I. BÖLÜM
2. ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ
2.1. MODERNLİK ve MODERNLEŞME
2.1.2. Modernlikten Modernleşmeye Tarihsel Gelişim
Até a década de 70 o setor agropecuário demonstrava pequenas variações quanto aos estabelecimentos dedicados à atividade no município de São Gonçalo do Amarante, inclusive com dificuldades de mensuração devido a modificações de metodologias implantadas pelo IBGE, vigentes a partir desse período. Ao cruzar essas variáveis com a produção econômica partindo-se da análise do Produto Interno Bruto Municipal, torna-se evidente a pequena variação na produção agropecuária ocorrida no município, exceto quando se analisa a seqüência de fortes secas ocorridas nas décadas de 30, 40 e 50, deprimindo fortemente a atividade, no entanto, esse contexto não se constituirá em objeto de análise nesse período por não ser representativo quanto à formação de ATRU s, ainda que sejam apresentadas algumas evidências dessas marcas nas dinâmicas do município.
Mas a partir dessa década ocorreu uma forte queda no número dos estabelecimentos agropecuários em São Gonçalo do Amarante, denotando uma redução da atividade produtiva, de um lado, enquanto verifica-se que os setores de serviços e da indústria, se fortaleceram e ampliaram suas atividades.
No período estudado, a indústria e o setor de serviços se fortaleceram na economia nacional e regional, em detrimento da agropecuária, com impactos diretos sobre os municípios do estado. Como resultante verifica-se o declínio do modelo tradicional das grandes fazendas de oligarquias rurais, dando espaço ao modelo do agronegócio, da agrofamília, dos assentamentos produtivos e da pluriatividade no meio rural, modificando sobremaneira os territórios em áreas com transformações dinâmicas e fortes características transitórias: as ATRU s.
Estabelecimentos Agropecuários em São Gonçalo do Amarante/RN - 1940 a 1995 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1940 1950 1960 1970 1975 1980 1985 1995
OBS: 1950 dados não informados
Total
Figura 2 - Evolução do número de estabelecimentos agropecuários em São Gonçalo do Amarante no período de 1940 a 1995.
Fonte: IPEA. Adaptado pelo autor da base de dados do IPEA. Disponível em http://www.ipeadata.gov.br. Acesso em julho de 2007.
No transcorrer da história, o entrelace de duas dinâmicas urbana e rural criou esse novo espaço, resultante dessa confluência. Associado às dinâmicas intra- municipais, esse processo se aprofunda ainda mais quando o município apresenta- se com características metropolitanas, articulado em redes interdependentes e geradoras de fluxos regionais em uma nova dinâmica de produção sócio-espacial.
Sua conformação atende à expansão da cidade pressionando os territórios agropecuários em dispor de espaços para a ocupação urbana e desenvolvimento de novas produções sócio-espaciais, dependentes de dinâmicas sócio-econômicas e de relações políticas de apropriação do capital e do território, que justificavam a prevalência da produção agropecuária, mesmo que subordinada à cidade ou em função do seu crescimento.
Se de um lado processos tipicamente urbanos como a periferização, a especulação imobiliária, a demanda por habitação, as indústrias, o comércio e os serviços, como também o transbordamento da malha urbana pressionam as ATRU s para apropriação de seus territórios, de outro, as dinâmicas tipicamente rurais de produção agropecuária, reservas florestais, áreas protegidas, assentamentos
agrários, produção não-agrícola e as terras devolutas, resistem na manutenção de suas práticas produtivas e da hierarquia familiar de transmissão de propriedades e costumes de vida, tipicamente rurais, bem como por sua dinâmica regional e sua interação com as práticas agrícolas.
PIB AGROPECUÁRIO EM SÃO GONÇALO DO AMARANTE: 1939 a 2005
0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000 1939 1949 1959 1970 1975 1980 1985 1996 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 PIB AGROPECUÁRIA
Figura 3 - Evolução do PIB municipal do setor agropecuário em São Gonçalo do Amarante/RN no período de 1939 a 2005.
