3.SALİH (BOZOK) BEY
4. MUZAFFER (KILIÇ) BEY
4.3. MUZAFFER BEY’İN MUSTAFA KEMAL PAŞA İLE ANADOLU’YA GEÇMESİ
A continuação relato brevemente uma situação de disputa e confronto acontecida na região, em 2010 em território paraguaio, na localidade conhecida como Santa Teresa, que é distrito de Caazapá e que permite pensar justamente na existência de uma disputa mais ampla por um modelo de movimento no contexto da conformação de novos grupos e acampamentos nesse mundo dos movimentos sociais.
Em torno de 30 famílias de origem brasileira haviam sido expulsas de Santa Teresa no Paraguai, da colônia “Laterza”, localizada a 90 quilômetros da fronteira com o Brasil. Com o trabalho de base realizado pelo MST essas famílias foram convidadas para acampar no Antonio brasiguaio. Esse grupo ficou identificado por outros agricultores como “os gaúchos”, formando-se assim um “um grupo dentro de um grupo”. Segundo Barra (2007) é no contexto de estabelecimento de posições e funções no acampamento que “inicia-se a formação de grupos diferenciados, aproximando cada vez mais o acampado de um ‘outsider’” (BARRA, 2007, p. 171).
Seu Zé (José Carlos) que apresentamos anteriormente relata: “então vieram os gaúchos, ai eles naquele jeitão deles, você sabe como é né?” Ele se referia a forma no trato interpessoal, o que propiciou que, nas palavras dele “não deu liga”108. Na mesma época ocorria outro problema na região que resultaria na existência de lotes vazios no assentamento Santo Antonio, e como solução aos desentendimentos com esse grupo, foi proposto INCRA que os “gaúchos”, que chegaram por último, ocupassem esses lotes109.
Esse acontecimento nos recorda a Elias (2000) e a formação de grupos diferenciados.
108 José Carlos foi o indicado para me receber na primeira vez que fui no acampamento como “o homem que gostava e sabia contar a história dos brasiguaios”.
109 Uma operação da Polícia Federal batizada de “Tellus”, gerou um processo que ainda tramita na Justiça Federal, nela se identificou irregularidades no processo de Reforma Agrária na região sob jurisdição da Unidade Avançada do Incra de Dourados-MS.
Esse novo grupo acampado foi visto como “outsider”, que no estudo original era representado por dois grupos que mantinham relações conflituosas, residentes na mesma cidade. Um grupo, reconhecido como establishment local, exclusivamente pelo critério de antiguidade, o outro composto por moradores novos, reconhecidos como “outsiders”.
Os recém-chegados em 2010 estavam no acampamento na época de uma reportagem realizada pela rede globo de televisão, e segundo versões de outros agricultores, foram eles os que mais apareceram na reportagem110. Os “gaúchos”, acabaram indo para o assentamento Santo Antônio que é vizinho ao acampamento Antonio Irmão e hoje são assentados.
Iniciativa parecida encontramos no site do INCRA hoje: ''Abertas inscrições para lotes vagos em assentamentos do Rio Grande do Sul'', o texto da notícia explica:
Desde esta quarta-feira (14) até o próximo dia 15 de novembro, estão abertas as inscrições para 70 lotes vagos em 30 assentamentos do Rio Grande do Sul. Podem concorrer acampados com cadastro atualizado no INCRA/RS, beneficiários que passaram por dissolução de união estável (reconduzidos), candidatos que firmaram acordo de desocupação com o INCRA em processos de retomada de lote (desocupantes), filhos de assentados em condição regular, além de agregados que trabalhem e residam com famílias dos assentamentos. (INCRA, 2015)
Essa forma de seleção choca-se com a “forma acampamento” (SIGAUD, 2000), já que abre a possibilidade de ir “direto” ao assentamento sem passar pelo acampamento, porém também serve como forma complementar de luta pela reforma agrária, já que como no caso do racha do acampamento Antônio Irmão serviu para dirimir conflitos possíveis, promovendo o assentamento daqueles que não se importam em ser assentados em outras comunidades, o que lhe interessa é o acesso à terra. Conforme Barra:
