1.4. MİKRO İŞLETMELERİN FONKSİYONLARI
1.4.5. Mikro İşletmelerin İstihdamdaki Rolü
Liderado principalmente por médicos, o apelo higienista tomou conta dos discursos sobre os modos de ser e de viver da população das classes baixas. Baseados em teorias eugenistas, médicos e juristas defenderam o controle social dos modos de ter, criar e educar os filhos dos pobres, impondo-lhes as normas burguesas de comportamento e de conduta.
O médico Moncorvo Filho destacou-se no empenho em desenvolver o higienismo na sociedade brasileira, sobretudo no Rio de Janeiro, onde criou o Instituto de Proteção e Assistência à Infância. Diante dos altíssimos índices de mortalidade infantil na época, era preciso agir rápido, pois de acordo com os higienistas a morte dessas crianças representava uma falta de patriotismo, tendo em vista a grande mobilização nesse período das elites em tornar o povo ignorante e sem instrução, em um povo civilizado e patriota. Em seus discursos6, Moncorvo Filho deixava muito claro essas aspirações:
O que se há feito, porém, impulsionado pelo amôr á patria, á humanidade e á sciencia, sendo um colosso de trabalho, de paciente tenacidade e de conquistas, benfazejas, nada é ante o que há a fazer a grande lucta á enfrentar nesse immenso território de nossa Pátria, onde o analphabetismo e a ausencia de instrucção hygiênica ainda são os maiores entraves á sua completa civilização e ao seu maior florescimento (1920, p.06).
Diminuir o índice de mortalidade infantil implicava naquele momento em educar as mães desde a concepção até a primeira infância. A amamentação foi o grande filão para os higienistas que desaprovaram a utilização de amas-de-leite mercenárias no processo de aleitamento dos bebês. Propunha-se então, o aleitamento artificial através da utilização de leite de animais, pois acreditavam ser a alimentação feita de qualquer jeito e por mulheres doentes e pouca higiênicas, uma das causas de morte de tão grande número de bebês.
6 As citações feitas neste trabalho referentes aos textos de Moncorvo Filho, serão feitas preservando a
Movidos pela “missão higienista, de caráter científico-filantrópico da
medicina” [...] (RIZZINI, 2008), os higienistas, em especial Moncorvo Filho, não
mediram esforços no trabalho de orientar a população acerca da boa conduta e do abandono aos vícios, principalmente o álcool, que nas palavras do próprio Moncorvo, significava uma catástrofe para a sociedade. “Eis um triste factor de degenerescência que a cada dia mais agrava as condições da nossa sociedade” (1909, p.07). De acordo com
Donzelot (1986, p.55-6):
Não se pode conceber a filantropia como fórmula ingenuamente apolítica de intervenção privada na esfera dos problemas ditos sociais, mas sim como uma estratégia deliberadamente despolitizante face à instauração dos equipamentos coletivos, ocupando uma posição nevrálgica eqüidistante da iniciativa privada e do Estado.
Atrelado ao movimento científico-filantrópico, destaca-se a figura do jurista. Sua função era cuidar do controle social, através da exigência do cumprimento das normas sociais referentes à moral e aos bons costumes, desenvolvendo assim ações de caráter civilizatório7.
Cabe ressaltar, que os domínios médico e jurídico caminhavam juntos. Para o primeiro, a intervenção seria feita na família pobre e carente de informações acerca de cuidados higiênicos e que não apresentava vícios e comportamentos ditos imorais. O segundo dedicava-se à criança vista em perigo de se tornar criminosa, portanto, perigosa (Idem, 2008).
Nesta perspectiva moralizadora de proteção à infância, foram criadas leis8 que corroboraram com as idéias higienistas de controle social. Instituições foram criadas a fim de sanear a sociedade, na tentativa de impedir a desordem e a criminalidade provocadas por crianças moralmente abandonadas9. Em outras palavras, o Estado passaria a tutelar essas crianças em instituições. Nesse contexto, Rizzini (2008, p. 64) afirma que:
7 Sobre esse assunto ver ELIAS (1993). 8 O Código de Menores de 1927, por exemplo.
9 De acordo com Roberto da Silva (1998, p. 56-7) “O abandono de fato se caracteriza pela simples
constatação de sua materialidade. Pode ser abandono material, moral ou intelectual, mas há também um abandono jurídico ou subjetivo [...], abandono moral pode ser assim entendido como a falta de atendimento às crianças no que tange à escolarização e de situações favoráveis ao seu desenvolvimento”.
