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5. HALKLA İLİŞKİLER UYGULAMA ALANLARI

5.1. Medya İlişkileri

A Figura 11A mostra o mapa geológico da área de estudo elaborado a partir das Folhas Chapadão dos Gerais (SE.23-V-D-VI) e Serra do Jatobá (SE.23-V-D-III), do projeto de mapeamento geológico intitulado Projeto São Francisco da CPRM (Oliveira et al., 2003). Como mencionado anteriormente, as unidades geológicas que afloram na área de estudo são representadas pelos grupos Bambuí, Santa Fé, Areado e Mata da Corda, cujas características principais foram descritas no item anterior. Em grande parte da área, estas rochas se encontram sobrepostas por coberturas cenozóicas, que ocorrem na forma de aluviões ou de coberturas elúvio-coluviais.

A Figura 11B apresenta o Modelo Numérico de Elevação da área, fornecido pela EMBRAPA (Miranda, 2005). Nesta figura, destacam-se as superfícies tabulares do Chapadão dos Gerais e da Serra do Morro Vermelho, situadas entre as cotas altimétricas de 850m e 941m. Escarpas festonadas, entrecortadas por drenagens curtas, separam estas superfícies tabulares de uma superfície intermediária, caracterizada por colinas suaves e por uma rede de drenagem densa. Sobre esta superfície intermediária corre o Rio do Formoso, cuja nascente e principais afluentes brotam no Chapadão dos Gerais. As cotas altimétricas desta superfície intermediária variam entre 600m e 850m, e a passagem entre esta superfície e a depressão interplanáltica, onde corre o Rio São Francisco, é menos abrupta e mais irregular que o contato entre o chapadão e a superfície intermediária. A depressão interplanáltica apresenta cotas altimétricas entre 492m e 600m.

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Legenda da figura da página anterior - Figura 11: A) Mapa geológico da área de estudo. (Modificado de

Oliveira et al., 2003). B) Modelo Numérico de Elevação da área de estudo. (Fonte: EMBRAPA – Miranda, 2005).

Estes três compartimentos geomorfológicos correspondem às três superfícies de aplainamento definidas por Valadão (1998): a Superfície Sul-Americana, a Superfície Sul-Americana I e a Superfície Sul-Americana II. Assim, o Chapadão dos Gerais e a Serra do Morro Vermelho são remanescentes da Superfície Sul-Americana e é possível observar na Figura 11B que a incisão das drenagens e conseqüente regressão das escarpas geram a contínua diminuição da área desta unidade ao longo do tempo geológico. A bacia do Rio do Formoso, que separa esta unidade em dois pedaços anteriormente conectados (Chapadão dos Gerais e Serra do Morro Vermelho), é uma ilustração deste processo. A superfície intermediária corresponde à Superfície Sul-Americana I e a depressão do Rio São Francisco corresponde à Superfície Sul-Americana II que, de acordo com Valadão (1998), se restringe ao piso das depressões interplanálticas escavadas pelos principais rios. O mesmo autor indica que, comumente, as escarpas que separam as superfícies Sul-Americana e Sul- Americana I são mais abruptas e bem definidas, enquanto a passagem entre as superfícies Sul- Americana I e Sul-Americana II é caracterizada por vertentes mais suaves e difusas. Como foi descrito anteriormente, este fato se verifica na área de estudo e é visível na Figura 11B.

A comparação entre o mapa geológico (Figura 11A) e o modelo de relevo (Figura 11B) permite visualizar a íntima relação entre a geomorfologia da área e seu substrato geológico. A partir desta comparação foram definidos três compartimentos da paisagem (Figura 12), cujas características geológicas e geomorfológicas serão analisadas separadamente. Estes compartimentos correspondem às áreas de ocorrência das três superfícies de aplainamento e foram denominados: Patamar I: Chapadão dos Gerais e Serra do Morro Vermelho; Patamar II: Planalto do Rio do Formoso; Patamar III: Depressão do Rio São Francisco.