Há práticas culturais distintas em contato no Movimento: os acampados que visam o estabelecimento de uma condição de vida mais digna a partir do uso e posse da terra enquanto a visão dos militantes centra-se na possibilidade da transformação social, na construção de um projeto de nação a partir de uma forma específica de organização e divisão do trabalho entre os assentados. Essas práticas, como em qualquer situação, influenciam-se e modificam-se, agregando valores e ressignificando termos, como a própria noção do que é ser acampado, militante, sem-terra e o que é o próprio MST. (BARRA, 2007, p. 73)
Justamente a dificuldade de pensar “campesinato x trabalhadores rurais sem-terra” reside aqui. A pesquisadora Camila Barra chegou a essas inquietações ao entrevistar o dirigente do MST Delwek Matheus
Em conversa com o autor do projeto da Comuna da Terra, Delwek Matheus, ele
110 No dia 18 de julho de 2010 o programa Globo Rural da rede globo de televisão apresentou a reportagem “Brasiguaios acampados em Mato Grosso do Sul vivem em situação precária”. A reportagem que foi produzida pelos repórteres Camila Marconato e Sandro Queiroz da TV Morena, afiliada da rede globo no Mato Grosso do Sul, foi produzida depois que muitas famílias deixaram o Paraguai e se instalaram no acampamento Antonio Irmão. Tive contato com a reportagem alguns dias depois quando buscava notícias sobre a situação dos agricultores na fronteira. A reportagem ainda se encontra disponível na internet, o vídeo que foi ao ar esta separado em 3 partes e entrevista os agricultores no acampamento. No trabalho de campo encontrei alguns dos entrevistados que confirmam que a reportagem foi fiel a realidade de penúria vivida por eles em 2010.
comentou que o MST estava preocupado em realizar novas discussões sobre campesinato e ressaltar que os sem-terra são trabalhadores rurais e não camponeses, pois a propriedade não pode ser o foco do grupo. Segundo os dirigentes, grande parte dos problemas e conflitos gerados nos acampamentos fundamentam-se nessas “características individualistas” dos sujeitos que vão para as ocupações com o objetivo da posse da terra, enquanto a proposta de assentamento do Movimento baseia-se na organização em cooperativas. (BARRA, 2007, p. 51)
O episódio relatado acima demonstra a dificuldade de se construir uma “identidade”
sem-terra como desejada pelo MST. José de Souza Martins coloca a residualidade dessas
populações como o maior obstáculo para a construção de uma identificação entre os sujeitos Na reserva de terras para uso coletivo, na obrigatoriedade da coparticipação em certas atividades e em certas opções também coletivas, na criação de superestruturas ideológicas e políticas baseadas em valores comunitários e coletivos (...) Por não serem comunidades autênticas, essas comunidades residuais tornam-se vulneráveis justamente no estarem abertas ao estranho, na motivação limitada da busca de terra que não chega a constituir um filtro poderoso de identificação ou de afirmação de identidade. (MARTINS, 2003, p. 25)
O racha ocorrido no acampamento mostra justamente essa dificuldade em construir uma identidade como a desejada pela MST, um dos obstáculos deriva justamente no desejo de muitas das famílias, que optam pelos acampamentos como forma de acesso a um lote de terra, de ganhar autonomia, mesmo que relativa, uma ideia-força que encontramos no mundo rural ou camponês no Brasil. Essa autonomia como já mostrou Wolf (1970) leva à construção de associações temporárias até se atingir o objetivo, que nesse caso é a conquista da terra, uma vez esse objetivo alcançado, a única coisa que pode manter a comunidade ligada de alguma forma é a existência de obrigações com o movimento.
A necessidade de se construir uma identidade na luta leva aos militantes a impor um modelo, uma ideologia que não necessariamente conforma uma ideologia do trabalhador, assim o choque de projetos acaba ficando evidente em situações de acampamento e assentamento. O papel da mística, da organização e participação em atividades tem o papel de cativar o agricultor, isso se faz presente pelo trabalho de base, e também pelo consequente ganho de consciência, mas que não garante naturalmente a adoção imediata desse projeto, pois como lembrou Martins (2003), essas comunidades carregam a residualidade pelos anos de exclusão a qual foram submetidas.
