1. Araştırmanın Konusu, Yöntemi ve Kaynakları
2.3. Kur’ân’ı En Doğru Şekilde Anlamanın Kâideleri
3.1.3. Meydânî Tefsirinin Kaynakları ve Atıfları
O flúor representa um dois elementos característicos da denominada província metalogenética do Grupo Bambuí (Pb-Zn-Ag-F), no norte de Minas Gerais. Desde a década de sessenta a área de estudo foi alvo de várias pesquisas dirigidas ao conhecimento da distribuição, origem e exploração das mineralizações metálicas (Pb-Zn) e não metálicas (F) contidas nas rochas carbonáticas da região. Entre os trabalhos realizados, cabe salientar os de Costa (1962), Robertson (1963), Cassedanne (1968, 1970) e Beurlen (1973).
Para um melhor entendimento, nos relatórios dos projetos LETOS (Baptista e Meneguesso, 1976) e Bambuí Norte (METAMIG, 1977), dividiu-se esta província, em função das suas características litoestratigráficas, estruturais e paragenéticas, em três distritos; Montalvânia, Itacarambi e Januária. Os três distritos constituem uma continuidade lateral ao longo mais de 150 Km na margem esquerda do rio São Francisco, prolongando-se no estado da Bahia. A proximidade destas ocorrências com os ˝Altos Cristalinos˝ é uma característica comum a todas elas.
1) Distrito de Montalvânia
As ocorrências de Montalvânia mostram uma predominância quantitativa de fluorita sobre minerais de zinco e chumbo. As principais ocorrências de fluorita estão associadas a fraturas (de até 1m de espessura), cortando os calcários fétidos e magnesíferos, plaqueados, localmente oolíticos e com brechas intraformacionais das Formações Sete Lagoas e Lagoa do Jacaré (Baptista e Menegesso, 1976). Neste distrito, as camadas carbonáticas foram atravessadas por falhas regionais de direção NW-SE, cruzadas por falhas diagonais. A maior parte das mineralizações estão orientadas segundo a direção destas falhas, principalmente nas zonas mais fraturadas, o que possibilitou a mobilização, remobilização e concentração das soluções hidrotermais, nas próprias camadas (Baptista e Meneguesso, 1976). Os garimpos e as catas no distrito de Montalvânia encontram-se em altitudes entre 530 e 620 m.
As principais ocorrências deste distrito são (TABELA 7.1): Grota do Espinho, Lapa Escrivida (1.000 t extraídas até 1967), Mina do Joel (170 t até 1966), Mina do Zezinho (40 t até 1967), Montalvânia e Fazenda São Pedro (Baptista e Meneguesso, 1976). Nelas, a fluorita se apresenta preenchendo fissuras ou como veios que ligam lentes estratiformes ao longo de fraturas. Em vários afloramentos foram observados cristais de fluorita no núcleo de oólitos (Beurlen, 1973).
2) Distrito de Itacarambi
As ocorrências minerais aqui agrupadas ocupam uma área de aproximadamente 70 Km², cujo centro está situado a 15 Km W-NW de Itacarambi. As ocorrências de fluorita estão relacionadas a fissuras e fraturas dos calcários cinza e dos dolomitos rosados, sacaróides, localmente silicificados da Formação Sete Lagoas (Planoroeste, 1980). Observa-se a falta de calcários oolíticos. Em geral, a fluorita apresenta-se em forma de ganga associada às mineralizações de Pb-Zn-V-Ag.
As rochas do distrito sofreram um suave dobramento caracterizado pelo anticlinal de Itacarambi, provocado pelos esforços que deram origem às falhas de direção N40°-50°W.
As principais ocorrências são as do Janelão, Mina Grande e Fabião (TABELA 7.1), que pelos dados disponíveis produziram poucas toneladas de fluorita e cujas reservas não foram estimadas (Baptista e Meneguesso, 1976).
3) Distrito de Januária
Ocupa uma área de cerca de 100 Km² cujo centro situa-se a 30Km da cidade homônima. As ocorrências localizam-se próximas aos topos dos morros testemunhos, na planície marginal do rio São Francisco, recebendo identificações como às das serras que as contém, sendo as principais, Serra do Cantinho e Capão do Porco. A mineralização ocorre em manchas e preenchendo planos de laminação no dolomito bege encaixante (Planoroeste, 1980).
As mineralizações da área Januária- Itacarambi apresentam características comuns, das quais as mais relevantes são:
- a fluorita aparece como mineral secundário;
- as ocorrências seguem um excelente controle estratigráfico, posicionando-se no contato dolomito sacaróide rosado / dolomito sublitográfico;
- as ocorrência estão relacionadas, na maioria das vezes, a falhamentos de gravidade de pequeno rejeito. Estes depósitos diminuem sua possança à medida que se afasta das referidas estruturas. É notória a esterilidade das zonas não perturbadas do contato (Metamig, 1977);
- as mineralizações não apresentam uniformidade na espessura, largura e teor do minério. As formas geométricas são extremamente irregulares. Bolsões, veios e pequenos filões. As transições do minério de alto teor à rocha hospedeira são bastante agudas (Metamig, 1977);
- os garimpos e as catas nos distritos de Januária-Itacarambi, encontram-se em altitudes entre 620 e 720 m.
