• Sonuç bulunamadı

3. TOPLUMSALLAŞMANIN MERKEZİNDE MEKÂN

3.6. Mekânsal Bilincin Biçimi: Meta

O pioneiro frei toscano Luca Paciolo, em 1494, em sua obra O Tratactus de Computis et Scripturis, deu início à disciplina contábil através de um método claro e simples, partindo da premissa de que toda soma escriturada a débito de uma ou mais contas será, simultaneamente, escriturada a crédito de outra ou outras contas; em qualquer momento, a

soma de todos os débitos será igual à soma de todos os créditos. A isto, dá-se o nome de Partidas Dobradas. em que todo débito origina igual crédito, já que não pode haver credor sem devedor.

Paciolo fez correspondência da teoria contábil do débito e do crédito com a teoria dos números positivos e negativos. Seu método é amplamente utilizado nos dias de hoje e, durante muito tempo, várias obras prático-teóricas, embora sem inovações, o aprimoravam. Esse período de florescência das técnicas contábeis entra em decadência com a ocorrência de grave crise econômica na Península do século XVII, dando lugar à evolução da doutrina em outros países da Europa que se fortaleciam economicamente. Justifica-se, assim, a concepção de alguns autores na qual a contabilidade é causa e efeito do desenvolvimento econômico, pois evolui ao passo em que a economia local prospera.

No entanto, a doutrina Italiana voltou a dominar o cenário contábil a partir de 1840, data em que Francesco Villa (apud: PIRES, 2002:3), em sua obra La Contabilitá applicata alle amministrazioni private e publliche, afirmou que:

“[...] o pleno conhecimento da manutenção de contas e registro constitui a arte de quem computa (guarda-livros), mas não é suficiente para um contador... o qual não se limita a manter livros, mas, a censura das prestações de contas que de tais livros se deve extrair sem o que não poderia haver um critério de julgamento dos resultados de uma administração, nem se conhecer a natureza desta, os detalhes, as normas, as leis e a adequação que a rege”.

Em 1867, Francesco Marchi apresentou a Teoria Personalista das Contas, aprimorada por Guiesppe Cerboni que estabeleceu, em sua famosa obra Logismografia, entre outras, a premissa de que todas as contas devem ser abertas às pessoas. A obra de Cerboni foi contestada por Emmanuelle Pisani com a acusação de ser destinada apenas a Escrituração Pública e a teoria materialista das contas.

“Os intelectuais europeus, superando o que tradicionalmente se fazia, construíram, assim, através de métodos próprios, toda uma estrutura científica” (PIRES, 2002:4).

O progresso econômico de países como França, Espanha, Holanda e Grã- Bretanha, fez com que a prática contábil se fortalecesse e, hoje, é objetivo da Contabilidade o fornecimento e informações aos usuários das demonstrações contábeis que os orientem na

hora de decidir sobre seu empreendimento. A contabilidade pode, assim, ser chamada de linguagem universal dos negócios e das atividades econômicas.

Entretanto, como ciência aplicada, a contabilidade está subordinada a regras de procedimento, “que até recentemente eram rotuladas, por doutrinadores e profissionais, indistintamente, de princípios, postulados, conceitos, preceitos, normas, regras ou práticas”. Por isto, convém “distinguir quais as que constituem a concepção básica da Contabilidade, daquelas que são meras regras, ou guias de orientação, para sua aplicação prática” (PIRES, 2002:4).

A definição dos princípios contábeis através de normas é importante para que se tenha um referencial na conduta da prática contábil. Os princípios formam o núcleo central da estrutura contábil, delimitando como a profissão vai se posicionar diante da realidade social, econômica e institucional admitida pelos postulados. As normas representam, a partir dos princípios, certos condicionamentos de aplicação, em uma ou outra situação prática, qualificando e delimitando o campo de atuação dos princípios em determinadas situações. Para enfocar-se a natureza dos princípios é necessário conceituarmos normas e padrões. Os princípios são imutáveis, então a busca deve ser orientada para a harmonização das normas, compreendendo os avanços tecnológicos e o âmbito mundial, sempre se adequando e adaptando às necessidades do contexto.

