3.SALİH (BOZOK) BEY
4. MUZAFFER (KILIÇ) BEY
4.6. MUZAFFER BEY’İN ŞAHSİYETİ VE ÖZEL HAYAT
4.1 A Diáspora
Um dos principais temas tratado no reggae é a diáspora negra. Segundo HAESBAERT (2006), a diáspora é uma palavra marcada pelo desenraizamento violento, pelo domínio etnocêntrico e eurocêntrico, portanto, pela perda, mas, ao mesmo tempo, pode significar um desejo de modificar-se nos espaços outros, nos espaços dos outros, no meio de psicogeografias móveis.
Ao contrário do que dizem muitos autores, os membros de uma diáspora não estão ‘desterritorializados’, mas territorializados de forma muito mais complexa do que a manifestada pelas territorialidades tradicionais uni escalares e bem demarcadas. O território da diáspora é um território múltiplo, tanto no sentido de coexistirem diferentes formas territoriais justapostas quanto no sentido de serem vivenciados distintos territórios simultaneamente. Assim, eles se estendem desde o “gueto” ou o bairro mais fechado – como as Chinatowns mundo afora – até o Estado-nação ou a região de origem e os territórios articulados em rede com outros grupos em diferentes países.[...] A diáspora, nesse sentido, pode constituir o protótipo de uma territorialidade em rede globalmente articulada, bem diferente da tradicional lógica territorial zonal e exclusivista dos Estados nacionais moderno-coloniais. (HAESBAERT, 2006, p.95)
Esses territórios descontínuos, mas conectados em rede, fizeram com que houvesse uma conexão muito forte entre algumas comunidades negras como as latino-americanas com as na Europa, além de países como o Canadá, que devido a uma grande imigração de jamaicanos,
também encontra um grande movimento que muitas vezes não são lembrados. O reggae então precisava de um símbolo para criar sua espacialidade, e os sistemas de som seriam uma forma agressiva, mas pacifica de cumprir tal objetivo.
4.2 - Sound-System
O reggae surge enquanto uma arte popular que exprimia as desigualdades ético-sociais e amplificava aos ouvidos de uma sociedade sedenta por mudanças uma crítica ao sistema político aplicado aos negros pelas elites hegemônicas jamaicanas. A relação do artista de reggae na Jamaica “... se estabelece numa perspectiva a partir de uma aguçada consciência crítica do artista” (CHAIA, 2207, p.22) que caracteriza uma arte popular crítica em sua gênese na segunda metade dos anos 1960. (BRASIL, 2011, p.98)
Essa crítica transforma-se em um modo de política, que eram inspiradas em sua religião. Assim, Entende-se por política metafísica aquela operacionalizada por Marcus Garvey ao utilizar a reinterpretação da bíblia para ressignificar a identidade negra das comunidades afrodescendentes da América Central. Reafirmada com a coroação de Haile Salessie I ao trono da Etiópia em 1930, as profecias de Garvey sobre a coroação de um rei negro, forçou um retorno, antes de mais nada, às suas próprias raízes culturais. A política metafísica oferece um posicionamento político que operacionaliza a religião como um vetor de mudança subjetiva interior nos sujeitos que atinge o social e o transforma. Essa busca de uma identidade genuína, o rastafariaismo surge como alternativa oposicional ao modelo ocidental europeu hegemônico, sendo assim uma contracultura dos negros excluídos oriundos das zonas rurais e das periferias dos centros urbanos, mais acentuadamente nos anos 1960. (BRASIL, 2011, p.95)
Ainda nas ideias do autor,
Este exercício reflexivo ajuda a apreender o fenômeno cultural do reggae não como um gênero musical simplesmente, mas como uma matriz cultural que se constitui na Jamaica em meados da década de 1960, e que faz sentido e significa para além da sociedade e do grupo social que o gerou. Sendo assim, é necessário enxergar o reggae enquanto forma produtiva: seus modos de produção e os agentes sociais envolvidos no processo; sem deixar de lado a murada aos conteúdos que nos dirão muito a respeito do tempo histórico e das questões às quais se refere a produção. Neste sentido, a forma é sempre histórica. (BRASIL, 2011, p.97)
Mas além de histórico ele se manifesta no espaço.
A identificação com o reggae dá-se, também, pela ocupação comum de um espaço definido como marginal pela sociedade. Não se trata de espaço
geográfico, embora uma identificação geográfica seja fácil aos locais de concentração da população negra nos centros urbanos. Trata-se de território delimitado social e politicamente, a partir de condições de vida específicas de populações que nem se conhecem, mas que compartilham situações comuns, determinadas pelo processo de escravidão a que foram submetidas historicamente. (BRASIL, 2011, p.124)
Essas ações e discursos começaram então a produzir “lugares” a partir da apropriação dos meios de comunicação, que durante muito tempo vem agindo como forma hegemônica de dominação social. As atitudes então, se tornam por vezes subversivas tentando uma nova re-identificação.
