SUJEITO 8
TÍTULO: A GINÁSTICA GERAL EM MINHA VIDA SUBTÍTULO: LAÇOS DE UNIÃO E NOVAS LIÇÕES
UNIDADE DE ANÁLISE NÚCLEOS DE SENTIDO
O GGTP pra mim não é só um grupo de pessoas reunidas, fazendo algo comum e que gostam, mas, uma grande família. Aprendi no decorrer do tempo, convivendo com as pessoas do grupo, entre outras coisas, que a vida não é só diversão e que existem responsabilidades das quais não podemos fugir. Na ginástica, assim como na vida, a responsabilidade pode ser entendida de diferentes maneiras. A responsabilidade que quero falar esta relacionada com compromissos do trabalho
desenvolvido no GGTP, a saber: compromisso com o trabalho no GGTP; compromissos relacionados ao combinado entre os integrantes; compromisso relacionado ao cuidado com os equipamentos; o compromisso em cuidar do próprio corpo; compromisso para o cuidado com nossas ações com as outras pessoas.
V: responsabilidade.
I.E.: O grupo enquanto família.
I.E.: O tempo só não traz sabedoria, tão pouco a convivência, é a relação convivência e tempo que traz o saber.
I.E.: responsabilidade compromisso/trabalho +
conservação do espaço e dos equipamentos + cuidado de si + cuidado com os outros.
Quando assumimos o compromisso de participar de um grupo como o GGTP, assumimos a responsabilidade com os
compromissos do grupo também. Os compromissos do grupo são as apresentações das coreografias em diferentes eventos. Mas, para se apresentar precisamos manter uma disciplina nos treinos. (...) A disciplina começa quando nós chegamos antes do início da aula, para arrumar e limpar nosso espaço de treino, o pátio multiuso da escola, aonde funciona também o refeitório; e passa pelo cuidado com os colchonetes, com os aparelhos e com os figurinos que utilizamos nas apresentações; respeitando os horários e os dias de treino; respeitando as etapas do treino e o comando do professor.
V: Compromisso, responsabilidade, disciplina no trabalho. I.E.: compromisso: apresentar-se.
I.E.: disciplina enquanto organização no trabalho: “A disciplina começa quando nós chegamos antes do inicio da aula, para arrumar e limpar nosso espaço de treino, o pátio multiuso da escola, aonde funciona também o refeitório”; zelo com equipamentos: “passa pelo cuidado com os colchonetes, com os aparelhos e com os figurinos que utilizamos nas apresentações”; assiduidade e pontualidade: “ respeitando os horários e os dias de treino”; no cumprimento da rotina: respeitando as etapas do treino e o comando do professor”. Outra forma de assumir compromisso em um grupo é quando
nos reunimos, conversamos e combinamos alguma coisa. Quando combinamos algo assumimos tarefas, essas tarefas passam a ser um compromisso entre nós integrantes e se algo falhar, colocamos o combinado em risco, consequentemente, comprometemos o processo de trabalho do grupo. De outra forma, atrapalhamos o trabalho do grupo, quando, por exemplo, não cuidamos da nossa saúde.
V: Responsabilidade, trabalho.
I.E.: Democratização das decisões: as mesmas são tomadas coletivamente.
I.E.: O cuidado de si e sua importância para não prejudicar o trabalho coletivo.
...quando o aquecimento começa, a nossa responsabilidade sobre a condição do nosso corpo também começa. O cuidado com o corpo já no aquecimento é para evitar lesões. Se uma ginasta se machuca ou adoece, ela compromete o trabalho do grupo ..., se uma ginasta que não faz os exercícios de alongamento e distende algum músculo, e, se ela faz parte de uma coreografia que será apresentada dias depois, ela prejudica o grupo inteiro, pois existe a possibilidade de não podermos nos apresentar (...)
I.E.: O cuidado de si e sua importância para não prejudicar o trabalho coletivo.
..., a responsabilidade no GGTP não é só essa na qual nós nos responsabilizamos com o trabalho do GGTP. Cuidar dos outros componentes do grupo é um compromisso de cada integrante.
V: Respeito, solidariedade, benevolência, livre-arbítrio, união. Cuidamos do outro, respeitando cada um, deixando cada pessoa
agir de acordo com sua consciência, desde que esse agir não prejudique ninguém. Para isso, é importante manter o foco no grupo, deixar vaidades e picuinhas de lado e centralizar as energias na união do grupo. Cuidamos do outro de diferentes maneiras. Quando entra alguma novata na ginástica, as mais antigas, entre elas eu, por sermos mais experientes, nos aproximamos para ajudar à novata, ou o novato, quando percebemos que alguém está fazendo algum exercício errado.
