• Sonuç bulunamadı

2.1. MODERN DEVLETİN UNSURLARI

2.1.3. Millet

Para Parlebas (1976), citado por Hernández Mendo, Villena, García, Orozco, Roldán, (2000), o desporto de equipas pode ser considerado como uma situação social, dinâmica, em mudança, sociomotora, onde os jogadores vão estar sempre em interacção, com os companheiros e os adversários.

Este âmbito de estudo tem implícito o conceito de interacção motora, considerado como a acção entre os participantes, não como uma justaposição de acções separadas, mas como uma inter motricidade na qual o comportamento de um dos participantes não faz sentido, senão no contexto dessa relação de mútua inferência entre eles (Hernández Mendo et al., 2000).

Atendendo às características que envolvem os JDC, a informação oferecida pelo registo sequencial das condutas a observar, pressupõe um avanço substancial na análise da acção de jogo, refere Pereira (2005), citando Arda y Anguera, (1999).

Prudente, Garganta e Anguera (2004) observam que os estudos que têm presente a sequencialidade aproximam-nos de uma forma mais pertinente à

compreensão diacrónica1 geral ou mais particular do jogo, contribuindo para melhorar a sua descrição micro analítica.

Para Hernández Mendo, et al. (2000) o desporto em geral não pode ser analisado sobre procedimentos estáticos, a não ser nas situações reais de jogo ou treino. A metodologia observacional, por seu lado, permite este tipo de análise, quantificando o comportamento espontâneo no seu cenário natural de conduta.

O termo ‘análise sequencial’ faz referência a um conjunto de técnicas cuja finalidade é pôr em evidência as relações, associações ou dependências sequenciais entre unidades de conduta (Hernández Mendo y Anguera, 2000).

Podemos afirmar que é a forma mais comum de micro análise, atendendo a que consiste em averiguar como mudam as probabilidades de ocorrência de certas condutas, em função da ocorrência prévia de outras, por isso se põe em relação medidas de conduta obtidas diacronicamente.

Esta forma de análise não é a única possível em Metodologia Observacional, mas sim a mais relevante.

Como referido, a análise sequencial é uma técnica de micro análise de uso frequente na Metodologia Observacional, como referem Hernández Mendo et al. (2000) citando (Anguera, 1983; 1985; 1986; 1991a; 1991b; Sackett, 1978; 1980; 1988). Com esta análise pretendemos estimar os padrões de comportamento que sobressaem da acção motora com uma probabilidade superior à predita pelo acaso.

O recurso à análise sequencial possibilitará a detecção de padrões de conduta, bem como a procura de relações de associação significativas entre condutas (Prudente, 2004). Permite estimar acontecimentos do jogo que se produzem, com maior probabilidade, para além da sorte ou do acaso, ou ainda, como certas condutas são excitatórias ou inibitórias com respeito a outras que as antecedem ou sucedem.

A análise sequencial tem como objectivo, refere Anguera (1992 cit. por Pereira, 2005) a obtenção de padrões sequenciais de condutas através da

1

- A dimensão diacrónica - é relativa aos factos que ocorrem em diferentes jogos; A dimensão sincrónica - diz respeito a factos que ocorrem num mesmo jogo.

detecção de contingências sequenciais entre diferentes condutas ou categorias.

Seguindo o pensamento de Amaral (2005), este tipo de análise consiste em averiguar as probabilidades de ocorrência de determinadas condutas, em função da prévia ocorrência de outras. Como meta, procura-se a comprovação de uma ordem sequencial, isto é, uma certa estabilidade na sucessão de sequências, que se encontre acima das probabilidades explicáveis pelo acaso.

Para tal, Pereira (2005) utiliza a noção de probabilidade transaccional, que se pode considerar um tipo de probabilidade condicional.

• Ao nível do cálculo das probabilidades (simples ou incondicionais) analisamos como ocorre um determinado evento, ou conduta, em função de uma série total de eventos.

• Ao nível das probabilidades condicionais analisamos com que possibilidade surgirá uma dada Conduta Objecto (CO) em função de uma determinada Conduta Critério (CC).

Considera-se que uma dada CC é excitatória de uma determinada CO, quando a sua probabilidade condicional é superior à incondicional; e inibitória, quando sucede o inverso, Pereira (2005).

A comparação entre as probabilidades condicionais e incondicionais revela-nos o carácter de activação ou inibição de cada relação entre Conduta Critério e Conduta Objecto, ainda assim não é capaz de revelar se essa relação é estatisticamente significativa.

O grau de significância de cada relação é verificado através de pontuações Z, quer seja binominal ou hipergeométrica, Pereira (2005), citando Bakeman & Gottman, (1989). Segundo Quera (1993) cit. Pereira (2005) a hipergeométrica é sempre válida quer em sequências curtas como longas.