As leis de proteção a infância, desenvolvidas nas primeiras décadas do século XX no Brasil, também faziam parte da estratégia de educar o povo e sanear a sociedade. As leis visavam prevenir a desordem, na medida em que filhos insubordinados, os quais poderiam ser entregues à tutela do Estado, e, pela suspensão do Pátrio Poder, previa a possibilidade de intervir sobre a autoridade paterna, transferindo a paternidade ao estado, caso se julgasse necessário (sobretudo quando a pobreza deixava de ser “digna” e a família era definida como sendo contaminada pela imoralidade).
Estamos diante de um projeto de sociedade defendido, sobretudo pelas elites intelectual e política da época e com reflexos até os dias atuais. Aos que aceitam a ordem vigente e se submetem às regras e normas sem delas se queixarem, sendo útil à sociedade se manteria no seio da família. Àqueles que, não encontrando as mesmas condições de educação e trabalho e perambulavam pelas ruas sem destino certo, passaram de “menor da
rua” para “menor de rua”, com todas as conseqüências nefastas que esse rótulo poderia
implicar (DEL PRIORE, 2007, p. 15).
A categoria menor carrega em seu conceito muitos estigmas, pois está diretamente ligado à criança marginalizada, pobre, de família desestruturada. O menor, portanto, caracteriza-se como aquele que não se adaptou à sociedade. Nas palavras de Passetti (1985, p. 37), “Menor é aquela criança ou jovem que vive na marginalidade social, numa situação irregular”. Nas palavras de Rizzini (2008, p. 134) “ser menor era carecer de assistência, era sinônimo de pobreza, baixa moralidade e periculosidade”.
Nesse momento, início do século XX, o Estado assumiu, mesmo que timidamente a função de assistir a infância abandonada. Tendo sua intervenção pautada no controle social, através das instituições formadoras e reformadoras, objetivando a contenção social.
Diante das profundas mudanças pelas quais a sociedade brasileira passava no início do século XX, sobretudo a sociedade paulistana, com as instalações de indústrias, a demanda por trabalho aumentava a cada dia, além disso, era grande número de imigrantes que chegavam à cidade de São Paulo, fazendo aumentar vertiginosamente o índice demográfico.
Foi neste momento que São Paulo conheceu um crescimento populacional sem precedentes em sua história. Com cerca de trinta mil
habitantes em 1870, passaria a abrigar uma população de 286 mil habitantes em 1907. Esta verdadeira explosão demográfica foi devidamente acompanhada pelo crescimento industrial: a partir da última década do século XIX, a cada ano, multiplicou-se o número de novos estabelecimentos, em sua maioria têxtil, alimentícios, serrarias e cerâmicas. Porém, o mesmo não se pode afirmar das condições sociais e habitacionais da cidade, que não compartilhavam desse “progresso” (SANTOS, 2007, p. 212).
Como a busca por trabalho se intensificou, cresceu a exploração da mão-de- obra infantil. Aqueles que não conseguiam trabalho perambulavam pelas ruas sem destino certo. O ócio passou a ser condenado pela sociedade burguesa e capitalista. A educação para o trabalho passou a ser fundamental no trato com essas crianças que se tornaram parte das atividades produtivas.
Aprender um ofício e ser útil à nação era condição das instituições que abrigavam crianças abandonadas e infratoras. A criança abandonada e pobre passou a ser vista também como perigosa, logo necessitava ser assistida e cuidada pelo Estado. Para tanto:
[...] os governos passaram a investir em educação, sob o controle do Estado, para criar cidadãos a reivindicar disciplinadamente segundo as expectativas de uma direção política cada vez mais centralizadora. Para tal, escola e internato passam a ser fundamentais (PASSETTI, 2008, p. 355).