A. BORÇLANMA POLİTİKASINI ŞEKİLLENDİREN AMAÇLAR VE
1. Borçlanma Politikasından Beklenen Amaçlar
Além dessas comoções demográficas e religiosas, outras duas grandes orien- tações se desenharam na África durante o período em estudo: uma no campo político e outra no campo comercial. No plano político, as principais tendências novas que caracterizam este período são a concentração e a consolidação cada vez maior das nações africanas, a sua modernização ou a sua renascença, certas iniciativas e experiências constitucionais, a integração às antigas estruturas polí- ticas de uma parte da nova elite instruída e, finalmente, a confrontação entre africanos e europeus.
Se for verdade que um certo número de antigos impérios, como os reinos Ashanti e Oyo na África Ocidental ou o Império Luba na África Central se esfacelaram naquela época, não é menos verdadeiro que a tendência à unificação e a consolidação das nações constituiu o fenômeno político mais interessante e mais característico deste período da história africana. O Império de Sokoto, o Império de Macina, o de al -Hadjdj Umar e, sobretudo, o de Samori Touré são incontestavelmente exemplos típicos das tendências centralizadoras na política africana no século XIX. Como já vimos, as migrações dos nguni chegaram a um resultado semelhante. Os casos da Etiópia, de Madagascar e do Buganda são também característicos.
No início do século XIX, tanto a Etiópia como Madagascar encontravam -se divididos em estados rivais e independentes. Mas, como se verá mais adiante54,
53 Ver A. A. Boahen (org.), 1987, capítulo 21; e capítulo 13 do presente volume. 54 Ver os capítulos 15 e 16 do presente volume.
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a Etiópia foi unificada antes do final do século, essencialmente graças às con- quistas militares empreendidas por um dos Estados do centro, o Reino de Shoá, em que o rás Menelik II se fez proclamar negus do Império Etíope em 1889. Na mesma época, e seguindo os mesmos métodos, o reino central merina de Madagascar subjugou e absorveu, sob a liderança esclarecida do rei Adrianam- poinimerina (1782 -1810) e de seu sucessor, a quase totalidade dos Estados do Norte, Leste e centro da ilha. Após estas conquistas, os estados centralizados de ambos países tentaram impor a sua língua e sua cultura aos reinos subjugados, a fim de construir verdadeiros Estados -nações, processo que, como veremos, continuou por várias décadas do século seguinte.
As campanhas humanitárias, abolicionistas e racistas que marcaram esta época fizeram surgir, na África Ocidental, dois Estados inteiramente novos, Serra Leoa e Libéria, criados respectivamente em 1787 e em 1820, ao passo que Libreville foi fundada na África Equatorial. Ao final do século, os dois primeiros Estados tinham, do mesmo modo, conseguido não só absorver um certo número de reinos independentes situados no longínquo interior, mas também haviam formado verdadeiras nações tendo cada uma a sua língua e cultura própria, o inglês -liberiano e o crioulo. Serra Leoa registrou certamente, neste aspecto, sucessos mais vistosos que a Libéria, já que a cultura e a civilização que se desenvolveram ali não foram importadas, mas realizavam a síntese de elementos próprios aos africanos com outros, trazidos pelos negros da Nova Escócia e da América no cadinho comum que era o ambiente de Freetown e de seus arredo- res.55 Produtos desta cultura dinâmica, os crioulos foram aqueles que, como já
vimos, tiveram um papel decisivo na renovação religiosa e intelectual da África Ocidental. O mesmo processo de expansão e centralização se observa no Egito, bem como nas regiões dos Grandes Lagos onde, por motivos essencialmente comerciais, para poder controlar os meios de produção e de troca, o Buganda, o Burundi e o Bunyoro ampliaram seu poder e sua influência.
Além desta tendência à centralização, o século XIX viu se desenvolver um outro fenômeno interessante, totalmente novo, ou seja, a modernização ou, como diriam alguns, o renascimento da África. Uma das características marcantes dos contatos que tiveram lugar nesta época entre africanos e europeus – contatos que remontam ao século XV – é que, graças essencialmente aos esforços dos exploradores, dos comerciantes e dos missionários, estes contatos que, até então, eram limitados só ao litoral, se expandiram gradualmente em direção ao interior.