Na análise sequencial, deve considerar-se, como referido, dois tipos de conduta, Caldeira (2001):

• A conduta critério (CC), ou dada (given) a categoria a partir da qual, na sequência de dados, se contabilizam as transições (Lags), ou retardos, de forma prospectiva (para a frente), ou retrospectiva (para trás);

• A conduta objecto (CO) ou alvo (target), é aquela categoria até onde, na sequência de dados, se contabilizam as transições.

Estas condutas na análise sequencial podem ter um carácter:

• Sentido prospectivo (análise da sequência de condutas que se seguiram à conduta critério: 1, 2, ...);

• Sentido retrospectivo (análise da sequência de condutas que antecederam a conduta critério: -1, -2, ...) , Amaral (2005).

A relação entre um determinado evento e um outro antecedente, ou subsequente, Pereira (2005) pode ser determinada por dois métodos diferentes: Cadeias de Markov e Técnica de Transições (Lag Method).

• Cadeias de Markov – cada Conduta Objecto que mantém uma relação excitatória com a Conduta Critério que a antecede passará a ser considerada Conduta Critério, de forma a verificarmos com que categorias mantêm igual tipo de relação na Transição que se segue, ou seja, procuraremos a relação “passo a passo”, transição a transição.

Figura 1 - Representação da análise por transições progressivas (Cadeias de Markov), in Pereira (2005).

• Técnicas de transições – as probabilidades condicionais são calculadas a partir de uma dada CC e as CO que estão à distância de uma, duas ou mais transições2. Podemos desta forma identificar quais as condutas que mantêm relações excitatórias e inibitórias a uma distância de X transições e não apenas na transição contígua, como nas Cadeias de Markov.

Figura 2 - Representação da análise pela técnica das transições, in Lopes (2007).

Na opinião de Hernández Mendo, et al (2000 b) a técnica de análise mais indicada é a análise sequencial de retardos ou transições. Este conjunto de técnicas pretende detectar a existência de padrões de conduta, ou configurações estáveis de comportamento, para além das probabilidades que lhe dá o acaso.

Consiste em averiguar como mudam as probabilidades de ocorrência de certas condutas em função da ocorrência prévia de outras; por isso, se põe em relação medidas de condutas obtidas diacronicamente, quer dizer, em momentos diferentes da sessão de observação.

Esta técnica, ao permitir conhecer as relações de uma determinada conduta com outros eventos não necessariamente adjacentes, aproxima-se dos nossos intentos para a realização deste trabalho. Em função dos objectivos propostos qualquer categoria pode ser considerada como conduta critério,

2

- Transição (Lag ou Lapso) – termo que se utiliza para indicar a passagem entre categorias contíguas ou não, numa sequência de condutas (Quera, 1993) cit. Pereira (2005)

porque, conforme refere Anguera (1992 cit. por Pereira 2005), podemos conhecer, em cada transição, quais as condutas excitatórias e entender que existe entre si uma força de coesão superior ao mero encadeamento por acaso.

Desta forma, obtém-se padrões de conduta, compostos por sucessivos vínculos que podem ser denominados, definidos e estudados de forma pormenorizada, no que se refere à sua constância ou variação, entre diferentes sessões, partes diferenciadas de uma sessão, sujeitos, distintas condutas consideradas como critério, etc.

Hernández Mendo y Anguera (2000 cit. Pereira, 2005) afirma que a análise sequencial pode ser abordada de duas formas:

• A modelização, onde o investigador formula um modelo substantivo como possível gerador das sequências de conduta que observa, a partir do qual obtém as hipotéticas sequências que se observariam, caso o modelo fosse certo. Forma de proceder fundamentalmente dedutiva3.

• A descrição, na qual o investigador carece de um modelo substantivo para as sequências que observa, tratando de descobrir as regularidades que existem nas mesmas. Forma de proceder de carácter indutivo4.

Considerando todas as potencialidades desta técnica, Castellano Paullis (2000 cit. por Pereira, 2005) alerta para as relações que se estabelecem não devem ver-se desde o ponto de vista determinista ou preditivo, apenas desde o ponto de vista probabilístico, isto é, com certo grau de probabilidade, o primeiro evento é simplesmente o antecedente e o outro o que lhe sucede.

Por isso, não devem ser procuradas relações lineares directas entre dois eventos, que se sucedem no tempo, mas simplesmente averiguar o tipo de relações probabilísticas que mantêm.

3

Dedutivo – que parte do geral para o particular, da causa para o efeito, em oposição ao indutivo. 4