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B. BORÇLANMANIN KONTROLÜNÜ VE KOŞULLARININ

2. Mali Yapıya İlişkin Düzenlemeler

Os cruzeiros marítimos eram muito menos atraídos pela ação repressiva do que pela missão de proteger o comércio “legítimo” dos nacionais. Desde as primeiras décadas do século XIX, a costa atendia as demandas americanas, francesas e inglesas de produtos naturais da África. Tais compras cresciam. Em 1838, o francês Bouët -Willaumez, futuro governador do Senegal, precursor da colonização, comandou uma exploração sistemática das possibilidades comer- ciais entre o Senegal e o Gabão. Ainda que de fraco rendimento, o comércio não negreiro desenvolveu -se paralelamente – não em concorrência – ao tráfico. A concorrência existia entre as nações ocidentais que definiam uma reparti- ção “informal” das zonas de influência econômica, tolerada pelos dirigentes africanos. A França predominava no Norte da Serra Leoa, em alguns pontos da Costa do Marfim e do Gabão, onde ela instalou Libreville43, no modelo de

Freetown. Americanos e europeus chegaram à costa, tolerados no que, de fato, constituía um domínio econômico inglês. Assistia -se a alvorada das mudanças. A modernidade que nascia por meio das revoluções tecnológicas e industriais, na Inglaterra e na França, avançando sobre outras nações, criava necessidades novas. Visto da costa, a principal foi aquela dos corpos graxos, como lubrificante

43 B. Schnapper, 1961; H. Brunschwig, 1963, especialmente o cap. 7, p. 19; E. M’Bokolo, 1981; H. Des- champs, 1965.

de máquinas, matéria -prima do sabão e dos meios de iluminação. O oleaginoso africano passou a fazer parte do mercado ocidental.

A costa tinha sempre exportado o óleo de palma, mas em quantidades ínfimas. A importação da Inglaterra passou de 982 toneladas em 1814 a 21.000 toneladas em 1844, permaneceu estável por uma década e dobrou em seguida por volta de 1870. A França importava em média 4.000 toneladas anuais entre 1847 e 1856; 2.000 toneladas na década seguinte. Compensava com a importação média anual de 8.000 toneladas de amendoim do Senegal e da Senegâmbia, mais 25.000 toneladas de nozes de “toloucouna”, para a fabricação do sabão de Marselha: em 1870, tudo isso representava 35 milhões de francos - ouro. O que por muito tempo constituiu um ideal abstrato e utópico – uma alternativa ao tráfico dos escravos e um substituto do homem como valor de troca – materializou -se enfim. Ainda restava a necessidade de criar uma produção em escala industrial: atingiu -se em um período tão breve quanto o que foi preciso às produções cubanas ou brasileiras para atingir o pleno rendimento em café e em açúcar. As grandes zonas produtoras evocavam aquelas das mais altas exportações de homens, do Daomé44 aos rios do

delta do Níger e do Camarões. Uma das condições fundamentais da conversão residiu na mobilização da mão de obra nas terras de colonização interiorana. Seu modo de produção foi certamente escravagista, mas na ordem social e econô- mica africana. Na verdade, o desenvolvimento real desta novidade econômica não interrompeu imediatamente a economia institucionalizada: tráfico de escravos e de óleo coexistiam. Um sistema de troca mais vasto irradiava para o interior. Na costa, aliás, os agentes habituais do comércio ocidental sempre detiveram os meios comerciais. Sabendo comprar, repartiram o crédito, expandiram os instrumentos de pagamento clássicos introduziram a moeda metálica. A ampliação do número de concorrente na atividade econômica acarretou deslocamentos forçados, sola- pando os equilíbrios internos45. A mudança econômica foi acelerada por outros

fatores desnaturantes, religiosos e culturais, raramente muito distanciados do polí- tico, mas que contribuíram para o desaparecimento do tráfico.

