• Sonuç bulunamadı

água, se morrer o rio, a vida do Karajá acaba. Alimentação

fundamental do Karajá é peixe do rio. Construção da hidrovia

Araguaia!Tocantins se sair este projeto é impacto para o povo, porque

eles produzem não para distribuir para o Brasil, mas para levar para

fora, o transporte é para exportar para o exterior, o capitalista não

respeita e destrói a vida do ribeirinho, retireiro da região do Araguaia

e dos indígenas Karajá (Município de São Félix do Araguaia, RP

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Assim, “para além de um recurso hídrico, a água encerra uma infinidade de valores que jamais podem ser taxiados pelo valor do mercado. [...] Tem todas as cores, sabores e odores que operam na sensibilidade imaginária ampliando nossa realidade (SATO, 2005, p.15). Para esta autora, a cosmologia indígena, bem como mitos e lendas da sabedoria popular revelam que a água agrega valores da vida cotidiana, e, simbolicamente, carrega várias interpretações bastante próximas às descobertas científicas da sociedade contemporânea.

Diante do exposto, nossa opção é por utilizar a palavra água e não recursos hídricos, a palavra recurso é associada ao valor econômico. Escolhemos atribuir a este elemento o valor da vida e não do mercado. O descompasso entre a concepção que confere apenas o valor econômico a este elemento e a outra que atribui valores simbólicos tem gerado inúmeros conflitos, principalmente no que tange o enfrentamento da concentração de riqueza e poder nas mãos dos grandes consumidores de água; e na exclusão dos grupos sociais tanto no acesso à água quanto nas tomadas de decisão sobre as demandas, usos e conservação deste bem vital.

Com 13,8% das águas doces do planeta, o Brasil é considerado um país rico, devido à abundância deste elemento. Além dos caudalosos rios, contamos com fartas águas subterrâneas e somos o único país de dimensões continentais em que chove sobre todo o território nacional. Por razões óbvias as águas brasileiras são objeto de cobiça nacional e internacional (MALVEZZI, 2005). Todavia, nosso cuidado ambiental com esse valioso elemento é desproporcional a esse privilégio e esta concepção de abundância da água tem trazido prejuízos incalculáveis, pois, além da questão do alto desperdício, a água não está acessível a toda a população.

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Petrella (2003) afirma que existe uma ideia generalizada que o crescimento demográfico é um dos fatores que está levando à redução das reservas hídricas mundiais. Segundo este autor, esta é uma posição simplista, é verdade que a água está escasseando, mas o motivo principal é o modelo atual de utilização da água, que é absolutamente insustentável. Exemplo disso são a agricultura extensiva e a produção industrial que absorvem enormes quantidades de água.

Com a política de incentivo à exportação, os custos do uso das águas, na maioria das vezes, não são computados na produção de bens de consumo. Quando se exporta soja, milho, alumínio e papel, há muita água sob a forma de grão que não estão inseridos no valor do produto, essa não computação dos preços gera as chamadas externalidades. Malvezzi (2005) enfatiza que no Brasil a irrigação está voltada para a produção de grãos, frutas para exportação, mas também da cana irrigada para produção de álcool e açúcar. Produzir grãos em território alheio é poupar água no próprio território. De acordo com o autor citado, as técnicas pesadas como pivôs centrais, irrigação por sulco, consomem ainda mais água que a microaspersão.

A humanidade terá que rever seu consumo de água para irrigação. Não existe água para que esse modelo de produção continue ao infinito. Por exemplo, 1 quilo de soja produzida exige 1.000 litros de água, 1 quilo de frango exige 2.000 litros e 1 quilo de carne de boi são necessários 20.000 litros (MALVEZZI, 2005). Isto significa que, quando o País exporta grãos e carnes, está também exportando grande quantidade de água. No entanto, para uma grande maioria de cidadãos mato-grossenses esses números não são considerados alarmantes e o discurso de escassez não sensibiliza, devido a equivocada ideia de abundância.

As externalidades, na teoria econômica, são danos causados por algumas atividades a terceiros, sem que esses danos sejam incorporados no sistema de preços (ACSERALD, 1994, p. 129). Podemos citar, como exemplo, a poluição das águas por agrotóxicos, mercúrio e chumbo que levam à deterioração da flora e da fauna, assim como da qualidade de vida dos seres humanos. Em outras palavras, os danos acarretados à natureza e às populações atingidas, não são computados no sistema de preços desses produtos agrícolas e, muito menos, compensados.

Considerado divisor de águas, o Estado encontra-se em posição de destaque em relação aos bens hídricos, uma vez que o complexo de águas mato-grossenses congrega

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três regiões hidrográficas brasileiras: a Região Hidrográfica do Paraguai, com área de 176.800 km2, que abrange 19,6% da superfície estadual; a Região Hidrográfica Amazônica, com 92.382 km2, que ocupa 65,7% do território; e a região Tocantins-Araguaia, com 132.238 km2, que corresponde a 14,7% da superfície do Estado (BRASIL, 2006). Além disso, uma grande porção das bacias da região Centro-Oeste tem suas nascentes em terras mato-grossenses. Essas características, por si só, já seriam suficientes para se dedicar atenção especial ao Estado quanto à água.

Entre a abundância e a escassez o que ganha relevo é a injustiça ambiental em MT, pois, embora sendo um Estado rico em água, a mesma não está acessível a todos os cidadãos. Existem diversos assentamentos de pequenos produtores rurais, comunidades quilombolas e pantaneiras que convivem com sérios problemas de disponibilidade de água potável. A água existe, mas não está distribuída de forma equitativa para os grupos sociais, está, muitas vezes, centrada nas mãos de poucos, formando assim uma trama de relações e interesses que vincula os conflitos que permeiam a dominação das terras aos conflitos da privatização das águas (figura 5.4).

As narrativas revelam o quão grave tem se tornado essa questão no Estado:

„O fazendeiro avançou 25m para dentro da nossa terra para pegar a