Fonte: IPEA. Adaptado pelo autor da base de dados do IPEA. Disponível em http://www.ipeadata.gov.br. Acesso em julho de 2007.
Assim, o município de São Gonçalo do Amarante deve ser analisado também a partir das relações comerciais, produtivas e sociais, com os demais municípios metropolitanos. Como exemplo disso, algumas produções tradicionais, muito expressivas (como cana-de-açúcar, a pecuária e a fruticultura), estenderam-se por toda a metrópole, a mais de dois séculos. Em São Gonçalo do Amarante a produção de cana-de-açúcar e a atividade pecuária demonstraram-se mais expressivas durante as décadas de 70 e 80, entretanto, com baixa participação no PIB municipal e estadual. Como elemento determinante na atividade econômica, o setor agropecuário manteve-se, no período estudado, como irrelevante, entretanto, as fazendas rurais se constituiriam em importante estoque de terras para o assentamento de infra-estrutura de grande porte na virada do século, com a instalação do aeroporto de São Gonçalo do Amarante.
Na RMNatal, no entanto, a produção agrícola sempre teve seu destaque até a década de 70, tendo sido superada paulatinamente pelo setor de serviços na conformação do PIB da Região, durante as décadas seguintes.
A atividade canavieira na Região foi a que mais cresceu em 2002, apoiada na expansão da fruticultura irrigada, produzindo nesse mesmo ano um total de 2.011.241 toneladas. A safra canavieira cresceu 22% em 1999 em relação ao ano anterior. Porém, atualmente ainda é a menor atividade econômica do estado, superada por uma nova estrutura política, econômica e social, mais fortalecida nas atividades de comércio e serviços e no setor público (BRASIL/IBGE; 2003).
Com a decadência do trinômio gado-algodão-cana de açúcar, com mais intensidade a partir da década de 70, o setor terciário se fortalece como uma espécie de reação econômica à crise (FELIPE; 1999, apud SILVA; 2001).
A partir de meados da década de 70, com a instalação do Distrito Industrial na área de triplo limite de município (São Gonçalo do Amarante, Natal, Extremoz), o setor industrial impulsiona o crescimento do PIB até a virada do milênio. A partir do ano 2000, o setor que mais cresce no município é o de serviços até o ano de 2004, quanto há uma retomada de crescimento do setor industrial, especialmente impulsionado pela indústria têxtil.
No período compreendido entre 2002 e 2005, a produção industrial de São Gonçalo do Amarante, fez com que a participação do município no Produto Interno Bruto estadual crescesse quase o triplo. De acordo com os dados do IBGE (BRASIL/IBGE; 2008), o PIB do município teve variação nominal de 307,7%, bem acima de todas as outras cidades do estado. No mesmo período, o crescimento de Natal foi de 52,9%, e Parnamirim com 32,3%.
Ainda segundo o IBGE, em 2002 São Gonçalo do Amarante ocupava o quarto lugar entre os cinco maiores PIB municipais do RN e contribuía com 2,3% do PIB estadual total daquele ano. Entre 2003 e 2004, o município ficou em quinto lugar, com 2,5% do PIB do RN. Já em 2005, ano cujos dados são os mais recentes, a participação do município passou para 6,4% elevando-o à terceira posição, ocupada até então, pelo município de Parnamirim desde 2002 (BRASIL/IBGE; 2008).
PIB total e desagregado de São Gonçalo do Amarante/RN: 1939 a 2005 0 100000 200000 300000 400000 500000 600000 700000 800000 1939 1949 1959 1970 1975 1980 1985 1996 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 PIB TOTAL PIB SERVIÇOS PIB AGROPECUÁRIA PIB INDÚSTRIA
Figura 4 - Evolução do PIB municipal total e desagregado por setor da economia em São Gonçalo do Amarante/RN no período de 1939 a 2005.