Um pequeno número de homens e mulheres das missões católicas e protes- tantes se tornaram agentes importantes da penetração ocidental. No Senegal, prefeitura apostólica que sobreviveu após a reocupação francesa de 1817, a madre Javouhey definiu a função primeira do apostolado: formar um clero africano. A educação dispensada aos filhos dos cristãos e a alguns africanos não cristãos fracassou diante da escola corânica. O Islamismo cresceu ao longo do século.

44 C. Coquery -Vidrovitch, 1971.

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Em 1844, educado na experiência liberiana, Monsenhor Bessieux instalou no Gabão a missão do Sagrado Coração de Maria. Qualificando as crenças locais de “ridículas invenções”, lutou, batizou, porém ensinou pouco, mais motivado pela conversão que pelo convertido. O êxito ficou para a missão americana do reverendo Wilson. Em Dakar, na República Lebu, os laços pessoais e o respeito à cultura – aplicação do lema “ser negro com os negros”46 – não fizeram esquecer a

espiritualidade inadequada da missão que a separou do mundo real. Desprovido de soluções práticas, o missionário tinha consciência de sua pequenez face ao islamismo fortemente africanizado e difundido. Buscou a formação de elites, mesmo que fosse ao desarraigá -los e aliená -los de sua cultura. Em Grand- -Bassam, a autoridade africana recusou a missão. Em Uidá, o vicariato apostólico confiado às Missões africanas de Lyon foi erguido em 1868. Sua primeira escola funcionou em 1873, com a de Porto Novo, já sob tutela francesa.

As ideias de Buxton fermentaram através das missões protestantes. In loco, o sucesso da Serra Leoa e dos africanos libertados forneceu -lhes propagandistas eficazes. Alguns eram profissionais, como Samuel Ajayi Crowther, que, captu- rado aos quinze anos e libertado, se tornaria pastor, bispo e construtor de nação. Outros praticavam o comércio legítimo. A maioria, migrando para suas regiões de origem, guiava os missionários, abrindo -lhes o caminho. Estes se instalaram no litoral, entre a Costa do Ouro e o Camarões, exceto no reino do Benin, no seio de nações em que o sentimento religioso era forte, mas politicamente sujeitas a “crises de ajuste”. Chegaram a Badagri, em 1842, a Uidá em 1843 e em Calabar em 1845. No interior o posto de vanguarda era a grande cidade de Abeokuta, no novo país Egba.

Ao contrário das missões católicas, as missões protestantes buscavam a influên- cia temporal. A cristianização era concebida como um todo, que incluía educação e cultura, função socioeconômica e opção política. Expandiu o inglês falado e escrito e o cálculo em meios preparados há muito tempo. As técnicas de arquitetura, a imprensa e a medicina foram ensinadas por especialistas vindos da Serra Leoa. O saber pertencia ao povo que frequentava a missão. O benefício da participação criou privilegiados. Verificaram os modelos inculcados na experiência superior dos chefes locais, que não foram unânimes em aprová -los. Alguns, entretanto, exibiam um ocidentalismo de fachada através da vestimenta, da habitação, do alimento, da bebida e do modo de vida. O objetivo sociopolítico era criar uma classe média, para destacar uma elite. Formada nos esquemas ocidentais, esta classe deveria

normalizar e estender a dupla corrente do comércio, advinda da costa ou a ela destinada. A difusão da civilização seria um resultado anexo, que o comércio de óleo por si, limitado às transações costeiras, foi incapaz de atingir47.

Desse modo, bem ancoradas no mundo, as missões protestantes assumiram um papel reformador que compreendia a ingerência nas estratégias políticas e militares. Os missionários de Abeokuta pediram à Inglaterra o estabelecimento de uma estrada até o mar, a fim de acelerar as trocas – e a entrega do material bélico. Apelaram para a assistência técnica dos militares ingleses contra os dao- meanos. Em Calabar, sua influência nas cidades -Estados obteve, por contrato, o fim das tradições locais. Poderosas, as missões não condenaram a intromissão concorrente da administração ocidental, que elas contrabalançaram aliando -se ou opondo -se ao comércio estabelecido. Por volta de 1850, um movimento irreversível engajou missões, comércio e administração política em um processo de protocolonização efetiva. A introdução de cônsules com fins expansionistas avançou pari passu com os bloqueios militares e os protetorados. Para a diplo- macia internacional, os pretextos eram sempre a supressão radical e definitiva do tráfico de escravos. Os meios humanitários tornaram -se instrumentos de poder econômico, militar e político.