I.E.: Cuidar do outro. C.V.: Vaidade, picuinhas, erro.
(...) Outra forma de cuidar do outro é quando estamos trabalhando em duplas, no treinamento de flexibilidade, assumimos a responsabilidade sobre o corpo da nossa colega. É nesse momento em que a colega confia o seu corpo agente. ..., é na ginástica aonde eu aprendo a ser mais companheira.
V: Trabalho coletivo; responsabilidade, companheirismo; confiança.
I.E.: A entrega de si ao outro e do outro a si: “. É nesse momento em que a colega confia o seu corpo a gente”. Confiança e segurança caminham juntos no momento em que há reciprocidade do contrato. Enquanto um se doa na ação o outro doa-se para a ação.
(...) São muitas pessoas no grupo, uns há mais tempo, outros há menos tempo. Muitos passaram, poucos permaneceram. Cada um que passa traz consigo alguma contribuição, algo novo. Aqueles que ficam constroem relações mais sólidas. Percebo que cada um tem um pensamento, um modo de pensar e de agir diferente. Esses modos diferentes que cada um tem, faz com que na
I.E.: Rotatividade de pessoas trás muitos referenciais. I.E.: Poucos permaneceram: aponta para uma prática em si restritiva.
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convivência uns com os outros, aprendamos a viver melhor nesse mundo doido.
aprendizagens. Depois de termos enfrentado vários problemas entre nós e de
ter resolvido todos eles conversando, muitas vezes com muito suor, choro e até boas gargalhadas, é que me convenço que somos sim, uma grande família. Somos uma família e como tal, temos que resolver nossas indiferenças e sermos unidas (...)
V: enfrentamento, conversa.
I.E.: as soluções de problemas apontam para uma relação familiar.
(...) Quando resolveu voltar, ela me procurou para que eu a ensinasse a parte que ela havia perdido. Naquele instante eu me recusei, pois estava estudando uma parte muito avançada da coreografia. Ela então pensou que eu não queria ensiná-la e ficou com raiva de mim (...) Eu, óbvio, não gostei, mas fiquei calada (...) ...discutimos, choramos, mas foi conversando que agente se entendeu, até hoje estar tudo bem entre eu e ela.
I.E.: Quando a vaidade interfere no relacionamento. C.V.: Solidariedade, conversa.
(...) Aprendi que amizade é algo muito sério e que ela é cultivada
no dia-a-dia. V: Amizade. I.E.: Amizade se cultiva.
É muito bom passar o tempo com os componentes do grupo. Considero esse tempo como um tempo de aprendizagem, pois como disse anteriormente, aprendi muito no tempo em que estou no GGTP. Eu e os demais companheiros de ginástica ficamos muito tempo juntos; passamos o ano inteiro treinando e convivendo uns com os outros e também com o professor Leonardo; tornamos-nos uma família e com isso aprendemos muito uns com os outros. Entre outras coisas, aprendi que existem momentos pra tudo, inclusive pra ouvir e também pra falar as coisas (...)
V: Trabalho, convivência, família.
I.E.: “é muito bom passar o tempo com os componentes do grupo”: Convivência.
I.E.: Tempo de convivência, tempo de aprendizagem. I.E.: Na relação tempo ampliado e convivência é gerado o sentimento de família.
Por tudo isso, considero a ginástica muito importante pra mim, e é por isso que eu a levo muito a sério (...)
I.E.: A ginástica é importante pela convivência, pelo que se aprende >> ao mesmo tempo é um desafio.
(...) A ginástica é, também, um grande desafio pra mim, pois é aonde posso aprender muitas coisas, como a ser mais companheira e amiga, saber dividir as coisas, a respeitar. Também aprendi a ganhar e a perder. Aprendi que mais importante que ganhar ou, mesmo, competir é poder participar; estar junto com o GGTP; colaborar com a equipe e se apresentar bonito nos eventos (...)
V: Companheirismo.
I.E.: A ginástica e o saber convivem com os ganhos e perdas >> entre os dois o importante é participar.
I.E.: O que é importante: “poder participar; estar junto com o GGTP; colaborar com a equipe e se apresentar bonito nos eventos”. Capacidade de eleger prioridades e de entender o que é o não importante.
(...) Eu vou levar para sempre comigo esses exercícios, que são saberes que para mim são experiências valorosas, hoje, parte da minha vida.