Patamar I: Chapadão dos Gerais e Serra do Morro Vermelho:

Este patamar corresponde à área de ocorrência da Superfície Sul-Americana (Figuras 12A, C e D), no sentido de Valadão (1998). A deposição dos sedimentos que formam as unidades cretáceas da Bacia Sanfranciscana ocorreu em grande parte contemporaneamente aos processos formadores desta superfície de aplainamento, entretanto, após o término da deposição na bacia, durante todo o Paleógeno e parte do Neógeno, os processos de aplainamento continuaram ativos e atuaram sobre as rochas dos grupos Areado e Mata da Corda. O processo de soerguimento epirogênico associado a uma constante desnudação continental (química e física) que atuou nas rochas da Bacia Sanfranciscana durante esta parte do Terciário foi responsável pela formação da superfície de

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Legenda da figura da página anterior – Figura 12: Mapa) Modelo Numérico de Elevação da área de

estudo, com a delimitação dos compartimentos geomorfológicos (Modificado de Miranda, 2005). Os retângulos indicam a localização das imagens A, B, C, D e E. Imagens A-E) Imagens de satélite (Fonte: Google Terra) mostrando as características geomorfológicas da área e a localização dos compartimentos.

Abreviações: S. SA. – Superfície Sul-Americana; PI – Patamar I; PII – Patamar II; PIII – Patamar III. aplainamento e do espesso manto de intemperismo, muitas vezes associado a coberturas lateríticas, que a caracteriza.

A Figura 13A mostra um afloramento, em um corte da rodovia BR-365 que atravessa o Chapadão dos Gerais, do manto de alteração que sustenta este chapadão e a Serra do Morro Vermelho. O nome dado a esta serra é muito apropriado e reflete a marcante coloração vermelha do seu substrato, visível na Figura 13B. Trata-se de um elúvio muito homogêneo, sem estruturas sedimentares aparentes, composto predominantemente por argila, de coloração vermelha escura, e com quantidade razoável de grãos de areia quartzosa dispersos na matriz argilosa. No mapeamento geológico da CPRM (Figura 11A), este elúvio areno-argiloso, que constitui o substrato do Patamar I, foi englobado na unidade cenozóica denominada Coberturas Elúvio-Coluviais Laterizadas (Oliveira et al., 2003). Como mostra a Figura 11A, esta unidade ocorre sobre as rochas do Grupo Mata da Corda e é provavelmente um produto da alteração das rochas vulcanoclásticas da Formação Capacete. Nas bordas da encosta do Chapadão dos Gerais, próximo à rodovia BR-365, encontram- se blocos de arenitos dispersos (Figura 13D), provavelmente constituindo um material coluvionar oriundo da erosão do chapadão. Este arenito possui as características do arenito epiclástico da Formação Capacete descrito por Sgarbi et al. (2001): trata-se de um arenito muito alterado, composto por grãos de quartzo de granulometria fina a média, bem arredondados, e grande quantidade de matriz argilosa, gerada pela alteração de grãos de feldspatos ou de grãos líticos vulcânicos. Às vezes, a argila caulinítica ainda conserva a forma euédrica dos feldspatos. Nota-se a presença de pequenas vesículas preenchidas por pequenos cristais de quartzo bem terminados. Como representado no mapa da Figura 11A, é possível que parte do manto de alteração do Patamar I esteja localizado sobre os arenitos do Grupo Areado.

O Patamar I é uma superfície tabular e plana, com uma densidade de drenagens extremamente baixa (Figura 11B). Já as vertentes da borda do chapadão possuem grande quantidade de drenagens curtas responsáveis pela erosão regressiva destas vertentes. Algumas das principais drenagens que correm no Patamar II (o Rio do Formoso e seus maiores afluentes) têm sua nascente no interior do chapadão, onde ocupam áreas muito planas; estes locais, que constituem depressões rasas no interior do chapadão, se tornam zonas encharcadas e são caracterizados pelo desenvolvimento de gleissolos. É nestes locais que se instalam as veredas. Estas depressões são um local de acúmulo de matéria orgânica e de oxirredução (Sano et al., 2008), onde se desenvolvem solos caracterizados

