�ntados em detalhe pelo autor, e evIdencIam !C

m

pre lua capocl·

dade do detecl3C /IUQllces. de relativizar interpretaçDes, de .parecer como arguto observador poll·tl.o. e 6 eXJItamMle I complexidade do pósu30 que leva Azevedo Amaral a desotover o ligura de Vargas como verdadeiro con· do/t/�rL "Foi neSS3 .tmosfer� que O país nlo conheccra alé <ntlo que so

tomou positivol a manlfestaç!o livre de uma personalidade superior, re­

velando 15 lUas ftptldOes de um verdadeiro grande estadista"

(cv,

p. 30).

Os eltadi.tas seriam homens oITllstados pelo determinismo bJst6rico 3 de·

sempenhar um papel que nllo proourorom ou desejaram representar. Para Azevedo AmamJ, o. troços de mentalidade o de IcmpiOllImen· tO d. VlIga' o diferenciam "do nosso psiquismo nonual"

(cv.

p. 37). Ele traduz o sentimento nacional, mas se dJstinguc do padrfo d. pensa· mento e de

om09l0

do brasileiro. Suas qualidades superiores .fasuun·se d. mcnralidade comum e O fazem capaz d. ahcrllt os rumos, quebru a rotina e os costumes. "H� portanto no

gênio

o cur4ter de umo crillÇlO complela e acabad. da natureza"

(ev,

p. 97). Sua força 010 procede d .. cultunl 11m'

bitnlal, que ele lranscende atrJ:Y6s d. clarividência, collSllguindo anlever

sitUAÇões futuras, conhecendo a marcha da evolução hi,,6rica. O

g,;nio

se desprende dos siJtellllU Ideol6gicos, dos fanatismos doulrln4rios, nlQ p0- dend

o

�e Jubme'er lIs normas que orientam os medíocres e inferiore •. Para o ".nadlst. de gÔllio". as doutrinas s[o um "lo

s

trumento de movI· mentaçfo das m"'s" e d. encaminhamento dei., para os

objetivos

visadol pelo homem de E,tadO" (C\!, p.

106).

A. doutrinas, "ssim como o. mito., servém como força propulsora e conuol.dom das multidOes.

A Revoluçno de 1930 nLro poderia manter·so "dentro d. 6rbilJl da tenov�ç�1l poUtica, ,em envolver tombém transforma9Ô0' econõnuca, e 50·

68

Estado Novo: Ideologia e Poder

ciais de grandes preporções" (EA, p.

83).

E e sinal significative do gênie peUtico de Vargas foi sua atitude frente ã ques![o social. "Com as leis trabalhistas de Getúlie Vargas, e trabalhader brasileire sentiu pela primeira vez na nossa história ser verdadeiramente um cidadle, de que se cegitava para fazer-lhe justiça e para amparar es seus direites e interesses" (GV, p.

1 1 6) l8

No lugar de uma erdem imposta pela vontade de governante, contrá­ ria ao sentimente popular, Vargas celeceu "a idéia da erdem resultante da cooperaçllo harmoniosa e quase autemática de poder públice cem e pevo" (GV, p.

89).

E "o segrede do estadista censiste exatamente em esta­ belecer uma espécie de modus-vivendi entre o seu pensamento e es objeti­ vos e as tendências da coletividade, de modo que esta se encaminhe no sen­ tido por ele desejade, sem excessivo censtrangimento e identificando-se tanto com a idéia do governante, que acaba per julgá-Ia originada na sua pr6pria censciência celetiva" (GV, p.

39).

Na obra Getúlio Vargas esta­ dista, Azevedo Amaral valeriza a integraç[o simb6lica Estado-naçãe. As petenciatidades do Estado estariam cenfiguradas na personalidade do esta­ dista, em seus traços superieres e distintos: "a recenstituição da vida de um povo coin.cide com a biografia dos seus heróis" (GV, p.

145).

