BÖLÜM 3. İŞÇİNİN HAKLI NEDENLİ FESHİNİN HUKUKİ SONUÇLARI
3.12. Malullük Sigortası
3.12.2. Malullük Aylığının Bağlanması Koşulları
O que essa discussão evidencia, me parece, é a associação inevitável entre a legitimidade da autoridade política e o consentimento dos cidadãos sobre quem o poder coletivo da sociedade reivindica obediência. Em oposição às teses que consideram que a autoridade legítima consiste em uma abdicação justificada da faculdade do julgamento em favor dos representantes escolhidos para governar, a tradição democrática sustenta que os cidadãos mantêm a prerrogativa do julgamento com respeito às decisões políticas mais importantes. Nesse aspecto, a capacidade de julgamento se identifica com a ideia de soberania popular, que remete aos mecanismos de decisão majoritários, à garantia dos direitos individuais associados à participação no autogoverno e aos procedimentos deliberativos e participativos que existem nas democracias contemporâneas (WARREN, 1996: 46).
Seja como for, a soberania popular e a legitimidade democrática quase sempre guardam uma relação direta com a possibilidade de livre comunicação entre os cidadãos. Seja em sua versão ateniense, seja enquanto um sistema representativo, o autogoverno pressupõe alguma forma de interação argumentativa entre os membros da associação política (MANIN, 1995). Parece-me que as distintas interpretações sobre a relação entre comunicação e democracia não rejeitariam a ideia segundo a qual a comunicação pública tem a capacidade de influenciar de alguma maneira a formação de opiniões. Tanto em um ideal minimalista de democracia eleitoral, quanto na visão republicana abrangente de autogoverno governo coletivo, a interação comunicativa para a formação da vontade política aparece como uma premissa indefectível. No primeiro caso, reconhece-se que o sufrágio envolve necessariamente uma experiência prévia de formação das opiniões7. Enquanto, no segundo, a dinâmica comunicativa é o momento por excelência da autodeterminação pública8. Independentemente do impacto e da função conferida à discussão pelas teorias democráticas, não podemos nos furtar a admitir que a formação das opiniões públicas são determinadas pelos critérios que organizam o debate, pelas razões expressas e usadas para justificar decisões, assim como pela proveniência das opiniões e argumentos permitidos e pelo alcance potencial das diversas formas de expressão.
O termo opinião pública surgiu nas décadas que precederam a Revolução Francesa. O antecederam palavras como vox populi, no fim do Império Romano, e vontade geral em sua acepção rousseauniana. Uma primeira distinção marcante daquele em relação a estes é o fato de opinião pública, ao contrário da vontade geral, por exemplo, ser divisível. A escolha da palavra “opinião”
7 Para uma discussão sobre o processo de formação de opiniões que antecede o período eleitoral, ver Sartori, 1994a,
cap. 5.
8
Barber (1984) é uma referência bastante conhecida e influente nas teorias participativas mais recentes. No capítulo III deste trabalho retomamos parte de suas ideias.
não se deu por mera coincidência, ela foi motivada pela intenção de se diferenciar opinião (doxa) de conhecimento (episteme). Tampouco parece ter sido à toa que se tenha usado o termo “pública” para se referir à opinião cujo sujeito é o público. Mas não é só isso. A natureza e o domínio sobre o qual se estendem as opiniões desse tipo são também públicos. Uma opinião é pública porque diz respeito a coisas públicas, à res publica: “a opinião pública pode ser definida da seguinte maneira: um público, ou uma multiplicidade de públicos, cujos estados de espírito difusos (opiniões) interagem com o fluxo de informações relativas ao estado da res publica” (SARTORI, 1994a: 125).