TABELA 7.1 - Principais informações referentes às ocorrências exploradas de fluorita na área de estudo. Os dados foram obtidos a partir dos Projetos LETOS (Baptista e Meneguesso ,1976), BAMBUÍ NORTE (METAMIG, 1977) e PLANOROESTE (CETEC,1981).
NOME DA OCORRÊNCIA LOCALIDADE LOCALIZAÇÃO (UTM)
TEXTURA DA FLUORITA ROCHA ENCAIXANTE FORMAÇÃO
Grota do Espinho Montalvânia 8406000/576000 Preenchimento de fraturas e como olhos nos oólitos
Calcários oolítico cinza- escuro
Lagoa do Jacaré Lapa Escrivida Montalvânia 8404000/586000 Cor violeta a hialina. Lentes
paralelas às camadas
Calcário oolítico cinza-claro e brecha intraformacional
Sete Lagoas Mina do Joel Montalvânia 8409000/581000 Amarela, incolora, violeta.
Lentes e fraturas
Calcário oolítico cinza-claro e calcilutito cinza-escuro
Sete Lagoas Mina do Zezinho Montalvânia 8401000/589000 Violeta. Bolsões Dolomito róseo silicificado Sete Lagoas
Fazenda São Pedro
Montalvânia Serra da Pitarama Pequenos cristais. Preenchi- mento de fraturas e diaclases
Calcário plaqueado oolítico Sete Lagoas
Montalvânia Montalvânia
10 Km de Montal- vânia na estrada
para Monterrei
Preenchimento de fraturas e como olhos nos oólitos
Calcários oolítico cinza- escuro
Lagoa do Jacaré Mina do Fabião Itacarambi 8323000/585000 Violeta a cinza-claro. Pequenas
lentes
Contato dolomito róseo com calcário cinza-claro
Sete Lagoas Mina Grande Itacarambi 8335000/588000 Raros e pequenos cristais Dolomito rosado sacaróide,
brechado
Sete Lagoas Coqueiral Itacarambi 8317000/582000 Vênulas, pequenos bolsões e
disseminada
Dolomito rosado silicificado Sete Lagoas Boqueirão do
Pulu
Itacarambi 8319000/583000 Violeta ou branca. Dispersa ou em vênulas
Dolomito rosado sacaróide Sete Lagoas
Janelão Itacarambi 8331000/585000
Fraturas, manchas e lentes, preenche cavidades de dissolução
Dolomito rosado sacaróide,
silicificado Sete Lagoas
Cantinho Januária 8275000/543000 Sete Lagoas
Capão do Porco Januária 8272000/531000
Vênulas, manchas e preenchimento de planos de laminação na zona do contato com o dolomito. Disseminada
Dolomito rosado sacaróide
CONCLUSÕES
Através de campanhas de trabalhos de campo e de integração de mapas geológicos de diferentes origens e escalas, foi possível a compilação e produção de um mapa geológico na escala 1:500.000, que abrange uma grande região (39.000Km2) no norte do Estado de Minas Gerais. A partir dos dados reunidos e apresentados neste trabalho, referentes à análise do Grupo Bambuí e suas coberturas, no vale do médio São Francisco, no norte do Estado de Minas Gerais, chegou-se às seguintes conclusões:
- o embasamento cristalino do Craton do São Francisco aflora no nível das drenagens dos riachos e córregos da região de Bonito, em cotas de até 600 metros (Alto de Januária).
- para nordeste e sudeste o Grupo Bambuí torna-se sensívemente mais espesso. Este fato foi relacionado a um afundamento progressivo do embasamento, relacionado a depocentros diferenciados da bacia de sedimentação. Furos de sondagem permitiram comprovar este afundamento e forneceram subsídios para a identificação dos depocentros.