Conclusão

Podemos já estabelecer uma espécie de cronologia do desaparecimento do tráfico, tendo em mente que, em nenhum lugar, este desaparecimento foi abso- lutamente definitivo durante este período.

O tráfico cessara desde 1824 no Senegal e em Gorée, quartel general da base naval francesa antiescravagista. A influência e os progressos em Serra Leoa tornavam -se benéficos nesta região por volta de 1830; entretanto, operações esporádicas continuavam nos rios Pongo e Nuñez até os anos de 1866 -1867. Em 1848 -1850, a Libéria independente pedia o concurso de navios de guerra franceses contra os negreiros internacionais, e recusava -se a alimentar por muito tempo o sistema de tráfico dissimulado sob o nome de engajamentos livres. A Costa do Marfim e a Costa do Ouro pouco tinham sofrido com o tráfico ilegal durante todo este período; pesquisadores marfinenses mostraram que, se subsis- tiam correntes de tráfico, elas não se destinavam aos navios da costa, mas à satis- fação das necessidades domésticas regionais ou inter -regionais – os documentos

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figura 4.2 Um grupo de mulheres oromas a bordo do HMS Daphne depois de sua libertação de um veleiro leste -africano. [Fonte: G. L. Sullivan, Dhow chasing in Zanzibar waters, 1873, Frank Cass Publishers, London. Reproduzido com a autorização do Conselho de Administração da Biblioteca da Universidade de Cambridge. © Frank Cass Publishers.]

figura 4.3 Escravos libertados no domínio da Missão das universidades em Mbweni, perto de Zanzibar – pagamento dos salários. [Fonte: S. Miers, Britain and the ending of the slave trade, 1975, Londres, Longman. © The Illustrated London News Picture Library.]

de arquivo confirmam esta situação. Mais a Leste, de Uidá a Lagos, a situação era mais confusa. Operações de tráfico, ou operações de engajamentos “livres”, ainda aconteciam nos anos 1853 -1855, e até 1860. Em certos casos, os africanos eram embarcados em navios a vapor de grande capacidade – cita -se o caso do Nordaqui que deportou 1.600 escravos, o que nunca havia acontecido. Entre- tanto, os esforços diplomáticos e as políticas coercitivas da França e da Ingla- terra levaram a uma forte restrição ao tráfico de escravos. Do Benin ao Gabão prevalecia uma política de tratados e de ocupação do solo, cuja consequência era entravar seriamente o escoamento de escravos. O tratado anglo -português de 1842, inaugurando finalmente a visita de navios negreiros ao Sul do equador, tinha efeitos análogos do Congo até a colônia portuguesa de Angola. Contudo, não foi senão gradualmente, em um ritmo diferente de acordo com o setor da costa, que o tráfico desapareceu quase por completo entre 1860 e 1870.

Em 1867, o almirante francês Fleuriot de Langle, em missão de inspeção, se disse positivamente impressionado pelo que tinha visto, “com algumas poucas exceções”. Aliás, sua constatação destacou a gravidade da renovação do tráfico na costa oriental da África. Nos anos 1860 -1870, entre 30.000 e 35.000 escra- vos chegaram aos portos que dependiam de Zanzibar; parte foi retida aí para trabalhar nas plantações de cravos -da -índia. O restante foi expedido para a Somália e para Oman, que recebia, por volta de 1870, 13.000 escravos por ano, parte dos quais partia rumo ao Golfo Pérsico e à Pérsia, à Mesopotâmia ou ao Beluquistão e às Índias48. Em 1873, um tratado entre a Inglaterra e o sultão

