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MER’İ PLANLARDAKİ DURUMU:

Belgede KOMİSYON RAPORLARI (sayfa 120-127)

KOMİSYON RAPORLARI

MER’İ PLANLARDAKİ DURUMU:

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Figura 8 - Genograma - Milena

1965 1966 1967 1970 1972 1976 1979 1982 1984 1992 1994

Término do 1o. namoro Depressão

Conheceu ex-marido Noivado

Casamento Concurso prefeitura

Primeira descoberta de traição Nascimento do 1. filho Nascimento do 2. filho

Aluna dele telefone dizendo que tinha um filho do ex-marido Constrangimento em confraternização na empresa dele Descoberta dele com outra mulher

Separação

Milena tem 59 anos, filha única. Divorciada há 15 anos, possui curso

superior completo, foi casada durante 24 (vinte e quatro) anos e teve dois

filhos.

Considerou-se sempre uma pessoa muito reprimida e controlada,

primeiramente, pelos pais e depois pelo marido.

Quando jovem namorava um rapaz de quem gostava, e com o qual

mantinha uma ótima comunicação, mas o mesmo não foi “aprovado” pelos

pais. Esse rapaz não foi aprovado porque tinha péssima aparência e era filho

de uma mulher desquitada, o que na época era inadmissível para uma “moça

de família”. Então, eles a fizeram terminar o namoro, passando por isso um

longo período de depressão.

Na tentativa de tirá-la da depressão, viajaram durante um carnaval, na

época Milena estava com 16 anos.

Durante o baile de carnaval, conheceu seu ex-marido, o mais velho de

nove filhos, cujo pai havia abandonado a todos, logo após o nascimento do

caçula.

Ele lhe foi apresentado por uma prima, um homem um pouco mais

velho do que ela, mas que se trajava como se fosse muito mais velho. Esse

homem obteve a “aprovação” dos pais, o que era desejado por ela e que os

levou ao namoro.

Formou-se no curso de magistério, atual normal e passou a dar aulas,

tendo seu próprio sustento.

No início, sentia-se protegia por ele, pois

aparentava mais idade e

maturidade, mas depois percebeu que essa proteção na verdade era domínio,

controle.

Fazia as coisas sem consultá-la como, por exemplo, quando ficaram

noivos e ele lhe fez uma “surpresa” trazendo as alianças que ele escolheu sem

nada avisar. O mesmo aconteceu com a compra dos móveis antes do

casamento, mas isto era visto pela família com encantamento.

Já nessa época, começou a ser controlada por ele nas amizades que

tinha, chegando a indicar aquelas com as

quais deveria romper. Determinava

os trajes que deveria usar.

constrangimento devido às roupas que usava, os presentes que dava e a falta

de lazer.

Desde o início ele mostrou-se um tanto agressivo, não fisicamente com

ela, mas com os objetos da casa como uma forma de coagir e manipular, para

que as coisas fossem de seu jeito.

Segundo ela, ele mudou completamente o jeito de ser pouco antes do

casamento, porque achou que morariam junto com seus pais ou que eles lhes

dariam um apartamento para morar, evitando assim que tivessem despesas

com aluguel. Este fato não ocorreu, mas ela acreditava que após o casamento

as coisas seriam diferentes, só percebeu muito mais tarde que via o casamento

como uma forma de se libertar dos pais e nem percebeu que estava sendo

aprisionada ao marido.

Casaram-se no civil e no religioso, por vontade dos pais dos dois, e não

fizeram festa pela situação financeira da época. Ele ajudava a mãe no sustento

da casa, e continuou ainda por algum tempo.

Milena diz ter ficado muito emocionada durante o casamento e chorado

muito, mas não sentia nas outras pessoas a mesma emoção. Apenas seus pais

e o noivo estavam esfuziantes, e hoje a entrevistada entende que seus pais

ficaram muito felizes por terem tirado de si a responsabilidade de uma filha que

consideravam problemática.

Já na lua-de-mel, ela inexperiente percebeu a impaciência e falta de

afetividade da parte dele, quando esperava poder contar com sua experiência,

carinho e habilidade no relacionamento sexual.

As visitas à família dele eram obrigatórias aos domingos, e lá sempre se

referiam à família dela como ladrões ou outros insultos, o que a deixava muito

constrangida, principalmente, porque ele não a defendia.

Ela não gostava muito dessas visitas porque seus cunhados bebiam

muito e destratavam as esposas, os filhos e a mãe. Ela se sentia mal com tudo

aquilo que não fazia parte da sua experiência familiar, além disso, sempre

faltava alguém e sua ex-sogra ficava deprimida e preocupada como filho que

não tinha vindo.

O relacionamento sexual que começou muito ruim desde a lua-de-mel,

permaneceu assim; eram somente cobranças e queixas, que ela passou a

achar que eram normais nos relacionamentos, porque as amigas com quem

conversava também relatavam situações semelhantes, com raras exceções.

Algumas vezes tentou conversar com ele sobre sexo, mas acabou

desistindo porque ele sempre a

desqualificava e ela se sentia “uma porcaria”,

quase anormal.

