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1.3. Bourdieu’nün Kavramsal Repertuarı: Siyaset Araştırmaları İçin Çok-

1.3.1.2. Mikro-bireysel Düzey: Yatkınlıklar ve Sermayenin Farklı

113 A proposta deste estudo foi procurar saber se os programas de prevenção à violência e criminalidade juvenil desenvolvidos na região da Grande São Pedro, Vitória, foram avaliados por indicadores qualitativos que demonstrassem a efetividade de seus resultados. O que constatamos foi que nenhum dos quatro programas analisados utilizou este tipo de indicadores, tendo no máximo se utilizado de indicadores estatísticos de resultado ou de execução físico financeira dos mesmos. O principal indicador que tenta demostrar a efetividade dos programas é a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, que não é suficiente pra demonstrar as mudanças na qualidade de vida das comunidades junto com a queda de homicídios.

O desafio desta pesquisa foi grande, pois foi um estudo pioneiro na História, pois não encontramos registros de estudos sobre este tema, e a revisão bibliográfica nos mostrou que as análises sobre a avaliação de políticas públicas, e por consequência de segurança pública também, estão bastante concentradas nas áreas de estudos da Sociologia e da Administração. O estudo deste período histórico tão desafiador no que diz respeito à busca de soluções em termos de políticas públicas para a redução a criminalidade violenta é de grande responsabilidade social, intelectual e científica, como prestação de contas da academia pública à sociedade que a mantem. E como bolsista nunca deixei de ter este norte ético e cívico.

No desenrolar deste trabalho constatamos como ainda é pouco utilizada a ferramenta de avaliação nas políticas de segurança pública cidadã para aferição dos seus impactos. É importante ressaltar que isto gera um descrédito dos programas perante os agentes financiadores e as próprias comunidades, o que acaba por dificultar sua continuidade e até mesmo expansão. Este problema se repete nos quatro programas de Segurança Pública analisados neste período, que foram desenvolvidos de forma integrada, transetorial e transdisciplinar, entre município, governo estadual e União, no território específico da região de São Pedro. A sequência destas variadas gestões, tanto municipais, quanto estaduais e federais, no período histórico que estamos analisando mostra a repetida ausência de indicadores qualitativos em cada um dos programas, independente da instância federativa em que se desenvolveram. Mesmo não sendo objeto direto deste estudo, que foi constatar se foram utilizados ou não os indicadores de

114 efetividade, fica o grande questionamento sobre o porquê de não terem se constituído tais indicadores. Alguns indícios ficaram mais evidentes nas análises, outros não.

Constatamos que até o presente momento o que há são algumas críticas dispersas sobre as práticas avaliativas, e alguns raros estudos sobre a aplicação de metodologias específicas de avaliação qualitativa, pela Sociologia e Administração Pública. Em paralelo a esta carência de registros históricos, há uma farta documentação institucional elaborada por gestores, como também registros de seus discursos, bem como registros de discursos dos públicos beneficiários dos programas, além de matérias veiculadas na imprensa que podem servir de fontes para estudos mais aprofundados, tento em vista uma sistematização da temática das avaliações de políticas de segurança pública.

Na avaliação - quando há, os projetos sociais não falam sobre como vão mensurar a melhoria da qualidade de vida e o exercício de cidadania dos jovens beneficiados nem sobre a utilização de indicadores que apontem para este resultado. Ou quando preveem o “desenvolvimento das relações interpessoais e a formação do caráter

de crianças e adolescentes” nas comunidades, mas não descrevem como será mensurado

o desenvolvimento destas relações nem a formação do caráter, que são ações de grande subjetividade e necessitam de monitoramento por indicadores qualitativos de efetividade.

Percebemos tanto na revisão bibliográfica, quanto nos contatos com os gestores, que estes não mais contestam a necessidade de avaliações das politicas publicas, mas os objetivos dos projetos continuam bastante imprecisos, e os projetos com falhas metodológicas graves que podem leva-los a resultados contraditórios com os objetivos propostos. Também há ainda a dificuldade de mensurar resultados por insuficiência das metodologias, e fundamentalmente, pelas resistências dos poderes públicos de se submeterem ao julgamento público sobre suas ações, onde possam ficar explicitas suas falhas ou negligenciadas.

A existência destes indicadores de efetividade no modelo de gestão dos programas sociais de políticas públicas de segurança, tanto para monitoramento dos projetos quanto para prestação de contas, possibilitam, de forma muito mais efetiva, a

115 adequação destes à realidade local e às demandas sociais do território e do público alvo a que se destina. Possibilita obter uma melhor eficácia dos projetos com relação aos resultados do impacto na qualidade de vida. Tal fato já foi constatado por vários pesquisadores e consultores da área de gestão de políticas públicas. Inclusive, há a compreensão de que estes indicadores, assim como os modelos dos projetos, possam ser aproveitados para replicação em projetos da mesma natureza que venham a ser implementados no futuro, na própria unidade federativa ou em outras com características semelhantes.

A análise histórica em perspectiva destas políticas públicas é bastante significativa para o reconhecimento dos gestores sobre a importância da possibilidade de replicação de modelos dos projetos piloto. A partir do momento em que um município identifica o mesmo tipo do problema que outro já resolveu, ele não precisa reinventar a roda na sua cidade, pode fazer como na iniciativa privada, um benchmarking, em que técnicos visitam e analisam projetos semelhantes e copiam o modelo de gestão e de implementação, algumas vezes já com boa parte dos indicadores de avaliação de impacto elaborados. Mas é preciso ter clara a necessidade de investimentos publico nas avaliações as politicas públicas. Não pode faltar previsão orçamentária para incluir a avaliação como parte integrante dos programas financiados.

As constatações obtidas a partir deste estudo tornam-se, assim, uma contribuição relevante durante a execução de futuros programas, ou ainda na sua modelagem, diante da possibilidade de aperfeiçoar determinados elementos. Principalmente durante a execução, com a redefinição de rumos, mudança de diretrizes, a partir da avaliação dos impactos na qualidade vida, de como a comunidade está respondendo ao impacto dos projetos. E findo o programa, há como obter um resultado de avaliação muito mais preciso, quando se tem um meio, uma ferramenta para aferir o impacto positivo ou não destes projetos naquela comunidade específica. Isto vai possibilitar que os agentes públicos prestem contas de fato à sociedade em vez de apenas fazerem eventos de marketing para divulgação de aspectos positivos, com tem sido a título de prestação de contas, sem que se possa comprovar de fato se houve efetividade dos objetivos prepostos nos programas.