de Zanzibar introduziu o direito de visita, com a possibilidade de captura dos veleiros árabes. Mas isto não teria grande efeito – não mais do que teria tido o tratado anglo -português de 1842 sobre o comércio de escravos de Moçambique para Comores e Madagascar. Nestas costas imensas, nestes vastos territórios, o tráfico de escravos não desapareceu de fato, senão com o estabelecimento das administrações coloniais, diz François Renault49, isto é, muito depois do fim

do tráfico atlântico. Pode -se provavelmente explicar este atraso pelo fato de o mundo abolicionista ocidental não haver sido realmente sensibilizado com os efeitos do tráfico árabe, antes que Livingstone os descobrisse ao longo de suas explorações. É preciso acrescentar a isso o tempo necessário para as tomadas de consciência.

Assim, antinômica aos tópicos nacionais ou privados dos escravagistas oci- dentais, a teoria abolicionista introduziu os processos mentais de identificação

48 F. Renault e S. Daget, 1980; R. Coupland, 1939. 49 F. Renault e S. Daget, 1980, p.43 -69.

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do escravo africano com o homem e da abertura da África ao mundo. Atingiu seus objetivos por volta de 1870: salvo exceções, o tráfico atlântico terminou. Ora, este resultado não era obra unilateral de ocidentais por muito tempo refra- tários e ainda pouco convencidos do interesse dos meios postos a serviço da moral universal. De outra maneira, o esforço foi absolutamente o mesmo para os africanos do interior e da costa. Em um difícil contexto interior, eles assumi- ram, ao mesmo tempo, a resistência à desintegração econômica e a integração rápida à inovação. A resposta africana – extremamente rápida – à hipótese abolicionista resultou de uma extraordinária faculdade de adaptação. Tempora- riamente, o produto foi tão positivo quanto o das decisões ocidentais. Quanto à nova abordagem dos ocidentais, procedeu da incapacidade de o homem branco supor a existência de outros valores fora os seus. Seu interesse pela civilização africana foi o de um cientista por uma amostra de laboratório. Sua boa consci- ência, consequência de um século de combate abolicionista, levou o Ocidente a impor seus valores – inclusive à força, se preciso fosse. Não foi de todo negativo. Mudanças se verificaram, apareceram rachaduras na estrutura, de modo que esta se deslocou ou se afundou, abrindo o caminho do futuro.

C A P Í T U L O 5

Sabemos como sociedades de migrantes de língua banta, criadores de gado e cultivadores, familiarizados com o trabalho do ferro e seus usos, se estabeleceram em diversas regiões da África Austral, ao Sul do Limpopo, entre a metade e o final do primeiro milênio da era cristã1. A penetração das regiões situadas ao

Sul do Limpopo pelo ramo sotho -tswana dos bantos do Sul não ultrapassou, em geral, os limites do planalto, estendendo -se a Oeste do eixo formado pelos montes Lebombo e pela cordilheira do Drakensberg; por sua vez, os grupos de língua nguni, estabeleceram -se na zona estreita entre essas montanhas e o Oceano Índico.

No início do século XIX, nesta região do Sul do Limpopo, havia dez a quinze séculos que essas comunidades de língua banta estavam desenvolvendo uma próspera civilização da Idade do Ferro, caracterizada por conglomerados de pequenos Estados organizados sob a dominação política de linhagens e dinastias reais. De modo geral, tais Estados eram povoados por camponeses que sabiam fundir e utilizar o ferro, também eram produtores de gêneros agrícolas (sobre- tudo de sorgo e milhete), sendo poucos os caçadores, e, além disso, praticavam o escambo e o comércio à longa distância2.

1 D. W. Phillipson, 1969; R. R. Inskeep, 1969, p. 31 -39. 2 M. Wilson, 1969a; R. J. Mason, 1973; L. D. Ngcongco, 1982b.

O Mfecane e a emergência de novos