2.1. CUMHURİYET ÖNCESİ TÜRK MİLLİYETÇİLİĞİ
2.1.4. Milliyetçi Örgütlenme
Gram áticas do e rotism o. Joe l Birma n . Rio d e Ja n e iro: Re cord , 2 0 01.
Regina N eri
Psicanalista, doutora em teoria psicanalítica pelo Instituto de Psicologia da UFRJ; bolsista recém -doutora do CNPq junto ao Núcleo de Estudos da Subjetividade da Pós-graduação em Psicologia Clínica, PUC-SP.
Falo o u fem in ilid ad e?, eis a q u es- tão deb atida por J. Birm an em Gram áti- cas do erot ism o. O trab alh o d e resgate e aprofu n dam en to do con ceito de fem i- n ilidade, qu e vem sen do realizado pelo au to r d esd e 1 9 9 3 , ap resen ta- se co m o u m e m p r e e n d im e n t o d e fô le g o q u e resu lta em u m a in terp retação o rigin al da m etapsicologia freu dian a — a vira- da dos an os 1 9 2 0 — a qu al vai privile- giar o registro pu sion al econ ôm ico em d etr im en to d o r ep r esen tacio n al tó p i- co, con texto em qu e em erge o con cei- to d e fem in ilid ad e.
A con tin u idade dessa pesqu isa con - du z o au tor, atu alm en te, a se debr u çar sobre a qu estão da diferen ça sexu al, ob- jeto d e d iscu ssão n esse livro , n o q u al vem d estacar a p resen ça d e d iferen tes gram áticas do erotism o n o texto freu - diano. A singularidade e a riqueza da obra freudiana é a de se constituir, ela m es- m a, em u m a ten são discu rsiva en tre o determ in ism o u n iversal da lógica fálica
e a fem in ilid ad e co m o en u n ciação d o singular.
Discu rso de su bversão do su jeito do cogito ou n ova m etafisica sobre o su jei- to e o sexo? A in terrogação en dereçada à psican álise pela obra de Fou cau lt e por teóricas do m ovim en to fem in ista é de p eso. Pro d u ção d iscu rsiva h istó r ica o u teo ria u n iversal d o su jeito ? Co m o su - blinha G. Fraisse, a psicanálise se consti- tu i com o prim eiro discu rso a colocar n o cern e de su a in terrogação a qu estão da diferen ça sexu al, tratada ao lon go da h is- tória do pen sam en to filosófico de m odo periférico. No en tan to, n o qu e con cern e à su a teoria sobre o fem in in o, Freu d n ão faz m ais do que reeditar “ um a m etafisica d o s sexo s” , q u e d esd e a An tigu id ad e p erm eia o p en sam en to o cid en tal, in s- tau ran do u m a dicotom ia h ierárqu ica n a q u al o m ascu li n o é e q u i vale n t e d e “ m ais” , e o fem inino de “ m enos” .
Ao in screver a p sican álise en tre o s dispositivos das ciên cias sexu ais em er- gen tes n o sécu lo XVIII e XIX, Fou cau lt vem m ostrar de qu e m odo ela se con fi- gu ra com o u m discu rso de adestram en - tos dos corpos e da sexu alidade, visan - do à con solidação da fam ília bu rgu esa: a operação de patologização do corpo fe- m in in o atrela a m u lh er à m atern idade, aprisionando-a no espaço dom éstico, ga- ran tin do ao h om em o dom ín io do es- p aço p ú b li co. En t r e t an t o , Fr e u d vai igu alm en te criticar de form a radical o dispositivo de h ereditariedade-degen e-
ração dom in an te n a época, ao form u lar o co n ceito d e p u lsão sexu al p erverso - polim orfa qu e apon ta para a plasticidade da sexu alidade h u m an a
A teo r ia fr eu d ian a d a sexu alid ad e fundou-se, com o assinala J. Birm an, sob o postu lado de u m a m ascu lin idade ori- gin ária — a sexu alidade fem in in a e m as- cu lin a sen do con stitu ída pelo operador fálico — , in serin do-se desse m odo n a hierarquia naturalizada dos sexos. No fim de su a obra, Freu d teria rom pido com essa tradição ao form ular, a partir da clí- n ica, o con ceito de fem in ilidade: a ex- periên cia de desam paro dos h om en s e m u lh eres dian te da perda dos referen - ciais fálico-n arcíssicos abre para h om en s e m u lh e r e s n o vas p o ssi b i li d ad e s d e su jetivação ao sin alizar u m su jeito d a m o b ilid ad e p u lsio n al em p erm an en te ten tativa de in scrição da estesia pu lsio- n al em sin gu laridade ética e estética.