- o Grupo Bambuí constitui uma cobertura de plataforma neoproterozóica depositada sobre o Craton do São Francisco, o qual se apresenta rodeado por faixas de dobramentos marginais relacionadas ao Ciclo Brasiliano (900-530 Ma). A influência da faixa Araçuaí, no extremo leste da área, ficou evidenciada por uma foliação incipiente nos siltitos da Fm. Serra da Saudade e numerosos dobramentos de diferente amplitude, desde pequenas dobras, a estruturas do tipo sinclinal, como identificado na serra do Jaíba;
- na área estão representadas as cinco formações clássicas do Grupo Bambuí (Fm. Sete Lagoas, Fm. Serra de Santa Helena, Fm. Lagoa do Jacaré, Fm. Serra da Saudade e Fm. Três Marias), assim como um pacote carbonático, sobreposto à Fm. Serra da Saudade, de ocorrência restrita, considerado, por alguns autores, como Formação Jaíba;
- a deposição do Grupo Bambuí iniciou-se em ambiente marinho raso, em resposta a uma transgressão que afogou a seqüência de rochas possívelmente correlacionáveis à Fm. Jequitaí, permitindo o desenvolvimento da plataforma carbonática da Fm. Sete Lagoas. A sedimentação desta formação representa um set regressivo de seqüências shallowing-upward, em que cada unidade foi depositada em águas cada vez mais rasas. Os sedimentos pelíticos da Formação Serra de Santa Helena sobrepõem-se à sedimentação carbonática da Formação Sete Lagoas. Coincidindo com uma nova regressão marinha, depositaram-se as lentes de calcário da Fm. Lagoa do Jacaré que, progressivamente, gradaram para os siltitos da Fm. Serra da Saudade, finalizando o segundo megaciclo transgressivo da Bacia Bambuí. O topo do Grupo Bambuí é constituído por uma seqüência dominantemente siliciclástica, correlacionável à Fm. Três Marias, que representaria uma sedimentação molássica em ambientes de bacia foreland;
- a Formação Lagoa do Jacaré constitui a unidade com maior distribuição dentre as formações do Grupo Bambuí na área de estudo e apresenta uma importante variabilidade faciológica. A seção de detalhe levantada para a região de Lontra contrasta fortemente com aquelas observadas no resto da área, e mesmo nos afloramentos desta unidade em locais vizinhos. A abundante intercalação de pelitos, dominantes para o topo, a ausência de evidências de oólitos entre os aloquímicos e a cor mais clara dos calcários na seção de Lontra parecem indicar condições de sedimentação em um sub-ambiente diferenciado do resto da plataforma, caracterizado por uma menor energia.
- a descrição detalhada de 22 lâminas delgadas de litofácies da Fm. Lagoa do Jacaré permitiu um estudo sobre a diagênese das rochas carbonáticas da região de Lontra (MG), com formulação da seqüência paragenética. Identificaram-se os processos de compactação/estilolitização, dolomitização, dissolução, silicificação, fraturamento e precipitação de calcita tardia.
- cobrindo discordantemente as rochas do Grupo Bambuí ocorrem arenitos quartzosos, bem selecionados, de idade cretácica, pertencentes ao Grupo Urucuia;
- coberturas terciárias e quaternárias ocorrem em grande quantidade, principalmente na calha aluvionar do rio são Francisco;
- o rio São Francisco representa um divisor na distribuição e espessura das formações do Grupo Bambuí, de maneira que a formação basal, Fm. Sete Lagoas, só se apresenta aflorante na margem esquerda do rio. Este fato foi associado a uma subsidência tectônica diferencial (notavelmente superior para a margem direita), relacionada a sistemas de falhas NNE e NNW, que condicionaram a distribuição dos depocentros e, consequentemente, a espessura da pilha sedimentar. Estruturas tectônicas como os horst-anticlinais de Montalvânia e Itacarambi, e mesmo a orientação do rio São Francisco na área (falha de Januária), favorecem esta hipótese;
-A área de pesquisa está inserida na região do Craton do são Francisco e, a leste, situa- se na zona de influência da Faixa de dobramentos Araçuaí. Assim, na maior parte da área mapeada, ocorrem camadas subhorizontais ou com fraco mergulho para NE ou SE. Visando estudo tectônico regional, foram medidas fraturas em diversos afloramentos e foram medidas também, direções de lineamentos em imagens de satélite. As fraturas em afloramento predominam nas direções WNW e NW, enquanto que os lineamentos em imagem de satélite predominam segundo as direções NE, NNW, NW e N-S.
- o sistema fluvial que drena a área, apresenta um padrão semi-retangular, formando lineamentos fisiográficos nas direções N, NW e NE. Provavelmente este sistema tenha se instalado segundo falhas ou fraturas neotectônicas, presentes desde a abertura do Atlântico Sul, no Terciário, as quais seriam reativações de falhamentos de idade brasiliana;
- o flúor representa um dos elementos característicos da denominada província metalogenética do Bambuí (Pb-Zn-Ag-F). As ocorrências de fluorita concentram-se nos calcários das Formações Sete Lagoas e Lagoa do Jacaré, nas regiões de Montalvânia, Itacarambi e Januária. A maior parte das mineralizações ocorrem associadas a fraturas, o que pôde possibilitar a mobilização, remobilização e concentração das soluções hidrotermais, sendo notória a esterilidade das zonas não perturbadas tectônicamente.