I.E.: Os saberes adquiridos fazem parte da vida desse sujeito; registrado enquanto experiência vivida no corpo.
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO: SUJEITO 8
TÍTULO: A GINÁSTICA GERAL EM MINHA VIDA
SUBTÍTULO: EMOÇÕES QUE AGENTE NUNCA ESQUECE
UNIDADE DE ANÁLISE NÚCLEOS DE SENTIDO
(...) Com certeza, a minha primeira apresentação foi um episódio marcante para mim. Um dia qualquer, no final do primeiro semestre, na quadra da escola, no turno da manhã, apresentei, junto com outros ginastas da escola uma coreografia linda. Lembro que quando eu comecei a me empolgar, a musica acabou. Deu-me uma vontade de apresentar de novo (...)
I.E.: A relação do tempo. I.E.: O desejo de mais.
(...) Pensem num espetáculo bom! As pessoas e os grupos convidados, as luzes, foi tudo muito lindo. Entre os convidados adorei o Coral...
I.E.: Espetáculo bem: aquele que há beleza nas pessoas, nos grupos de pessoas, nos recursos cenotécnico.
...coreografia que eu participei, parecia fácil, pois executamos muito bem e de forma limpa a coreografia, porém, para a gente ela era muito difícil. Aprendi Feira de Mangaio passo a passo, treinamos muito e, durante os treinos, se errássemos, tínhamos que repetir até deixá-la bem limpa, sem erros e, assim, bonita para quem fosse assistir.
I.E.: Executar bem faz parecer fácil.
Executar bem e executar sem erros. Coreografia limpa e coreografia bonita. Fazer o difícil parecer fácil e dominar a técnica.
..., em Brejeiro foi como se eu tivesse treinando num dia normal, muito calma e sem erros me apresentei, nem parecia ser o meu primeiro espetáculo. Não só Feira de Mangaio fez sucesso, mas o espetáculo todo. Nossa linda apresentação contou ainda com um público caloroso.
V: Calma. C.V.: Erros.
I.E.: A relação com o sucesso, só tem início com a exibição da ginasta.
Todas as apresentações são interessantes porque temos a oportunidade de apresentar o que aprendemos e de ver novos exercícios. Por isso, é importante participar dos festivais fora da escola também. Lá temos a oportunidade de ver as meninas de outras escolas fazerem exercícios belíssimos, de grande dificuldade. Aproveitamos pra ver, pra depois fazer (...)
I.E.: Público caloroso: aquele que aprova. I.E.: interessante: aquilo que interessa porque oportuniza aprender, apresentar e contemplar NOVOS exercícios.
I.E.: Exercícios belíssimos: aquele que vejo e percebo como difícil, pois ainda não sei executá-lo ou não domino a técnica.
(...) Nesses eventos também ganhamos medalhas de participação, o que é muito legal também. Se estivermos com alguma pendenga entre nós, as apresentações ajudam a nos unir.
I.E.: A medalha simboliza a participação. I.E.: A apresentação como estratégia de união. Muitas vezes recebemos convites para nos apresentar em festivais I.E.: As apresentações: em festivais e por convite.
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organizados, principalmente pela escolas particulares de Natal ou pela Federação Norteriograndense de Ginástica ...
(...) Passamos muito tempo treinando para se apresentar bem e fazer bonito nos lugares. Fazer bonito é fazer as apresentações corretas, executando bem os exercícios individualmente e executando de forma correta na coreografia, de forma coletiva.
I.E.: Apresentar bem e fazer bonito está condicionado ao tempo (persistência) de trabalho.
I.E.: Fazer bonito: “Fazer bonito é fazer as
apresentações corretas, executando bem os exercícios individualmente e executando de forma correta na coreografia, de forma coletiva.”.
(...) Muitas vezes antes de dormir fico pensando: como é que conseguimos montar coreografias maravilhosas no nosso espaço tão pequeno, o pátio da escola? Outras vezes, nem consigo dormir com medo de não acordar a tempo de me apresentar, principalmente quando os festivais são pela manhã.