Porém é necessário construir a identidade na luta e isso só pode ser feito com organização e a organização só pode vir do trabalho de base. Não se pode esperar do Estado a resolução da pobreza no campo. O discurso da identidade brasiguaia é legitimo e necessário para dar visibilidade a esses marginais que vivem na fronteira, uma fronteira que é muito mais que uma linha entre dois países, mas uma linha imaginária entre ter cidadania, dignidade e o mais importante para um agricultor; a terra.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Antes de expor algumas constatações que tive durante essa caminhada, gostaria de reforçar que tudo que foi exposto aqui, foi de um lado toda a experiência de minha vida, elas se fizeram em etapas: a primeira, de agricultor camponês, estudante de escola agrotécnica, extensionista rural, técnico no INCRA, acadêmico e autodidata. A formação da minha subjetividade seguiu uma linha, até o momento que entrei no mestrado. Nesse momento uma segunda etapa iniciou: a da formação teórica acadêmica e crítica. Isto é resultado das aulas, do intercâmbio e do contato com os colegas do mestrado, na UFPR, UNESP, ENFF, PUCPR, CIESAS e UAM-X, foram nesses espaços onde tudo o que vivi na prática procurei atualizar teoricamente.
Gostaria de iniciar com um paradoxo: como um alguém que saiu do campo pode descrever o “não fim” de algo que nem mesmo ele conseguiu escapar? Partindo do pressuposto aprendido nesse mestrado da realidade construída, da realidade processual e não estática, haveria a necessidade de condições, de pontes para o futuro, essa ponte pode ser a reforma agrária. Ela deveria ser uma prioridade para o desenvolvimento do nosso país. Algumas razões para a sua não implementação começam pela nossa incapacidade de aceitar a realidade do campo, além do erro na insistência em um modelo da modernidade que falhou, seguindo-se a constatação de que a agricultura baseada em petróleo vai acabar. A luta por se preservar as estruturas dadas remete ao medo da mudança, como um dique que detêm o desenvolvimento verdadeiro. Aqui aparece como central a questão da educação, pois ela seria capaz de mudar o quadro atual que caminha para a barbárie: Necessitamos transcender. Do contrário a crise civilizacional que vivemos o fará (BARTRA, 2014).
No mundo 800 milhões de pessoas não tem acesso adequado à comida, havendo, ainda, um bilhão de pessoas com outro tipo de fome, a nutricional. Temos um bilhão de pessoas que comem, mas estão desnutridas, ou seja, quase um terço da humanidade está mal nutrida. A perda do conhecimento tradicional é o triunfo do sistema industrial, a ruína agrária é o alicerce do agronegócio. Isso faz parte de uma constatação, a objetividade são os dados, a subjetividade como os encaramos, e elas têm sido formadas pelo poder do monopólio radical da modernidade canalha. O barco “afunda e a banda continua tocando” (COLOQUIO 30 ANÕS DEL POSGRADO EM DESARROLLO RURAL, 2014).
O campesinato é mais antigo que o proletariado, o último conta com uma proteção legal (apesar de explorado), a classe operaria é a “galinha de ovos” da burguesia, a sua continuidade está garantida, a do campesinato não, proteger ele, seria proteger a vida. Minha
conclusão é que esse “campesinato do capital” tem algumas características que o contrapõem ao proletariado, ou à “agricultura familiar”.
a) Campesinato.
Essa unidade grotesca, unidade do diverso foi o tema do capitulo primeiro, logo vamos fazer algumas considerações sobre “Os novos camponeses”, será que eles podem ser um paradigma para iluminar alguma utopia?
Observando empiricamente em uma série de oportunidades, poderia destacar algumas características dos camponeses nessa virada de século.
Amanheceram utópicos, estão em marcha, estão em movimento; eles têm uma racionalidade, um modo de vida que não poder ser medido usando ferramentas oriundas da “ciência”, a estandardização das ciências foi a culpada pelo esgotamento do paradigma camponês. Do outro lado, os próprios movimentos sociais têm alguma dificuldade em aceitar esse modo. Trata-se de quimeras, essa unidade do diverso que fornecem vantagens comparativas múltiplas, e que são por natureza agroecológicos. A definição que hoje escutamos do buen vivir é a descrição do que os camponeses fazem ao trabalhar em sua milpa/roça de capoeira, a harmonia dos elementos.