Na mesma época em que casou, prestou um concurso público da

Prefeitura de São Paulo e então efetivou-se como professora.

No segundo ano de casada, passou por uma situação de

constrangimento durante a formatura no curso de engenharia de seu ex-

esposo, quando percebeu claramente que ele havia dito às colegas que tinha

uma esposa velha e doente, fato que não correspondia à verdade. Assim havia

mantido um relacionamento extraconjugal com uma delas, que chorava

copiosamente durante o jantar.

Ele não queria filhos alegando ter cuidado de muitos irmãos e avisou-a

para que não alimentasse esperanças diante da pressão de seus pais, que

tanto cobravam netos. No entanto, após seis anos, apesar do uso de

anticoncepcionais engravidou e ele não encarou mal a situação, embora

começasse a questioná-la sobre as despesas que um filho traria.

Ela diz ter se sentido maravilhosa durante a gestação, sentia-se mesmo

gloriosa e durante esse período foi muito bem tratada pelo marido, muito

embora hoje tenha noção da sua inconsequência e onipotência em engravidar,

sem que fosse o desejo também de seu marido, mas diz nunca ter se

arrependido.

Logo após o nascimento do filho, seu ex-marido sumiu da maternidade,

o que se repetiu no nascimento do segundo filho e ela nunca soube aonde

ele

havia ido e fazer o que, porque simplesmente ele nunca lhe respondeu a essa

pergunta.

Logo após o nascimento do filho, o comportamento do ex-marido voltou

ao que era, só críticas, fazendo com que seus pais evitassem ir à sua casa

quando ele estivesse, porque eram muito mal tratados.

Não era participativo, mas achava que tudo tinha que ser feito do jeito

que mandava, desqualificando qualquer opinião contrária, inclusive do pediatra

a quem chamada de burro e incompetente.

Nunca ajudou também na educação dos filhos, se dizia sempre muito

ocupado, trabalhando, mas criticava sempre o modo como ela fazia, culpando-

a por qualquer dificuldade apresentada pelos filhos nos estudos.

Tinha o comportamento completamente diferente dentro e fora de casa,

em casa eram gritos o tempo todo, reclamações, cobranças e desqualificações

e fora de casa agia como um cavalheiro, elogiando os filhos e esposa para

todos.

Durante um tempo dedicou-se inteiramente a cuidar da casa e criar os

filhos, mas como sempre se sustentou antes do nascimento dos filhos, sentia

dificuldades em ter que pedir dinheiro para o ex-marido, que não mantinha

conta conjunta com ela, não lhe dizia quanto ganhava e sempre lhe dava uma

quantia insuficiente.

O ex-marido vivia estudando, fazendo cursos de pós-graduação,

mestrado, doutorado, mas dizia não ter condições de pagar escola para os

filhos, que estudavam em escolas públicas.

Ela também queria fazer cursos de especialização e atualização para

voltar ao trabalho, sendo que ele dizia a ela que fosse estudar na USP -

Universidade de São Paulo, que é uma universidade pública, portanto, gratuita.

Voltou a trabalhar e ele, muito possessivo, impôs condições para que ela

voltasse, começou a vigiá-la no trabalho e nos cursos que fazia, inclusive,

tentando saber quanto ganhava e porque andava tão feliz, o que parecia

incomodá-lo.

Em um desses cursos ele apareceu de repente, ela o apresentou a dois

de seus colegas que lhe contaram que já o haviam visto por diversas vezes

com uma mulher, almoçando em um restaurante em situações românticas.

Dessa vez ela resolveu confirmar a informação e sair das suposições ou

escutar as desculpas que ele dava, sempre revertendo a situação.

Foi verificar e constatou o relacionamento dele com outra mulher com

quem hoje está casado, e decidiu definitivamente se separar, mas não o fez de

imediato.

Primeiramente ela buscou orientação e depois falou com ele, que não

teve como negar, e então pediu a separação.

Ele se negava a sair do apartamento em que moravam até que ela

conseguiu uma ordem judicial para isso.

Ele mudou-se, mas passou a fazer ameaças a ela e a seus pais, que a

estavam ajudando. Ele ficou deprimido porque não se conformava em ter sido

tirado de seu apartamento e passou a andar armado.

O processo de separação arrastou-se por longos cinco meses, durante

os quais sua mãe ficou muito doente e sua ex-sogra temia pela vida de todos.

Os filhos de Milena ficaram muito apreensivos, até que ela abriu mão do

apartamento e do carro para conseguir finalmente obter a separação.

Mesmo no tribunal, na hora da separação ele mostrou toda sua

agressividade e truculência, desqualificado-a e constrangendo a todos.

Na época, seu pai comprou um apartamento para que ela morasse com

os filhos, no mesmo prédio em que moravam, como a condição de que ela

cuidasse deles quando necessário, sendo que a entrevistada achou bastante

justo.

Hoje os filhos são independentes, vivem suas próprias vidas e ela

continua morando sozinha no apartamento no mesmo prédio que o pai, sua

mãe já é falecida. Continua

trabalhando e se considera uma profissional que

obteve muitas conquistas.

3.1.4 Entrevistada – Aline

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