Essa revolução dos meios de comunicação se dá, no entanto, em convivência (pacifica ou não) com os meios e modos tradicionais. O que muda é a velocidade com que as informações passam a ser trocadas, encurtando distâncias entre os lugares do mundo contemporâneo e possibilitando o intercâmbio de uma quantidade muito maior de imagens, sons e textos do que em passado relativamente recente. (Serpa, 2011, p.21)
Isso foi o que impulsionou então a partir de 2000, a divulgação e trocar de experiências sobre sound system a partir da internet. Agora todas as pessoas com acesso à internet poderiam ver as apresentações ao redor do mundo, reproduzir o áudio e principalmente comprar discos em sites de todo globo, criando cada vez mais uma fidelidade entre os fãs e praticantes. A comunicação que majoritariamente acontecia (e ainda acontece) por via de sites de relacionamentos pessoais, o que possibilitavam uma independência maior e com certa facilidade de atingir o objetivo de divulgação sem maiores problemas.
Pode-se perceber a intensificação e a centralidade que as mídias ganham nas sociedades urbanas contemporâneas, ocupando o lugar que antes era ocupado pela religião em outros tempos. Isso aponta para a sacralização das mídias que passou a ter enorme poder simbólico de formação e conformação dos coletivos. (BRASIL, 2011, p.95)
Assim, ao se apropriarem desses meios de comunicação e atuarem em seus respectivos contextos espaciais,
Esses grupos e iniciativas enunciam lugares através de um conjunto de táticas que subvertem as estratégias hegemônicas de produção do espaço, evidenciando o lugar não como algo dado, mas sim como algo dinâmico e processual: algo que se constrói a partir das diferentes trajetórias tempos espaciais dos agentes produtores do espaço. (Serpa, 2011, p.37)
Ainda na ideia de SERPA 2011, podemos ver que:
Esses grupos e iniciativas não dispõem, em geral, de um lugar ‘próprio’ como base segura de suas ações, necessitando ocupar as brechas abertas pela produção cultural dos agentes e grupos hegemônicos que controlam os meios de comunicação de massa. Seu contexto de atuação são os bairros populares e os centros de cultura ‘alternativa’ das metrópoles contemporâneas. Propagam- se e se disseminam a partir de uma matriz popular e ‘alternativa’, por vezes difusa, que de algum modo distingue suas ações e seus discursos através de uma atuação de ordem tática, subvertendo em alguns momentos a lógica de produção (e consumo dos meios de comunicação de massa) (Serpa, 2011, p.27)
Com essa ausência de um lugar próprio, eles acabam atacando esses ‘lugares’ através de ações calculadas.
As táticas seriam, portanto, os métodos praticados em uma espécie de guerrilha do cotidiano, demonstrando uma utilização hábil do tempo, através de movimentos rápidos, que vão mudar a organização do espaço. Elas são um contraponto para as estratégias, vistas como ações que resultam de certo poder sobre o lugar e o transforma naquilo que Certeau vai chamar de um ‘próprio’. As estratégias elaboram e criam lugares segundo “modelos abstratos” e práticas tecnocráticas, enquanto as táticas enunciam lugares a partir de ações ‘desviacionistas’, sendo ambas localizáveis no tempo e no espaço(Certeau, 1994: 92) (Serpa, 2011, p.26)
Essas ações CANEVACCI(2005) relaciona ainda às culturas extremas juvenis,
Àquelas que se movimentam desordenadamente nos espaços comunicacionais metropolitanos e escolhem inovar os códigos de forma conflitiva. Remover os significados estáticos. Produzir significados alternados. Livrar signos fluidos dos símbolos sólidos. (CANEVACCI, 2005, p.47) Esses conflitos travados entre jovens e a sociedade capitalista acabam evidenciando os problemas estruturais presentes no cotidiano deles, onde a família foi desconfigurada pelo modo de produção industrial e a escola sendo cada vez mais sucateada e mercantilizada, e sendo esses movimentos por vezes, uma válvula de escape dos jovens contra o capitalismo.
A partir dos anos 1990, com a democratização da internet, o compartilhamento digital de músicas e o boom das redes sociais, a cultura sound system se espalhou pelo mundo. Hoje existem grandes sistemas de som não só na Jamaica e na Inglaterra, mas também em outros países da Europa, das Américas, África, e em lugares ainda mais distantes, como Japão e Austrália.” (ESTERMANN; AZEVEDO,2013, p.17)