Fazer bonito é fazer as apresentações corretas, executando bem os exercícios individualmente e executando de forma correta na coreografia, de forma coletiva. A magia do conseguir superar dificuldades, se superando está no desejo a ser alcançado, na força de vontade, no trabalho, persistência, criatividade, ou seja, num conjunto de fatores e ainda liderança. Eu gosto tanto de treinar como de me apresentar, e uma coisa esta
ligada a outra. Não tem como se apresentar com qualidade se a ginasta não treina o suficiente para tal. A qualidade do treino interfere na qualidade da apresentação. Por isso o que me move nos treinos é a possibilidade de me apresentar com qualidade junto com minhas colegas e às vezes até com os meninos, quando o professor monta coreografias mistas. É importante treinar bem para se apresentar bem, para que as pessoas gostem do nosso trabalho. Muitas pessoas que nos assiste, ou na escola, ou outros lugares próximos, acabam se interessando e procurando a nossa escola para praticar Ginástica Geral. Por isso, acho importante se apresentar bem. Quando nos apresentamos e recebemos os aplausos temos a certeza que valeu a pena tanto esforço nos treinos, não só nosso, mas também, os do professor.
C.V.: Medo, ansiedade.
I.E.: Apresentar com qualidade é resultado de treino e qualidade.
I.E.: O que motiva a ação da ginasta mãos treinos é a possibilidade de se apresentar bem, talvez esperando, ao final da apresentação, o tão esperado contato com o sucesso >> será essa a grande busca? Sim. Veja: “É importante treinar bem para se apresentar bem, para que as pessoas gostem do nosso trabalho”. “Quando nos apresentamos e recebemos os aplausos temos a certeza que valeu a pena tanto esforço nos treinos, não só nosso, mas também, os do professor”. I.E.: O sucesso como a grande catarse. Não há medalha que substitua. Não é a medalha que importa e sim a glória alcançada, ou seja, o sucesso, virar notícia, ser falada e admirada.
I.E.: O esforço é coletivo e dele depende o sucesso.
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO: SUJEITO 8
TÍTULO: A GINÁSTICA GERAL EM MINHA VIDA
SUBTÍTULO: O FÓRUM INTERNACIONAL DE GINÁSTICA GERAL
UNIDADE DE ANÁLISE NÚCLEOS DE SENTIDO
(...) Foi nessa cidade que eu convivi por quatro dias com diferentes pessoas, de diferentes lugares, ... Entre as várias pessoas que conheci, estava a nossa guia em Campinas ... uma pessoa maravilhosa que estava sempre ao nosso lado. Quando agente tava triste ela nos animava. Foi ela que nos mostrou o SESC, cuidava do nosso acesso ao restaurante das delegações e estava pronta para qualquer coisa. Por tudo isso, eu gostei muito dela.
I.E.: O que faz uma pessoa ser maravilhosa? Doando-se, dado atenção, sendo solidária e benevolente, sempre em prontidão para ajudar.
Assistimos muita coisa de ginástica, algumas bem diferentes, como as rodas alemãs e o “y” uruguaio. Havia muita coreografia legal. Vimos movimentos com nível de dificuldade altíssimo (...)
I.E.: Novas descobertas: a gg. Enquanto espaço para coisas diferentes.
(...) Eu e algumas meninas rodamos o conjunto Parque dos Coqueiros inteirinho para pegar as assinaturas, tendo que ouvir vários NÃO. Isso me deixou furiosa, mas a vontade de ir era maior e, por isso, continuei tentando.
C.V.: Negação, fúria, ignorância.
V: Trabalho, persistência, esclarecimento (conhecer). I.E.: A relação de convivência com o não.
Foi mais fácil conseguir as assinaturas na UFRN do que no Parque dos Coqueiros. Conseguimos na UFRN coletar em uma tarde, o que não havíamos conseguido em uma semana no conjunto em que moramos. Acredito que isso se deve ao fato de das pessoas que assinaram na UFRN são, em sua maioria, estudantes universitários, sendo eles mais esclarecidos e, principalmente, por que sentem na pele a falta de apoio.
I.E.: Experimentando a facilidade e a dificuldade
..., tivemos um contratempo: P se perdeu no Campus, deixando todos preocupados. (...) O professor ficou bravo. Depois de algum tempo e de alguns telefonemas, P veio onde estávamos. Depois de ouvirmos as broncas do professor, seguimos pra casa.
V.I.: Preocupação, bravo, broncas.
...um tempo antes da viagem, eu vivia ansiosa,... um amigo da classe... vivia me dizendo que o avião ia cair, isso me deixou com muito medo.
C.V.: Ansiedade, medo. (...) Eu quando entrei no avião, gelei do dedo do pé até o ultimo
fio de cabelo do coro cabeludo da cabeça. Logo que o avião decolou, eu adormeci e só acordei em São Paulo,...
I.E.: A reação sinestésica diante do enfrentamento do novo, principalmente quando esse novo foi perspectivado a partir do medo.