A con stru ção fálico-edípica já foi ob- jeto de n u m erosos qu estion am en tos n a p sican álise, a co m eçar p o r Freu d , q u e m u ito cedo percebe os im passes desse m odelo para pen sar o processo de su bje- tivação d a m u lh er. No en tan to, o q u e n ão foi problem atizado é qu e a teoria da diferen ça n a psican álise tem in ega- velm en te o m ascu lin o com o paradigm a. A lei con stitu tiva do desejo em Freu d e Lacan é a lei do pai, a teoria fálico-edípi- ca co n figu ran d o - se co m o u m a versão m ascu lin a da diferen ça, n a qu al o ou tro, o fem in in o, só pode ser pen sado em si- m etr ia o u d essim etr ia ao r efer en cial fálico e form ulado com o “ um a m enos” ( castrado e invejoso em Freud) ou “ um a m ais” ( bi-gozo em Lacan ) . A dialética da castração, giran do em torn o da pre- se n ça- au sê n cia d o falo , in st ala u m a dicotom ia fálico/ castrado, n a qu al o fe- m in in o fica in d elevelm en te m ar cad o pela inveja do pên is e pela falta.
Assim , apesar da constatação m agis- tral de Lacan de qu e a lógica fálica fora- clu i o fem in in o , n o n o sso en ten d er o qu e fica foraclu ído n a psican álise pela operação de deslocam en to do pên is ao falo com o referên cia sim bólica é o tra- vestim en to do m ascu lin o em u n iversal n eu tro fu n dador. A prom oção do falo à in st ân cia n eu t r a fu n d ad o r a p o d e ser con siderada ju stam en te com o o próprio atestad o d a su p erio rid ad e d o m ascu li- n o, o qu al n ão pode ser redu zido a u m órgão sexu al, o pên is, com o n o caso da m u lh er, qu e se defin e, an tes de tu do por seu sexo, sob pen a de caricatu rar a pró- pria u n iversalidade fálica.
Con fron tada à crise atu al qu e afeta o s reco rtes trad icio n ais m ascu lin o / fe- m in in o, a psican álise, com o com en ta M. Schneider, m antém um a posição aparen- tem en te in abalável, im pon do u m siste- m a d e referên cias en u n ciad o so b u m m odo a-h istórico, con sideran do a crise da ordem sim bólica vigen te com o u m a am eaça qu e con du ziria à in diferen ciação e ao caos. O qu e se coloca com o pan o de fu n d o d o q u estio n am en to d a cen tr a- lidade do Édipo com o eixo de su bjeti- vação, tal com o o aqu i realizado por J. Birm an é a capacidade de a psican álise con tem porân ea colocar a clín ica e a teo- ria n a escu ta de seu tem po.
Nu n ca é dem ais lem brar a ou sadia d e Freu d e d e Lacan ao d esafiarem o s discu rsos dom in an tes fora e den tro da p sican álise, fazen d o d a escu ta d e su as épocas u m a exigên cia de produ ção teó- rica. No en tan to, para realizar tal tarefa, é preciso se colocar em gu arda em rela- ção a operações apressadas de acom oda- ção da psican álise aos ares do n osso tem - po, pois ao fazerem a econ om ia de u m qu estion am en to rigoroso n o in terior do corpo teórico psican alítico, n ão fazem ju z à riq u eza d o arcab o u ço co n ceitu al
qu e a psican álise acu m u lou ao lon go de su a h istó r ia e q u e n o s co nvid a à su a problem atização e poten cialização.
Receb id a em 3 1 / 3 / 0 4 . Ap ro vad a em 2 3 / 4 / 0 4 .
Regina N eri
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DA S UBVERS ÃO DO GÊNERO À