5. SONUÇLAR ve ÖNERİLER
5.2. Öneriler
A cultura política no Líbano é o produto dos conflitos. Muitos fatores têm contribuído para aprofundar os sentimentos, as atitudes e o comportamento deste povo misto que ainda
não encontrou um caminho para construir uma personalidade nacional e, conseqüentemente, uma cultura única.
A cultura de conflito predomina, na cena política, desde a Primeira Guerra Civil, no final do século XIX, e foi aprofundada na segunda guerra nos anos 70.
Attahiri (1980) informa que há entre os grupos libaneses um sentimento de medo, de vingança e uma falta de paz e de segurança. Esta cultura tem sido alimentada pela situação de instabilidade política decorrente da ocupação dos israelenses na terra dos palestinos que contribuiu para o surgimento do problema dos refugiados e a sua presença no Líbano. Tal cultura também é apoiada por fatores externos regionais e internacionais.
Shuaib (2005) afirma que um dos fatores que enraizaram a cultura libanesa foi o conflito entre os líderes proprietários de terra, especialmente os maronitas, e o papel decisivo dos líderes religiosos na escalação deste conflito. Outros fatores regionais e internacionais foram o conflito entre a França e a Inglaterra que visavam à dominação do Oriente Árabe e o enfraquecimento do poderio do líder egípcio Muhammad Ali e da dominação turca. Os líderes libaneses exploraram estas potências no conflito travado dentro do Líbano, mas terminaram prisioneiros delas.
Na região da Montanha existiu uma seleção racial aguda entre 1843-1861, por causa do compartilhamento dessa região entre duas divisões; a maronita, sob a influência francesa, e a drusa, sobre quem a Inglaterra e os turcos gozaram de certo poderio. Até hoje, observa-se que as escalações de conflitos e de massacres exigem, cada vez, mais intervenções estrangeiras.
Corom (2004) assinala que há uma situação de preocupação e de ansiedade vivida pela sociedade libanesa desde o final dos anos 60 do século XX. Aqui não se trata do conflito de classes como foi idealizado pela teoria marxista. Refere-se a um fenômeno mais abrangente e mais perigoso que paralisou o desenvolvimento dessa sociedade e a saída das relações autoritárias tradicionais. Este fenômeno representa todos os obstáculos que se levantaram à frente da maioria do povo libanês nas suas tentativas de construir as condições do progresso; não apenas o econômico, mas também de chegar a um estágio da cidadania abrangente que permita a todos os cidadãos uma posição social compatível com as suas habilidades.
Um dos obstáculos que constitui fonte de preocupação é a continuação do privilégio familiar, clânico e regional. De fato, o que distingue o Líbano do resto dos países árabes é, exatamente, esta contradição entre um desenvolvimento socioeconômico incomparável na região, de um lado, e a predominância das relações sociais autoritárias tradicionais, de outro.
O desempenho da administração pública no Líbano é dominado pelas relações familiares dentro do quadro de equilíbrios confessionais e regionais. Estas relações e as suas conseqüências negativas relacionadas à insuficiência dos aparelhos administrativos causam uma situação de indignação e de queixas por parte da maioria do povo libanês por causa da falta de igualdade nas oportunidades. Tarhini (1981) se refere às tendências do espírito revolucionário que puderam ser observadas nas confissões mais marginalizadas, como a drusa e a xiita, e as suas reações, durante a Guerra Civil, e revela o descontentamento delas quanto às relações sociais que privilegiam poucas famílias. Realmente, embora haja confissões privilegiadas, dentro destas existem as mesmas divisões, isto é, há famílias subjugadas e subordinadas àquelas grandes famílias tradicionais. A Guerra Civil representa uma evidência importante, pois constituiu o escapamento de uma repressão crônica acumulada na sociedade libanesa por parte de ambos os lados; os muçulmanos e os cristãos. Era uma guerra que visava à igualdade nas oportunidades e à ampliação das bases de obtenção do privilégio social.
Tai (1978) assinala que o confessionalismo e o seu uso por parte de atores domésticos, regionais ou internacionais têm contribuído para a agravação dos problemas ligados à construção de uma cultura nacional unificadora. Há um tipo de trauma psicológico resultante das experiências dos conflitos e das guerras sangrentas. Discriminações, rancores, medo dos cidadãos de outras confissões e crenças imutáveis adquiridas no seio das próprias confissões marcam as relações interpessoais.
A realidade histórica é que as confissões não eram entidades políticas, mas meras facções religiosas e espirituais. Todavia, após a colonização européia, especialmente a francesa, as confissões foram politizadas. Os líderes tradicionais utilizaram esse processo de politização para manter o poder e o privilégio e daí surgiu o papel da confissão como uma fonte e como um instrumento do poder, consequentemente surgiu a era do conflito entre tais líderes e a formação da cultura de conflito.
Corom (2004) afirma que, numa situação de dominação confessional autoritária, os indivíduos perdem a sua liberdade. O homem não obtém uma franca liberdade de expressão fora da cadeia dos pensamentos superficiais e simplificados predominantes dentro da sua confissão. Quando a confissão se tornou uma fonte do poder político, as práticas se tornaram violentas e houve a perda das liberdades individuais, ou seja, perdeu-se o cerne da cidadania. Quando as confissões se tornaram entidades políticas em detrimento das liberdades individuais democráticas, a representação se concentrou, por sua vez, em mãos dos fanáticos confessionais e não com aqueles detentores de habilidades e da lealdade nacional.
Outra questão de alta importância tem sido o equilíbrio do poder islâmico com o cristão que está sendo reivindicado para reformar o sistema político libanês. Na verdade, a questão da dominação no Líbano não se refere aos poderes confessionais em equilíbrio, mas à ascensão ao poder dos libaneses leais e competentes sem consideração da sua afiliação confessional, pois a afiliação herdeira de uma confissão não constitui uma garantia de um regime justo e transparente.