Vale ressaltar, que os princípios da contabilidade foram sendo definidos e, em paralelo, os meios de comunicação foram se tornando mais sofisticados e complexos, reforçando, ao mesmo tempo, a busca por conhecimentos técnicos de contabilidade e necessidade crescente de maior consistência e clareza nas informações contábeis. Além disso, a preocupação com o reconhecimento dos princípios e o estabelecimento das normas contábeis sempre foi mundial e generalizada. Do artigo Principal objetivo da contabilidade: informações contábeis42, consta a seguinte afirmação:

“Os Princípios são inerentes à própria Ciência Contábil e existem independentemente do desejo ou da escolha por parte de todos aqueles envolvidos — pesquisadores, doutrinadores ou profissionais. Referidos Princípios precisam ser identificados e respeitados para que a Contabilidade possa atingir os objetivos colocando à disposição dos usuários, informações contábeis úteis e relevantes, capazes de suprir as necessidades dos que delas têm carência. Através de

informações aos usuários das Demonstrações Contábeis, proprietários, sócios, acionistas, credores, financiadores, investidores, fornecedores, governos, empregados e a sociedade, em geral, a Contabilidade realiza os objetivos a que se propõe. As Informações Contábeis devem ser elaboradas rigorosamente de acordo com as normas vigentes que deverão estar subordinadas aos Princípios Contábeis”. O autor Hilário Franco (2000:8) pondera que o princípio “é inerente à própria ciência e imutável em quaisquer condições em que ela é estudada ou aplicada, ao passo que as normas ou regras são fixadas para atender a determinadas circunstâncias, variáveis segundo o ambiente cultural, econômico ou legal, em que sua aplicação se efetiva”.

“Apesar dessas circunstâncias, o ideal almejado pela Profissão tem sido o de que mesmo as normas sejam homogêneas e internacionalmente aplicadas, de maneira uniforme, o que ainda não tem sido possível dadas as grandes diferenças de culturas e de graus de desenvolvimento entre países e regiões. Princípio é a causa da qual algo procede. É a origem, o começo de um fenômeno ou de uma série de fenômenos. Pode-se também defini-lo como uma verdade fundamental, por ser inquestionavelmente evidente e comprovada. Convém reiterar que os princípios, quando entendidos como preceitos básicos e fundamentais de uma disciplina, devem ser imutáveis, quaisquer que sejam as circunstâncias de tempo e lugar 43”.

Os princípios, em toda ciência, constituem o seu corpo doutrinário. Não podem ser formulados por doutrinadores, acadêmicos ou profissionais por serem intrínsecos à própria natureza da ciência independente daquele que a estuda. Aos estudiosos cabe a observação e a compreensão. Já as normas são convencionadas e estabelecidas pelos estudiosos, “com a finalidade de harmonizar e homogeneizar os resultados obtidos com a aplicação prática dos conhecimentos científicos. As normas podem, portanto, variar segundo o ambiente cultural ou econômico, atendendo às necessidades específicas do meio em que são aplicadas” 44.

Assim sendo, princípios dizem respeito aos fundamentos, enquanto normas tratam de convenções, e estas devem ocorrer de acordo com os princípios.

No século XX, os pensadores tornaram-se particularmente preocupados com princípios e normas, com a finalidade de formalizar e identificar os objetivos da produção contabilista. O processo evolutivo dos objetivos contábeis veio determinando as modalidades da prática, entretanto nos Estados Unidos, como em muitos países, sempre houve um predomínio das diretrizes da escola do precursor toscano Luca Paciolo e, por muitos anos, sofreu fortes influências das sociedades dos contadores britânicos. Franklin Delano Roosevelt

43 Ibidem. 44 Ibidem.

(apud: GOMES, 1999), no cinqüentenário da fundação da Associação Profissional dos Contabilistas dos Estados Unidos, em 1943, escreveu:

“O desenvolvimento dos recursos naturais, a exploração de novos campos de atividades, o incremento da população, a concorrência aguda, os altos

standards de vida, as exigências dos negócios modernos e muitíssimas outras

influências que se refletem na vida industrial de hoje, apóiam-se, unicamente, na eficácia do sistema de contabilidade que é tão essencial para continuar a vida de um negócio de produção e distribuição”.