Sob os efeitos da revolução industrial, esta penetração permitiu a introdução não somente de armas de fogo e de pólvora, mas da estrada de ferro, do telégrafo, de equipamentos agrícolas e de mineração, de gráficas, do ensino técnico e, sobretudo, de capital. Estas inovações criaram certamente possibilidades novas, mas constituíram também outros desafios e ameaças: alguns dos fenômenos mais novos e mais notáveis deste período da história africana são precisamente devidos às iniciativas e reações dos dirigentes africanos e de seus conselheiros diante de tais desafios e ameaças. Parece que, na maioria dos casos, a atitude dos africanos não era de imitar cegamente ou de adotar sem discriminação estes aportes do estrangeiro, mas acima de tudo de adaptá -los e tentar uma síntese das duas civilizações. Os exemplos desta modernização da África formam legiões56.
O Egito construiu a sua primeira gráfica em Būlak, em 1822; a primeira prensa tipográfica de Luanda, então nas mãos dos portugueses, começou a funcionar em 1841; as primeiras explorações mineiras modernas na Argélia foram inauguradas em 1845 e as da Costa do Ouro o foram durante a década de 1870. Alguns países, como a Etiópia e a Tunísia, lançaram programas de obras públicas; a maioria dos Estados berberes, bem como o Egito, reformaram os seus sistemas monetários. Outros ainda, como o Egito de Mohammad ‘Ali, criaram um grande número de indústrias têxteis e de fiação de algodão, de serrarias, de fábricas de vidro, bem como uma fábrica de papel.
Todavia, é no plano militar que a modernização teve os seus efeitos mais profundos e mais notáveis. Perante o avanço incessante dos europeus, diversos Estados africanos, em particular certos países da África Setentrional e Ociden- tal, modernizaram os seus exércitos no plano da organização, da formação, dos equipamentos e do recrutamento. Como se verá mais adiante, o Marrocos, por exemplo, criou em Fez uma escola de engenharia destinada a formar artilheiros, topógrafos, cartógrafos, além de enviar militares para estudar no exterior. Na época do bey Ahmad, a Tunísia não se contentou em reorganizar o seu exército segundo o modelo ocidental e em adotar as técnicas e os métodos correspon- dentes, mas criou igualmente fábricas modernas para a produção de canhões e de outros equipamentos militares de ponta. Sob os reinados de Téwodros e de Menelik, a Etiópia aboliu o seu exército feudal, no qual o soldo era desco- nhecido, substituindo -o por um exército profissional bem equipado; do mesmo modo, criou fábricas de canhões e de morteiros. Samori Touré, por fim, reformou e modernizou também o seu exército e o dotou com algumas das mais modernas
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armas da época. São estas reformas que permitiram a Touré e a Menelik resis- tirem tanto tempo às potências imperialistas durante as duas últimas décadas do século. Todavia, como mostrarão certos capítulos, esta modernização só foi possível graças aos empréstimos tomados a taxas elevadas, principalmente na Europa; isto é que preparou o terreno ou forneceu o pretexto para as conquistas imperialistas do final do século.
