2. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ
2.2 Modül 2 – Tasarım & Geliştirme Çalışmalarına Yönelik Yöntem
Apreender dimensões da mobilidade da força de trabalho de médicos no Brasil como determinantes da disponibilidade de médicos no sistema brasileiro de serviços de saúde.
Verificar promoção e crítica em debate sobre iniciativas atuais de mobilidade do trabalho de médicos para áreas remotas e desassistidas no Brasil.
Capturar representações e categorias de pensamento de atores envolvidos na formação médica, na gestão do sistema brasileiro de serviços de saúde e na representação da corporação médica, relacionadas com o fenômeno da dis- ponibilidade de médicos, na perspectiva mobilidade do trabalho de médicos para áreas remotas e desassistidas no Brasil.
Investigação, interpretação e exposição são etapas que constituem a prática de pesquisa que de um momento de concepção se antecede. Na concepção e prática de pesquisa, são utilizados instrumentos conceituais, tais como as categorias de suporte, e instrumentos operacionais, a exemplo das pesquisas bibliográficas ou de outros que coletam dados, como os inventários, as entrevistas, os questionários. E é pela articulação desses diferentes instrumentos, nos mais variados métodos, que a ciência permanentemente se refaz, na busca por conhecer o mundo (COSTA LIMA, 2000).
Neste estudo procura-se apreender dimensões da mobilidade da força de trabalho de médicos no sistema brasileiro de serviços de saúde com a intenção de contribuir para a compreensão e crítica do fenômeno da disponibilidade desses profissionais, como processo sócio-histórico significante para a implementação do Sistema Único de Saúde.
Como estratégia de apreensão do fenômeno, desenvolvem-se táticas de aproximação sucessiva ao empírico da mobilidade do trabalho de médico, do modo como esses profissionais se dispõem no mundo do trabalho, para um retorno teórico que, mesmo provisório, se faça crítico.
Optou-se então pela diversidade metodológica, pela integração de métodos quantitativos e qualitativos, para captura do movimento real do objeto em questão23. Utilizaram-se como procedimentos básicos: a entrevista, a pesquisa bibliográfica e a análise de documentos e de dados secundários de estudos e pesquisas. Desenvolveram-se três momentos simultâneos de investigação cujos resultados são apresentados e discutidos em capítulos distintos.
A pesquisa bibliográfica abrangeu livros, artigos científicos, disserta- ções e teses sobre assuntos relacionadas a migração em geral; migração de médicos; processo e jornada de trabalho; mobilidade do trabalho; trabalho médico; ensino médico; mercado de trabalho em saúde; mercado de trabalho médico e sistema de serviços de saúde.
A análise de documentos se desenvolveu a partir de relatórios de pes- quisas; de apresentações em eventos e de notícias em sites eletrônicos co-
em saúde; de governantes e de representantes da categoria médica frente ao problema da disponibilidade de médicos.
Considerou-se o valor heurístico dos dados secundários de estudos e pesquisas do Conselho Federal de Medicina; da Estação de Pesquisa de Sinais de Mercado da Universidade Federal de Minas Gerais e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Documentos, livros, artigos, dissertações e teses estão citados como referências em capítulo próprio e/ou aparecem em notas explicativas ao longo do texto.
Tomadas as referências bibliográficas e documentais, para discussão dos resultados foram elaborados dois textos. No primeiro, que serve de referencial de análise de toda a pesquisa, apresenta-se uma contribuição para a compreensão e crítica da disponibilidade do trabalho de médicos, como processo sócio-histórico, observado no contexto do sistema brasileiro de serviços de saúde. No segundo, são abordadas iniciativas de mobilidade do trabalho de médicos como objeto de emergente debate que no momento se trava em torno da disponibilidade de médicos no Brasil.
Elegeu-se a entrevista como o instrumento adequado para promover a aproximação do empírico do trabalho de médicos com perspectivas de interiorização, com a intenção de colher representações e categorias de pensamento como expressão, explicação, justificativa ou questionamento da realidade investigada, admitindo-se que “é no plano individual que essas representações se expressam e a linguagem constitui a mediação privilegiada”. Atentou-se para a situação de “representatividade da fala” como “reveladora de condições estruturais de sistemas de valores, normas e símbolos” que pode transmitir “representações de grupo determinado em determinada condição, histórica, sócio-econômica, cultural”; assim como para a “relação pesquisador/pesquisado” reconhecendo que “a entrevista não é um trabalho unilateral, ou uma exploração, é uma interação social, onde os atores afetam-se, beneficiam-se e prejudicam-se mutuamente”24
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cinco módulos. No primeiro são registradas informações sobre o entrevistado. No segundo, com fins de contextualização, se apuram concepções do entrevistado sobre a Medicina; a condição de ser médico e o modo como se organiza o trabalho médico e no terceiro se interroga sobre possibilidades e limites de interiorização do trabalho médico. No quarto módulo, levantam-se questões relativas a outras situações sociais, econômicas, culturais, de gênero, que pudessem estar envolvidas no problema e, no quinto módulo, pede-se a opinião sobre duas estratégias de interiorização que dominam polêmicas sobre o assunto: carreira de estado e serviço civil. E por último ainda se perguntou sobre perspectivas do entrevistado trabalhar ou voltar a trabalhar no interior além de se lhe conceder tempo para outras considerações. As perguntas dos módulos foram entremeadas a fim de se minimizar eventual processo de “contra-controle” do entrevistado.