Fonte: IPEA. Adaptado pelo autor da base de dados do IPEA. Disponível em http://www.ipeadata.gov.br. Acesso em julho de 2007.
Dentre as indústrias que mais se destacou no município, a indústria têxtil ocupa lugar de destaque capitaneada pela Coteminas, uma das principais do município, a Capricórnio e a Coats, ambas, situadas no Distrito Industrial local, próximo á BR 406. Porém o avanço não decorre apenas das gigantes ali instaladas. Atualmente, a cadeia produtiva do setor têxtil está estruturado em uma unidade industrial central (como as citadas anteriormente) e diversas pequenas empresas (denominadas facções) especializadas em produção de diversos elementos componentes dos produtos industriais finais (como colarinhos, punhos de camisa, etiquetas, dentre outros) desenvolvidos e consumidos de forma dirigida pelas grandes indústrias, mas produzidos pelas pequenas empresas.
Dessa forma, o setor vem se constituindo como forte gerador de emprego e renda e transformador das economias locais. Além do considerável aumento na produção e nas vendas, várias empresas menores, prestadoras de serviços, surgiram principalmente nas localidades de Amarante, Jardim Lola e Golandim. Segundo o IBGE (BRASIL/IBGE; 2008), em 2004, o município abrigava 136 empresas, empregando aproximadamente 3,8 mil pessoas, impulsionando a
expansão urbana dessas localidades e a formação de ATRU s no seu entorno e nas margens da BR 406.
Outro fator que vem colaborando intensamente, a partir de 2006, com a ocupação dos espaços municipais pelo capital privado, diz respeito ao início das obras do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante e sua inclusão no programa governamental federal intitulado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)23, de responsabilidade do governo federal, pressionando ainda mais o espaço rural situado no entorno ao aeroporto, por transformações impostas pelo capital especulativo, com reflexos imediatos nos territórios agrícolas e na conformação das ATRU s em suas cercanias.
As localidades rurais existentes no entorno do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, estão em pleno processo de constituição das ATRU s, cujas dinâmicas de transformação do uso e ocupação do solo estão sendo alteradas de forma intensa e acelerada, sob pressão do capital imobiliário. Constatou-se o avanço das construções destinadas à implantação da logística aeroportuária, com construção de unidades habitacionais e comerciais, sobre as áreas agrícolas.
Nesse contexto, as ATRU s não mais refletem apenas a confluência dos aspectos econômicos intra-municipais. Refletem também as interfaces municipais e regionais, em ambientes urbanizados ou ruralizados, influenciados pela globalização.
Esse cenário condiz com o que Linhares; Magalhães; Monte-Mór (s.d.) discorrem ao tratar sobre a transformação paulatina das cidades em função da dinâmica do capital no espaço, quando analisam que o progresso técnico e às leis de acumulação do capital determinam as formas de urbanização.
Complementando os autores, em São Gonçalo do Amarante, além das formas de urbanização diversificadas, as relações sócio-espaciais e os aspectos culturais e políticos também sofrem forte influência, sendo determinantes e determinados pelo progresso técnico e informacional, pelo acesso à tecnologia e pela acumulação do capital e apropriação dos territórios.
23 Programa lançado pelo Governo Federal em 2008 onde prevê fortes investimentos em infra-estrutura produtiva
Golandim Golandim Jardim Jardim Lola Lola Guagiru Guagiru Ma Maççarandubaaranduba Amarante Amarante Regomoleiro Regomoleiro Santo Santo Antônio Antônio ATRU ATRU Bela Vista
Bela Vista ArvoredoArvoredo
Calif
Califóórniarnia
Golandim Golandim Jardim Jardim Lola Lola Guagiru Guagiru Ma Maççarandubaaranduba Amarante Amarante Regomoleiro Regomoleiro Santo Santo Antônio Antônio ATRU ATRU Bela Vista
Bela Vista ArvoredoArvoredo
Calif
Califóórniarnia
Figura 5 - Mapa esquemático de ocorrência das principais ATRU s em São Gonçalo do Amarante em áreas específicas de crescimento. 2007
Fonte: Adaptado pelo autor, da base de dados em mapas de Google-earth maps. Disponível em http://www.googlemaps.com.br. Acesso em janeiro de 2008.