O princípio segundo o qual o povo, no singular, governa a si mesmo, interpretado por vezes como implicação do ideal do autogoverno coletivo, não pode ser transposto sem mediações para um arranjo institucional no qual as pessoas, no plural, exercem o poder. Com a ampliação do sufrágio e o processo de pluralização da estrutura social, a relação de representação e os vínculos entre governantes e sociedade modificaram-se de inúmeras maneiras (MANIN, 1995). Dado que a estrutura das sociedades complexas impede que todos governem diretamente ao mesmo tempo, mesmo por um curto período, a segunda opção, pelo sistema de decisão coletiva que melhor reflete a igualdade entre os cidadãos, torna-se a escolha mais apropriada para a garantia das liberdades que valorizamos. Entre outras coisas, essa seria uma alternativa second-best pois, à luz do fato do pluralismo, temos de conviver tipicamente com leis que não desejaríamos. De toda maneira, esse arranjo decisório deve satisfazer ao menos quatro condições: (1) todos devem desfrutar de oportunidades iguais de influenciar as decisões coletivas; (2) aos membros da associação devem ser oferecidos meios efetivos de exercer influência sobre os processo decisório; (3) as decisões coletivas devem ser implementadas por agentes escolhidos para tanto; e (4) a estrutura básica deve ser capaz de assegurar a cooperação ao longo do tempo sem interferir indevidamente sobre a liberdade dos cidadãos (PRZEWORSKI, 2010: 13).
De um certo ponto de vista, não seria exagero dizer que vivemos, hoje, o período das veias abertas da comunicação. O desenvolvimento das tecnologias da informação, a expansão de práticas tolerantes e a propagação de instâncias argumentativas, fenômenos intimamente relacionados entre si, parecem ter ampliado de maneira inigualável as chances de se estabelecer uma comunicação ampla e efetiva. Revela-se nas sociedades contemporâneas um imenso e crescente volume de comunicação pública, mas essa evidência também engloba uma outra questão associada a ela: a esfera pública encontra-se cada vez mais dominada pela forma de comunicação mediada9. Essa transformação garante a possibilidade de distanciamento espaçotemporal e traz consigo um
9 Mediante a expansão da comunicação ordinária, novas dimensões temporais emergem, criando um público
desconcertado de interlocutores. Segundo Habermas, essa transformação foi fundamental ao surgimento da esfera pública burguesa. Ver Habermas, 1989, cap. 2.
mecanismo por meio do qual as interações entre as pessoas podem ocorrer sem a necessidade da presença física em um mesmo local. Ao mesmo tempo, todavia, o advento da mediação suscita diversas questões sobre a qualidade da comunicação e as consequências para a democracia deste corpo intermediário formado pelo sistema mediático. Se, por um lado, os media permitem que um alcance inimaginável às expressões individuais, seria, por outro, equivocado desconhecer que estes meios, produtos do homem, se não determinam, inegavelmente interferem na conduta das pessoas e na sua postura diante de suas vidas e da sociedade.
De modo geral, a controvérsia acerca da função da comunicação na democracia se estende para a própria compreensão de um conceito de democracia, os seus fundamentos, critérios e limites. A forma mais comum de se apresentar essa discussão lança luz sobre condições mínimas, necessárias e suficientes para que um sistema político seja considerado uma democracia. As teorias democráticas levam adiante a controvérsia de diversas maneiras. Contemporaneamente, esse debate tem-se organizado em torno da literatura que discute as funções e o lugar da deliberação pública no processo democrático.
De saída, nos deparamos, portanto, com uma indefinição de termos. O leitor pode estar se perguntando: se o autor pretende lidar com o papel da comunicação na democracia, o que o levaria a tratar da controvérsia acerca do papel da deliberação em um regime político democrático? O questionamento é legítimo, se não por outros motivos, pois o modelo normativo da democracia deliberativa nem sempre relaciona uma à outra. Nem tampouco os críticos dessa perspectiva se dirigem necessariamente à ideia mais ampla de comunicação quando formulam os termos do debate.
As ciências sociais lidam, em geral, com realidades de antemão nomeadas e classificadas, portadoras de definições e nomes próprios. No entanto, em um nível mais profundo, ela precisa lidar com “a parte que cabe às palavras na construção das coisas sociais” (BOURDIEU, 2006: 81). Antes de mais nada, portanto, faz-se necessário estabelecer como pretendo definir o que se entende por comunicação e em que sentido ela pode ser compreendida na linguagem das teorias democráticas.