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Legenda da figura da página anterior – Figura 13: Mapa) Mapa geológico da área de estudo (Modificado

de Oliveira et al., 2003) com a localização dos pontos representados nas fotografias. Fotografias – A) Afloramento em corte de estrada (BR-365) de perfil de solo argilo-arenoso avermelhado; B) Encosta do Chapadão dos Gerais mostrando coloração avermelhada do solo; C) Vista para a Vereda Laçador, onde foi feita a coleta das amostras; notar a coloração vermelha do solo, em contraste com a coloração esbranquiçada próximo à vereda; D) Blocos de arenito da Formação Capacete que afloram próximo à borda do chapadão;

E) Aluvião do Córrego Doce sobre as rochas do Grupo Bambuí.

por um horizonte escuro rico em matéria orgânica (que pode ser muito espesso) sobreposto a um horizonte acinzentado (gleizado). O processo de oxirredução destas zonas encharcadas gera a transformação do solo vermelho que sustenta o chapadão em um solo acinzentado e propicia a concentração de areia quartzosa (Figura 13C).

Uma destas cabeceiras de drenagem, localizada sobre o Patamar I, constitui a Vereda Laçador, estudada neste trabalho (Figura 13C).

Patamar II: Planalto do Rio do Formoso

O Patamar II corresponde à zona de ocorrência da Superfície Sul-Americana I. Um processo de soerguimento, ocorrido no Mioceno Médio, foi responsável pelo alçamento da Superfície Sul- Americana, e o seu espesso manto de alteração passou a ser erodido e removido, principalmente junto às calhas das maiores drenagens, resultando no rebaixamento destas áreas e na formação da Superfície Sul-Americana I.

Contrastando com o Patamar I, o Patamar II é densamente drenado e sobre ele corre a maior parte do curso do Rio do Formoso assim como vários afluentes diretos do Rio São Francisco (Figura 11B). A oeste do Chapadão dos Gerais, as drenagens que nascem nas encostas do chapadão se dirigem para o Rio do Sono, afluente do Rio Paracatu. O relevo deste patamar é caracterizado por colinas suaves separadas por vales pouco profundos (Figura 12A). Neste patamar também é comum a presença de veredas nas cabeceiras de drenagens.

A maior parte do Patamar II é recoberta por coberturas arenosas elúvio-coluviais, descritas no mapeamento da CPRM (Figura 11A) como sedimentos detríticos inconsolidados de natureza arenosa, argilo-arenosa ou argilo-siltosa de coloração bege, esbranquiçada ou rósea. Nas drenagens afloram as rochas que jazem sob esta cobertura, constituídas principalmente pelos arenitos do Grupo Areado. Nas bordas deste patamar, afloram as rochas neoproterozóicas do Grupo Bambuí e mais localmente rochas do Grupo Santa Fé.

27 O Patamar III corresponde à Superfície Sul-Americana II (Figura 12) e se estende pela planície do Rio São Francisco. A Superfície Sul-Americana II se restringe às depressões litorâneas e interplanálticas e guarda relação direta com as principais redes de drenagem atuais.

O Patamar III tem sua morfologia diretamente relacionada à dinâmica do Rio São Francisco cujas características atuais foram adquiridas ao longo dos últimos três milhões de anos. Neste período, em que foi desenvolvida a Superfície Sul-Americana II, variações climáticas responsáveis por modificações nas características das drenagens, variações eustáticas e oscilações nas taxas de movimentos epirogenéticos levaram a formação de terraços aluviais (Figura 11A), devido à sucessão de períodos de sedimentação e erosão. Estes terraços são constituídos por sedimentos arenosos inconsolidados bege e amarelados (Oliveira et al., 2003). Ao longo do curso do Rio São Francisco e de seus afluentes diretos ocorrem aluviões recentes compostos por sedimentos arenosos, areno-argilosos e argilo-sílticos, localmente contendo seixos e matacões (Oliveira et al., 2003) (Figura 13E). Neste Patamar, estes terraços recobrem rochas do Grupo Bambuí, que afloram em alguns locais, como na calha de algumas drenagens.