Sendo um espaço de intensa pluriatividade as ATRU s demandam uma atenção especial do Estado, para manutenção do crescimento sustentável, economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente equilibrado. Dessa forma, necessita da garantia de acesso aos bens e direitos coletivos e difusos, bem como do cumprimento do princípio constitucional de que a terra, a propriedade e a cidade exerçam sua função social, os quais devem ser expressos, definidos e ter seus instrumentos regulatórios e indutores delimitados de forma clara e objetiva no Plano Diretor do Município.
Esse equilíbrio territorial e urbano, instituído em consonância aos preceitos do Estado Democrático de Direito deve desenvolver-se a partir de uma ordem jurídica , entendida por Fernandes (2002) como o conjunto de leis que define os padrões de legalidade , mas que também reflitam as dinâmicas características dos territórios, sem estandardizá-los ou excluir os ambientes com dinâmicas extremamente diversas, logo de difícil normalização, como são as ATRU s.
Um dos fatores marcantes da materialização da ocupação de seus espaços tem sido o crescimento demográfico. Mas é importante considerar que os indicadores demográficos, devem ser analisados sob o reflexo das produções sócio- espaciais, culturais e de suas dinâmicas subjacentes. Nas ATRU s, a dinâmica da população reflete a pressão sobre essas áreas de transição como a dinâmica de expansão urbana e a expansão das fronteiras agrícolas.
Na Região Metropolitana de Natal RMNatal, a macrocefalia24 da capital chega aos limites de seu espaço físico-territorial a partir dos anos 70, transbordando para a zona rural de São Gonçalo do Amarante (SILVA(b), 2001), incidindo sobre as
localidades de Amarante, Jardim Lola e, posteriormente, Golandim.
No período intercensitário de 1991 a 2000, São Gonçalo do Amarante apresentou um crescimento anual de 4,82%, bem superior ao verificado na Região Metropolitana de Natal. Nesse período verifica-se na RMNatal uma redução na aceleração do crescimento populacional, refletida por taxas de crescimento cada vez menores.
Figura 6 - Evolução da população residente em São Gonçalo do Amarante no período de 1970 a 2000.
Fonte: TINÔCO FILHO (Coord.). Plano Diretor Participativo de São Gonçalo do Amarante: Relatório técnico de leitura da cidade. São Gonçalo do Amarante: PMSGA/START PESQUISA. 2007.
Em seus espaços, o crescimento e a expansão dão-se através, primordialmente, de um processo que envolve o aumento do preço dos lotes nas
24 Conceito definido por SANTOS
(c) (2005). p 06. 1970 1980 1991 2000 0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000 18.826 30.797 69.435 45.461
áreas centrais, ocupadas por classes de renda mais alta, e o parcelamento do solo nas áreas mais periféricas e distantes dos núcleos centrais, excetuando-se algumas ilhas de condomínios fechados, como enclaves de nobreza nas regiões periféricas. Porém, em São Gonçalo do Amarante, esse processo foi mais expressivo nas localidades rurais de Amarante e Jardim Lola, em oposição a sua sede, onde o transbordamento da malha urbana de Natal e a instalação de indústrias atraíram a ocupação inicial dos espaços, por segmentos populares, mas com forte tendência de
expulsão branca dessa população pela excessiva valorização imobiliária, decorrente da expansão urbana, da instalação de indústrias e de investimentos em infra-estrutura como a instalação do Aeroporto, próximo a essas localidades.