Além de suas anátises sebre o papel das forças econômicas na vida poUtica brasileira e e pese da crise de

1 929

na deflagração da Revoluçãe de

1 930,

encontrames nos textos de Azevede Amaral muites dos cenceites hoje utilizades pela ciência política. As noções de reveluçao conservadora, de vácuo de poder, de cidadania pele trabalho, assim cemo a distinçãe entre autoritarismo e tetalitarismo esta'e presentes em sua obra e atestam a atualidade de seu pensamente.

Mas ao lade desses conceitos de grande atualidade, constata-se a permani!ncia de wna matriz interpretativa que engloba: gevernantes e gevernados, elite e massa, hemens superiores e inferIores. As explicações do auter para esta hierarquia variam: em alguns mementos relacienam-se a interpretações bielógicas, raciais, hereditárias; em eutros, aparecem ceme resultantes de caracteres psicel6gices (instintos) e sociais.

Cem estes pressupostes, o auter formula uma deutrina polftica para o regime de

1937.

A origem da autoridade de Estade estaria relacionada ae pr6prie ato de fundaçãe, e sua legitimidade resultaria da eficácia de­ monstrada na tarefa de construção da nacionalidade. Esta nova autoridade, advinda da fundaçãe do Estade Nove, ebjetivaria e pregresse e o desenvol­

vimento industrial, valores tomados como indiscutíveis e representativos de um estágio superier de civilização.

Azevede Amaral recusa a tradiçãe, seja a que valoriza enquanto me­ delo a experiéncia de centralização de Império, seja a que recupera a his­ t6ria das relações sociais baseadas na "cordialidade". Ele também se volta para o passade, e procura recuperar es períodos em que es elementos di-

Autoridade e Polftica 69 nânticos, sempre ligados à atuaçao de força. econômicas, puderam ou ten. taram tomar o comando, conseguindo a busca da hatmonia entre as for. mas organizacionais e a reaJidade�

Ao recuso r o valor das questOes que pertenciam ao universo da tra. diçao, próprio de seu tem

p

o, o autor funda, a nível de discurso político· ideológico, uma nova tradição - a modernização -, que vai pautar a vida brasileira desde o Estado Novo até nossos dias.

Notas

1. Nélson Wellleck Sodré, OrientaçDes do pensamento brasileiro (Rio de Janeiro: Vecchi, 1952) pp. 19·40.

2. Ver Guerreiro Ramos, A crise do poder no Brasil (Rio de Janeiro: ZahllI, 1961)

pp. 172"82; Aspásia A. Braseleiro, "A teorea política de Azevedo Amaral", Da­ dos, n9 2/3, 1967, pp. 1 94-224; Jarbas Medeeros, "Azevedo Amaral" em Ideolo. gÜl autorit4ria no BrDsil 1930/1945 (Rio de Janeiro: Fundação Getuleo Vargas,

1978) pp. 53·154 e Bolívar Lamouneer, "Introdução" à 2i1 ed. de O Estado aut",itdrio (Br.sllia: UnB, 1981).

J. As citaç�cs das obrõlS de Azevedo Amaral, O Estado autorildrlo e a realidade na­ clonol (Reo de Janeiro: José Olím

p

io, fevereiro de 1938) e GetfJlfo VorgOI esta· dista (Rio de Janeiro: Pongeui, 1941) virão sob a forma EA e CV re,pcclíva­ mente, seguidas do número dil págena correspondente. Os editoreais de Azevedo Amaral para a revista Novas Di/em'zes, denominados "A política do mês" e ,"A política da quenzena". seda citados como ND, mês, ano. Consultar Luís Antô­ nio da Costa Chaves, "Levantamento da revista NOVIJS DiI'etrizf$", (Rio de Ja­ neero: Cpdoc/FGV, 1980) (Mimeo.).