Para se obter um consenso sobre os princípios contábeis, deve-se levar em conta a função básica da Contabilidade que, segundo Accounting and Reporting Standars for Corporate Financial Statements — 1957, é a de acumular e comunicar informações essenciais para o entendimento das atividades de uma empresa, e qualquer conceituação concernente às Ciências Contábeis deve levar em conta as seguintes premissas:

i) Do que se ocupa a contabilidade; ii) Do objeto da ocupação;

iii) Para quem ou para quê se destinam as informações contábeis; iv) Com qual finalidade.

A conformidade com sua aplicabilidade no exercício contábil iniciou a partir da década de 1930, neste período o trabalho da American Association of Accountants, AAA, chefiada pelo professor Willian Paton, em 1936, composto de uma série de publicações, listou seis postulados:

i) entidade Empresarial; ii) continuidade da Entidade; iii) equação do Balanço; iv) postulado Monetário; v) postulado do Custo; e

vi) postulado do Reconhecimento da Receita.

Em conseqüência, surgiu uma relação de normas — ou guias de orientação — para execução de registros contábeis e elaboração de demonstrações contábeis, expedidas pelo American Institute Certified Public Accountants - AICPA.

Através de uma recomendação do Special Committee Program, do AICPA, em 1958, para elaboração de estudos visando fixar postulados básicos e princípios de Contabilidade, resultou em dois Accounting Research Studies.

A contabilidade concebida como ciência no Brasil, em meados do século XX, teve suas diretrizes amparadas na teoria do pensador Francisco D’Auria:

“As conquistas européias de Coffy, Villa, Besta, Cerboni, Rossi, Gonçalves da Silva, Jaime Lopes Amorim e no Brasil as de Francisco D'Aura formam as bases da doutrina neopatrimonialista. O Neopatrimonialismo surgiu no Brasil na última década de século XX. Derivou-se da Teoria Geral da Contabilidade de autoria do prof. Antônio Lopes de Sá. Os ideais do neopatrimonialismo, hoje na prática aplicados por contadores no Brasil em diversas áreas, notadamente análise das demonstrações contábeis e perícia contábil, transcendem as fronteiras do Brasil, sendo estudadas pelas Universidades de Buenos Aires, Bucaramanga, Málaga, Minho e Aveiro. No desenvolvimento da Teoria Geral do Conhecimento Contábil partiu da compreensão da ‘essencialidade’ para o entendimento ‘racional’ do que ocorre com a riqueza individualizada ou de grupos, oferecendo uma ‘visão holística’ ou global. O resultado da constante busca científica se consolidou na formulação da Teoria Geral do Conhecimento Contábil que em conseqüência desta, redundou-se em teorias derivadas” (PIRES, 2002:2).

O Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer os Princípios Fundamentais da Contabilidade, adotados pela IASC, quando, em 1981, através da CFC nº 530-81, do Conselho Federal de Contabilidade, identificou os 16 Princípios, reduzidos em 1993, pela Resolução nº 750-93, a seis princípios. Dessa forma, os demonstrativos contábeis são conseqüentes da aplicação dos princípios ou normas contábeis a que se subordinam, não podendo, portanto, contrariar os Princípios Fundamentais de Contabilidade.

Para Hendriksen & Breda (1999:73), o significado de princípio é questionável: “Toda demonstração financeira examinada por auditores, hoje em dia, é acompanhada por um parecer atestando sua obediência a ‘Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos’. Mas o que são esses princípios, exatamente?”.

Seu questionamento não para por aí, os autores ainda se perguntam: “Por que precisamos desses Princípios?”; “Quem decide os Princípios Aceitos e quão amplamente precisam ser aceitos antes de serem considerados Geralmente Aceitos?”.

Encontraram respostas nas visões de Gilbert Byrne e George May. Byrne, o primeiro afirma que princípios são verdades fundamentais. Essa afirmação foi contra-atacada

por May com o argumento de que a definição mais adequada seria a do dicionário Oxford, no qual consta que princípio é “uma lei ou regra geral adotada ou considerada como diretriz de ação; uma base aceita de conduta ou prática”.

Hendriksen & Breda (1999:73) concordam com May, defendendo o segundo conceito, pois, “na verdade, esses princípios pressupõem a existência de todo o conjunto de fundamentos que formam o corpo da continuidade: pressupõem débitos e créditos, balanços e demonstrações de resultado e assim por diante”.

Podemos dizer, então, que princípio deriva de seu conceito básico de “primeiro”, os primeiros conceitos (básicos) que devem ser conhecidos e estudados para que se possa entender a Contabilidade.