Nesse sentido, verifica-se um tipo de morfologia urbana marcada pela construção verticalizada nas áreas mais valorizadas e a horizontalização em áreas cada vez mais distantes destes núcleos centrais, ocupada por uma população de baixa renda. Essa divisão sócio-espacial tem marcado as cidades metropolitanas, onde tal fenômeno de segregação é cada vez mais presente (SILVA, 2003).
Ao final da década de 90, com a interrupção dos avanços democráticos da política de reforma urbana e do crescimento econômico a partir de 1997, Natal passa por momentos de recrudescimento em seu desenvolvimento. Entre 1999 e 2004 o fluxo migratório inverte o seu movimento, verificado tanto no retorno de migrantes interestaduais, como na ocupação dirigida em áreas cada vez mais distantes da capital Natal, ao passo que a informalidade urbana se acentua, ora por leniência da gestão municipal, ora por privilégios ao capital imobiliário especulador e promotor de segregação urbana e exclusão social, à margem da legislação vigente.
Segundo Cunha (1987; apud SILVA, 2001)25, os conjuntos habitacionais da Zona Norte de Natal erigidos pela Companhia de Habitação COHAB e aqueles da Zona Sul com padrão diferenciado pelo INOCOOP, destinaram moradias aos trabalhadores. No entanto, não resolveram o problema do déficit habitacional, visto que segundo SILVA (2001) a política habitacional desenvolvida em Natal não respondeu satisfatoriamente à questão da moradia.
Vale ressaltar que em 1970 a população favelada da cidade foi estimada em 20.000 habitantes; em 1979, eram 50.000 habitantes. Vários programas
25 CUNHA, Gersonete S. da. Natal: a expansão territorial urbana. Natal, 1991., apud SILVA, Anelino
Francisco da, (2001): analisam sobre o impacto dos conjuntos habitacionais na solução de moradia ante o rápido crescimento populacional da década de 70 em Natal e os processos migratórios no período.
habitacionais direcionados à erradicação de favelas foram implantados em Natal entre 1993 e 199626, mas esses programas foram interrompidos após esse período e em 1999, a capital apresentou 62.772 habitantes ocupando habitações subnormais, correspondente a 9,57% da população total residente27. Com a melhoria do sistema de transporte e a conseqüente queda de seus custos operacionais, associados ao aumento da oferta de empregos, as ATRU s, especialmente aquelas próximas aos eixos de escoamento de produção e mão-de-obra, tem sido pressionada por ocupação de habitações e pelo capital imobiliário especulativo.
O transbordamento de Natal se deu inicialmente sobre as localidades rurais limítrofes à Capital Amarante e Jardim Lola e em seguida, para as localidades rurais de Regomoleiro, Santo Antônio (no entorno da RN 160) e para Golandim e Maçaranduba (no entorno da BR 406). Como resultante o município apresenta atualmente essas localidades rurais com população muito superior àquela observada em sua sede.
Esse processo elucida o fato de o município ter mais habitantes na zona rural em relação à zona urbana. O adensamento populacional nessa área decorre principalmente do crescimento da capital Natal, município adjacente, onde a ocupação de localidades são-gonçalenses limítrofes à capital apresenta relações causais e de sentido com os fluxos de expansão urbana, o fluxo migratório, a procura por áreas menos antropizadas pelos empreendedores imobiliários para a instalação de condomínios horizontais e verticais e, também, a intervenção do capital imobiliário e financeiro associado aos interesses políticos concentrados nessas regiões.
Tais fluxos apresentam-se com viés demográfico (processos migratórios), ou em mutações na economia (avanço de setores específicos da economia, como o turismo litorâneo); sócio-políticos e ambientais (retirantes de zonas secas em busca de emprego e alimentação; assim como em ocupações de APP s28 por habitações precárias), dentre outras.
26 Como nas favelas Do Fio , do Baldo e África com a construção de 300, 350 e 1.000 Unidades
Habitacionais respectivamente, através do inovador Programa Habitar Brasil do Governo Federal, lançado à época.