Historicamente vivem o policultivo, da mente inclusive. Mantém a unicidade da vida, de modo que não se pode definir onde termina a produção e começa a reprodução, e “nós”, acadêmicos, tentamos mensurar isso com censos e pesquisas. A profundidade histórica está presente em todas as esferas da sua vida. Na dimensão espiritual, os mortos também vivem no campo, tudo interligado com os astros e as fases lunares. Por último o preço, o lucro não é o que define em última estância a vida de um camponês, e sim o bem-estar, é por este motivo que tantas vezes são chamados de conservadores.
As ameaças que põe em extinção essa parcela da população, na qual incluímos os indígenas, os camponeses e as populações afrodescendentes da América Latina, são na realidade voracidade capitalista em busca bens comunais, orgânicos e inorgânicos. As relações assimétricas a que estão submetidos, vendem barato e compram caro, pois quando dependem do mercado de dinheiro recorrem aos bancos e aos atravessadores. As tecnologias capitalistas não são adequadas às suas necessidades, e ao adotá-las os povos acabam sendo envolvidos em tramas onde se desintegra a sua racionalidade, seguindo-se o despojo territorial.
2004), e nela o capital tenta controlar em primeiro lugar as terras, águas e climas para controlar o negócio da comida, duas coisas inflexíveis, levando às “guerras da fome”, onde explorando como uma renda qualquer, se joga com a escassez, sem contar a crise climática que vivemos e sendo agravada gradativamente com a dominação territorial pelo modelo do agronegócio que, como solução à crise que causa, oferece modelos de pagamentos por serviços ambientais que privam ainda mais as populações locais de suas formas de vida. A ideia é sempre criar mais consumidores.
O empobrecimento do campesinato não é natural, ele é processual, a negação da cultura (incluída a economia) se faz de forma violenta. Objetivamente se faz pela dominação dos mercados onde os agricultores necessitem comprar ou vender e, subjetivamente, pela disseminação de que eles seriam atrasados perante uma cultura e valores urbanos. Vejamos o exemplo do México.
O povo mexicano tem uma história, ou melhor, sua cultura, associada com a comida, um conhecimento milenar. Não existe como pensar no homem de maiz sem imaginar sua comida. O país que já foi um país autossuficiente (segurança alimentar) e inclusive exportou alguns produtos como o trigo, berço da revolução verde, hoje importa 50% de sua comida, comida chatarra111 e vê destruída sua soberania alimentar ao ter os índices de sobrepeso da
ordem de 70% (CICLO DE CONFERENCIAS 1, 2014). O México assinou o acordo de livre comércio em 1994, o país abriu suas fronteiras para os produtos dos EUA e do Canadá, ao troco ofereceu sua mão de obra barata e camponesa nas maquilas e nas fronteiras, mesmo sem perder sua identidade, como no caso de organizações binacionais como a FIOB112. Essas
constatações vêm da experiência de ter cursado o módulo “subordinación y alternativas de desarrollo rural” no México, ali pudemos realizar um estudo sistemático e um final com um trabalho de vivência em campo na Sierra Norte de Puebla, para compreender como a atuação do Capital com o Estado na articulação de políticas públicas para piorar a vida da população local.
No Brasil temos uma ideia equivocada de que o camponês é somente “rural”, e que o país deixou de ser “rural”, sendo agora um país urbano. Deste modo, mesmo as cidades que
111 Chatarra é o mesmo que junk food, são as comidas ultra processadas, ricas e açucares, saís e condimentos. O resultado dessa alimentação é que a pessoa tende a ficar obesa ao mesmo tempo em que está desnutrida.
Norman Borlaug considerado o pai da revolução verde, desenvolveu pesquisas no México a partir dos anos 50 do século passado, com apoio da fundação Ford os seus trabalhos resultaras na variedade de trigo anão. Com isso a produção do país aumentou, tornando-se exportador, esse é considerado o marco inicial do que ficou conhecida a revolução verde.
