KOMİSYON RAPORLARI
MER’İ PLANLARDAKİ DURUMU:
60
57
3
3
1
15
E
65M
59E
M
E
85J
78F
33F
30M
33J
31R
39R
Figura 8 - Genograma - Milena
1965 1966 1967 1970 1972 1976 1979 1982 1984 1992 1994
Término do 1o. namoro Depressão
Conheceu ex-marido Noivado
Casamento Concurso prefeitura
Primeira descoberta de traição Nascimento do 1. filho Nascimento do 2. filho
Aluna dele telefone dizendo que tinha um filho do ex-marido Constrangimento em confraternização na empresa dele Descoberta dele com outra mulher
Separação
Milena tem 59 anos, filha única. Divorciada há 15 anos, possui curso
superior completo, foi casada durante 24 (vinte e quatro) anos e teve dois
filhos.
Considerou-se sempre uma pessoa muito reprimida e controlada,
primeiramente, pelos pais e depois pelo marido.
Quando jovem namorava um rapaz de quem gostava, e com o qual
mantinha uma ótima comunicação, mas o mesmo não foi “aprovado” pelos
pais. Esse rapaz não foi aprovado porque tinha péssima aparência e era filho
de uma mulher desquitada, o que na época era inadmissível para uma “moça
de família”. Então, eles a fizeram terminar o namoro, passando por isso um
longo período de depressão.
Na tentativa de tirá-la da depressão, viajaram durante um carnaval, na
época Milena estava com 16 anos.
Durante o baile de carnaval, conheceu seu ex-marido, o mais velho de
nove filhos, cujo pai havia abandonado a todos, logo após o nascimento do
caçula.
Ele lhe foi apresentado por uma prima, um homem um pouco mais
velho do que ela, mas que se trajava como se fosse muito mais velho. Esse
homem obteve a “aprovação” dos pais, o que era desejado por ela e que os
levou ao namoro.
Formou-se no curso de magistério, atual normal e passou a dar aulas,
tendo seu próprio sustento.
No início, sentia-se protegia por ele, pois
aparentava mais idade e
maturidade, mas depois percebeu que essa proteção na verdade era domínio,
controle.
Fazia as coisas sem consultá-la como, por exemplo, quando ficaram
noivos e ele lhe fez uma “surpresa” trazendo as alianças que ele escolheu sem
nada avisar. O mesmo aconteceu com a compra dos móveis antes do
casamento, mas isto era visto pela família com encantamento.
Já nessa época, começou a ser controlada por ele nas amizades que
tinha, chegando a indicar aquelas com as
quais deveria romper. Determinava
os trajes que deveria usar.
constrangimento devido às roupas que usava, os presentes que dava e a falta
de lazer.
Desde o início ele mostrou-se um tanto agressivo, não fisicamente com
ela, mas com os objetos da casa como uma forma de coagir e manipular, para
que as coisas fossem de seu jeito.
Segundo ela, ele mudou completamente o jeito de ser pouco antes do
casamento, porque achou que morariam junto com seus pais ou que eles lhes
dariam um apartamento para morar, evitando assim que tivessem despesas
com aluguel. Este fato não ocorreu, mas ela acreditava que após o casamento
as coisas seriam diferentes, só percebeu muito mais tarde que via o casamento
como uma forma de se libertar dos pais e nem percebeu que estava sendo
aprisionada ao marido.
Casaram-se no civil e no religioso, por vontade dos pais dos dois, e não
fizeram festa pela situação financeira da época. Ele ajudava a mãe no sustento
da casa, e continuou ainda por algum tempo.
Milena diz ter ficado muito emocionada durante o casamento e chorado
muito, mas não sentia nas outras pessoas a mesma emoção. Apenas seus pais
e o noivo estavam esfuziantes, e hoje a entrevistada entende que seus pais
ficaram muito felizes por terem tirado de si a responsabilidade de uma filha que
consideravam problemática.
Já na lua-de-mel, ela inexperiente percebeu a impaciência e falta de
afetividade da parte dele, quando esperava poder contar com sua experiência,
carinho e habilidade no relacionamento sexual.
As visitas à família dele eram obrigatórias aos domingos, e lá sempre se
referiam à família dela como ladrões ou outros insultos, o que a deixava muito
constrangida, principalmente, porque ele não a defendia.
Ela não gostava muito dessas visitas porque seus cunhados bebiam
muito e destratavam as esposas, os filhos e a mãe. Ela se sentia mal com tudo
aquilo que não fazia parte da sua experiência familiar, além disso, sempre
faltava alguém e sua ex-sogra ficava deprimida e preocupada como filho que
não tinha vindo.
O relacionamento sexual que começou muito ruim desde a lua-de-mel,
permaneceu assim; eram somente cobranças e queixas, que ela passou a
achar que eram normais nos relacionamentos, porque as amigas com quem
conversava também relatavam situações semelhantes, com raras exceções.
Algumas vezes tentou conversar com ele sobre sexo, mas acabou
desistindo porque ele sempre a
desqualificava e ela se sentia “uma porcaria”,
quase anormal.
Na mesma época em que casou, prestou um concurso público da
Prefeitura de São Paulo e então efetivou-se como professora.