Corom (2004) assinala que a cultura de conflito, para realizar as suas metas, divulgou várias falácias históricas e dados equivocados sobre a realidade libanesa. Esta cultura se assenta em dados parciais e imutáveis para torná-los realidade permanente e eterna, exagerando na sua generalização como características essenciais da vida dos libaneses. Os cristãos, por exemplo, alegam que as confissões cristãs no Oriente sempre foram reprimidas e que os muçulmanos jamais os aceitarão como cidadão de direitos completos. Mais ainda, os cristãos alegam que os muçulmanos têm imposto, ao longo da história, discriminações de todos os tipos para garantir a inferioridade cristã. Esta não é a realidade, pois o islamismo proíbe a imposição de quaisquer restrições sobre o cristianismo e sobre o judaísmo, além de garantir os direitos de propriedade e o exercício de atividades econômicas. A questão principal do destino cristão no Oriente, na verdade, não é a existência cristã religiosamente ou materialmente ameaçada, como aconteceu em vários lugares no mundo, a questão é a definição da extensão do poder político que o elemento cristão pode gozar.
De outro lado, a cultura dos muçulmanos libaneses não é menos equivocada que a cristã. Aquela cultura alega que as confissões cristãs têm se envolvido sempre no serviço do colonialismo com as forças estrangeiras e que os cristãos, em especial os maronitas, têm concessões sociais insuportáveis que põem o cidadão muçulmano numa categoria bem inferior. Conforme essa cultura, a má distribuição da renda, as distorções na governança e as tragédias que o Líbano tem testemunhado têm como fonte a errática mentalidade política maronita. Os muçulmanos vêem os seus conterrâneos cristãos como separatistas, traidores e cooperadores com os estrangeiros, cujas concessões estão florescendo em detrimento dos muçulmanos pobres. Os muçulmanos colocam dúvidas sobre a lealdade dos cristãos, apesar da grandiosa contribuição destes no movimento de libertação contra o colonialismo e contra Israel.
Desse modo, pode-se dizer que a cultura política libanesa é a de conflito. Um dos requisitos para a construção de uma cultura política nacional no Líbano é a separação do indivíduo deste poder tradicional, pois a solidariedade do indivíduo com a sua família, tribo,
clã ou confissão é uma característica das sociedades pré-modernas. Para isso, é necessário que seja feita uma definição constitucional exata do papel das confissões e que seja removida a ambigüidade no que diz respeito à fonte do poder. Outro requisito é relativo à construção de uma sociedade civil efetiva protegida pelo poder de um Estado moderno no qual os indivíduos possam se livrar do poder das suas famílias, tribos, clãs ou confissões. Um Estado forte e imparcial será o único substituto das instituições tradicionais que têm garantido a integridade dos cidadãos, especialmente nas épocas de crises.
Na verdade, como afirma Zahir (1981) a diversidade religiosa é uma característica essencial da sociedade libanesa e a harmonia marcava as relações entre as confissões até que elas foram politizadas, no final do século XIX, com a intervenção das forças estrangeiras. Desde o século VII, d.C, o Islã e o Cristianismo coexistiram no Líbano de maneira equilibrada. Na Montanha do Líbano, como depois nas cidades litorâneas, existia uma liberdade religiosa inigualável. Ao contrário das outras sociedades vizinhas do Líbano, nas quais a facção sunita dominou desde o século XI e se tornou a única fonte da legitimidade do poder político, o fundamento do Líbano sempre foi esta diversidade.
A cultura libanesa, então, é uma cultura coletiva consistente no melhor de ambas as religiões, o Cristianismo e o Islã, de tradições, de liberdade religiosa, de tolerância e de harmonia. O legado, sob este aspecto, é da liberdade, em especial, a liberdade intelectual e a espiritual, também, a herança da moral, da tolerância em aceitar a diversidade intelectual que rejeita o fanatismo.
Como já foi dito, os conflitos começaram com o uso político das confissões por parte dos estrangeiros na competição pelo controle da região, utilizando os líderes locais, um contra o outro, para realizar tal objetivo. Desde a Primeira Guerra Civil, em 1860, as confissões foram cada vez mais politizadas e as conseqüências desta guerra geraram sentimentos e efeitos altamente importantes que influenciaram a mentalidade do cidadão libanês e, consequentemente, compuseram a sua cultura. O clima de medo e de insegurança causados pelas tensões políticas entre os líderes políticos, à luz do enfraquecimento dos aparelhos do Estado e, talvez, da sua parcialidade, faz com que o cidadão adira à própria confissão e seja dela prisioneiro, perdendo, assim, a sua liberdade pessoal e a capacidade de se realizar longe desta esfera tradicional.
A liberdade que cada confissão tem gozado, especialmente na administração dos próprios negócios, tem prejudicado os planos nacionalistas que visam implantar uma cultura
nacional através de uma política de educação civil livre da influência das instituições religiosas.
A tendência para a separação, a desobediência às autoridades e a rebeldia constituem características da personalidade do povo libanês. A não sujeição ao controle de um Estado forte que pudesse impor a ordem, fez com que os grupos sociais, sob a liderança dos notáveis tradicionais, se acostumassem a agir com base em normas próprias. Nesse aspecto, não se pode negligenciar o papel do confessionalismo como importante elemento que domina os sentimentos dos indivíduos e os move de modo auto-alimentado. Os grupos costumam a viver com medo, com desconfiança e na expectativa cautelosa do perigo decorrente dos outros grupos. Esta situação cria um estado quase permanente de mobilização e de defesa.