112 São empresas instaladas em países com mão de obra barata, o produto final é exportado ao país de origem do capital ou a outros, mas não consumido pelo produtor. Depois de 1994 com a assinatura do NAFTA o México foi destino de muitas maquiladoras americanas. Hoje observamos esse fenômeno no Paraguai com relação a empresas de capital brasileiro.
vivem da agricultura ou pequenos são consideradas urbanas113. Em seguida, apoiada nessa
dicotomia, a marginalização da população do campo se faz pelo baixo nível de atendimento do Estado em relação às suas necessidades básicas e grande incentivo de todas as ordens ao modelo do agronegócio.
b) Modernização e busca da terra de trabalho
A modernização na base técnica da agricultura fez aumentar a concentração de terras por um lado, e por outro, fez incrementar os números do desemprego. Essa massa de trabalhadores camponeses tinha dois caminhos: a cidade como proletários, onde 70% dos territórios urbanos da América Latina são locais informais, onde não há cidade Vigliecca (2015) e sendo o outro caminho a organização em movimentos sociais voltada a demandar terra para trabalhar e viver.
Na região que compreende a porção Leste do Paraná e o Cone Sul do Mato Grosso do Sul convergiram dois grandes movimentos; o primeiro foi a vinda de migrantes do Nordeste e outra frente que vinha do Sul. Na mesma época, no Paraguai, acontecia uma marcha para o Leste, os dois países comungavam no pós Segunda Guerra de um pan-americanismo e a Missão Cultural Brasileira no Paraguai preparava o terreno para três levas principais de atração de brasileiros114. A primeira foi a de grandes compras de terras por investidores
brasileiros, a segunda a atração de trabalhadores que formavam um campesinato de fronteira, os que iam desmatar e amassar a terra e por fim a reprodução do campesinato de “colonos” sulistas que foi a terceira corrente. Lembremos que a construção da Usina de Itaipu ia alterar não somente a paisagem, mas também a dinâmica social, e tudo isso acontecia a despeito de uma sociedade indígena Guarani.
A precariedade no acesso à terra no Brasil fez surgir nos anos 50/60 formas de mobilização no campo, essas formas visavam melhores condições de trabalho como no caso das ligas camponesas, que buscavam por terra na forma da lei. Como exemplos, tem-se o caso das invasões no Rio Grande do Sul, que foram reprimidas na ditadura militar e ressurgido com a “reabertura” democrática do país nos anos 1980, e a institucionalização da forma
113 Vivi durante 6 anos em Matos Costa-SC, região da Guerra do Contestado, ali segundo o IBGE vivem 2808 pessoas, o sitio “urbano” continha segundo meus cálculos não mais que 600 residências, o único empregador era o setor público, e os demais viviam da agricultura, mesmo assim era considerada um município com 60% da população urbana, para uma extensão de 420 km².
114 Esta Missão teve suas funções e objetivos sistematizados num acordo assinado em 1952 e esteve em vigor até 1974. Sua ideia inicial era organizar cursos de português, cooperar com a Universidade Nacional de Assunção e desenvolver projetos educacionais de intercâmbio, porém logo tomou grandes proporções.
acampamento através da forma movimento
Com a introdução da Soja e a adoção de cultivos mecanizados novamente os agricultores com menor poder econômico começaram a sobrar. No Brasil por essa época estava acontecendo uma abertura democrática e a expectativa do lançamento de um plano nacional de reforma agrária. O MST acabara de se organizar e os agricultores decidiram regressar em massa, com um discurso que os diferenciava, eram binacionais e revindicavam seus direitos no Brasil, que segundo eles haviam sido violados no passado.
A própria categoria “sem-terra”, como demonstra Rosa (2009a), é uma categoria historicamente construída, e que não existe como categoria autônoma em relação ao Estado. Surge no Rio Grande do Sul, no contexto do governo Brizola (1959-1963), com o sentido de orientar políticas de governo para pequenos agricultores, tendo sido apropriada e seu significado modificado depois por movimentos e organizações de trabalhadores rurais. No entanto, foi o MST o movimento que “consagrou a categoria social sem-terra” como uma forma social de reconhecimento público (ROSA, 2009 a, p. 197).
O retorno dos agricultores que usaram como arma o discurso da identidade brasiguaia ajudou a consolidar a forma acampamento. No trabalho de campo, ocasião onde a professora