No segundo ano de casada, passou por uma situação de
constrangimento durante a formatura no curso de engenharia de seu ex-
esposo, quando percebeu claramente que ele havia dito às colegas que tinha
uma esposa velha e doente, fato que não correspondia à verdade. Assim havia
mantido um relacionamento extraconjugal com uma delas, que chorava
copiosamente durante o jantar.
Ele não queria filhos alegando ter cuidado de muitos irmãos e avisou-a
para que não alimentasse esperanças diante da pressão de seus pais, que
tanto cobravam netos. No entanto, após seis anos, apesar do uso de
anticoncepcionais engravidou e ele não encarou mal a situação, embora
começasse a questioná-la sobre as despesas que um filho traria.
Ela diz ter se sentido maravilhosa durante a gestação, sentia-se mesmo
gloriosa e durante esse período foi muito bem tratada pelo marido, muito
embora hoje tenha noção da sua inconsequência e onipotência em engravidar,
sem que fosse o desejo também de seu marido, mas diz nunca ter se
arrependido.
Logo após o nascimento do filho, seu ex-marido sumiu da maternidade,
o que se repetiu no nascimento do segundo filho e ela nunca soube aonde
ele
havia ido e fazer o que, porque simplesmente ele nunca lhe respondeu a essa
pergunta.
Logo após o nascimento do filho, o comportamento do ex-marido voltou
ao que era, só críticas, fazendo com que seus pais evitassem ir à sua casa
quando ele estivesse, porque eram muito mal tratados.
Não era participativo, mas achava que tudo tinha que ser feito do jeito
que mandava, desqualificando qualquer opinião contrária, inclusive do pediatra
a quem chamada de burro e incompetente.
Nunca ajudou também na educação dos filhos, se dizia sempre muito
ocupado, trabalhando, mas criticava sempre o modo como ela fazia, culpando-
a por qualquer dificuldade apresentada pelos filhos nos estudos.
Tinha o comportamento completamente diferente dentro e fora de casa,
em casa eram gritos o tempo todo, reclamações, cobranças e desqualificações
e fora de casa agia como um cavalheiro, elogiando os filhos e esposa para
todos.
Durante um tempo dedicou-se inteiramente a cuidar da casa e criar os
filhos, mas como sempre se sustentou antes do nascimento dos filhos, sentia
dificuldades em ter que pedir dinheiro para o ex-marido, que não mantinha
conta conjunta com ela, não lhe dizia quanto ganhava e sempre lhe dava uma
quantia insuficiente.
O ex-marido vivia estudando, fazendo cursos de pós-graduação,
mestrado, doutorado, mas dizia não ter condições de pagar escola para os
filhos, que estudavam em escolas públicas.
Ela também queria fazer cursos de especialização e atualização para
voltar ao trabalho, sendo que ele dizia a ela que fosse estudar na USP -
Universidade de São Paulo, que é uma universidade pública, portanto, gratuita.
Voltou a trabalhar e ele, muito possessivo, impôs condições para que ela
voltasse, começou a vigiá-la no trabalho e nos cursos que fazia, inclusive,
tentando saber quanto ganhava e porque andava tão feliz, o que parecia
incomodá-lo.
Em um desses cursos ele apareceu de repente, ela o apresentou a dois
de seus colegas que lhe contaram que já o haviam visto por diversas vezes
com uma mulher, almoçando em um restaurante em situações românticas.
Dessa vez ela resolveu confirmar a informação e sair das suposições ou
escutar as desculpas que ele dava, sempre revertendo a situação.
Foi verificar e constatou o relacionamento dele com outra mulher com
quem hoje está casado, e decidiu definitivamente se separar, mas não o fez de
imediato.
Primeiramente ela buscou orientação e depois falou com ele, que não
teve como negar, e então pediu a separação.
Ele se negava a sair do apartamento em que moravam até que ela
conseguiu uma ordem judicial para isso.
Ele mudou-se, mas passou a fazer ameaças a ela e a seus pais, que a
estavam ajudando. Ele ficou deprimido porque não se conformava em ter sido
tirado de seu apartamento e passou a andar armado.
O processo de separação arrastou-se por longos cinco meses, durante
os quais sua mãe ficou muito doente e sua ex-sogra temia pela vida de todos.
Os filhos de Milena ficaram muito apreensivos, até que ela abriu mão do
apartamento e do carro para conseguir finalmente obter a separação.
Mesmo no tribunal, na hora da separação ele mostrou toda sua
agressividade e truculência, desqualificado-a e constrangendo a todos.
Na época, seu pai comprou um apartamento para que ela morasse com
os filhos, no mesmo prédio em que moravam, como a condição de que ela
cuidasse deles quando necessário, sendo que a entrevistada achou bastante
justo.
Hoje os filhos são independentes, vivem suas próprias vidas e ela
continua morando sozinha no apartamento no mesmo prédio que o pai, sua
mãe já é falecida. Continua
trabalhando e se considera uma profissional que
obteve muitas conquistas.
3.1.4 Entrevistada – Aline
Belgede
KOMİSYON RAPORLARI
(sayfa 120-127)