27 Dados de SEMPS/SEMURB (1999), apud SILVA, Anelino Francisco da, (2001).
28 Áreas de Preservação Permanente conforme estabelece o Artigo 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965
Figura 7 - População residente em São Gonçalo do Amarante por espécie de domicílio no período de 1970 a 2000.
Fonte: Adaptado pelo autor de base de dados do IPEA, disponível em http://www.ipeadata.gov.br. Acesso em julho de 2007.
Esses fatos colaboraram para que o crescimento de São Gonçalo do Amarante (4,82% a.a) e o da RMNatal (2,63% a.a) tenham sido bem acima daqueles observados no estado (1,58% a.a), na Região Nordeste (1,31% a.a) e no Brasil (1,68% a.a) no mesmo período29.
Vários são os fatores que contribuíram para o crescimento populacional em São Gonçalo do Amarante, tendo a migração um papel importante, ainda que direcionada e atraída pela capital Natal, mas com repercussões representativas no município são-gonçalense, tanto em movimentos migratórios de Natal para São Gonçalo do Amarante (transbordamento da malha urbana), como avindos de outros municípios (atraídos pela atividade econômica, especialmente a construção civil, assim como por êxodo rural decorrente da seca e declínio da atividade agropecuária).
São Gonçalo do Amarante apresenta-se, portanto, como o segundo município em taxas mais elevadas de crescimento populacional (Tabela 01), na RMNatal.
29 IBGE. Censos 1991 e 2000. 1970 1980 1991 2000 0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 Urbana Rural
Município Pop 1991* Pop 2000 Densidade** TCA*** Ceará-Mirim 52.157 62.424 85,98 2,02 Extremoz 14.941 19.572 144,98 3,05 Macaíba 43.450 54.883 112,01 2,63 Monte Alegre**** 15.871 18.874 85,1 1,89 Natal 607.330 712.317 4.214,89 1,80 Nísia Floresta**** 13.934 19.040 61,03 3,53 Parnamirim 62.870 124.690 989,60 7,82 São Gonçalo do Amarante 45.461 69.435 266,03 4,82
São José de Mipibu**** 28.151 34.912 119,15 2,42
RMNatal 884.165 1.116.147 408,26 2,62
*Apenas para ilustrar a projeção do número de habitantes da futura RMNatal. **Densidade expressa em n° de habitantes/km2. 2000.
*** Taxa de Crescimento Anual 1991 a 2000 em percentuais.
**** Apesar de só haverem sido integrados à RMNATAL após 2000, foram contabilizados para possibilitar análise comparativa do crescimento populacional no período intercensitário, bem como da densidade populacional e população total.
Tabela 1 - População total, densidade populacional e taxa de crescimento anual em municípios da RMNATAL 1991 a 2000.
Fonte: Adaptado pelo autor, de Observatório de Políticas Urbanas e Gestão Municipal, IPPUR/UFRJ- FASE. 2003; e IBGE, Censos 1991 e 2000 (BRASIL/IBGE 1994; 2001).
Silva (2001) observa o movimento migratório relacionando-o principalmente a dois fatores: o crescimento urbano, que desde 1940 vinha se realizando de forma muito acelerada, tendo na construção civil forte atrativo de mão-de-obra com baixa exigência em qualificação, o que apresentava-se como alternativa viável para a rápida absorção da mão-de-obra oriunda do campo e; as transformações ocorridas nas relações de trabalho no meio rural, decorrentes da expansão capitalista sobre o modo de produção nas atividades primárias (agricultura e pecuária), associado ao declínio das tradicionais fazendas (ARAUJO, 2006).
No meio urbano, São Gonçalo do Amarante, assim como a maioria dos municípios metropolitanos mantinha a situação de segregação urbana e dominação do capital especulativo, preponderando sobre o direito coletivo, associados à omissão do Estado em relação à garantia do cumprimento da função social da
propriedade, do direito à posse regular e à propriedade, do direito à moradia e do