4. Este conceito aparece em Azevedo Amaral, Enmios brasileiros, 2� ed. (Reo de Janeiro: Omena & Barreto, 1930), e é retomado em Gemlio Vargas estadista. S. Este argumento aparece no artigo "Liberdade de imprensa e liberdade econô­

meca no Estudo Novo", Novas Diretrizes, novembro 1938, pp. 25·7. Não consta a autorea deste artigo, mas sua argumentaçã"a é edênteca à desenvolvida por Azevedo Amaral.

6.

Hanna Arendt, "Que é autoridade?" em Entre o passado e o futuro, 2� ed. (São Paulo: Perspectiva, 1972) p, 134 e pp. 1 84·5.

7. Hanna Arl!ndt, Sobre a revolução (Lisboa: Morais, 1971) pp. 21·57.

8. Ibidem, p. 200.

9. Friedrich Meinecke, L 'ld�e de lo ralson d'Btar dam "Hisrofte der temps modero

"ti (Genev.: Droz, 1973) pp. l ·28 . 3 1 ·5 1 .

10. R. Nisbet, "Conservantismo" em T. Bottomere e R , Nisbet, HiarórfIz da andffse sociológIca (Rio de l.noiro: Zahal, 19

8

0) pp. 129·35.

1 1 . A distinção entre autoritarismo

e

totalituLsmo é feita pol Azevedo

Amaral em

O Eltado autorltdrio, 1938. Esta distinção não foe levada a séreo e durante mueto tempo foe vista oorno uma justificateva elaborada a posteriori para mascarar o caráter fascista do Estado Novo. Esta diferenceação é apresentada por 10an Lenz no artego "Totalitarian and authoretarian regemes", em Handbook 01 Political Scitna, v. 3 (Mass.: A.ddison-Wesley, 1975).

12. HanrUt Arendt, "Que é leberdade?" em Entre o piJsSlldo e o futuro, op. cit.,

70 Estado Novo: Ideologia e Poder

13. t predso lembrar que Az.e"cdo AmM'11 t o Il'Idulor do

livro

de t.bnaileseo. O

.m.1<> do <orporo/;';uno, publicodo ""I> Edito .. 10 .. Ollmplo om 1938, um Ino ",pós . WII prlmdra edlç50 �m I(ngua r,..n�

14. N5D t nO,$$O objClívo fl:lUnr um !:aprofundamento da conc!l�pç-ao ,aa

corporath'i.·

mo em Azevedo Amaral.

A

tnUise de

lU .. ' hnpUcaçbe!l.

assim

como su.a dIferen­ ciaçlio em relação 1_ Olltro. ilIutoru d.u. !paca.. ulUl.pasSi Oi IInülCB do ptc�ntc texto.

15. Sobre c 11S:lUnto ver Qui Friedrich, TtGdlçflo ti autoridadt '". clinc.� po/(tiCD (Rio d. l.nol",:

Z,hor,

1974), li'.sl. 3Ulor dlstlngoo I ,ên",.

d. ,ulondado

(b.· 5C8dll 011 crr:nçll ::Iobre 1:11 uCLdiçtio, o) vl1.lom c àS leu) do renômeno em si. Parll

el

e, a lutorit.b..d�

se

fcJaciolll i ane da n:tóricll. � que ellll envoh'c O convenci·

mento, pelo rnciocín1o, de um curso de ação sobRl o qual 010 h4 provI IÓ8icu.. 16. Sobre o um. �r. H. StullJ1 I:tv&hcs. CorudouRltIf 11M totll1ty; lhiE' re:orif"rrtltlon

oreuropan sotUl lhaulln 189().193(). <New

Vork: Alfreel

A. l(napr. 1958),

17,

Manooi

Bonfim, O 8,.,11 (Sio P.ula; N.clonal I 9 3SJ.

18. Sobre o Inbalh:tdor como

ddad'o

da non democracia, "nU'

Aneel. Mlflá

de CanTo Comea. ·'RcdalWobrimento do BtaIiI". nq11 colclinca.

111.