Constituiu-se o campo de pesquisa, para essa aproximação sobre a mobilidade/disponibilidade do trabalho de médicos, procurando garantir que se discutissem de forma extensiva e intensiva, embora não específica, as perspectivas de interiorização do trabalho médico, com referências à formação médica; à gestão do sistema brasileiro de serviços de saúde; e à representação da categoria profissional médica. Foram então entrevistados oito atores das seguintes instituições:
- Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Med/UECE); - Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (FM/UFC); - Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA/CE);
- Conselho de Secretários de Saúde (CONASS);
- Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Ceará – (COSEMS); - Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (CREMEC/CFM); - Associação Médica Cearense / Associação Médica do Brasil (AMC/
AMB);
- Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará (SIMEC).
São oito médicos, com idade entre 50 e 60 anos, que se formaram entre 1973 e 1985. Há dois especialistas em Saúde Pública; um em Cirurgia Oncológica; um em Gestão de Sistemas Locais de Saúde; um em Cirurgia Geral;
entrevistas foram realizadas em hora e local escolhidos pelos entrevistados. O primeiro módulo foi preenchido em um formulário e os outros foram gravados, sem recusa de nenhum entrevistado. Depois de aplicadas as entrevistas foram transcritas, impressas e então submetidas a duas etapas de análise: longitudinal e transversal.
Na primeira etapa, longitudinal, cada entrevista foi submetida a três leituras - cursiva, analítica e crítica. O objetivo foi dominar os textos, procurando detectar a recuperação ou a recomposição de algumas respostas que, por um mecanismo de contra-controle, os entrevistados tenham realizado, no decurso da entrevista, ao responder outras questões.
Numa segunda etapa, compuseram-se, transversalmente, todas as respostas dos oito entrevistados a cada uma das questões, aproveitando-se as recuperações e recomposições detectadas. Assim compostas, buscamos então, comparando-as, estabelecer uniformidades e contradições entre os entrevistados mas sobretudo colher a diversidade de representações que, pelo universo investigado, ia-se revelando, em algumas das questões. Estivemos atentos também a contradições que se apanhavam por um olhar longitudinal sobre esse arranjo transversal das respostas. Esse modo de analisar entrevistas constitui-se no que poderíamos chamar de análise transversal de conteúdo e estaria especialmente adequado para capturar a diversidade de significados expressos.
Garimparam-se as concepções relativas às questões contempladas nos módulos da entrevista arquitetados e dessa apuração foram comparadas as manifestações, procurando identificar suas expressões genéricas e específicas, concretas e abstratas. Levaram-se em conta como referenciais de análise as possíveis associações dos 40 elementos componentes do processo e da jornada de trabalho25, como genericamente abordados em SAMPAIO, HITOMI & RUIZ
25 Elementos componentes do processo (natureza concreta) e da jornada (natureza abstrata) de trabalho, conforme divisão do trabalho: Processo de trabalho: I.1. Posto e local. I.2. Objeto de trabalho, matéria-prima e produto. I.3. Gesto, operação e tarefa. I.4. Ritmo e postura. I.5. Ferramenta, máquina e instrumento. I.6. Disciplina, sociabilidade e marca. I.7. Qualificação, função, cooperação e hierarquia. Jornada de trabalho: II.1. Trabalho necessário e categorias genéricas de exploração (trabalho necessário; trabalho excedente; mais-valia absoluta; mais valia relativa). II.2. Jornada (extensão de jornada; módulos contínuos; intervalos; preparação para o trabalho; deslocamento casa-trabalho-casa; férias; hora-extra; turno). II.3. Salário (escala; posição
nos grandes centros urbanos e no interior, as condições de trabalho, remuneração, infraestrutura, uso de tecnologias; com atenção também para às perspectivas de assistência à dor, ao sofrimento, à loucura e à morte, como objetos de trabalho médico, nessas circunstâncias diferenciadas.
Também foram colhidos, no trabalho de campo, em entrevista aberta, os depoimentos livres de mais outros seis atores, uma socióloga, mais quatro médicos e um físico. A socióloga em função de coordenação na Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde do Ministério da Saúde; três médicos, um pesquisador da Estação de Pesquisa de Sinais de Mercado da UFMG; um professor emérito de medicina com experiência de trabalho no interior na perspectiva de integração ensino e serviço; um professor de medicina com experiência em representação e comissão técnica de conselho regional de medicina; e um quarto médico assim como um físico, cada um na condição de gerente de diferentes iniciativas de interiorização do trabalho de profissionais de saúde em estados da região Nordeste do Brasil. Esses depoimentos não foram transcritos nem impressos, mas da “ausculta” por áudio foram recolhidas situações do presente e do passado ilustrativas do contexto de investigação do trabalho médico na perspectiva de interiorização.
Procedeu-se então à construção de texto como objeto de discussão. Com a intenção de se compor um discurso coletivo representativo de uma totalidade explorada, admitiu-se que “a entrevista individualizada é uma experiência singular e os relatos individualizados são por isso formas ricas na ampliação, na profundidade e na diferenciação com que trabalham o coletivo” e considerou-se que “cada momento de entrevista e cada relato completado formam subtotalidades que se devem respeitar”26.
Em cumprimento a preceitos éticos de pesquisa, informa-se que parecer favorável à execução deste estudo foi emitido pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e também pelo Comitê de Ética da Faculdade de Medicina da UFC.
histórica; tipo; adicionais; descontos; remuneração de hora-extra; produtividade; ritmo orçamentário) como genericamente abordados por Sampaio, Hitomi e Ruiz (1995, p. 72-84). 26 Como referido por Schraiber (1993, p.34).