O mesmo processo de modernização manifestou -se no campo institucional. Deste modo, constata -se que, devido ao desenvolvimento notável da elite instru- ída e dos ulamā que, naturalmente, começaram a querer se associar à adminis- tração do país, muitos Estados da África lançaram -se em diversas experiências políticas e constitucionais. De fato, é possível igualmente interpretar as jihad fulbe da primeira metade do século XIX como uma reação política violenta às tensões entre a nova elite letrada dos ulamā e a elite reinante tradicional e ver nas rebeliões dos juula da segunda metade do século, de acordo com Person, uma revolta da classe dos comerciantes instruídos contra a elite conservadora no poder57. Em outras regiões da África, particularmente na costa ocidental,
estas tensões não provocaram nem cruzadas nem explosões de violência, mas encontraram uma solução constitucional. De fato, a elite instruída não procurou, no século XIX, substituir a velha aristocracia no comando das diferentes nações, como o faria nas décadas de 1820 e 1830, mas tentou chegar a um compromisso e cooperar com ela dentro do quadro do sistema existente. Nós já mencionamos as tentativas constitucionais que se seguiram às migrações dos iorubás. Todavia, não há exemplo melhor desta tendência que a constituição da Confederação fanti da Costa do Ouro, redigida em 1874. Os artigos 4, 5 e 6 desta constituição foram redigidos como a seguir58:
Serão eleitos um presidente, um vice -presidente, um secretário, um subsecretário, um tesoureiro e um tesoureiro -adjunto;
O presidente será eleito pelo colégio de reis e proclamado rei -presidente de toda a Confederação fanti;
O vice -presidente, o secretário, o subsecretário, o tesoureiro e o tesoureiro -adjunto que comporão o Gabinete serão pessoas instruídas e de condição elevada.
Os objetivos da Confederação fanti, tais como os define o texto da constitui- ção, não são menos consideráveis e significativos: trata -se de assegurar relações amigáveis entre os soberanos e chefes do Fanti, além de sua aliança ofensiva e
57 Ver o capítulo 24 do presente volume.
defensiva contra o inimigo comum; de construir “uma rede rodoviária sólida e importante em todos os distritos do interior que compõem a Confederação”, devendo as estradas “ter 15 pés de largura e ser margeadas por calhas suficien- temente profundas em cada lado”; de criar escolas para a educação de todas as crianças da Confederação, além de “assegurar os serviços de mestres competen- tes”. Outros objetivos buscados: “promover atividades agrícolas e industriais; introduzir novas plantas que poderão no futuro se tornar objeto de um comércio lucrativo para o país”, enfim, desenvolver e favorecer a exploração das minas e de outros recursos do país. Uma importância especial foi dada à educação das crianças dos dois sexos, como testemunha o artigo 22: “Escolas técnicas serão anexadas às diferentes escolas nacionais e terão por missão expressa educar e formar os alunos nas profissões de carpinteiro, pedreiro, serrador, marceneiro, agricultor, ferreiro, arquiteto e empreendedor de construção etc.”
Os objetivos da Confederação foram fixados de forma verdadeiramente sur- preendente pelo seu caráter progressista e moderno, enquanto o espírito no qual a Constituição foi redigida – busca por uma relação harmoniosa entre a elite instruída e as autoridades tradicionais – é, em si, revolucionário. Se uma chance tivesse sido dada a estes esforços e projetos audaciosos, fortemente inspirados nos trabalhos de Africanus Horton, de se realizarem, a história, não somente da Costa do Ouro, mas provavelmente de toda a África Ocidental britânica, teria seguido um curso diferente. Mas, por motivos que serão expostos adiante, os britânicos tinham, desde 1873, posto um fim a esta audaciosa e notável iniciativa.59
Uma experiência constitucional análoga levou à criação do Egba United
Board of Management (Conselho Unido de Administração dos egba), fundado
em Abeokuta. De acordo com Africanus Horton, ele era encarregado expressa- mente “de dirigir o governo autóctone, de expandir a civilização e de promover a propagação do cristianismo, bem como de proteger os direitos de propriedade dos comerciantes europeus e dos súditos britânicos”60. Citemos, por fim, a Cons-
tituição do reino dos grebo que, como observa Person mais adiante, foi edificada sobre o modelo da Constituição da Confederação fanti.
Todos estes exemplos o mostram claramente: mudanças fundamentais inter- vieram tanto no campo político como nos planos religioso e demográfico; e inúmeras questões cruciais hoje – relações entre a elite instruída e as autori- dades tradicionais, problemas de desenvolvimento socioeconômico, a noção de
59 Ver o capítulo 25 do presente volume. 60 J. A. Horton, 1969, p. 151 -153.
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independência política e a concepção e a prática do pan -africanismo, ou ainda a discriminação racial – têm sua origem no período estudado neste volume.